
PRLOGO:
So decorridos doze anos desde que vimos pela ltima vez Harry 
Potter e ele agora tem 36 anos. Seu filho mais velho, Abel Potter est 
preste a entrar para Hogwarts. Muitas coisas aconteceram nestes anos, 
dez dos quais entre a priso e a fuga do primeiro grande bruxo das 
trevas que Harry mandou para a priso.
        Epa, como assim, fuga? O Camaleo, mais conhecido como Lcio 
Malfoy... fugiu? Srio? No  pegadinha? No, infelizmente no 
... e esse  um fato to importante que vamos saber como 
aconteceu... est tudo no primeiro captulo, inclusive as vidas, os 
rumos e os imprevistos nas vidas daqueles personagens que amamos... 
bem-vindos a minha ltima fic sobre eles (e desta vez eu falo 
srio!!)
OBSERVAES: 
1- O Vendigo, criatura do folclore navajo americano,  de domnio 
pblico, a imagem que usei dele nesta fic  livremente inspirada na 
descrio da criatura fornecida por Stephen King no Livro "O 
Cemitrio" (Pet sematary - EUA - 1982).
2- O uso de universos paralelos e outros mundos foi realmente inspirado 
pelo livro de Phillip Pullman "A Bssola Dourada", cuja leitura a 
autora recomenda. Porm, tirando o conceito dos universos paralelos, 
procuramos criar uma histria completamente diferente do supracitado 
livro. A fronteira tem muito do "Bosque entre dois mundos", do livro 
"Crnicas de Nrnia", mas na verdade, isso foi coincidncia, ainda 
no havia lido as "Crnicas" quando comecei a escrever esta 
histria.
3- Finalmente, o mundo dos sonhos, que  os personagens visitam,  
criao do genial autor ingls Neil Gaiman (que os mais atentos 
vo ver que j foi homenageado diversas vezes pela autora ao longo 
de dez fanfictions), aparece nesta como seu personagem mais 
emblemtico, O Sonho, mais uma vez como forma de homenagem ao genial 
criador do verdadeiro mestre dos sonhos.
HARRY POTTER E OS GUARDIES DA FRONTEIRA
Fanfiction por Aline Carneiro
CAPTULO 1- DOZE ANOS        
Foi numa noite negra e sem luar que eles levaram Lcio Malfoy para a 
priso de Oz.
Era uma ironia muito grande o nome daquele lugar ser Oz. Era o segredo 
mais bem guardado do ministrio da magia americano, a localizao 
de sua fortaleza correcional, assim como quem eram os guardas 
terrveis da priso mais temida do mundo mgico, desde que a 
poltica de Azkaban fora modificada.
        Harry Potter pensava nisso, olhando para Troy Adams, enquanto ambos 
escoltavam o Camaleo, Lcio Malfoy, o primeiro, mas no o 
ltimo, bruxo que ambos conduziriam  priso americana. Era 
estranho que eles estivessem se embrenhando cada vez mais no prdio do 
ministrio americano com o prisioneiro, se iam fazer uma viagem... 
ser que usariam p de flu? Ele no pode deixar de rir com a 
ironia, quando entraram num corredor escondido que tinha o cho 
pavimentado por tijolos amarelos... a estrada que conduzia a Oz? 
"Americanos tm um estranho senso de humor...", pensou.
        O funcionrio que os conduzia, um guarda chaves, abriu uma porta e 
repentinamente estavam ao ar livre. Harry levou um susto, porque no 
esperava aquilo, e  Adams, pelo visto tambm no. Apenas Lcio , 
encapuzado, parecia estar impassvel enquanto era conduzido sob a 
ao de um feitio que lhe paralisava os membros superiores. O 
guarda chaves voltou-se e disse num tom sombrio, enquanto estendia aos 
dois uma velha colher-de-pedreiro enferrujada e fora de uso:
        - No percam esta chave de portal... ela  a nica forma de 
retornarem de Oz em segurana... a entrada priso  numa ilhota no 
meio de um pntano, no me perguntem onde ela fica, nem mesmo eu 
sei, porque a porta  s o comeo... no saiam da ilhota, o 
lugar  perigoso mesmo para um bruxo, e a floresta que o delimita  
guardada por um vendigo... ningum que viu um vendigo teve boa sorte 
depois de avist-lo, portanto, se virem uma grande sombra cinzenta ao 
longe cubram os olhos, o olhar dele atrai a desgraa. Vocs vo 
saber o que fazer ao chegar l. Assim que ele - apontou Malfoy com o 
queixo - estiver entregue, voltem, no tentem explorar a terra de 
ningum... os guardas cuidaro dele muito bem... no exatamente de 
uma forma agradvel... - o homem deixou as reticncias pingarem 
visivelmente, ele lembrava em seu sadismo o zelador de Hogwarts, Argus 
Filch. E esse pensamento ajudou Harry a no se preocupar muito com o 
que veria a seguir.
        Olhou para Troy Adams e ambos tocaram na chave de portal segurando 
Lcio Malfoy pelos braos. Viajaram sabe-se l quantas milhas 
at um lugar de ar fantasmagrico, que deu um arrepio em Harry, que 
olhou em volta desconfiado. Era realmente uma ilhota, mas mal dava para 
ele, Adams e Malfoy em p... o que viria a seguir? Entendeu porque o 
homem disse que saberiam o que fazer: na sua frente havia um sino tosco 
de um metal estranho, pendurado em uma rvore, lembrando 
desagradavelmente a ele a figura de um enforcado. Na pequena ilhota, ele 
reconheceu alguns ps de mandrgora selvagem espalhados pelo cho. 
Sem pensar muito, estendeu a mo e tocou o sino.
        Diante deles, a gua lamacenta do pntano comeou a borbulhar 
como se estivesse fervendo intensamente. E uma escadaria apareceu do 
nada. Uma voz que lembrava o crepitar de folhas secas disse do fundo:
        - No desam... ns iremos subir. - Harry ficou esperando o som 
de passos que que no ouviu nunca, pois repentinamente, no alto da 
escada apareceram duas criaturas, dois dos guardies de Oz, pelo que 
ele deduziu.
        "Assustadores" seria uma definio generosa para as duas coisas que 
apareceram no alto da escada. Era difcil se definir de que matria 
eram feitos, mas dava para se ver que eram um homem e uma mulher, de 
alta estatura. Mas pareciam criaturas de fumaa e sombra, duas sombras 
negras que davam a impresso de serem formados por  alguma matria 
oscilante que  no tinha estabilidade suficiente para se manter 
agregada. Apenas os olhos tinham alguma vida, mas no tinham parte 
branca, eram como dois pontos negros brilhantes porm sem emoo 
alguma no olhar. A mulher falou primeiro:
- Pode desencapuz-lo... ele ter de olhar para muitos de ns de 
hoje em diante. - Troy e Harry se entreolharam e o auror americano 
retirou o capuz de Lcio Malfoy, que virou a cabea com dio na 
direo de Harry. Uma cicatriz repuxava-lhe a face branca e ele 
abriu um esgar de raiva:
- Se eu um dia sair daqui.... voc e meu filho iro pagar caro.
Harry no respondeu, realmente no havia nada de diferente a se 
esperar daquele bruxo. Simplesmente deixou que as duas criaturas da 
sombra o levassem. Sem um rudo, elas conduziram Malfoy escada abaixo 
e as guas do pntano se fecharam, escondendo a entrada para Oz.
- Em que lugar do pas estamos, Adams?
- Nem mesmo eu sei, Potter. Nem quero saber, o pouco que sei  que o 
Vendigo  do Norte. Talvez estejamos at fora do pas, no 
Canad, por exemplo.
- Acho melhor irmos embora, j fizemos o que devamos fazer.
- Lgico... no pretendo ficar muito tempo num lugar onde ronda um 
vendigo 
Sem mais rodeios ele estendeu a Harry a chave e eles deixaram o local.
Pouco depois, atrs das rvores, uma criatura cinzenta com grandes 
olhos amarelos se moveu, do outro lado do pntano. Ele no os vira, 
nem fora avistado por eles.
 Muito bom assim, pois o Vendigo no gostava de gente.

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        Se Sheeba e Sirius tinham uma preocupao ela tinha nome: Hope. A 
garotinha sapeca que vivia com joelhos ralados foi crescendo e se 
tornando uma garota cabea dura como Sirius e estourada como Sheeba.
        Aos treze anos, Hope Amapoulos Black decidiu que amava desesperadamente 
Bernardo Fall D'Anime, sem querer saber que o rapaz era dez anos mais 
velho que ela e nem desconfiava de sua paixonite.
        O filho mais jovem  de Elisabeth Fall se formara em Hogwarts j h 
alguns anos, e era uma promessa do novo campo da magia: os mecanicistas. 
Ele era especializado em estudar os artefatos trouxas e descobrir como 
integra-los ao mundo bruxo, isso tudo fazia parte da utopia de Arthur 
Weasley: o dia em que bruxos e trouxas atuariam juntos, como um s 
povo, em colaborao.
        Bernardo era um rapaz muito inteligente, embora no pudesse 
exatamente ser chamado de bonito. No muito alto, moreno como a me, 
tinha a mesma face larga da irm, Bianca, sem o mesmo brilho e encanto 
da jovem amada de Luccas Lux. Era um rapaz meio quieto e sombrio, e 
nunca entendeu, quando soube, o que a jovem pitonisa filha de Sheeba 
vira nele. Ela era toda brilho e vivacidade, ele uma certa quietude 
melanclica prpria daqueles que pensam mais que sentem.
        Mas Hope acreditava que o amava, e cresceu com esse amor a empolgar-lhe 
os sentimentos meio infantis. Sheeba percebera aquilo, e um dia, quando 
Hope estava com quinze anos,  tocou a filha disfaradamente, vendo o 
sofrimento que aquela paixonite platnica traria  filha.
- Hope, esquea Bernardo. Ele nunca vai amar voc de verdade.
- Me, eu fico te tocando para saber teu futuro?
- Hope... eu estou falando pelo seu bem...
- Sim, pelo meu bem, como disseram  senhora que esquecesse meu pai 
quando eles estava em Azkaban, para o seu bem, no  mesmo?
- Hope...
- Nunca mais me toque, ouviu? Nunca mais.
Esse dilogo marcou o incio de uma nova etapa do relacionamento de 
Sheeba e sua filha mais velha: da em diante, as duas jamais se 
tocaram sem luvas isolantes. E Sheeba decidiu que o sofrimento faria 
Hope aprender algo no fim de tudo.
Pouco depois de fazer dezesseis anos, Hope decidiu declarar seu amor a 
Bernardo, mas de uma forma especial. Era perodo de frias em 
Hogwarts, onde ela cursava o sexto ano. Levou Bernardo, como quem no 
queria nada,  escola nas frias, onde ela sempre tivera livre 
trnsito. Em pouco tempo, Bernardo j desconfiava do motivo de 
estarem caminhando  beira da Floresta Proibida. Repentinamente Hope 
correu para dentro da floresta sombria rindo, e depois de um instante de 
hesitao, o rapaz a seguiu, achando que ela estava ficando louca. 
Foi encontr-la maravilhada acariciando a crina de um unicrnio,  
beira de um pequeno lago. O animal mgico ao v-lo disparou, 
deixando nas mos de Hope um plo de sua crina sedosa.
- Voc o espantou - ela disse fazendo um muxoxo. 
- No seja infantil, Hope , voc sabe que os unicrnios gostam 
mais de garotas. - ela sorriu e mostrou o pelo brilhante que ficara em 
sua mo esquerda.
- Veja, ele me deixou um presente... isso  maravilhoso, existem mil 
encatamentos que podem ser feitos usando-se  plo de crina de 
unicrnio...
- Guarde-o... ele pode te ajudar mais tarde.
- No vou guard-lo... vou d-lo a voc -ela disse enfiando o 
pelo nas mos do rapaz, que ainda tentou recusar, mas no conseguiu. 
Quando viu, eles estavam muito prximos. E ela o olhava, os olhos 
grandes e negros fixos nele com paixo. Antes que ela dissesse, ele 
entendeu.
- Bernardo... eu te amo. - Bernardo franziu as sobrancelhas... ela era 
linda, jovem e totalmente inocente, era tentador, mas ele no era um 
canalha. A verdade  que sabia que jamais amaria Hope Black. 
Devolvendo o olhar com seriedade, respondeu:
- Voc est dizendo uma grande bobagem... voc no me ama, nem 
eu amo voc. Seria lindo para voc  que eu te desse um beijo, e 
no pense que a tentao no  grande... mas isso te encheria 
de iluses a meu respeito, Hope. Esquea que me disse isso.
- Mas...
- Esquea. Vamos voltar. No  certo estar aqui, principalmente em 
sua companhia. Vou te levar para casa e vamos esquecer que isso 
aconteceu. 
Mal se falaram no trajeto de volta, em que o plo de unicrnio foi 
esquecido no fundo do bolso da capa de Bernardo Fall. Naquela tarde, o 
corao de Hope sofreu uma mudana irreversvel, que seria 
notada muito tempo mais tarde.

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Hermione Granger era agora o que podia ser definido como uma bruxa de 
muito sucesso. Em menos de dez anos de carreira ascendera ao segundo 
escalo do ministrio da magia, merecidamente.
Cuidara de monitorar feitios clandestinos com tanta competncia que 
se tornara internacionalmente famosa por isso, e dava conferncias 
pelo mundo explicando como desenvolvera uma tcnica de monitoramento 
de foras das trevas que evitara inclusive o ataque a trouxas por um 
bruxo psicopata descoberto bem a tempo.
Ela e Ronald Weasley eram um desses casais que as pessoas contemplam de 
longe sorrindo, pois se ela era impertinente e teimosa,  ele parecia 
no lev-la muito a srio, o que fazia que tivessem sempre a 
melhor soluo nos atritos inevitveis.
Rony se tornara um consagrado ator bruxo de Cinema, mas tambm atuara 
em teatro e agora levantava fundos para produzir e dirigir seu primeiro 
longa metragem, que contava a histria de como o Guerreiro da Luz 
aprisionara o sombrio sob a terra, mil anos antes... um pico 
emocionante.
Tiveram quatro filhos em escadinha, todos meninos. O primeiro, Richard, 
era afilhado de Harry, e a cara de Hermione. O segundo se chamou Henry e 
nascera logo depois do primeiro filho de Harry, que se entusiasmara, 
porque sabia que seu filho e o filho de seus melhores amigos estariam em 
Hogwarts ao mesmo tempo, e na Grifnria, ningum duvidava disso!
Os mais jovens eram Paul e Jonas, que eram ruivos como Rony e Henry. 
Rony adorava provocar a esposa dizendo que afinal a marca dos Weasley 
era indelvel. Com os quatro meninos Rony parecia voltar  
infncia, algum tinha que manter o nvel de insanidade naquele 
lugar austero, driblando a disciplina da sargento Granger, como ele 
gostava de dizer...
Se Hermione tinha um seno em sua vida, era seu colega de ministrio 
e cunhado, Percy Weasley. A poltica conservadora dele se opunha 
frontalmente s idias do pai, que eram partilhadas por Hermione. 
Ela se preocupava intensamente com o dia em que o Sr Weasley deixasse a 
pasta, o que talvez no fosse tardar, pois ele j passara dos 
sessenta anos, e estava h mais de quinze  frente do ministrio. 
O que ela no imaginava  que algo mudaria irremedivelmente nas 
relaes entra ela e o cunhado quando isso acontecesse.
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        Sirius Black avaliava seu futuro possvel. Ele estava evitando falar 
sobre isso com Sheeba, mas sabia que ela j estava a par das suas 
dvidas. Num instante haviam  passado dez anos desde que ele se 
tornara um "Auror Honorrio". Dez timos anos em que ele se dividira 
entre o trabalho em Hogwarts (que ele amava) e o combate, que o fazia 
sentir vivo. Sua "identidade secreta" ficara oculta de Harry por apenas 
dois anos, quando concluiu que era melhor e mais honesto dizer quem era 
"O Demolidor" para o afilhado, que afinal j era um homem. Mas no 
disse quem era o outro que trabalhava disfarado.
        Seu respeito por Severo Snape crescera consideravelmente nos ltimos 
dez anos, pois alm deles j estarem  com mais de cinqenta anos, 
ele tinha que reconhecer: o cara sabia das coisas... e estava agora do 
lado certo. Isso no era exatamente uma licena para se tornar amigo 
da velha cobra de nariz de gancho, mas era um comeo!
        Mas a verdade  que h coisa de uns trs meses algo vinha 
acontecendo com Severo Snape, ele tinha certeza. Snape parecia 
decididamente diferente, ele no sabia porque, parecia taciturno e 
sombrio, mesmo quando encarnava o Mr Sandman. Isso no era normal.
        E era por causa disso que Sirius hesitava em deixar o trabalho como 
Auror para assumir a direo de Hogwarts, como era desejo confesso 
de Minerva McGonnagal, que dissera a ele que queria descansar depois de 
sessenta anos trabalhando na escola (ela se aproximava j dos noventa 
anos de idade). No fora apenas Minerva que o escolhera como sucessor, 
e ele sabia disso, olhando para a gaiola  direita de sua mesa, onde 
Fawkes parecia cada vez mais prxima de mais uma morte, pois as penas 
caam e ela ficava a cada dia mais feia.
        Abriu a gaveta e tirou a carta que a fnix trouxera para ele:
        "Ento, Sirius, 

Chegou a hora em que voc deve decidir, no  mesmo? Eu te vi 
aprendendo enquanto estava ao seu lado, eu e Minerva estivemos apostando 
em voc por todos estes anos, acreditvamos que apesar de toda sua 
impetuosidade, chegaria o momento em que voc seria o diretor ideal 
para a nossa amada Hogwarts.
        Eu sei o que voc deve estar pensando, que isso significa abandonar a 
vida de aventuras e perigos eventuais, que te fizeram renascer depois 
dos anos preso em Azkaban, como qual um pssaro depois de muito tempo 
preso, voc decidiu esticar as asas e voar...
        Eu s te peo que pense... enquanto estive em Hogwarts, vivi a 
maior de minhas aventuras, eu fui como o salgueiro lutador: estive preso 
 escola, mas em momento algum deixei de defend-la... acho que as 
suas mos so as mais indicadas para defend-la agora.
        Voc est acostumado a receber minhas cartas por Fawkes, mas dessa 
vez, ele no ir retornar, e  melhor no comentar porque... meu 
grande amigo de muitos anos passa agora a te acompanhar, e espero que 
ele te ajude na tarefa que voc tem pela frente.
Um grande abrao, e at um dia, 
Alvo Dumbledore"

No instante que acabou de ler a carta, Fawkes soltou um piado agudo e 
pegou fogo, reduzindo-se a cinzas. Sirius respirou profundamente e tomou 
sua deciso: puxou um pergaminho e comeou a escrever uma carta para 
o conselho, pedindo o desligamento definitivo do "Demolidor". Sem que 
ele sentisse, lgrimas involuntrias vieram aos seus olhos quando 
ele pensou em Alvo Dumbledore.
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        Quase um ano depois deste dia, ele avaliava um novo candidato ao cargo 
de defesa contra artes das trevas:
- Tem certeza que  isso que voc quer?
- Tenho.
- Voc  muito qualificado, mas tem certeza que quer abandonar o seu 
emprego? O salrio aqui  menos da metade do que voc ganha.
- Voc sabe muito bem que eu tenho uma grande fortuna de famlia... 
no preciso me preocupar com um salrio, no fundo, eu sempre quis 
voltar para Hogwarts, Sirius.
- Pense bem no que voc vai fazer, voc no  o primeiro sujeito 
no mundo que fica chateado com o divrcio.
- Eu no estou chateado com o divrcio, apenas quero mudar. 
- Muito bem... ento voc est contratado. Pode assinar esse 
pergaminho?
Sirius estendeu um pergaminho, que o homem  sua frente assinou. Ficou 
calado um instante olhando ele antes de dizer:
- Eu te espero no fim do vero, Draco.
- Combinado, Sirius - ele disse, e saiu, sem dar um nico sorriso. 
"Esse sujeito tem problemas". Pensou Sirius, lembrando-se do filho de 
Draco que j estava estudando em Hogwarts.
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        Nem Draco nem Sue saberiam dizer o que havia feito seu casamento 
naufragar. Tinham sido dez anos de felicidade absoluta e quatro filhos: 
dois meninos e duas meninas, antes de comearem as brigas dos dois.
        A verdade era que ambos no haviam sabido coordenar as prprias 
vidas, to diferentes, com a criao das crianas e o trabalho 
de ambos. O fato de um estar sempre desabando de sono quando o outro 
estava acabando de acordar tambm tinha contribudo bastante para 
acabar com o relacionamento. Era fato que nem Draco pretendia parar de 
trabalhar num horrio "normal" no Ministrio Americano e nem Sue 
aceitara diminuir a carga horria e muito menos dedicar menos tempo a 
caar vampiros tambm contava bastante.
        John Van Helsing, que tinha vasta experincia em casamentos 
fracassados, ainda avisou a ambos que eles estavam tomando uma  via 
perigosa, mas como quase sempre acontece, no foi ouvido. Ele sabia 
que nem mesmo o maior dos amores pode ficar de p num ambiente 
desajustado como o da famlia Van Helsing Malfoy.
         E secretamente John achava que sua filha como me deixava um tanto a 
desejar... ele via os netos, Draco Junior, Kayla, Jully e Mike todos os 
fins de semana, e sabia o suficiente para saber que simplesmente todos 
eram bruxos de verdade, o que ele achava que ressentia um pouco Sue... 
mas para ele no fazia diferena, era at melhor, imagine como 
seriam bruxos de sangue imune?
        E a gota d'gua para Draco e Sue cara exatamente por causa disso: 
ela fora contra o fato dele querer mandar Draco para Hogwarts, do outro 
lado do oceano, mas ele insistira tanto que ela cedera. Era um prazer 
para Draco levar o filho a Londres e faz-lo embarcar no expresso de 
Hogwarts, como ele mesmo embarcara anos antes. Aceitara as desculpas de 
Sue para no ir com ele a Londres levar o menino no comeo do 
perodo letivo por achar que ela no suportava muito bem o fato se 
se separar do menino.
        Porm, quando chegou o final do ano letivo, em que Draco sabia que o 
menino se sara bem demais, destacando-se na Sonserina por mritos 
prprios, e ele, que j estava em Londres resolvendo alguns 
assuntos, percebeu que Sue no viria para buscar o garoto na 
estao Kings Cross. Tomou uma deciso dura e difcil: resolveu 
se separar definitivamente dela.
        E agora, com a segunda filha prxima  idade de ingressar em 
Hogwarts, resolvia recomear onde afinal tudo comeara.
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        Bernardo Fall testava um novo modelo de moto voadora com seu amigo 
japons Yoshi Hamada, sobrevoando as florestas do norte dos Estados 
Unidos. Cada um pilotava uma Honda adaptada, um projeto ultra-secreto, 
com proteo anti-trouxa e escudo anti-radar, mais invisibilidade 
programada de srie, era quase to bom quanto voar numa vassoura 
modelo Supernova, cujo projeto Bernardo ajudara a desenvolver. 
        Atualmente no era muito seguro voar sobre os Estados Unidos, mas 
ainda assim, os ventos sobre as florestas do Norte ainda eram os 
melhores para se testar um objeto voador, ento, valia o risco de ser 
quase avistado por um caa qualquer, sempre vigiando o espao 
areo americano desde que h mais de quinze anos, o pas vivia sob 
ameaa de ataques terroristas. No avisar o ministrio americano 
era prtica comum para fugir  toda burocracia vigente.
        Essa imprudncia custou bem caro para Bernardo e seu amigo.
        Foi tudo repentino, a moto de Yoshi apresentou um defeito no mecanismo 
de invisibilidade e no escudo anti-radar, quando eles estavam a alguns 
quilmetros de Portland, no Maine. Bernardo no soube dizer como 
aconteceu mais tarde, mas o que houve foi que de uma base militar 
prxima partiu um caa atrs dos dois, que s perceberam tarde 
demais o defeito. Em pouco tempo, mesmo sem contato visual, o caa 
lanou contra eles um missil.
        Foi Bernardo que viu primeiro, no painel da sua moto, a coisa se 
aproximando. S lhe ocorreu gritar para Yoshi que descesse e tratasse 
de ficar com os ps no cho. Desviando-se como podia do mssil, 
Bernardo comeou a conduz-lo com um feitio, enquanto imaginava 
um jeito de deton-lo sem causar estrago algum, voava agora na cola da 
ogiva, que ele sabia que iria acabar se chocando com algo e detonando-se 
antes que ele pudesse fazer qualquer coisa. O painel do seu equipamento 
informou a ele que estava sobre um pntano... era provavelmente um 
lugar desabitado, e sem pensar muito no que fazer, apenas em evitar que 
o mssil matasse algum, ele o direcionou para baixo e esperou que 
ele se detonasse sobre as guas barrentas do pntano, suspirando de 
alvio quando isso aconteceu. Rumou para o Norte e foi procurar Yoshi. 
Desceu em uma estrada e foi rodando, agora com a moto no cho, at 
encontra-lo parado  beira da estrada, acompanhado por dois homens que 
ele viu serem bruxos.
- Algum problema? - perguntou, acreditando no ter feito realmente 
nada demais.
- Este senhor foi avistado por um caa, certo?
- Foi um acidente - alegou. O homem franziu o rosto e prosseguiu.
- O caa disparou um mssil...
- Sim, eu o desviei, ele podia cair ou se detonar em algum lugar 
perigoso para trouxas.
- Lugar perigoso? - disse o outro bruxo, no controlando a raiva - 
garoto, voc acabou de detonar um missil sobre a priso de Oz!
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        Foi muito difcil defender Bernardo e Yoshi, e essa tarefa coube a 
Hermione Granger. No complicado julgamento que se seguiu, ela conseguiu 
provar diante do ministrrio americano que eles no podiam saber que 
um caa ia confundi-los com um mssil, muito menos que Bernardo 
pudesse saber que estava sobrevoando a priso americana. Com muito 
custo eles ficaram livres da priso, mas no impunes.
        Pela imprudncia, ambos foram considerados proscritos, e o voto de 
minerva no conselho de tica bruxa internacional que os condenou veio 
de Percy Weasley. A pena de viver com os trouxas e como trouxas era 
ainda pior que uma sentena de priso: significava vergonha e 
humilhao.
        Para piorar, depois da exploso, parte da muralha secreta de Oz se 
danificara, e o povo da sombra avisara ao ministrio que alguns presos 
estavam desaparecidos e provavelmente mortos. Ningum que no 
pertencesse ao povo sombra descia as escadas para Oz, e os Bruxos 
tiveram que se conformar em receber uma lista, enquanto o povo sombra 
fazia as buscas dos desaparecidos. Nesta lista estava o nome de Lcio 
Malfoy.

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        O Dia em que se tornou um proscrito ficaria para sempre na memria de 
Bernardo Fall. Yoshi, ao saber a sentena, dera fim  prpria 
vida, preferira a morte  vida na desonra. Ele era diferente, 
agarrava-se  esperana de conseguir se redimir e sair da 
clandestinidade, durasse seu exlio dez ou mil anos. 
        Os homens do ministrio compareceram ao seu apartamento e revistaram 
tudo, em busca de objetos mgicos. Percy Weasley representou o 
ministro. Hermione estava com eles e perguntou discretamente se ele 
ficaria bem.
- No se preocupe comigo, Sr  Weasley. Mal ou bem eu ainda sei 
consertar coisas de trouxas, e sei lidar com computadores. - Sua voz era 
quase metlica, de to monocrdia e neutra. Hermione no pde 
deixar de ter pena, lembrando-se que quando menino Bernardo fra 
travesso a ponto de esconder uma tarntula nos seus cabelos. 
Os homens do ministrio terminaram a revista e juntaram cada objeto 
mgico que havia no lugar. No deixaram sequer um saco de p de 
flu. Bernardo parecia morto por dentro olhando a pilha de coisas 
confiscadas. Ento, diante dele, Percy Weasley tomou a varinha, 
comprada por sua me para ele na loja do senhor Olivaras dezessete 
anos antes, feita de pelo de unicrnio e raiz de carvalho, e quebrou 
em trs partes, dizendo:
- De hoje em diante, Bernardo Fall D'Anime, voc  pelo Ministrio 
da Magia da Gr Bretanha, considerado oficialmente um proscrito. - 
Bernardo ficou de cabea baixa at que os representantes  do 
Ministrio deram as costas a ele e saram, batendo a porta atrs 
de si.
Ento, Bernardo deu um sorriso que demonstrava uma nota de triunfo e 
sua mo direita acariciou algo dentro do bolso da capa. O plo de 
unicrnio que Hope lhe dera um ano antes.

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- Eu quero uma segunda opinio - o rosto de Severo Snape estava  
contrado numa expresso que era um misto de medo, negao e 
reconhecimento. H pelo menos dois anos ele sabia o que tinha, ou pelo 
menos, desconfiava. No quisera aceitar, mas agora no havia mais 
como fugir. O mdico bruxo levantou os olhos e retirou os culos, 
passando a mo pelo rosto.
- Severo, voc  meu amigo. Ns estudamos juntos em Hogwarts... eu 
sei que eu sou o terceiro mdico que voc procura... tente 
entender...
- Eu entendo. Eu quero apenas saber minhas chances - agora, ele estava 
frio, ao reconhecer a verdade iminente
- Bem, voc deixou passar muito tempo... existem determinadas 
doenas que at mesmo para ns so difceis de tratar... o 
cncer de pulmo  uma delas, entre os trouxas a mortalidade nos 
casos to avanados quanto o seu  de 90% e voc sabe... entre 
ns, o tratamento  pouca coisa mais eficiente, temos cerca de 25% 
de chances de cura. - Snape arregalou os olhos. Em qualquer uma das 
hipteses, ele se sentia frito.
- Eu entendo... estou morto.
- No. No est, voc est vivo, na minha frente. E pode 
continuar vivo por muito tempo, se dispuser a colaborar comigo.
- Colaborar?
- Eu conheo uma mdica trouxa... ns dois temos um projeto 
experimental
- Voc no est querendo me usar como cobaia, est?
- Bem, eu estou querendo tentar algo com voc, eu e a Dr Van 
Helsing temos tratado com grande xito pacientes com um mtodo que 
mistura ambas as terapias... porm  preciso que voc concorde... 
voc teria setenta por cento de chances de ficar curado e para sempre, 
Severo.  sua nica esperana.
Snape olhou o mdico por alguns minutos. Ento, sabendo que aquela 
era a nica chance que teria, disse:
- Eu aceito. Quando comeamos?
- Segunda feira. Tire licena de seu trabalho por um ano... o 
tratamento vai ser longo.

--------
        "Isso significa o fim do Mr Sandman..." - Na nebulosa tarde de Londres, 
Snape ia andando com as mos nos bolsos, acabara de comunicar sua 
doena aos superiores e dizer que precisava de um ano de tratamento. 
Os chefes aurores no se opuseram em nada. Apenas pediram que ele 
indicasse um substituto para seu lugar na escola de aurores, por um ano 
ou definitivamente. E ele j sabia quem iria ser o escolhido, ele 
sabia desde o incio, no fundo estivera preparando-o h alguns anos 
para isso.
        Pensou na turma que agora iria para o segundo ano, a turma que ele no 
momento chefiava, cinco rapazes e uma moa, a primeira mulher a 
freqentar aquela escola desde a lendria Arabella Figg... turma 
promissora e inteligente.
        A garota era um dos destaques, e ele tinha de admitir, embora ela 
tivesse muito do pai, ele ao olh-la lembrava muito mais de sua me, 
e no podia negar, apreciava a garota. Era esperta e tinhosa a tal 
Hope Black.
        Seu outro aluno favorito era filho de um auror com quem trabalhara 
bastante. Gilles Stoneheart tinha parte da dureza do pai, mas seu bom 
humor era completamente desconcertante. Ele sabia que ali estava um 
futuro grande auror, filho de uma famlia onde sete geraes 
haviam combatido as foras das trevas.
        Mas ambos tinham muito a aprender: eram os dois arrogantes como todo 
jovem e imprudentes e estourados na mesma dose  e proporo. 
Pareciam demais com outro casal que ele conhecia. Demais mesmo. 
        Coou a nuca. Era hora, devia dizer a seu escolhido o que o 
aguardava, sabia que ele no iria negar seu pedido. Ele j estava 
devidamente transfigurado, quando ouviu uma frase cantada:
- I see trees of green, red roses too I see them bloom for me and you... 

- And I think to myself, what a wonderful world ! - ele respondeu 
sorridente, antes de completar: Ol, vassoura. Eu tenho uma tarefa 
para voc!


CAPTULO 2 - SONSERINA NO!

        Harry remexeu-se na cama, no estado semi-sonolento em que se encontrava 
e sem abrir os olhos passou a mo por sobre o corpo de Willy, 
puxando-a bem para perto se si. Ela abriu os olhos  e virou-se para lhe 
dar um beijo de bom dia. Ele deu um grande sorriso ainda de olhos 
cerrados e ento, os abriu para v-la.
- Algum j te disse que voc parece uma fada pela manh?
- S voc, e garanto que  mentira,  devo estar a cara de um elfo 
domstico...
- Se  assim, bom dia, meu elfo domstico!
- Bom dia, criatura amassada que eu no sei dizer muito com o que se 
parece... - ele beijou-a e acariciou de leve seus cabelos, antes de 
dizer:
- Pronta para Hogwarts?
- Pronto para a Alemanha? 
- Hum, mais ou menos... eu confesso que se no pudesse voltar para 
casa todos os dias aparatando com a moto, eu jamais aceitaria o cargo.
- Por que afinal de contas o Mr. Sandman pediu essa licena, Harry?
- Motivo de doena. Ele se recusou a me dizer o que era, mas eu acho 
que  algo muito grave... 
-  uma pena, voc gostava tanto de trabalhar com ele e Stoneheart.
- , foi uma boa parceria...onde esto meus culos?
- No lugar de sempre, Harry... - disse Willy revirando os olhos.
- Willy, se eu pudesse trocaria de lugar com voc. Dar aulas de vo 
em Hogwarts! Que sonho. E ainda continuar no antigo emprego!
- No  o salrio mais alto, voc sabe...
- Claro que eu sei... mas pense bem, eu vou aturar um bando de garotos 
arrogantes que pensam que so adultos e sabem alguma coisa de artes 
das trevas...
- Exatamente como ns ramos h uns anos atrs...
-  diferente... esses garotos no cresceram sob ameaa, dezoito 
anos de paz relativa, desde...
- Eu sei - ela o cortou, no gostava de falar sobre aqueles anos, 
lembrava a ela o fato de alm dele e dos trs filhos, no ter 
ningum no mundo.
- Desculpe, meu amor. Mas a paz  s entre ns... os trouxas, 
francamente... voc sabia que desde 2001 eles vivem sob ameaa de 
guerras, no acertam a sua economia... desde aquele atentado em Nova 
York.
- Isso afetou o mundo bruxo tambm... voc j notou como o Malfoy 
envelheceu?
- Pobre Draco... ele estava l nos piores anos... imagine, conciliar 
isso estando no lugar no mundo onde os bruxos e os trouxas esto mais 
prximos. 
- Eu tenho pena dele... acho que ele ainda gosta de Sue... voc sabe, 
eu convivi mal ou bem com ele ano passado... ele  um bom professor, 
ainda conseguiu emprego para Crabble e Goyle como zeladores, agora que o 
Filch se aposentou. E sabe quem Draco me lembra, como professor, Harry?
- Snape ?- Willy assentiu 
- O mesmo jeito amargo, o mesmo amor  disciplina... e sempre 
favorecendo os alunos da Sonserina.
- Snape... onde ser que anda ele, Willy?

-----
        Annie Van Helsing olhou o homem  sua frente com sria 
desconfiana. A forma nada amistosa com que Severo Snape respondeu 
s perguntas pr tratamento j o qualificava como "paciente no 
disposto a colaborar". Annie tinha o hbito de fazer notas mentais e 
"etiquetar" os pacientes: "disposto", "bem disposto"... sim, 
definitivamente aquele era um caso de "nada disposto".
        Severo Snape olhava quase que com horror para o branco e assptico 
ambiente do consultrio da mdica. Mdicos bruxos mantinham o 
ambiente asseado, claro, mas aquele consultrio com janeles de 
vidro num hospital definitivamente trouxa (ele decididamente odiava 
elevadores... porque estava proibido afinal de subir pelas velhas e boas 
escadas?). E o pior, ser tratado por aquela mulher estranha, com seu 
rosto muito branco e cabelos muito pretos e meio malcuidados... nossa, 
ser que ela no lava estes cabelos direito?
        A mdica o encarou novamente e disse:
- Muito bem, senhor Snape...  a ltima vez que eu peo... o 
senhor poderia ir para trs daquele biombo, tirar as roupas e por 
favor, colocar o camisolo? 
- Nunca.
"Vou ter problemas com esse cara" Pensou Annie.

-------
        Abel Potter era um menino magro e meio esmirrado, exatamente como fora 
seu pai aos 11 anos, s que diferente deste, s que diferente deste, 
Abel no tinha os olhos verdes, mas sim de uma cor de mel clara como 
os de sua me, tambm no usava culos, mas como pai, seus 
cabelos eram arrepiados e escuros e em todo resto, ele lembrava bastante 
a figura de Harry.. Mas em termos de personalidade, Abel era bem 
diferente de seu pai. 
        Todas as vezes que escutava a histria da infncia trouxa do pai, 
Abel pensava secretamente que se fosse ele provavelmente teria 
descoberto, ou pelo menos desconfiado que era um bruxo... mas o que ele 
tinha certeza  que se tivesse vivido a vida do pai teria fugido de 
casa assim que pudesse. Era obviamente um pensamento infantil e sem 
conhecimento de causa, mas dava para dar uma idia de como era sua 
viso da vida: Abel era dos que vo e pegam algo quando assim o 
querem.
        Desde que ele se entendia por gente, aguardava o dia em que entraria 
para Hogwarts. Tendo crescido em Hogsmeade, e sendo filho de Willy, que 
desde que casara trabalhara com pesquisas numa sala cedida no castelo, 
Abel era muito familiarizado com a escola, assim como os filhos de 
Sirius e Sheeba e os seus dois irmos.
        Ele no tinha muita pacincia com seus dois irmos menores, Emily 
e Andrew, embora no pudesse se dizer que fosse ruim para eles. 
Naquela manh, Abel acordou sentindo um friozinho gostoso na barriga. 
H pelo menos seis anos que ele s pensava nesse dia.
         verdade que nem seu pai nem sua me jamais haviam dito a ele o 
que acontecia na tal cerimnia de seleo, e ele imaginava coisas 
muito fantsticas: talvez os grandes bruxos do passado levantassem dos 
tmulos e escolhessem cada aluno para a casa (como ele e os garotos da 
vila faziam quando fingiam que jogavam quadribol, ele conseguia 
inclusive imaginar os esqueletos apontando: "aquele, para mim..."), quem 
sabe os seus velhos ancestrais, Griffndor e Slytherin no se brigassem 
para ver em que casa ele ficaria?
        Porque desde pequeno, sempre escondido de sua me, seu pai dizia a 
ele: "Na hora H pense: "Sonserina no, Sonserina, no!". Ele 
vrias vezes perguntara ao pai o que tinha de to ruim na Sonserina, 
afinal ele gostava bastante do "tio" Simon, que era chefe da 
Sonserina... ele era meio doido mas era bastante legal. No tinha nada 
demais, tinha?
        Mas para o pai dele, tinha. Uma das grandes e inesgotveis fontes de 
discusses chatinhas entre seus pais era essa rivalidade entre 
Grifnria e Sonserina, Abel pensava, enquanto se vestia. Era idiota 
por o uniforme quela hora, porque s  noite o expresso chegava, 
e ele ps uma roupa comum,  mas deu uma acariciada de leve na veste 
preta nova em folha que ganhara para ingressar em Hogwarts, pendurada 
num cabide ao lado da sua cama.
        Seria legal estudar com Henry! Eles eram, desde pequeninos, muito 
amigos, a ponto de se dizerem "primos", porque os pais os haviam 
incentivado demais, e era verdade que o fato dele ter estudado em 
Londres porque o pai queria que ele tivesse um bom convvio com 
trouxas o aproximava ainda mais do "primo"... ele estourava de orgulho 
toda tarde quando seu pai vinha busc-lo (e aos seus irmos) na 
motocachorro... tirando Henry, ningum entendia nada, ento, eles 
saam de Londres e o pai fazia a moto aparatar em Hogsmeade. Era muito 
bom ser filho de um bruxo que tinha uma moto maior que o carro do pai do 
garoto trouxa mais rico do colgio.
        Mas agora, isso passara, adeus escola trouxa, adeus, Londres. Seu 
futuro estava em Hogwarts.
-------
        Harry estava pronto para aparatar assim que acabou o caf, afinal 
tinha que estar na Alemanha s oito da manh.  Beijou Willy e os 
filhos menores, que naquele ano teriam que estudar em Hogsmeade... seria 
impossvel busc-los e traz-los de Londres todos os dias. 
Levantava-se da mesa quando ouviu algum chamando-o pela lareira. Rony
- E a, cara? - A cara sardenta de Rony estava alegre e no parecia 
sequer que haviam se passado mais de vinte anos desde que  o conhecera 
no expresso de Hogwarts. Todos os anos no dia do comeo das aulas os 
dois e Hermione se parabenizavam por isso - Feliz aniversrio para 
ns!
- Tudo bem? Como est Henry?
- Ansioso! Hermione vai lev-lo com carro do ministrio at a 
estao para pegar o trem,  caminho para ela.
- E voc? Que vergonha, no levar o prprio filho  estao!
- No posso, tenho que resolver uns assuntos da produo do 
filme... uma chatice.
- E est tudo certo?
- Claro, em trs semanas nos vemos na Alemanha! Como nos velhos 
tempos!
- Eu no tenho tempo para farras, voc sabe!
- Ah, qual , voc pode tomar umas cervejas amanteigadas com seu 
melhor amigo depois de sair daquele buraco, no pode?
- Claro que posso...
- E como est o Abel?
- Maluco para comear as aulas, s fala nisso.
- Ele  CDF? Voc por acaso tem um filho "Percy"?
- No, ele quer estudar em Hogwarts, mas no chega a tanto... eu vou 
ter aquela conversinha de sempre com ele antes de sair.
- Isso a! Mais algumas taas de Quadribol na estante da 
Grifnria!
- Lgico!
- Tchau Harry, eu te procuro...
- Se voc no me procurar, eu te procuro...
- Como sempre. - a lareira deu um estalo e Harry viu a cabea de Rony 
sumir. Disfaradamente ele se aproximou de Abel e o chamou para uma 
conversa no seu escritrio. O menino foi olhando srio para o pai.

-----
- Muito bem - disse Harry - o que voc vai pensar na hora H?
- Que eu no quero ir para a Sonserina.
- timo. 
- Mas pai... porque no?
- Abel... eu no me importo realmente em que casa voc fique... mas 
eu no ia querer que voc fosse para a Sonserina... eu no quero 
voc no meio de bruxos como era o Malfoy na poca em que eu estava 
l, entende?
- E se no tiver nenhum bruxo l assim?
- Melhor, voc vai ter colegas melhores, oras. Agora preciso ir, no 
se esquea...
- J sei, pai... Sonserina no.
- Isso.
--------

        O dia de Abel foi o mais longo que ele vivera em toda sua curta 
existncia de onze anos de idade... Ele passara o dia espiando a 
colina atrs de onde o trem surgia todos os anos... ele amava ver os 
garotos chegando  noitinha para a escola e sonhava com o dia que 
estaria entre eles, chegara fantasiar que haviam mudado para Londres e 
ele mesmo viajava no expresso. Vinham trens trouxas trs vezes ao dia, 
que seguiam viagem sem prestar ateno no povoado. S um trem 
parava em Hogsmeade, sempre no fim do dia: o expresso de Hogwarts, que 
uma vez por ano trazia apenas alunos, e um ou outro professor.
        No fim da tarde, sua me chamou-o e vestiu-o com a veste bruxa, cheia 
de orgulho. Ento ela disse: 
- Agora, eu vou te deixar com Hagrid e vou para escola. Obedea-o. 
Seus irmos vo ficar com Dobby.
        Abel e os irmos adoravam Dobby. Ele viera trabalhar para Harry e 
Willy assim que Abel nascera. Fora engraado, pois to logo soubera 
que os Potter precisavam de algum para trabalhar ajudando Willy a 
cuidar do beb, Dobby se oferecera para faz-lo gratuitamente, o que 
Harry rejeitara, oferecendo um salrio que era o dobro do que Dobby 
ganhava em Hogwarts, e ainda assim no era muita coisa. A campanha de 
Hermione para libertar os elfos domsticos j durava mais de vinte 
anos, mas elfos que aceitassem um salrio, como Dobby e o que 
trabalhava para Hermione e Rony, eram rarssimos. 
        Abel despediu-se de Dobby e dos irmos e foi para a estao com 
Hagrid. Ele podia sentir o tuc tuc de seu corao, enquanto 
anoitecia e um ar mais frio descia pela estao. Subitamente ele 
viu, surgindo atrs das colinas escuras, uma coluna de fumaa 
esbranquiada que denunciava a chegada do expresso de Hogwarts.
        Incontveis vezes Abel observara aquele trem chegando, pedia ao pai, 
quando ele ia busc-lo,  para sobrevoar a estrada e tentar pegar o 
expresso no fim de seu trajeto. Agora, ele estava chegando, e se morasse 
fora de Hogsmeade, Abel estaria nele. Agora ele era um estudante de 
Hogwarts, finalmente!
- Alunos do primeiro ano! Alunos do primeiro ano! - A voz de Hagrid o 
assustou, embora ele estivesse cansado de saber que Hagrid estivesse ali 
para isso. Ele sorriu quando viu seu amigo, Henry, chegando e se 
juntando a ele e aos outros.  Ele sabia que teria colegas filhos de 
outros, que haviam estudado com seu pai. Celsus, filho de Sirius e 
Sheeba, que estava ao lado dele e de Hagrid na estao junto com o 
irmo deu uma sacudidela nele e em Henry e disse, antes de se juntar 
aos colegas do stimo ano:
- A gente se v na Grifnria?
- Certamente! - disse Henry entusiasmado
- Acho que sim. - completou Abel.
Embarcaram nos barquinhos, e para Abel aquela viso no era to 
inesperada quanto para seus colegas, mas o fazia sentir-se feliz assim 
mesmo. Olhou para o lado e viu uma menina magra e loura, de cabelos 
encaracolados:
- Oi Kayla!- ele reconheceu a filha de Draco, mesmo no vendo-a desde 
os sete anos.
- Oi! - ela disse e sorriu - ser que vai ser legal l?
- Claro que sim. - Abel no tinha dvidas. Ficou feliz ao ver-se 
dentro do Castelo de Hogwarts, e ao ver a preleo do professor 
Neville, agora diretor da Grifnria, antes de entrarem no salo 
principal. Finalmente ia saber o que se passava na cerimnia de 
seleo.
Foi para ele um pouco decepcionante a viso do chapu roto e do 
banquinho, no havia porque mentir. Mas de qualquer foram, achou muito 
legal quando o chapu comeou a cantar:

Ontem, hoje e amanh
Neste castelo onde se deve estudar
 comum  cada um  perguntar:
Em que casa irei  eu ficar?

Serei  paciente ou esperto?
Corajoso ou astuto?
Serei  da Lufa lufa ou Corvinal?
Grifnria ou Sonserina?

A resposta para tudo est aqui
No me olhem desse jeito
Sou velho mas no caduquei
Em cada cabea daqui eu pousei

E posso dizer com segurana
Nisso eu tenho experincia
Se voc tem magia no corao
Eu posso entender sua vocao

E os divido pelas casas
Basta partilhar comigo
Seu corao e seus pensamentos
E eu direi quais so seus sentimentos

Lufa Lufa para os pacientes
Corvinal para os compenetrados
Sonserina para os argutos
E Grifnria para os de corao bravo

Ningum ficar sem saber onde ir
Se comigo seus pensamentos dividir

Abel ficou surpreso. Um chapu pensante, era isso ento... simples 
demais, na verdade, ele achava at que podia esperar mais mesmo. Em 
minutos, comeou a seleo, e os alunos foram chamados por ordem 
alfabtica.  Nesse momento sua me deu um aceno animadinho para ele 
e ele retribuiu. Sirius, que ele vira tantas vezes na sua casa meio alto 
depois de algumas doses de vinho de cerejas junto com seu pai e tio Rony 
parecia completamente srio no centro da mesa, ladeado por tia Sheeba, 
que lhe sorriu, e o maluco tio Simon. Todos que ele j conhecia. Estar 
em Hogwarts era como estudar em casa. Subitamente, ele viu Draco (a quem 
nunca conseguira chamar de tio), e o homem estava srio demais, 
olhando para a filha, que estava imediatamente ao lado de Abel. Ela 
ento foi chamada e correu at o banquinho, onde nem bem o chapu 
pousou e disse:
- GRIFNRIA - o diretor Sirius no disfarou seu espanto. Sabia-se 
l h quantos anos, todos os Malfoy iam para a Sonserina! Estaria o 
chapu seletor ficando maluco? Abel viu Sirius inclinar-se para 
Sheeba, que estava impassvel e meio sorridente e viu quando ela 
sussurou algo para ele que arregalou os dois olhos tanto que pareciam 
que eles iam saltar. Sheeba disse mais alguma coisa e Abel viu Sirius 
balanar a cabea com incredulidade. Nesse momento chamaram seu 
nome, e ele foi at o banquinho. Sentou-se e viu o salo desaparecer 
diante dos seus olhos.
- Hum... - disse uma voz dentro de sua cabea- voc  dos 
difceis!
- Como assim? - ele  respondeu, compreendendo que falava com o chapu.
- Voc tem qualidades apreciveis, fora de vontade, 
inteligncia...  bastante impulsivo na realidade... e muito 
ambicioso tambm. Tem alguma preferncia?
- Eu no quero ir para a Sonserina...
- Tem certeza disso?
- Para falar a verdade, no. Mas meu pai disse que a Soserina no 
 legal. Ele no quis ir para l...
- E voc? O que quer?
- Eu? Quero aprender a ser um grande bruxo, oras.
- E mais alguma coisa?
- Eu tenho onze anos - pensou Abel, irritado - voc espera realmente 
que eu saiba tudo que eu quero da vida?
- No... - ele julgou sentir uma nota bem divertida na vozinha - eu 
j sei o que preciso saber sobre voc... voc vai para SONSERINA.
Ouvindo o chapu dizer isso alto,  Abel concluiu que era exatamente 
isso que ele queria.                                    

-----

- Que fracasso eu sou como diretor - Disse Sirius atirando-se sobre o 
sof enquanto Sheeba trazia o cha para os dois. Estavam em casa depois 
daquela particularmente exaustiva festa de incio de semestre, onde 
Sirius tentara digerir a cara de tonto de Draco Malfoy porque sua filha 
havia sido selecionada para a Grifnria e a bvia perplexidade geral 
porque Abel havia sido selecionado para a Sonserina. - E voc  uma 
traidora! - ele disse assim que a viu entrando com uma bandeja com o 
ch. Sheeba escutava suas lamentaes impassvel. Eles estavam 
para completar vinte anos de casados, no ia ser agora que ela ia 
ligar para as provocaes dele. Sentou-se ao lado dele no sof e 
comeou a servir-se de ch calmamente enquanto ele prosseguia. - 
H quanto tempo afinal voc sabia que ele iria para a Sonserina? - 
Sheeba acabou de mexer o ch tranquilamente e o encarou:
- Desde que o peguei sem luvas na maternidade.
- O que? Voc sabia disso o tempo todo? E nunca me falou nada?
- Porque eu sabia que voc diria a Harry e vocs tentariam de 
qualquer forma impedir o curso natural das coisas.
- Mas... o que h de errado com Hogwarts? A filha do Malfoy na 
Grifnria... um Potter na Sonserina! Sheeba, o chapu seletor 
endoidou?
- No. Ele continua perfeitamente so... 
- Hogwarts no  mais a mesma? 
- Provavelmente no, ela agora tem um diretor tremendamente arrogante, 
se bem que muito atraente, na minha opinio...
- No brinque, eu estou falando srio.  culpa minha? Eu tenho 
sido um bom diretor, Sheeba? - ela encarou o marido com amor. Era 
ridculo, mas aos cinquenta e seis anos, ambos ainda tinham s vezes 
esses ataques de insegurana e sempre contavam um com o outro. Olhou o 
rosto dele, Sirius estava bem grisalho, mas no parecia um homem 
velho, ainda era firme e empertigado, o que fazia que ele parecesse 
quase dez anos mais jovem. Ela sorriu e pegou as mos dele.
- Sirius... o que acontece  que nem sempre os filhos precisam seguir 
exatamente a mesma trilha que os pais... veja Hope, j notou como ela 
tenta sepultar a semelhana entre ns duas?
- J, e confesso que isso no me agrada nem um pouco.
- Se John Van Helsing fosse um bruxo... em que casa ele teria estudado?
- Creio que na Corvinal... ou na Grifnria, sei l. Acho que na 
Grifnria.
- No se esquea que Kayla Malfoy tem o sangue dele... 
- Mas... e Abel? Ele no pode... no, ele  bisneto, voc 
sabe... ser que ele  como... Voldemort?
- Sirius... voc conhece Abel, ele te lembra em algo Voldemort? 
- Claro que no... ele  um bom garoto, mas  s uma criana.
- Que ao contrrio de Voldemort, teve timos pais e cresceu amado. 
Voc e Harry  no fundo esto com a mesma preocupao errada.
- Que preocupao?
- Que a Sonserina modifique Abel para pior... ambos se esquecem que o 
menino tem o sangue dos dois fundadores: Griffndor e Slytherin... ficar 
na Sonserina no significa que Slytherin derrotou Griffndor no 
corao de Abel. Talvez a Sonserina no mude Abel, mas Abel mude a 
Sonserina.
- O que voc quer dizer com isso, Sheeba? - Sirius olhava desconfiado 
para a esposa. Odiava esses ataques de pitonisa misteriosa que ela 
tinha.
- Que Rovena Ravenclaw no profetizaria que o sangue de Griffndor e 
Slytherin se uniria um dia se isso no fosse importante, no acha?

-----
        Assim que Harry chegou da Alemanha (dia horrvel, tempo pssimo 
para aparatar, precisava considerar seriamente a possibilidade de vir da 
Alemanha dia sim dia no), ele ps a moto de qualquer jeito na 
garagem e correu para Willy, que o esperava na sala, com uma cara 
sria.
- E ento? -ela o encarou pensando na melhor forma de dizer aquilo. 
Estava feliz demais por Abel ter entrado na Sonserina, mas no queria 
que Harry ficasse chateado.
- O quanto a casa onde Abel vai ficar  importante para voc, Harry?
- Ele no ficou na Grifnria?
- No... mas, acho que ele ficou feliz... Sheeba me disse que ele vai 
ficar bem
- Ah... droga... ele no ficou... - ela o encarou e ele sentiu o temor 
antigo dele se concretizando. No fundo ele sempre achara que isso ia 
acontecer.
- Sim, harry, ele ficou na Sonserina.
- Sonserina no ... - Harry disse, sentindo-se extremamente chateado.

CAPTULO 3 - OS PROBLEMAS DO PROFESSOR POTTER

        Depois de uma longa conversa com Willy, Harry acabou conformando-se com 
a chateao de Abel ter ido para a Sonserina... mas uma coisa no 
saa de sua cabea: ser que afinal de contas Abel tinha escolhido 
a Sonserina? Seria o menino... no, era melhor no pensar nisso. 
Depois de uma noite de sono particularmente ruim, Harry acordou e olhou 
para Willy adormecida. Ela havia sido uma Sonserina. E ele a amava. 
Ser que afinal de contas realmente a casa onde o filho estava 
importava tanto assim? Ao mesmo tempo que queria esquecer  o assunto, 
no parava de pensar naquilo... enfim, como dizia sempre o amigo 
Hagrid: o que tivesse de ser, seria. 
        Estava h muito tempo olhando para o teto e pensando nisso quando 
deu-se conta que Willy acordara e o olhava com uma expresso 
indefinida entre carinhosa e preocupada.
- Uh... ol! - ele disse e tentou sorrir. 
- Harry... voc j pensou que voc podia ter sido da Sonserina?
- Sim, milhes de vezes... mas eu escolhi no ser, entende?  
claro que Abel escolheu o que queria e ...
- Harry, Abel no simplesmente escolheu... lembre-se do chapu 
seletor.
- Willy, o que ele disse quando pousou na sua cabea? Voc se 
lembra?
- Perfeitamente... ele disse: Talvez voc hoje no entenda porque... 
mas com esse talento e essa ambio, e sua inteligencia sutil, 
voc s pode mesmo ir para a Sonserina.
- E voc gostou?
- Eu era muito jovem e no sabia muito bem o que significava ser da 
Sonserina... acho que foi realmente o melhor para mim, Harry.
- Ento... - Willy deu um longo suspiro
- Tudo isso no  por causa de Quadribol...
- No, Willy, alguma vez voc se deu conta que o nascimento de Abel 
estava previsto h mais de mil anos? Um descendente comum a Griffndor 
e Slytherin. O que ser que isso significa?
- Pergunte a Sheeba.
- O Toque de Prometeu nunca diz tudo... e Sheeba nunca nos disse nada 
sobre Abel, voc notou isso?
- Mas ela sabe algo sobre ele... nunca nos disse nada, mas eu sei que 
ela sabe.
- O que podemos esperar?
- Sabe o que eu acho? Que devemos esperar o tempo nos responder, 
Harry... - ele a olhou novamente. No fundo dos olhos dela ele via aquele 
brilho sincero e bondoso que ele sempre soubera existir. Ento, sorriu 
e sentiu que isso fazia seu corao mais leve. Eles amavam Abel, ele 
era filho deles, fruto de um amor imenso... no, no havia o que 
temer.

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        Aparatar na Alemanha era extremamente desconfortvel se o tempo no 
era dos melhores, como fora naquele dia. Rodar at a escola de Aurores 
era a melhor parte da viagem, porque nas estradas alems ele podia 
usar toda a potncia da moto sem ser multado, o que ele achava muito 
divertido. Adorava correr pelas auto-estradas. Assim que chegou em sua 
sala, constatou que ainda faltavam quarenta minutos para a primeira aula 
do dia, para os alunos do quinto perodo, Defesa Avanada contra 
Maldies Poderosas... podia relaxar por alguns minutos e por seu 
recm comeado arquivo em dia.
        Harry assumira os alunos orientados por Mr Sandman, e precisava ler a 
ficha de cada um para saber o que aplicar nas misses simuladas. Tinha 
acabado de pegar a ficha de Gilles Stoneheart quando um estrondo o fez 
levantar o rosto. Edwina, sua secretria , (tambm herana de Mr 
Sandman, eficiente, mas doida de pedra) irrompeu pela sala ofegante:
- Professor Potter! Pelo amor de Deus! D um jeito neles! Ah, ainda 
 o segundo dia de aula... meu Deus... eles esto aprontando j... 
na aula de Mr Adams...
- Edwina, traduza, por favor...
- O Sr Stoneheart e a moa... ah, meu  Deus... eles so terrveis, 
vo acabar se matando.
Harry ergueu-se de um salto e dirigiu-se rapidamente para o ginsio da 
escola... quase chegando, uma exploso seguida por uma chuva de 
fascas douradas saiu pelo porto do Ginsio, e ele correu at 
l. Antes de sequer olhar para qualquer lugar gritou:
- BLACK! STONEHEART! O QUE VOCS DOIS ESTO APRONTANDO?
Troy Adams estava do outro lado do ginsio com uma cara pssima. Ele 
era professor de tcnicas de luta com magia na escolha h tres anos, 
e ainda no se dava muito bem com Harry. Pelo estado do Ginsio, 
Hope e Gilles haviam levado a srio demais a primeira lio do 
dia.
Havia um buraco de cerca de trs metros de dimetro no teto. Gilles 
e Hope estavam levitando a cerca de seis metros do cho, um de frente 
para o outro, ambos com sorrisos sdicos estampados nas faces. Hope 
tinha o rosto escurecido, e o rapaz perdera uma das botas e tinha um 
p descalo. Ambos tinham algumas partes das capas rasgadas. Eles 
olharam para baixo e Gilles Stoneheart disse:
- Rendio, Black?
- Armistcio, Stoneheart... empate tcnico.
- Ok... mas eu te atingi o rosto com o feitio de tinta...
- E eu sumi para sempre com sua bota comprada em Nova Iorque... 
prejuzo por prejuzo...
- DESAM AGORA! - gritou Harry, e os dois desceram suavemente at o 
cho. Harry e Troy vieram at eles.
- Potter - disse Adams contrariado - voc no acha que deveria 
ensinar a seus orientados o significado de "dano mnimo"?
- Voc no acha, Adams, que no devemos discutir isso na frente de 
estudantes? E porque voc no conseguiu control-los sozinho?
- Eles disseram que estavam levando a lio  srio... conforme 
voc advertira aos orientandos que fizessem na sua primeira 
preleo... eles so SEUS pupilos, lembra?
- Muito bem... os dois - ele olhou a garota e o rapaz na sua frente - 
consertem o estrago... AGORA. - mudos e contrariados, Hope e Gilles 
usaram as varinhas para reparar o ginsio, inclusive algumas cadeiras 
da assistncia que haviam sido arremessadas alguns metros para fora do 
buraco do teto. Por fim, consertaram o prprio buraco. Hope comeou 
a consertar a prpria roupa enqunto Gilles repetia "accio bota" 
inmeras vezes sem sucesso. Hope riu para ele de forma cnica quando 
ele constatou que a bota no apareceria nunca. Harry pigarreou e eles 
o encararam com expresses apreensivas idnticas. Ele apertou os 
olhos e disse friamente:
- Na minha sala, agora. - Foi andando aborrecido porque sabia que 
perderia o tempo precioso de ler suas fichas, mas pelo menos era uma 
pista sobre os dois estudantes. Sentou-se diante dos dois e olhou a 
ambos srio, ento, apontou a varinha para o rosto de Hope e disse:
- Solutio! - o rosto da moa se limpou como num passe de mgica. 
Hope aos dezenove anos era um retrato disfarado de Sheeba. Usava os 
cabelos muito curtos, num corte masculino, e  uma capa de couro sobre 
uma veste de calas compridas negras meio folgadas e camisa masculina. 
No tinha um nico enfeirte ou jia, sequer um brinco, quem a 
visse de longe no saberia ao certo se era mulher ou homem.  Ela 
coou a nuca ligeiramente.
- Tio Harry... comeou e parou, ao ver Gilles reprimir um riso 
abafado, ao que ela o encarou sria - d para voc colaborar, 
Stoneheart?
- Meio difcil com voc chamando o orientador de tio, Black...
- Exatamente, respondeu Harry, aqui, para ambos eu sou Professor Potter, 
lembrem-se...
- Claro -disse com uma nota de deboche o rapaz. Ele era alto mas menos 
forte que  o pai, mas enquanto Angus Stoneheart era srio, no havia 
no mundo ser mais cnico que Gilles... ele tinha a pele morena e os 
olhos castanhos escuros, e um cabelo desarrumado com um corte esquisito, 
com uma franja que vinha at os olhos, seria at bonito se no 
andasse sempre despenteado e com roupas to mal ajambradas. 
- O que vocs estavam fazendo na aula de Adams, posso saber, Hope? 
- Senhorita Black, Professor Potter - disse Hope num tom desafiador. 
Gilles baixou a cabea para disfarar um sorriso - ns estvamos 
lutando, oras...  uma aula de luta.
- Mas vocs destruram metade do ginsio.
- No fizemos nada que no pudessemos consertar depois, Professor 
Potter - disse Gilles candidamente. Subitamente, Harry sentiu uma 
vontade louca de se comportar como Severo Snape, mas se controlou.
- No foram oriantados a usar feitios no danosos, Sr Stoneheart?
- Pode me chamar de Gilles, professor - ele sorriu para Hope - o senhor 
no entende, eu e Black nos damos bem, eu a acho um cara legal... - 
Ela deu um olhar assassino para Gilles e prosseguiu.
- Sabe, Ti.. professor, ns dois sabemos que somos os melhores aqui... 
somos mais ou menos amigos e gostamos de lutar srio, para ver quem e 
o melhor... claro que eu sei que eu sou melhor...
- Voc no disse isso quando eu a joguei naquele poo de lama...
- Ah, mas depois eu o transformei em porquinho da ndia e voc saiu 
correndo para debaixo do mvel porque aquele gato...
- Chega - disse Harry -  impresso minha ou vocs dois esto 
usando as aulas para tirar rixas pessoais?
- Rixas? - Hope riu - ns dois somos amigos...
- Nos damos muito bem - completou Gilles - jogamos duro porque sabemos 
que o outro aguenta... - Harry passou a mo pelo rosto e disse, 
aborrecido:
- Muito bem, mas no quero vocs sendo advertidos e me causando 
problemas... por favor, comportem-se como os adultos que so, no 
como dois moleques briguentos... agora, fora!
Eles saram da sala e Harry pensou: "Talento e encrenca... porque essa 
combinao tem que ser to comum!"

Assim que chegaram do lado de fora, Gilles disse casualmente a Hope:
- Viu, at ele acha que voc parece homem!
- Ah, no enche, Stone.
- Fim da trgua?
- Espere meu ataque surpresa -ela disse e disparou pelo corredor. Ele 
riu e foi na direo oposta, mancando um pouco pela ausncia de 
uma das botas.

Depois que fora rejeitada por Bernardo, Hope no o esquecera. Ela 
tivera o que seu irmo Celsus chamara "as tres fases da digesto de 
um fora..."
Na fase um, ainda aos 16 anos, Hope resolvera provar que era bonita e 
desejvel. Ento, para horror de seu pai, ela namorou todo o time 
masculino de Quadribol da Corvinal, inclusive um garoto dois anos mais 
novo, da turma de Celsus, que encarnara demais nela por isso. Mas eram 
namoros vazios e ridculos, de uma semana. Duas coisas sepultaram essa 
fase: primeiro a frase pichada num banheiro da escola: "Beijos de 
graa? Procure Black..." Que Celsus mostrou indignado no banheiro 
masculino a ela (ele era um timo irmo, jogara um feitio 
repelente para afastar todos os garotos que pudessem entrar ali). 
Depois, o banimento de Bernardo.
No dia que soube, Hope decidiu que era hora de mostrar a Bernardo que 
no o esquecera... roubou a Quarker Flash, a vassoura de corrida  de 
Claudius, seu irmo mais novo, e voou escondida at Londres, saindo 
da Torre norte ao anoitecer. Burlando a vigilncia ao apartamento de 
Bernardo, entrou e o surpreendeu.
- Hope? O que voc...? - ele no disse mais nada, porque ela colou 
seus lbios aos dele, num beijo onde ps todo seu sentimento de 
paixo... ele a abraou e a desejou por um minuto, mas afastou-a de 
si bruscamente.
- No. - Disse firme, olhando-a nos olhos. Ela o olhou magoada e ele 
comeou a falar que no queria arruinar a vida dela, que ele agora 
era um renegado... mas ela estava sem luvas e soube o que ele queria 
fazer. 
- Bernardo... eu posso te ajudar, me pea e eu serei sua, eu fujo 
contigo... eu te amo! - ele sorriu tristemente e disse:
- Eu no te ajudaria destruindo seu futuro brilhante, Hope... eu tenho 
muito pouco amor para dar a voc... v embora, por favor.
- Mas Bernardo, voc no me quer? 
- Hope... desejo no  amor. Volte para Hogwarts, siga sua vida.
E foi isso que a fez mergulhar numa depresso terrvel, a fase dois 
do processo, que nas palavras de Celsus, felizmente durou pouco. 
Finalmente, aquela rejeio se tornou revolta, e sede de se provar 
melhor que qualquer um, o que Celsus chamava de fase trs: a revolta 
do p na bunda... Hope se candidatou  vaga na escola de Auror, e 
passou muito bem, embora no fosse uma profisso proibida ao sexo 
feminino, poucas mulheres haviam se formado naquela escola, no sculo 
XX apenas quatro, duas das quais muito famosas. Hope era a primeira do 
novo sculo, e embora a modernidade tivesse chegado  escola, ela 
notou que sendo mulher, teria muitos problemas. Quando se  a nica 
mulher no meio dos homens, a vida pode ser desagradvel tanto pelo 
assdio de uns quanto pelo despeito de outros. A estratgia dela 
para fugir ao assdio foi esconder qualquer trao de beleza: cortou 
os cabelos curtos e comeou a se vestir como um homem, se aquele era 
um lugar masculino, ela se pareceria um homem, oras. Mas aquilo no 
adiantou muito, os rapazes ainda a olhavam como uma garota... ento 
ela conheceu o nico que no ligava para isso, Gilles Stoneheart. 
Para ele, pouco se dava se ela era bonita, nunca manifestou nada, ria e 
brincava com ela como se aquilo no fizesse diferena... era 
extremamente competitivo, e foi por isso que se tornaram amigos. Ele 
estava pouco se lixando se ela era uma garota: se lutava com ela, a 
tratava como uma igual, em fora, em poder, e ela gostava disso, no 
queria ser vista como uma bonequinha frgil. Gilles desmentia qualquer 
boato de namoro, dizendo:
- Eu no namoraria o cara mais legal que eu conheo... - ele sempre 
se referia a ela no masculino, o que ela achava graa.
 verdade que no fundo ela no gostava de ser chamada de "um cara 
legal", mas fingia no ligar, ela no queria que ele se tornasse 
como os outros rapazes. Eles brigavam muito, era uma amizade 
intempestiva como os dois, cheios de mudanas de temperamento e 
opinies diferentes... mas no fundo se admiravam muito e isso era 
visvel a qualquer um. Ela contou de seu amor por Bernardo e perguntou 
a ele se ele j amara algum...
- Meu corao  de pedra, lembra? - ele disse, rindo para ela - o 
dia que eu amar algum, voc ser a primeira a saber...
- Stone... o que eu sou exatamente para voc?
- Um cara muito legal, um timo ouvinte e um auror quase to bom 
quanto eu - ele disse rindo.
- Isso  um desafio?
- Escolha as armas, Black... 
- Esgrima bruxa, ok?
- Lutamos at a rendio?
- At a rendio... - mas o fato  que nunca nenhum dos dois se 
rendia de verdade... algum sempre interrompia a luta, que acabava com 
o mesmo dilogo, sempre:
- Rendio?
- Armistcio.
E assim seguia a vida na escola alem, onde estes dois eram os dois 
problemas disciplinares da turma do professor Potter.

CAPTULO 4- A PRISIONEIRA DA CELA ZERO
        Uma coisa Lcio Malfoy soube no primeiro dia em que foi levado a Oz: 
no sairia dali sozinho jamais. Oz ficava muito abaixo da terra, num 
lugar to seco e quente que lembrava uma caldeira, no importava a 
estao l fora, em Oz era sempre quente como o inferno. O lugar 
onde a priso ficava era uma espcie de cidade subterrnea daquele 
povo estranho que guardava a priso, em volta da qual girava toda a 
vida daquele bizarro formigueiro gigante.
        A planta de oz era uma espiral , e ela crescera conforme a necessidade, 
em volta do ncleo deste rodamoinho imenso, onde cada cela tinha um 
nmero. A de Lcio Malfoy era a 405, e ficava na dcima volta a 
partir do ncleo. Era pequena e quente, mas se havia uma coisa 
surpreendente em Oz para uma priso era a ausncia total de vida 
animal.
        No havia ratos, nem insetos, nem nada alm dos prisioneiros e dos 
guardas em oz, ningum tinha pulgas ou piolhos, nenhum colcho tinha 
percevejos. Dizia-se que nada viveria naturalmente naquele ambiente, e 
por isso era to normal saber-se nas horas comuns que um determinado 
prisioneiro havia morrido.
        Malfoy descobriu posteriormente que a posio de um preso da 
espiral determinava o quanto ele era considerado perigoso. Um bruxo das 
trevas de mais de 90 anos, preso h cerca de 50 ocupava a cela n1, 
e condenado a priso perptua, agora vinha nos horrios comuns 
arrastando os ps para os refeitrios, rindo meio abobalhado 
mostrando os poucos dentes que ainda lhe restavam bambos na boca. Diziam 
que sua vontade fora retirada antes de sua priso por um feitio 
poderoso, e agora ele parecia extremamente com um zumbi.
        Estranhamente, havia todo tipo de preso em Oz, trasgos subterrneos 
cegos, estranhos hipogrifos falantes, homens drago,  centauros e 
at raas que Lcio no conhecia. Posteriormente algum lhe 
disse que o povo sombra no aceitava apenas bruxos como presos, mas 
tambm criaturas de outros mundos, que chegavam atravs de um portal 
para um lugar chamado Nowhere. Mas a maioria dos presos ali era composta 
de humanos bruxos, talvez porque a priso estivesse situada no nosso 
mundo.
        Uma coisa no povo sombra chamava ateno: eles eram incapazes de 
executar magia, exceto dois tipos: eles podiam mover terra e pedra, e 
manipul-las apenas com pensamentos, assim faziam tneis 
subterrneos e os fechavam facilmente, e se deslocavam muitos 
quilmetros alm do pntano sob o qual ficava a priso.
        O outro tipo de magia que eles faziam era o domnio de vontade. Eles 
no eram como dementadores, no sugavam a felicidade das pessoas. 
Simplesmente ao lado de qualquer criatura eles conseguiam facilmente 
controlar-lhe a vontade e faz-la mudar de acordo com suas 
necessidades. Mas por incrvel que parecesse, eles consideravam isso 
maldio, e pouco usavam esse dom, a no ser para controlar presos 
e mant-los pacficos.
        Todos os presos, at mesmo os mais perigosos costumavam sair por 
horas de suas celas e trabalhar polindo pedras no quente salo de 
trabalhos. Parecia e realmente era um trabalho perfeitamente intil, 
apenas para manter os presos ocupados por muitas horas. Malfoy tinha 
certeza que poliam as mesmas pedras sempre, que durante o perodo de 
ausncia eram novamente deixadas speras, para que eles as polissem 
novamente. A sensao de perda de tempo provocada por isso era 
angustiante e contribuia para a fama de inferno na terra que Oz tinha.
        Todos temiam os guardas. O ambiente era todo favorvel ao povo 
sombra: pouquissima luz, toda ela obviamente artificial mantida acesa 
por poucas horas, pois eles no gostavam da luz, da todo preso ser 
entregue  noite, pois a luz do sol ou mesmo o luar muito forte lhes 
era fatal; havia terra em cada milmetro a volta como tneis de um 
formigueiro, e se para o povo sombra ela era facilmente manipulvel, 
para os presos ela era uma massa compacta e intransponvel. 
Finalmente, o ar viciado e quente que parecia queimar os pulmes de 
quem respirasse mais fundo, fruto dos gases e elementos subterrneos, 
que no eram de todo filtrados ali embaixo, o povo sombra tambm 
respirava, mas o ar sufocante no lhes fazia o mal que fazia aos 
presos, e s no havia menos renovao porque o povo sombra 
podia ser o que fosse, mas procurava ser justo e promovia uma parca 
filtragem do ar atravs de respiradouros de superfcie.
        Mas mesmo os guardies pareciam temer algo ou algum, ningum 
sabia porque: a famigerada prisioneira da cela zero. Ningum, nenhum 
dos presos jamais a vira, mas sabia-se que ela estava l, pois quem 
conseguia chegar perto da primeira volta da espiral jurava ouvi-la 
cantando. Era um canto pungente e dolorido que s vezes durava dias e 
dias, cessando repentinamente por completo. A msica que a prisioneira 
cantava em uma lngua estranha jogava o corao de quem a escutava 
numa angstia, e automaticamente a pessoa lembrava daquilo que mais a 
entristecia, fosse o que fosse. 
        Sabia-se que ela estava l... h muitos anos. Um velho prisioneiro 
conhecera um homem drago de trezentos anos que morrera quando ele era 
jovem que o dissera que a prisioneira estava l quando ele fora 
condenado, h quase duzentos anos, quando ele conhecera um outro ser 
igualmente antigo que dissera que a prisioneira era a mais antiga 
"hspede de oz", e estava l desde antes dos velhos xams terem 
descoberto oz e terem feito o acordo de cooperao com o povo 
sombra, quase quatrocentos anos antes dos bruxos brancos chegarem  
Amrica. Como sabia-se que Oz tinha mais de mil anos... a criatura 
presa naquela cela tinha pelo menos mais de um milnio de cativeiro. 
Era natural que cantasse de forma to dolorosa.
        O que Lcio no podia imaginar jamais  que o destino o poria 
frente a frente com a prisioneira daquela cela, e atravs dela, o 
levaria embora do presdio sombrio que era Oz, onde dias e noites eram 
igualmente angustiantes, onde o calor e o trabalho intil jogavam a 
maioria dos prisioneiros para a insanidade. Malfoy no sabia que 
depois de onze anos, o destino ainda tinha um papel decisivo para ele, 
que ele sairia dali e encararia o homem que o mandara para aquele lugar 
de frente mais uma vez. Tudo isso graas ao acaso e  prisioneira da 
cela zero. 
        Ele no podia dizer se era dia ou noite quando comeou. S soube 
dizer que repentinamente toda a estrutura de sua cela tremeu e comeou 
a desmoronar como se fosse feita de areia, sem muito som, pois estavam 
muito abaixo da terra e o som era sempre abafado.Lcio pensou 
instantneamente que era o fim, mas o acaso o favoreceu: uma parte da 
parede desceu inteira, e em vez de soterrado, ele fivou preso entre a 
parede e o cho, abafado num espao de pouco mais de meio metro. 
Ali, agarrou-se ao pouco ar viciado, e sentiu seu corpo ficando dormente 
e mais febril  medida que parte da parede ia cedendo ao peso da terra 
sobre ela, e sentindo seus pulmes comprimidos, Lcio subitamente 
teve conscincia de toda sua mediocridade:
        Ele vivera 56 anos para morrer numa priso cheia de seres exatamente 
como ele, com o ego despedaado por horas e horas de trabalho imbecil 
sob a terra. Ele fracassara em todas as tentativas de ser grande: fora 
um comensal da morte medocre, nunca conseguira chegar ao nivel de seu 
mestre, fora abandonado  morte quando no mais lhe serviu, fora um 
idiota no submundo e ligando-se (acreditava) a discpulos medocres, 
chegara ao lugar onde estava para morrer... nem conseguia mais 
desesperar-se.  Abaixou a cabea quando o ar finalmente comeou a 
faltar, sufocando-o.
        E foi nesse momento que tudo mudou. Como mgica, as paredes se 
afastaram e algum surgiu no buraco, ele levantou a cabea para ver 
no vo uma mulher muito parecida com as que guardavam o presdio, 
porm, se isso era possvel, completamente diferente. Ela era 
tambm feita da matria estranha que formava o povo sombra, mas ao 
contrrio destes,  que eram figuras toscas e estranhas, ela parecia a 
sombra de um ser gracioso, cujos cabelos negros pareciam feitos de 
fumaa suave, e levitavam ligeiraem volta de seu rosto cinzento, cujas 
feies eram finas bem diferentes dos rostos simiescos de seus 
semelhantes. Finalmente, os seus olhos em vez de parecerem negros pontos 
brilhantes, eram dourados e incmodos ao pousarem sobre a face de 
qualquer um. Era sem dvida impossvel desviar o olhar daquela 
estranha figura.
        Silenciosa ela veio at ele e com um gesto nico toda a terra que o 
envolvia sumiu. Ela o olhou com seus olhos dourados perturbantes e ele 
sentiu-se muito estranho. Olhou para ela que se aproximou mais e disse:
- H quanto tempo ests aqui, homem?
- No sei ao certo. Mas so mais de dez anos.
- O que so anos?
- So doze meses cada ano...
- Em tempo lunar? - Lcio calculou mentalmente e disse:
- Mais de cem luas cheias.
- Ento acho que quando chegaste aqui, eu j estava h muito 
tempo...
- Na verdade - Lcio teve uma desconfiana - eu acho que voc 
est aqui h mais tempo que todos... voc estava na sala zero?
- O que  isso?
- O cubculo mais profundo,  no centro desta priso...
- Eu creio que eu estava no centro, numa maldita cela forrada de metal, 
ela foi feita para mim, sem dvida... - a mulher disse e Lcio 
percebeu outra coisa: ao contrrio da voz do resto do povo sombra, a 
dela era suave e melodiosa, como a que diziam cantar de dentro da sala 
zero.
- Como voc saiu?
-  Sei apenas que entrei l h muito tempo, eu fui trada e presa 
por minha prpria irm... e l eu no podia usar meus poderes... 
eu tentei usar meu canto todos esses anos sem sucesso. Que lugar  
este? - Lcio explicou brevemente que ali era uma priso, e teve 
ainda mais trabalho para explicar  mulher o conceito de priso e 
punio. Ento finalizou dizendo que pelo que ele sabia ela estava 
ali h dez mil sculos lunares pelo menos (o sculo lunar se conta 
a cada cem luas cheias).
- Isso no faz sentido... eu no deveria ter sido aprisionada - 
disse a mulher. Lcio olhou-a totalmente sem graa, ele mesmo no 
tinha como saber o porque. - H outros como eu aqui? - ela perguntou e 
ele contou sobre o povo sombra ao que ela sorriu.
- Os desterrados se tornaram uma comunidade subterrnea - ela riu - 
sinal que o caminho para a terra da sombra continua fechado. Preciso 
chegar  fronteira o quanto antes. - ela o olhou com um novo interesse 
- voc quer sair daqui, filho dos homens?
- Claro. 
- Me ajudaria incondicionalmente em troca da liberdade?
- Ajudaria
- s bruxo?
- Sou, de puro sangue - a mulher sorriu
- Ento, s tu mesmo. Serei tua sombra, porque no posso andar  
luz do sol. Mas precisamos sair daqui primeiro... - ela fez um gesto e 
um buraco surgiu diante deles, como a boca de um corredor, ela fez outro 
gesto e o corredor foi tomando a direo do alto, e eles foram 
entrando, conforme passavam, Lcio pode notar, evitando os corredores, 
a terra ia fechando atrs deles, como se nunca tivessem estado ali. 
Ele notou que subiam, ento perguntou:
- Onde estamos indo?
- Subindo  crosta, onde mais?
- Porque?
- Para chegar a Nowhere. Fazes perguntas demais.
- O que  Nowhere?
- O no-lugar
- O que  isso?
- Um lugar que  todos os lugares e nenhum ao mesmo tempo
- Para que voc quer ir a Nowhere?
- Para chegar  fronteira
- O que  a fronteira?
- Um lugar que no interessa aos filhos dos homens. Pare de fazer 
perguntas. 
- Perdoe-me - disse Lcio, j pensando em bajul-la - mas eu 
gostaria de entender...
- Entenda que quando isto acabar, estars livre novamente.  o que 
te basta.
- Mas... Posso saber seu nome?
- Vega. Vega Sheram.
- Voc  como aqueles que guardam este lugar?
- Silncio, homem! - Vega parou e pareceu sentir o lugar onde estavam, 
j haviam subido um grande trecho e ela disse: - gua. Muita gua 
acima de ns. E algo grande que se move mais adiante. Vamos sair por 
l, para evitar a gua e a criatura.
- Mas... se a criatura  o que eu imagino que seja,  um vendigo, um 
ser amaldioado! - pela primeira vez desde que vira Vega pela primeira 
vez, esta riu:
- Nenhum ser pode ser mais amaldioado que eu, homem. Vamos. Eu posso 
lidar com a criatura. Voc tem sorte,  noite agora. - Andaram por 
cerca de meia hora at que saram  superfcie da beira do 
pntano. Lcio viu o movimento do Vendigo adiante, e notou os 
lampejos dos olhos de farol da criatura, que devia ter mais de doze 
metros de altura e era de um cinza azulado, mas ainda no os vira. Ia 
fazer meno  Vega para que se desviassem dele, mas ela antes 
disso, correu agilmente at a criatura. Lcio pode ver que ela 
cantava, e os joelhos do vendigo se dobraram, e com um estrondo, a 
criatura caiu por terra. No estava dormindo. Seus olhos gigantescos 
estavam abertos, mas no olhavam em sua direo. Amedrontado, 
Lcio viu Vega voltar-se e dizer:
- Eu domino a vontade, homem. Antes dele poder ter sua vontade de volta, 
estaremos em Nowhere. Tens razo para tem-lo, este ser transforma 
os homens que toca em mortos vivos... vamos - eles seguiram e Lcio 
desviou os olhos da feia criatura quando teve que passar por ela. Vega 
olhou-o sem nada dizer, mas ele sentiu que ela o achava um covarde. 
Subitamente pararam e ela disse:
- Aqui... - sem aviso, avanou para Lcio e ele sentiu uma dor 
aguda, at que ela desapareceu e ele ficou cado de joelhos no 
cho perguntando-se onde ela fora. Com dificuldade, ergueu-se e viu 
que o horizonte estava avermelhado, ia nascer o sol. Ento, ouviu a 
voz de Vega e deu um pulo. Estava assustado afinal, era demais para uma 
noite s.
- Eu estou oculta em sua sombra - ela disse calmamente - No se 
preocupe, quando a noite chegar, eu voltarei ao antigo estado... se 
vermos noite, pois vamos para Nowhere, onde no  dia nem noite... 
- Onde diabos  esse lugar?
- Aqui, em toda parte e em lugar nenhum. Basta saber a chave correta, 
Homem.
- Pare de me chamar de homem. Meu nome  Lcio Malfoy
- Est bem, Lcio... fique quieto, e deixe sua vontade mais oculta 
domin-lo, e me diga? Para onde quer ir?
- Para minha casa...
- timo... sua casa agora ser em nowhere. Deixe sua vontade 
domin-lo...
Sem saber como, Lcio viu sua casa na sua frente. Deu dois passos 
adiante e casa desapareceu, bem como todo o resto, estava num lugar 
cinzento que parecia como o cu em dia nublado, onde no se divisava 
nada, e tambm no parecia haver distncia, no havia longe, nem 
perto, no era calor nem frio. Era um lugar que parecia lugar nenhum. 
Lcio sentiu um peso sair de seu corpo e viu vega na sua frente.
- Lcio Malfoy... benvindo  terra de ningum, Nowhere. Daqui, 
vamos caminhar at a  fronteira.
- E se a fronteira no me interessar?
- Ela vai te interessar, Lcio, e muito... sua vontade agora me 
pertence. - Lcio ia dizer algo mas no conseguiu, nem mesmo 
conseguia respirar, fez um gesto desesperado para Vega, que rindo, o 
libertou e disse: - Vamos, lcio, temos muito que procurar...
E esta procura terminaria em Hogwarts.

CAPTULO 5 - O LIVREIRO DE HOGSMEADE

Para Draco Malfoy, a presena de sua filha Kayla na Grifnria fora 
uma ofensa quase pessoal. Chegara a falar com Sirius sobre o caso, mas 
este repetira para ele o mesmo discurso de Sheeba, que afinal Kayla 
no era apenas filha dele, mas tambm de Sue Van Helsing, que tinha 
dentro de si muito de grifnria. Isso o irritou profundamente. Se ele 
era conhecido como um professor exigente, passou a ser tido como um 
carrasco por alguns alunos, especialmente os da Grifnria... e por 
Abel Potter. 
Ele achava que o garoto estava na vaga que pertencia a sua filha, e como 
o professor Snape fizera anos antes, agora exigia empenho sobre humano 
do menino, que em pouco tempo odiava o professor, e se amaldioava por 
ter ficado na Sonserina.
Abel era um aluno isolado e vivia um pesadelo no lugar  do que sempre 
imaginara que seria um sonho. No era apenas o professor que o odiava, 
mas tambm todos os seus colegas da Sonserina, afinal, seu pai fora um 
famoso castigo deles no quadribol.  Seu nico amigo era Henry, que 
sempre se lamentava porque ele no ficara na grifnria.
A implicncia de Draco Malfoy pelo garoto acabou por se complicar numa 
tarde em que o filho deste, draco Malfoy Jr, do terceiro ano, viu o pai 
fazer uma grande injustia: Dennis Parkinson, tambm da Sonserina 
explodiu uma bomba de bosta atrs de Draco no corredor, e Abel que 
passava, foi considerado culpado por ele. O garoto se aproximou correndo 
e disse:
- Pai, eu vi, no foi o Abel que soltou a bomba! Foi Parkinson! 
Draco olhou o filho e disse:
- No defenda este garoto, meu filho... eu o vi soltar a bomba.
- Mas no foi ele, pai, o senhor est sendo injusto...
- Filho... eu vi, no seja...
- Mas pai, eu vi! Eu sei que o senhor tambm...
- Ora cale a boca, garoto... eu sei o que vi, e sei o que voc viu, 
no me obrigue a descontar ainda mais pontos para a casa que eu vou 
ter que descontar por causa deste peste...
- Ele no  um peste, pai, o senhor est implicando com ele...
- NUNCA MAIS ME CHAME DE PAI DENTRO DA ESCOLA, MALFOY JNIOR! AQUI SOU 
APENAS SEU PROFESSOR! S sou seu pai fora desta propriedade.
Subitamente, Draco Jnior olhou do pai para Abel, que fez sinal para 
que ele deixasse para l, pois sabia que o professor daria um jeito de 
fazer parecer que a briga, e o decorrente desconto de pontos, era culpa 
dele. Calou-se e saiu sem uma nica palavra, saiu pelo corredor 
segurando lgrimas. J vira o pai implicar com a irm, depois que 
ela fora selecionada para a Grifnria, mas nunca imaginara que seu pai 
faria aquilo com ele. Nunca... 
Naquela noite, em seu quarto, o professor Malfoy tentava entender porque 
fizera aquilo com o prprio filho... sentia-se perdido e pensou em 
Sue. Ele separara-se porque ela se tornara uma me negligente... e 
ele, que espcie de pai era? Mas havia o garoto Potter e este o 
irritava demais, desde que entrara para a Sonserina. Ele no podia 
simplesmente dar o brao a torcer, era um Malfoy. Equivocadamente 
achou que depois se entenderia com o filho. Lembrou-se de seu pai e da 
carta que recebera comunicando que ele fora oficialmente considerado 
morto.
Nunca na sua vida ele pensara no pai com amor, nem nos anos que achava 
que ele estava morto, antes dele quase o matar, quando ele tinha 24 
anos... depois daquilo, Draco nunca mais fora o mesmo. Ele respirara 
aliviado por saber que finalmente ele estava morto. Ele no sabia que 
o pai estava agora a menos de dois quilmetros dele, numa livraria em 
Hogsmeade.


O expediente de Lcio para chegar a Hogsmeade fora idia de Vega. 
Ele precisava esconder seu verdadeiro rosto e no mais tinha a pedra 
que ajudava em transfigurao total, ento, Vega, ainda em 
nowhere, usara uma de suas muitas habilidades e de forma extremamente 
dolorosa, mudara para sempre as feies de Lcio Malfoy, que 
jamais seria novamente um camaleo, mas tinha agora outro rosto... ele 
era agora um senhor de seus aparentes 60 anos e cabelos brancos, porque 
nos anos de torturante rotina em Oz seus cabelos louros haviam perdido 
toda a cor... ele envelhecera demais, e sob a mscara que Vega lhe 
fizera era agora irreconhecvel, porque de sua antiga fisionomia s 
guardava os olhos cinzentos escuros e maus.
Ele conseguira recuperar uma parte do ouro que acumulara como 
Camaleo, a parte que estivera fora de bancos, em esconderijos 
enfeitiados, em cemitrios, que ele enterrara como precauo 
para no passar o que passara nos anos aps a derrota de Voldemort, 
em que dado como morto no podia tocar na imensa fortuna dos Malfoy, 
que para seu dio, ficara quase toda para Draco. Com Vega ele fora 
at cada um desses lugares, sempre  noite, e observara a mulher 
sombra fazer a terra empurrar todo o ouro para cima, como se no 
tivesse peso.
Logo aps a fuga, eles haviam estado por um bom tempo em Nowhere, 
avanando pelo espao atravs dos mundos, viajando sem parecer 
sair do lugar, repentinamente, passavam por portais para outros 
universos, cada qual mais impressionante que o outro. Estranhamente, 
estando em Nowhere mesmo que por mais de um ano, Lcio jamais sentira 
fome ou sede, ou qualquer outra necessidade fisiolgica, e mesmo no 
percebera a passagem do tempo:
- Porque aqui no existimos. - Disse Vega - aqui, como eu disse,  o 
no lugar, a porta para os mundos inferiores. No se sabe quantos 
so os mundos inferiores, mas eles no so importantes para mim. 
Depois de muito tempo, Nowhere pareceu comear a ter uma paisagem. 
Primeiro, surgiu o cho, que parecia feito de areia fina, depois, uma 
elevao, e eles comearam a sub-la, por fim, uma grande 
rvore surgiu, no meio do nada, o que tornava ainda mais bizarra a 
paisagem. 
- No podemos passar daqui - disse Vega - alm desta rvore, 
comea a fronteira. Aqui j existe distncia, tempo, espao... 
Um quilmetro  frente esto os sete portais. 
- Os sete portais?
- Sim, os sete portais dos mundos inviolveis, e o mundo onde nasci 
 um deles, no passado, eu fui uma guardi da fronteira, mas fui 
atraioada e expulsa... Eu quero minha vingana, quero retornar aqui 
e provocar um grande vrtice, para abrir novamente a porta de meu 
mundo e ter de volta meu reino. E depois, trazer de volta meus irmos 
desterrados.
- O que houve para seu povo ser expulso?
- Perguntas demais, Lcio, perguntas demais... No posso responder a 
voc sobre isso. Os mundos inviolveis do equilbrio a todos os 
outros, e todo ele  igualmente importante. Milnios e milnios 
atrs, eles foram separados de todos os outros mundos e universos que 
existem: O mundo da sombra, os reinos da luz, o mundo dos sonhos, a 
realidade cruel, o lar das idias, as guas amargas e finalmente o 
mundo sem volta. 
- Mundo sem volta?
- Sim, o lar das almas imortais, aquilo que os religiosos chamam de 
cu, e ao mesmo tempo, o lugar ao qual chamam inferno.
- E  um bom lugar?
- Ningum volta de l. Todos os que morrem, em todos os mundos 
inferiores, atravessam o grande portal sem chave. Quando se chega l, 
se perde o desespero, a dor... Nada mais importa, uma vez l dentro, 
tudo aquilo que foste em vida retorna pra ti... Se foste bom, sers 
tratado com bondade, se foste mau...
- E como voc sabe, Vega?
- Por que ns, oriundos dos mundos inviolveis, no morremos fora 
de nossos domnios, e eu j estive neste mundo, muito tempo atrs. 
Numa misso fracassada.
Lcio entendeu que ela jamais diria qual tinha sido tal misso. 
- E voc pretende voltar?
- Sim... quero acabar a minha misso, Lcio, mas para isso eu 
preciso de uma coisa simples, que voc vai me ajudar a achar... 
algum que me foi aconselhado a procurar, quando chegasse esse dia.
- Quem?
- Uma criana capaz de destruir a fronteira. Algum que deve estar 
num lugar chamado Hogwarts. 
- Hogwarts? A escola no meu mundo?
- Sim, Lcio... milnios atrs, minha jornada acabou naquele 
lugar, antes de ali haver uma escola. Da plancie de Hogwarts, onde 
milnios atrs meu povo foi subjulgado, pode-se abrir o oitavo 
portal da fronteira, aquele que leva a qualquer mundo... Quando fui 
trada, havia uma aliada que secretamente incentivou-me a esperar. Ela 
tinha o poder de enxergar o futuro, e disse que nesse lugar eu 
encontraria a criana capaz de destruir para sempre as portas da 
fronteira.  

E foi assim que no mesmo ano em que Abel Potter entrava para a escola, 
abria-se em Hogsmeade uma livraria insuspeita, chamada "O alfarrabista 
do Condado", com uma pequena variedade de livros, em sua maioria de 
entretenimento, o que atrairia bastante os estudantes de Hogsmeade na 
primeira visita. Seria perfeito para Lcio infiltrar seu pequeno 
espio entre eles: um diabrete de papel. Era uma criaturinha estranha 
que "morava" numa ilustrao de um livro, que ele pretendia vender a 
um estudante de Hogwarts qualquer, o diabrete tinha incrvel 
capacidade de pular de um livro para o outro, e sendo esperto, aprender 
sobre o dono de cada livro onde passasse, e ate por seus colegas, era 
engraado e ladino, perfeito para descobrir quem poderia ser o aluno 
capaz de provocar o vrtice e destruir a fronteira.
        Lcio esperou pacientemente at o primeiro dia de visitas dos 
alunos a Hogsmeade. Sabia que nem todo aluno de Hogwarts era amante de 
livros, portanto, no podia esperar casa cheia, mas para conseguir 
algum pblico, encheu a vitrine de lbuns sobre quadribol, o que 
atraiu uma pequena turba de meninos curiosos. Os primeiros a entrar 
foram dois garotos da Sonserina, a quem Lcio vendeu alguns exemplares 
de livros sobre quadribol, deixando o livro com o diabrete ainda 
guardado, ele queria vender o livro para um aluno que fosse popular, que 
ele visse que tinha muitos amigos. Outros meninos e meninas entraram na 
livraria, mas ele s se convenceu a tirar o livro com o diabrete do 
estoque quando um menino alto de cabelos negros meio longos entrou na 
livraria com trs outros rapazes. Ele usava um distintivo de monitor 
chefe, e devia ter perto de 17 anos. 
        Lcio sentiu uma onda fria de raiva que controlou. Ele reconheceu 
imediatamente que aquele garoto s podia ser filho de Sirius Black, 
pois tinha o mesmo porte, altura  e jeito do outro quando este estava em 
Hogwarts. Era monitor chefe, ento? Devia ter a disciplina que o pai 
no tivera, no seu tempo. O garoto ria com outros meninos, e um outro 
deles, o mais alto de todos, tambm tinha um distintivo de monitor da 
casa Corvinal. 
- Celsus, eu estou te dizendo, ningum  melhor jogador que Biff 
Davies! O cara  o mximo!
- Sem essa, Art, voc no chegou a ver meu tio Harry jogando, pena 
que ele no quis ser profissional, se tivesse jogado na sua poca, 
seria o melhor de todos os tempos.
- Tomara que o filho no puxe a ele - comentou casualmente um menino 
mais baixo e bem magro. - Hombre, nem quero imaginar o estrago que a 
Sonserina faria tendo um apanhador decente!
- Posso ajud-los, rapazes? - Lcio disse, parecendo o mais doce dos 
velinhos - temos dezenas de livros de Quadribol, aqui, e todas as 
revistas e catlogos sobre vassouras ...
- Na verdade - disse o menino mais baixo - estamos atrs de um livro 
que nos foi recomendado pelo professor de defesa contra artes das 
trevas,  uma leitura extra que ele disse que seria interessante, e 
no achamos na Biblioteca da escola...
- "Doze sculos de trevas"? - Perguntou Lcio, ao que os rapazes 
negaram - "Os males ocultos", "Defendendo-se de Maldies"?
- No. - disse o mesmo rapaz - Na verdade  uma espcie de 
biografia... "De Tom Riddle a Lord Voldemort" - a histria do bruxo 
mais temido de todos os tempos. - Lcio sentiu-se furioso
- No teria jamais material sobre esse bruxo... como ainda se escreve 
sobre ele?
- Na verdade,  um tratado sobre como foi derrotado - disse Celsus - o 
senhor ainda no recebeu nada sobre esse livro? Foi a ltima 
publicao de Alvo Dumbledore,  um best seller!
- Na verdade, embora eu no aprove, ainda no recebi esse livro, mas 
o receberei breve - ele pareceu simptico novamente. - Tem certeza que 
no querem um livro de Quadribol? Quem sabe um livro de histria... 
uma boa leitura de entretenimento?
- Eu gosto bastante de ler - disse Celsus Black - embora esse ano no 
seja o melhor para fazer isso, porque o senhor sabe, somos todos do 
stimo ano...
- Bobagem, menino... ler apenas acrescenta, saber no ocupa espao, 
no acha? Qual o nome de vocs?
- Eu sou Celsus Black, monitor da Grifnria, senhor - ele apertou a 
mo que Lcio estendeu e ficou esperando que este se apresentasse. 
- Rufus Caldwell - disse Lcio - dos Estados Unidos. E vocs, 
meninos?
- Fernando Herrera - disse o mais baixo - apanhador do time de quadribol 
da Corvinal
- Art Dahler - disse o outro, o mais alto - primeiro-monitor da Corvinal
- Ashley Bones - disse o ltimo, que nada dissera - apanhador da 
Grifnria.
- Uma pequena elite, no? O melhor de Duas casas... vocs so 
muito amigos?
- Na verdade, somos mais conhecidos - disse Art - viemos juntos porque 
tambm estamos fazendo uma pesquisa para um trabalho de grupo de 
feitios, que estamos fazendo juntos. 
- Que timo. - Lcio viu Celsus olhando com ateno um livro, e 
pegando um exemplar do mesmo abriu-o sob o balco, para que o Diabrete 
pulasse da folha de papel onde se encontrava, passou-o a ele:
- Gosta de histrias de Vampiro, filho? Essa  uma das melhores que 
eu j li,  a histria do Vampiro Rashmenen, um ser extico, 
anterior at mesmo a Dracula.
Na verdade, Celsus no se interessou por aquele livro, mas continuou 
caando um interessante para ler, at que descobriu uma aventura do 
sculo X protagonizada por um bruxo de um olho s que o entusiasmou. 
Depois de fazer o Diabrete saltar para suas pginas discretamente 
enquanto embrulhava o livro, Lcio ainda conversou com os meninos, que 
levaram mais um livro, para sua pesaquisa sobre feitios, e sorriu 
satisfeito consigo mesmo quando eles saram da loja. No fundo, oculta 
na sombra de um grande armrio Vega disse:
- Voc no deveria parecer to interessado em artes das trevas, 
Lcio. 
- Eles so garotos, no vo ligar uma coisa  outra. O que 
importa  que j temos um espio dentro da escola, se tudo der 
certo, no vamos precisar esperar muito, Vega. O nosso diabrete vai 
achar a criana que voc procura.

Enquanto isso, no Trs Vassouras, os garotos comentavam a simpatia do 
livreiro de Hogsmeade, quando Celsus disse:
- Vou avisar meu pai e minha me, quem sabe eles no querem comprar 
algum livro? Agora no precisam mais ir a Londres para isso. 
O diabrete colocou discretamente a cabea para fora entre as pginas 
do livro e olhou a multido de garotos que o cercava, pensando na 
trabalheira que teria pela frente

CAPTULO 6- ENQUANTO ISSO, EM LONDRES...

        Londres no era conhecida por ser uma cidade violenta, mas tinha seus 
ladres e seu submundo. Aquele, era particularmente um vagabundo, como 
muitos outros que voc podia ver nos confins do West End, batedor de 
carteira comum. 
        Mas naquele dia ele queria fazer algo "quente"... olhou a menina 
passando, 16, 17 anos no mximo. Muito bem estimulado pelo pequeno 
comprimido que tomara meia hora antes, ele partiu atrs da garota. Era 
uma menina magra, de cabelo pintado dum vermelho sangue, usava uma saia 
curta, meias longas... para ele, era o que ela queria, ser agarrada, 
mostrando as pernas de um branco cor de leite naquela friagem das seis 
da tarde... ia abordar a gatinha e se ela no quisesse nada...Sua 
mo apalpou o pequeno, mas afiado canivete dentro do bolso esquerdo, 
ele riu um sorriso sardnico e nada inocente. Acelerou o passo e 
disse:
- Oi gatinha - a menina olhou para ele de vis. Ele sorriu, mostrando 
os dentes amarelados para ela, que no disse nada, apenas apertou o 
passo - ei, com medo de mim? Calma, eu s quero...  conversar.
A garota olhou em volta apavorada, no parecia haver ningum na 
vizinhana, ela costumava evitar aquele caminho, mas naquele dia 
estava atrasada para a escola a trs quadras dali. 
- Sai - ela disse quando ele tentou tomar a sua frente - ela empurrou-o 
e comeou a correr. Ele a alcanou rapidamente e a derrubou contra 
uma lata de lixo, a menina gritou at que o sujeito tirou o canivete e 
tapando sua boca disse:
- Quieta! - a garota sentiu apavorada que ele a arrastava para um canto 
escuro e que logo comeava a puxar sua blusa para o lado, ela estava 
apavorada demais mesmo para gritar...
Ento, algo realmente estranho aconteceu. Uma sombra passou diante dos 
seus olhos e arrastou consigo a silhueta do rapaz, que gritou, enqaunto 
rolava pelo cho, ela se grudou a uma parede, e  no podia acreditar 
no que via. Uma enorme pantera negra apertava com uma das patas a 
garganta do agressor e rosnava baixo olhando para ele. Repentinamente, a 
silhueta tornou-se diferente, e ela viu um vulto alto e escuro onde 
antes havia a pantera, segurando o sujeito pelo pescoo com a mo 
esquerda. Ele apontou a mo direita enluvada para o homem, disse 
algumas palavras e cordas se amarraram ao redor dele. Surgiu um bilhete 
sobre o seu peito, que dizia: "Normam Maller, assaltante. Estava em 
liberdade condicional. Tentou estuprar uma moa." O homem usava uma 
grossa touca de l, que cobria todo o rosto, s deixando os olhos de 
fora.
Ainda perplexa, viu o homem andar na sua direo e perguntar:
- Qual o seu nome?
- I- Iris - ela murmurou.
- Ok, Iris... vou te levar a uma delegacia, e voc vai lembrar apenas 
disso: aquele sujeito te atacou e um homem armado te defendeu, ok?
- Eu...
- Shhh - ele disse e suspendeu a touca, colando seus lbios aos de 
Iris. Ela no entendeu bem o que sentiu, apenas viu quando ele cobriu 
novamente o rosto e apontou a mo direita para o seus olhos e disse:
- Obliviate-me - ele sumiu no mesmo instante e Iris virou-se, sem 
lembrar dele. Ela viu que estava bem prxima a uma delegacia de 
polcia, e lembrou-se da histria exatamente como o homem a contara: 
ela fora atacada, e algum armado, ela no vira seu rosto, rendera o 
agressor.
Iris correu para a delegacia. Do alto de um telhado prximo, o homem 
que a salvara deu um sorriso e desaparatou. Provavelmente era 
necessrio em outro lugar no West End. 

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        Severo Snape odiava aquele maldito tratamento medico. Ele se achava 
intil quando tinha que receber aquela maldita sesso mensal de 
quimioterapia. Malditos mdicos trouxas... porque eles gostavam tanto 
de furar os outros? "Deve ser uma espcie de Karma... eu me lermbro 
que era bem entusiasmado e relao a retirar bile de sapos vivos... 
agora eles me furam tanto quanto eu furava os sapos" - ele pensava, 
olhando o cu cinzento atravs das cortinas na frente da janela 
envidraada do hospital. E tinha mais essa: para ele os prdios 
trouxas eram feios e secos. 
        Ele realmente vinha sofrendo muito com aquele tratamento: a perspectiva 
de mais nove meses transitando entre o hospital St Mungos e o Hospital 
dos Trouxas o aborrecia. Quando acabavam as sees de quimioterapia, 
comeavam as rotinas de poes no St Mungos e vice versa, e ele 
h dois meses vivia saltando de hospital em hospital, tentando matar 
aquele monstruoso cncer que crescera dentro dos seus pulmes como 
salamandras numa fogueira.
        A mdica trouxa entrou, sorrindo como sempre, a despeito da forma 
rude que ele a tratava.
- Bom dia, Sevie! - ele a olhou de mau humor 
- J lhe disse que odeio esse apelido idiota.
- Bem, esse apelido  o nico que o senhor responde. Prefiro suas 
reaes horrorosas a nenhuma reao. - ela comeou a 
metodicamente examin-lo enquanto falava, ignorando a cara rabugenta 
que ele fazia. Depois de alguns minutos, ela escreveu algo no 
pronturio e disse:
- Se comportou bem, hoje, Sevie... aqui est seu prmio. - ela 
estendeu um par jornais enrolados que ele abriu avidamente. A mdica 
sorriu. - Voc no se importa que eu leia seus jornais primeiro, 
no? O Times no me interessa muito, mas O Profeta Dirio continua 
sendo o peridico mais interessante que eu j li... adoro a 
seo de fofocas de Gilda Lockhart!
- Voc iria adorar o irmo mais velho dela - ele disse com uma cara 
aborrecida. Realmente, a nica forma dele conseguir os jornais fora 
atravs da mdica: o profeta dirio se recusara a transferir a 
assinatura dele para um hospital no centro de Londres, podia causar 
embarao para o ministrio da magia. Ento a soluo fora 
transferir a assinatura para a casa da mdica, que por pertencer  
irmandade, estava na seleta lista de trouxas que podia receber um 
exemplar do profeta dirio em casa. J o Times ela comprava para ele 
na banca, porque ele adquirira com Alvo Dumbledore o hbito de ler 
tambm jornais trouxas.
- Sevie... - ela disse levantando-se da cadeira ao lado da cama - uma 
nova mdica vai ajudar seu tratamento - ele olhou para ela espantado:
- Voc vai abandonar meu tratamento agora? - a mulher riu, divertida e 
arregalou os olhos, j bem grandes:
- Meu Deus! O grande bruxo est de fato manifestando algum apreo 
pela sua pobre mdica? No  nada disso. Minha prima Sue est se 
mudando para Londres, e chamei-a para me assistir nessa pesquisa. Ela 
diz que te conhece...
- Sim... eu fui padrinho do casamento dela. Porque ela vai sair de Nova 
Iorque?
- Bem... ela diz que  por uma divergncia com seu pai, que 
atualmente preside a Irmandade em Nova Iorque, mas eu duvido. Acho que 
ela tem no fundo esperana de reatar o casamento com aquele outro 
bruxo intratvel...
- Draco Malfoy no  intratvel.
- Hum... no sei se o cunhado dele teve a mesma opinio depois que 
eles tiveram um desentendimento e Draco o transformou, acidentalmente, 
claro, em uma doninha saltitante... meu Deus, onde vocs bruxos 
aprendem esses modos, hein?
- Bah, o sujeito deve ter merecido... e vocs, caadores de 
vampiros, no so muito melhores.
- No diga isso de mim, Sevie. H mais de quinze anos no cao 
vampiros - ela disse de forma meio melanclica - a irmandade no 
gosta de mulheres que no podem ter filhos - ela levantou-se e saiu 
despedindo-se com um rpido tchau.  
Severo acompanhou a sada da mdica ento ficou por uns instantes 
assistindo ao montono pinga-pinga do soro quimioterpico para 
dentro de suas veias. Droga no ter uma varinha... podia fazer aquilo 
passar mais rpido para sua corrente sangnea... talvez fosse por 
isso que no tivessem permitido que ele levasse a varinha, no? 
Voltou a ateno para os jornais, e depois de ler o Profeta, pegou o 
Times. Bom jornal. Se ele fosse mais amigo de Annie talvez confessasse a 
ela que tambm gostava de ler o "The Sun", mas por enquanto aquilo era 
melhor que nada. Repentinamente, uma matria secundria nas 
pginas policiais atraiu sua ateno. 
"SUPER HERI NO WEST END?"
Um homem no identificado tem aparentemente agido no west end como 
justiceiro, pelo menos h trs meses. Os primeiros relatos davam 
conta que um homem armado aparecia sempre na hora certa, tendo j 
evitado mais de cinquenta pequenos assaltos e dois ataques a mulheres. 
Os ltimos relatos porm so mais surpreendentes. Testemunhas tem 
dado conta que o homem misterioso aparentemente possui uma pantera 
ensinada, que ataca os criminosos, embora nem mesmo os criminosos 
lembrem-se da tal fera. Um dos relatos sobre a ltima incuso  
realmente inacreditvel:
"O Sujeito no me viu,  claro... ele no usa arma, eu juro, mas 
eu vi quando ele apareceu do nada, havia um sujeito assaltando uma velha 
alm do beco onde eu estava deitado... ento, o cara apareceu, e 
pegou na faca que o sujeito usava e ela... derreteu! Juro! Ento, ele 
apontou a mo direita para o ladro, e ele ficou todo amarrado, em 
menos de um minuto. Ele ainda disse alguma coisa e deixou apalermados 
tanto a velha como o ladro. A ele... acreditem eu no tinha 
bebido nada naquele dia.. ele virou um bicho grande e saiu na 
direo do beco... e sumiu! Quando eu levantei, a velha tinha 
comeado a gritar e eu ajudei a socorrer, e at agora no sei 
porque o depoimento dela no combina com o meu."
A polcia acredita que o autor do depoimento, Archie Cunningan, um 
conhecido sem-teto da regio, inventou a histria atrs de alguma 
fama. Enquanto isso, o justiceiro comea a se tornar uma lenda e 
espoucam relatos sobre "O super heri do West End".

Severo franziu a sobrancelha preocupado. Reconhecera imediatamente: s 
podia ser um bruxo. Mas que bruxo faria algo assim? E sem uma varinha... 
ele devia de alguma forma substituir a varinha por algo diferente. Um 
artefato pequeno, talvez? Algo que coubesse na palma da mo? E o 
sujeito era um animago, claro... no devia ser um animago resgistrado, 
mas isso francamente no era surpresa para Snape, que calculava que 
deviam haver cerca de mil animagos no registrados na Inglaterra. Ser 
um animago era uma dessas coisas que tinham muito mais valor quando 
ningum sabia disso.
- Muito estranho - ele murmurou, ainda com o cenho franzido - ser que 
por acaso o Ministrio da Magia sabe disso?


Hermione lia aquela reportagem pela terceira vez, com uma expresso 
idntica  de Severo Snape. Olhou por cima do jornal para Rony, que 
lia o Profeta Dirio. Perguntou:
- Voc leu o Times?
- Mione, voc sabe que eu acho que os jornais de trouxas so uma 
chatice. S gosto da seo de esportes. Aprendi a achar futebol 
legal, o Dino tinha razo... - ele disse sem tirar os olhos da 
desagradvel crtica de Rosalind Skeeter sobre seu ltimo filme. - 
Mione... eu realmente pareo melhor quando fao transfigurao 
pessoal? - ela no estava prestando muita ateno e ele repetiu a 
pergunta.
- H? No, querido... eu gosto de voc de qualquer jeito... o que 
essa idiota da filha da Rita Skeeter disse sobre voc?
- Que eu no deveria fazer filmes usando meu prprio rosto - ele 
disse com uma expresso bem aborrecida.
- Esquea isso... sua aparncia  aceitvel - ela disse, 
fazendo-o piorar ainda mais sua expresso - eu queria que voc lesse 
isso - ela estendeu a pgina policial do Times sobre a mesa e ele 
olhou curioso. Leu rapidamente e disse, ao final:
- Um bruxo, com certeza. 
- Isso  bvio, no? - ele levantou os olhos para ela aborrecido, 
mas no disse nada. Estava acostumado demais com a frase "Isso   
bvio" para se aborrecer com ela.
- Ok,  bvio... voc est aborrecida porque nenhuma das suas 
geringonas de monitoramento ou seus mapas o pegou ainda... estou 
certo?
- Isso... - ela pensou um instante - ,  isso. Ele deve usar alguma 
forma de objeto que ns no estamos preparados para detectar.
- , isso  bvio - devolveu Rony, com um sorriso malicioso - Mas 
voc no acha, Mione, que afinal de contas ele est fazendo 
algo... bom?
- Ronald! - Hermione s o chamava assim quando ele realmente dizia 
algo que a chocasse - isso  completamente irregular!
- Humrrum - ele disse, olhando o desenho que mostrava um sujeito todo de 
preto encapuzado e enluvado - mais ou menos como diversas coisas que 
fizemos ao longo de sete anos em Hogwarts... sem mencionar aquele 
feiticinho que eu fiz durante a nossa lua de mel que no era muito 
certo mas voc adorou... - ela olhou-o de forma assassina e ele 
segurou o riso. 
- Rony, esse  o meu trabalho, entende? Seu pai confia em mim, o 
ministrio confia em mim...
- Percy pega no seu p o tempo todo... - ele completou e ela se calou. 
- Hermione, escute: h algum bruxo a fora que andou lendo demais 
revistas em quadrinhos de trouxas e resolver bancar o Calvin Kent...
-  Clark...
- H?
- Clark Kent.
- Isso.  o que vira o Batman, certo?
- No, Ron... esse  o Bruce Wayne...
- T, voc entendeu, certo? - ele no est prejudicando
ningum e, bem, ajuda os trouxas. Meu pai adora os trouxas. Enquanto
ele estiver l em cima, nem voc nem o cavaleiro solitrio a
tem com o que se preocupar... e alm do mais, voc  a nica em
todo ministrio que l o Times... ningum nem vai saber disso por
um bom tempo... pelo menos at algum reprter do Profeta dirio
descobrir.
- ... mas de qualquer forma... eu vou pedir a Harry que investigue
isso - ela disse pensativa  e Rony revirou os olhos. Sim, ele casara-se
com uma obcecada pelas regras.
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        Bernardo Fall sacudiu a cabea ligeiramente. Droga de sono... se ele
tivesse acesso a algum no mercado negro, com certeza conseguiria um
vira-tempo. Ele acabara de abrir a loja. Era o que fazia todas as
manhs desde que se tornara um clandestino: abrira uma pequena loja
perto de Aldwych, onde consertava computadores. Tinha um assistente, um
rapaz negro chamado Jay, que nunca desconfiara do fato do patro usar
sempre uma nica luva preta quando abria os aparelhos, devia ser para
no danificar os circuitos.
        Jay chegou com um monitor logo depois, e o depositou sobre a sua mesa,
dizendo:
- Chefe, acho que esse a no tem conserto... uma placa de circuito
simplesmente derreteu.
- Ok, deixe a e v trabalhar naquele PC que chegou ontem... eu dei
uma olhada nele, acho que est quase bom.
Jay sentia-se meio frustrado, era muito bom em eletrnica, mas nunca
trabalhara com algum to bom a ponto de consertar qualquer coisa
sem quase precisar repor peas. O trabalho de Jay quase que se resumia
a diagnosticar defeitos e apertar parafusos. Todo o resto o patro
fazia..
Bernardo riu interiormente e murmurou, olhando os circuitos queimados de
uma placa me, enquanto a tocava com a mo enluvada:
- Reparo... - ele riu vendo os circuitos voltando  forma normal. Ele
quase gostava daquele estilo de vida, que era afinal de contas bem
rentvel. Ningum desconfiava que sua luva preta de couro fora um
projeto pessoal em que trabalhara arduamente desde que se tornara um
renegado. Estava acostumado a fazer coisas em segredo, afinal, no era
um animago desde os dezoito anos  toa. Seus conhecimentos o haviam
feito arrumar um jeito de transformar uma luva de couro num objeto
mgico que era to bom quanto uma varinha, apenas com o auxlio de
um nico pelo de unicrnio.
Mas era  noite que ele realmente se sentia um bruxo. Era bem melhor
usar a luva para caar criminosos que para consertar computadores. E
nenhum bruxo sabia daquilo, e ele tinha certeza que sua identidade
secreta estava bem segura. Ele riu. Realmente, acabara mesmo sendo 
influenciado por todos aqueles comics e mangs de trouxas que gostava 
de ler na infncia... , agora ele era um super hroi...
- O obscuro - ele disse para si mesmo e Jay perguntou:
- O que, chefe?
- Nada, Jay...
Ele voltou ao seu trabalho, sacudindo a cabea para espantar o sono. 
, ia achar um jeito de conseguir um vira-tempo... era s ningum 
saber, como ningum sabia que ele era "O Obscuro".
Ele achava que ningum sabia... mas havia algum que soubera antes 
mesmo dele se tornar o Obscuro, o que ele faria. Algum que o amava. 
Algum que tinha o toque de Prometeu.


CAPTULO 7 - MISSO: LONDRES
        Harry ajeitou os culos e olhou o pergaminho pensativo. Depois olhou 
para os rostos ansiosos de Hope e Gilles na sua frente e deu um 
meio-sorriso sardnico. Estavam em Londres e aquela era a primeira 
misso simulada da turma do segundo ano. Haviam dividido a turma em 
trs duplas e um trio, e aquela dupla, a mais problemtica coubera a 
ele. Beleza. 
- Muito bem... - ele comeou - isso  uma competio de aurores, 
e no pensem que vocs no vo passar por isso na vida 
profissional.
-  - disse Gilles - meu pai me disse que o Sr e o Professor Adams...
- Quieto, Gilles - interrompeu Harry - A misso  simples, no 
quero exibies dos dois. Aproveitem que vocs tem uma grande 
vantagem - Hope exibiu a palma da mo enluvada dando um tchauzinho e 
Harry riu - no v sair sem luvas e ser nocauteada por alguma 
profecia sbita, Hope.
- Nem pensar - ela disse lembrando-se da vez em que aos sete anos tirara 
as luvas para deslizar por um corrimo e chegara no fim dele 
absolutamente doidona com as mltiplas sensaes simultneas. 
No era nem um pouco gostoso abusar do Toque de Prometeu. 
- Bem... o objeto  o coelho de ouro e est escondido em algum lugar 
da cidade - ele apontou Londres pela janela - agradeam por ter uma 
semana, em breve as misses vo ser mais complexas e vo durar 
at mesmo apenas um dia... A primeira pista de vocs pode ser achada 
em Trafalgar... vocs vo ter que achar onde.  - os dois deram 
sorrisos arrogantes que a ele pareceram idnticos e ele sacudiu a 
cabea. - E mais uma coisa... eu at posso no ficar desapontado 
se vocs no forem os melhores... mas juro que arranco o couro dos 
dois se vocs perderem para a equipe daquele idiota do Adams... Rua - 
ele disse e fez um feitio que os despachou para um lugar pouco alm 
de Trafalgar, numa rua absolutamente deserta s seis horas da manh. 
Giles colocou a mo no bolso e disse:
- O que ele falou mesmo sobre "acostumar-se com a competio na vida 
profissional", hein? - Hope riu e eles foram andando pela rua...
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        O mais difcil no foi realmente achar a pista. Mas como aquela era 
a equipe que tinha a pitonisa, os organizadores tinham posto o 
pergaminho muito bem escondido dentro de um bueiro. Os trouxas acharam 
meio estranho uma equipe de consertos formada por um homem e uma mulher, 
que demorou cerca de seis minutos paralisando toda a Trafalgar para em 
trinta segundos entrar no bueiro e sair, dizendo que havia sido um 
engano. Gilles se perguntou se eles iriam perder pontos por jogarem um 
grande feitio de memria coletivo para no serem xingados por 
todos que estavam parados no engarrafamento.
        Eles acharam uma lanchonete com banheiros suficientemente limpos para
efetuarem uma transfigurao nas roupa de volta nas suas, depois de
transform-las em uniformes de operrios. Gilles aproveitou para
devolver a bolsa de Hope que ele transformara em um cavalete de obras, 
no sem os devidos protestos. 
-         Era por volta de meio dia e eles resolveram achar um lugar sossegado 
para almoar. Pararam num pub e Gilles pediu uma Guiness. Hope o olhou 
chocada.
- Stone... voc vai beber em servio?
- O que que tem? - ele puxou um frasco do bolso onde se lia "SemPorre - 
poo tira lcool" - ele riu e ela fez uma cara de censura.
- Bah... porcarias de catlogo do semanrio dos bruxos.
- Te garanto que quando eu estava em Beuxbattons foi muito til... - 
Hope pegou com a mo desenluvada o pergaminho da pista e disse:
- Picadilli Circus,  a prxima parada.
- Black... voc sequer leu a porcaria da dica... isso definitivamente 
no  justo, no acha?
- E da? Quando eu estiver l fora, contra os caras, ningum vai 
perguntar isso...
- Os caras talvez sejam mais espertos e usem um bom feitio de 
confuso - ele riu 
- , os outros caras tambm so espertos - disse uma voz bem 
atrs dele. Gilles se virou e viu um sujeito que ele nunca vira, 
sentado de costas para eles, de chapu, que lia um jornal. Ele tirou o 
chapu. Era velho e careca, com um rosto quadrado. Ele olhava srio 
para Gilles e por um minuto, este viu seus olhos azuis ficarem verdes 
atrs dos culos de leitura.
- Professor Potter? - ele sussurrou. Harry, que estava transfigurado deu 
um sorriso e balanou a cabea.  
- Aprendam a no confiar demais no bvio. E leiam a droga da 
pista... o papel est enfeitiado! - ele sussurrou.
- Era para o senhor nos dar essa dica? - perguntou Hope, um tantinho 
amedrontada.
- Claro, se vocs precisassem dela - disse Harry candidamente e os 
dois suspiraram aliviados. - e  lgico que vo perder vinte 
pontos na tarefa por terem precisado- ele disse voltando a endurecer o 
rosto. Ento esticou a mo gordinha e pegou a garrafa que Gilles 
segurava, dizendo - e no confie nessas poes de segunda - deu 
uma grande golada na cerveja de Gilles e disse: - pea algo mais 
inofensivo, como um refrigerante... - virou-se novamente e parou de 
falar com ambos. Hope ria e Gilles parecia amuado. Eles ouviram a 
garonete comentar casualmente com Harry:
- Nossa, j lhe disseram que o senhor  muito parecido com o 
falecido ministro Winston Churchill? 
- Oh, sim, mas eu nem era nascido quando ele morreu... s o conheo
por fotos. 
A garonete se afastou meio desconfiada e Gilles e Hope no puderam 
deixar de rir. 

        Quando finalmente concluram que a dica levava a uma rua bem do outro 
lado da cidade, perto de King's Cross j eram quase quatro e meia da 
tarde.
- Droga, temos que nos apressar - disse Hope - acho muito pouco 
provvel que ningum tenha passado nossa frente na misso... 
levamos horas para decifrar aquilo.
- Humrrum - disse Gilles olhando-a com uma expresso provocadora - 
voc perdeu o hbito de usar o crebro, por causa desse negcio 
de prometeu, n?
- E voc nunca deve ter usado muito o seu...
- Ei, fui eu quem decifrou a pista... voc  profundamente injusta, 
Black.
- Voc  que  um implicante - os dois se olharam rindo. A verdade 
 que sabiam que dificilmente algum estaria muito na  frente deles, 
porque a pista era difcil mesmo. Agora era procurar algum lugar 
discreto e seguro para desaparatar para algum lugar que fosse prximo 
 estao King's Cross.
- Espere... - Gilles estacou e fez uma cara estranha - como vamos 
conseguir aparatar exatamente no mesmo lugar? - Hope olhou-o 
desconfiada.
- Nem venha sugerir aquela coisa de beijo... eu no vou beijar voc, 
Stone!
- Quem disse que eu estou falando  em beijo? - ele no pareceu 
ofendido, mas o que ele falou a seguir realmente soou bem desagradvel 
: - At parece que eu ia querer beijar voc...  que eu no 
conheo bem a cidade e no consigo focalizar um ponto para aparatar 
discreto o suficiente, entende? Voc conhece bem King's Cross?
- Razoavelmente - disse ela disfarando a ofensa. Ele dizer que no 
queria beij- -la fizera contra sua vontade sentir-se mais ou menos 
to desejvel quanto uma barata de 1,65 de altura. - Eu posso fazer 
o seguinte... te explicar onde voc pode aparatar... e eu posso por as 
minhas mos sem luvas em voc e... assim eu saberia onde voc ia 
aparatar...
- Ok... entendi. Explique. 
- Hum... King's Cross  movimentada... a gente teria que... hum.
- J sei! - Gilles deu um passo a frente e antes que Hope pudesse 
protestar, ela a agarrou e colou brevemente seus lbios aos dela. 
Quando se viu dentro de um lugar fechado com ele, ela gritou de 
indignao, dando breves socos nele, que ria:
- Voc disse que no ia fazer isso!
- Eu no tinha pensado em fazer isso... nem me lembrava desta 
histria de que era possvel desaparatar junto com um beijo. Eu s 
queria uma idia... ainda bem que voc me deu uma. No fique to 
chateada. Foi um beijo profissional. Fique tranquila, eu nem senti nada, 
mesmo... 
- Onde estamos?
- Bem, minha inteno era um lugar escondido. Deve ser um 
depsito, vamos achar a sada e a pista...

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Em pouco tempo, saram do lugar, que era o poro de um prdio 
comercial. Desta vez a pista seguinte estava num prdio em obras, mas 
eles no precisaram entrar no lugar, que tinha um terrvel entra e 
sai de operrios. Simplesmente entraram no prdio em frente, que era 
mais sossegado, e do terrao usaram um feitio convocatrio. Com a 
pista na mo, Gilles disse:
- Bem... acho que por hoje chega de diligncias. Temos at amanh 
cedo para descobrir o que quer dizer esse enigma. Podamos dar uma 
volta por a, no acha?
- No  m idia... mas eu ainda me sinto MUITO aborrecida 
contigo.
- Ora, relaxa, Black... eu j disse que foi um beijo meramente 
profissional, eu no costumo me aproveitar desse tipo de coisa, 
especialmente para beijar garotas duronas que passam o tempo fingindo 
que so homens...
- Eu no finjo que sou homem - os dois j estavam saindo do prdio 
- eu j te disse que eu no quero ser homem...
- Sim, voc apenas se guarda para o homem da sua vida 
"oh-o-terrvel-injustiado-que-foi-obrigado-a-viver-com-trouxas..." 
- Porque eu resolvi fazer confidncias justamente a um ignorante como 
voc? Eu nunca devia ter te contado sobre Bernardo... e voc nem o 
conhece. No pode ter uma opinio sobre ele. 
- Eu no o conheo porque voc nunca nos apresentou. Eu adoraria 
conhecer o sujeito que transformou voc nesse cara to legal e 
indubitavelmente masculino...
- Eu no sou masculinizada, droga. E voc vai conhec-lo hoje, 
ento... ele tem uma oficina de computadores perto de Aldwych ... 
vamos l agora.
- Ah, no estou a fim de ficar olhando para computadores...
- Eu quero que voc o conhea... vou ter o prazer de mudar sua 
opinio sobre ele. 
- Ok... vamos desaparatar ento para Aldwych...
- Sem essa, no estamos mais com pressa. Podemos perfeitamente ir de 
Metr!

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Bernardo estava debruado sobre um computador que Jay abrira 
imediatamente antes de sair para buscar um computador "aparentemente sem 
conserto" na casa de um cliente. Ele estava recuperando com magia, 
obviamente, uma placa cujos circuitos estavam de fato imprestveis, 
rindo-se porque quando terminasse aquele computador teria um desempenho 
melhor que jamais tivera, porque ele tambm consertara um defeito de 
fbrica. Mas na verdade, j pensava no que faria  noite. A sineta 
do balco tocou e ele tirou a luva e abriu a cortina que separava a 
oficina da ante sala de atendimento. Fez uma expresso surpresa. L 
estava Hope. Ela o visitava s vezes, mas era a primeira vez que vinha 
acompanhada. 
- Oi Bernarndo - ela disse no tom usualmente efusivo e doce que usava 
para falar com ele. O rapaz que estava com ela olhou-a como se ela 
tivesse duas cabeas, e Bernardo no soube porque. - Esse  um 
amigo meu, Gilles Stoneheart... estamos em misso simulada em Londres.
- Que bom ver voc Hope - disse ele num tom que era polido, mas no 
manifestava realmente nenhuma alegria especial por v-la  - espero que 
voc esteja se saindo bem...muito prazer - ele estendeu a mo para o 
rapaz - Bernardo Fall D'Anime.
- Muito prazer... Gilles Delacroix Stoneheart - rosnou o outro - Hope me 
falou de voc... me disse que voc... conserta coisas.
- Falou, ? - Bernardo olhou para o outro com idntico desagrado. 
Decididamente, no tinha ido com a cara do rapaz grandalho - Bem, 
eu tinha que me virar, no? Ela deve ter lhe dito que eu a 
conheo... bem - ele sorriu para Hope - desde que ela era um beb.
- Fascinante - disse Gilles num tom aborrecido. Hope parecia prenunciar 
o desastre e interviu:
- Ei, Bernardo, eu estou livre... porque voc no vem conosco e toma 
uma cerveja... deve ter algum pub aqui por perto que...
- Ei, Black - disse Stone - Eu no sei se vai dar pra mim... um de 
ns tem que reportar o dia de misso para o Professor Potter, 
lembra? Se bem que o certo seria conversarmos os dois com ele, no?  
Bernardo examinou o rapaz de cima abaixo. Alto, pelo menos uns vinte 
centmetros a mais que ele. Ombros largos, uma fria arrogante 
contida nos olhos castanho-claros, meio sumidos sob a franja que caa 
displicente sobre a testa. Dez anos mais jovem que ele, com certeza. 
Nada alm de um garoto tolo, provavelmente com uma paixo enrustida 
por Hope. 
- Acho que seu amigo tem razo, Hope - ele disse, afagando a mo 
enluvada da moa sobre o balco. E alm do mais, eu j tenho 
compromisso para esta noite. - ele viu a decepo estampada no rosto 
dela. - Quem sabe no fim de semana... talvez na sexta, no? Me 
telefona - ele entregou um carto de visita a ela.
- ... - ela sorriu segurando o carto. Para Gilles era o sorriso 
mais estpido que ele j vira. - Eu ligo para voc, Bernardo - ela 
disse isso e debruou-se sobre o balco, estalando um beijo na sua 
bochecha esquerda. Ele riu e os dois saram. Ele no sabia porque, 
mas pela primeira vez achava interessante sair com Hope.
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- Ele nem toma conhecimento de voc, essa  a verdade...
- Ah, no enche Stone... ele me pediu para telefonar.
- Isso mesmo... telefonar! Pode haver coisa mais... trouxa que isso?
- Que droga, Stone... ser possvel? Voc est  com inveja 
porque no tem uma namorada, t?
- Quem disse que eu no tenho namorada, Black?
- Oras... voc nunca me falou de namorada nenhuma...
- Porque eu no sou tolo de aferrar-me a esse tipo de coisa como 
voc... eu tenho algm... mas no  exatamente algum que eu 
leve a srio.
- Ah... duvido... - ele sacou uma fotografia de uma moa loura e 
sorridente. Hope a reconheceu de algum lugar.
- Seu nome  Jeanne... foi minha colega em Beuxbattons... ns somos, 
hum... como eu posso explicar?
- Namorados?
- No... nos encontramos, s vezes...  uma relao aberta. 
- Ah, que horror...
- Hope Black... a puritana. No admite que um homem e uma mulher 
fiquem juntos seno por um amor alimentado desde a mais tenra 
infncia... desde que voc era um beb... francamente, isso deve 
ser contra alguma lei!
- Eu no sou mais um beb, Stone. Viva com isso... - a voz de uma 
senhora a interrompeu:
- Bem, minha filha... eu acho to bonito moas com idias 
romnticas - uma velha surgira do nada entre os dois. Gilles sabia 
pouco sobre o mundo trouxas, mas podia jurar que a velha era a cara da 
Margareth Tatcher, que ele sabia que tinha sido ministra dos trouxas 
h muito tempo atrs. A velha continuou - mas sabem... o chefe de 
vocs deve estar precisando de um relatrio sobre a misso de 
hoje...
- Professor Potter? - perguntou Gilles, incrdulo. A velha sorriu, e 
tinha o sorriso que teria um tigre, ou um urso, se estes pudessem 
sorrir. 
- Muito bem... alm de discutir a vida amorosa de vocs... o que de 
til foi feito hoje? 
Gilles e Hope discutiram brevemente o que haviam feito aquele dia e ele 
sorriu satisfeito. Por fim disse:
- Hum, no deveria dizer que vocs esto na frente, mas esto... 
trabalhem nas pistas de forma correta. Vejo os dois amanh. - ele saiu 
gingando pela rua e desapareceu na multido. 
- Como ser que ele faz isso, Stone? Quer dizer... meu pai sempre 
disse que ele era pssimo em transfigurao pessoal...
- As pessoas aprendem, eu acho - disse o perplexo Gilles, ainda com o 
sorriso da Dama de Ferro na imaginao.
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        A semana avanou e os dois descobriram que profissionalmente eram de 
fato uma grande dupla. A sagacidade de Hope era complementada 
perfeitamente pelo raciocnio rpido de Gilles e a habilidade com 
feitios de ambos era muito til para conseguir as coisas. No 
podiam tambm negar que se divertiam juntos. Se havia uma 
divergncia ela se chamava Bernardo:
- Esquea-o, Black... ele  baixinho, feio, tem cabelo cortado como 
uma escova... sinceramente, do jeito que voc falava dele eu imaginava 
que ele era pelo menos to pintoso quanto eu!
- Ele no  baixinho, nem feio! E se voc fosse metade do que 
pensa que , todas as mulheres de Londres teriam cado aos seus 
ps...
- Nem todas, mas algumas sim... o que voc acha que eu tenho feito  
noite?
- Seu sujo... e a garota de Beuxbattons?
- J disse que ela no implica com isso.
- Ei! J sei de onde eu a conheo! Ela estava no ltimo torneio 
Tribruxo, em Durmstrang... ela foi a campe de Beauxbattons!
- Brilhante... voc estava l, tambm? 
- Claro... mas no fui escolhida a campe, o que prova que no fundo 
aquele clice  uma grande besta...
- Eu no lembro de voc... mas eu tambm fui ao torneio. Como 
nunca nos conhecemos?
- Sei l... - disse Hope lembrando-se que aquele torneio fora na 
poca em que ela resolvera tornar-se a garota fatal, e que ela no 
lembrava com prazer nenhum de ter se agarrado ao campeo de Durmstrang 
no Baile de inverno. Repentinamente sentiu que Gilles estacava do lado 
dela e comeava a rir.
- Por que eu no me toquei que era voc? HAHAHAHAHAHA! Voc era a 
menina de Hogwarts que foi salva pelo campeo... voc foi escolhida 
porque... nossa, como voc mudou, hein? - ele disse isso e um segundo 
depois lembrou-se que afinal achara durante o baile que o campeo de 
Durmstrang fora um bocado sortudo em ter conquistado a menina bonita de 
cabelos compridos negros. Agora que a imagem o atingia por inteiro, ele 
lembrava como a achara linda... e isso fora h apenas trs anos 
atrs.
- E - eu... era meio idiota naquela poca - disse Hope, corando - 
Mas... -ela apertou os olhos tentando imaginar Gilles em roupas azuis 
celestes como no uniforme de Beauxbattons, mas a imagem no vinha. 
Repentinamente, lembrou-se de um garoto alto demais, que usava culos 
e tinha o cabelo penteado com muito gel, que parecia terrivelmente um 
Nerd. E caiu na gargalhada ao perceber que aquele era Gilles - Lembrei 
de voc!!! Voc era muito ridculo!
- Eu no era muito ridculo... eu s era um pouco... diferente.
- Voc usava culos! E fundo de garrafa!
- Muito, muito engraado rir de um cara de culos... eu fiz um 
feitio corretivo... s pode ser feito acima de seis graus de 
miopia, depois dos dezoito..
- Usava gel e partia o cabelo ao meio!
- Eu no era muito imaginativo... usei esse penteado a vida inteira. 
Chamo o meu atual penteado de "a revolta do cabelo gomalinado".
Os dois riram muito mas Gilles no sabeira dizer exatamente porque, 
porm mudara seu conceito sobre Hope... lembrando-se da menina de 
Hogwarts, concluiu que o "seu melhor amigo" podia ficar bem atraente se 
quisesse.

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O fim da semana trouxe a esperada vitria dos dois na misso, com as 
melhores notas. Teriam a sexta feira livre e Gilles se perguntou se 
no seria boa idia chamar Hope para fazer algo com ele. Decidiu 
esper-la no saguo do hotel para, quem sabe, um passeio pela tarde 
que entrasse pela noite e... ele sacudiu a cabea, era uma idia 
idiota... eles eram amigos, oras!
Ficou olhando a televiso com a mesma expresso meio fascnio meio 
desprezo que usava para olhar qualquer coisa que fosse trouxa. Ele era 
afinal uma pessoa acostumada  dualidade: pai escocs, me 
francesa, ele racional, ela passional. Estava acostumado a achar que os 
opostos se atraam, talvez por isso Hope, que ele achava to 
parecida com ele, tivesse se apaixonado por aquele sem graa. 
Uma coisa o fez desistir de esperar Hope: a silhueta de uma moa de 
cala jeans e blusa vermelha meio transparente que ele viu de relance 
de costas entregando a chave no balco. Ela tinha cabelos negros e 
longos. Um corpo legal... no muito alta, nem muito baixa... "dane-se 
Black... apareceu companhia mais interessante" ele pensou enquanto se 
dirigia como que casualmente ao balco. Ento a moa se virou e 
ele parou apalermado.
- Hope? - disse, sem sentir que falava o primeiro nome da moa. - o 
que voc fez com o seu... cabelo? (e com as roupas de homem, e com o 
look "sou durona, no se meta comigo"?) 
- Eu... - ela pareceu sem graa - Eu vou sair com o Bernardo... ele 
tirou folga.
- Aaah! - ele disse tentando no parecer decepcionado. - legal... boa 
sorte.
- Obrigada - ela sorriu e hesitou um segundo, antes de depositar um 
beijo na bochecha dele. Ele a observou sair e ento se dirigiu ao bar.
- Ei, me d uma cerveja... no, melhor... um usque. Duplo.  - o 
lquido desceu pegando fogo pela garganta e ele sentiu-se um tremendo 
idiota. Era filho de um escocs mas nunca tomara nada to forte. Sua 
boca estava amarga, e ele no conseguia entender porque.

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        A tarde caa. Hope e Bernardo andavam lado a lado. Estavam em 
silncio. At agora no havia sido um dia perfeito. Tinham tomado 
ch juntos, conversado... mas o mesmo tom polido e distante de sempre 
os separava. Hope no fundo queria que ele fizesse algo. Mas ele no 
era nada bom com iniciativas. Ele no sabia que as luvas que ela usava 
no eram bloqueadoras, e que ela j sabia agora ainda mais sobre ele 
que o de sempre. Ento ela pegou a mo dele e ele olhou-a surpreso. 
Ela comeou:
- Bernardo... eu sei porque voc preferiu marcar comigo cedo, alis, 
eu sei do seu segredo... eu soube dele desde o dia que te toquei, logo 
quando voc foi...
- Eu devia imaginar - suspirou o rapaz, baixando a cabea. - Hope... 
no sei se  bom para ns falar do passado... no sei se  bom 
para voc...
- Eu te amo... - ele sorriu tristemente
- Voc no sabe o que  amor, menina... vai por mim, tenho onze 
anos a mais que voc, isso conta como experincia...
- Porque, Bernardo? Porque voc est desistindo de ser bruxo e 
alimentando essa coisa de super heri de trouxas?
- Eu... eu perdi a esperana de voltar - ele disse com amargura. - E 
eu queria fazer algo til com tudo que eu sei, Hope - ele olhou-a com 
raiva - a sociedade dos trouxas  doente, mais doente que a nossa... a 
sua, alis... eles precisam de heris, entende?
- Eu preciso de um heri...
- Eu te faria sofrer.
- Voc j faz isso... o tempo todo, no tem como evitar. - ela 
abaixou os olhos e tentou segurar a vontade de chorar, em parte de 
raiva, porque por mais que tentasse ser uma mulher adulta, diante de 
Bernardo parecia sempre uma menininha tola e tmida. Ele sentiu-se 
tocado e a abraou. Ela ergueu a cabea de repente e seus lbios 
se tocaram, e ela o beijou com sofreguido.
Bernardo no soube explicar mais tarde como nem porque... mas o fato 
 que acabaram em seu apartamento, e uma coisa levou a outra e naquela 
noite, o Obscuro no apareceu nas ruas do West End. Muito mais tarde 
ele olhava para Hope. Ela estava sentada na sua cama, nua, linda e 
radiante, e ainda assim, ele ainda no conseguia ter paz. Sabia que no 
fundo no a amava, mas tentaria, com todo afinco. Finalmente disse:
- Por que? Por que voc no me disse que eu seria o primeiro? - ela 
voltou-se sorrindo e disse:
- Voc acha realmente que eu seria de mais algum? - ela 
aproximou-se dele e beijou-o de leve. Ele a prendeu entre os braos e 
olhou para o teto. Hope fechou os olhos. 
Ela queria sentir-se feliz como imaginara que ficaria naquele momento... 
mas tambm no conseguia sentir-se em paz . Era engraado, mas ela 
achava que entre os dois algo no acontecera... no que ele no 
tivesse sido gentil com ela, ou mesmo a inexperincia dela tivesse 
atrapalhado... mas ela no entendia exatamente porque, era como se 
algo estivesse fora de lugar. Ainda de olhos fechados, suspirou 
profundamente e tentou finalmente relaxar... ele finalmente era dela... 
isso tinha que ser bom, no tinha?

CAPTULO 8 - CONSPIRAO DO DESTINO
A substncia na penseira de Sheeba se agitou e anuviou-se novamente. 
Nenhuma imagem se formou, alm de uma nvoa sombria e cinzenta, meio 
lusco-fusco. A pitonisa franziu a testa preocupada. Uma das coisas que 
ela mais detestava era esse tipo de pressentimento vago que poucas vezes 
a assaltara na vida. Uma espcie de atmosfera de tragdia 
inevitvel. Ela sentira isso dias antes de Sirius ser preso, e no 
conseguira evitar o que acontecera, e dias antes da volta de Voldemort. 
        Uma irritao a dominou e ela deixou aquilo de lado, pegando o 
tarot. Havia outros apetrechos divinatrios por perto, e Sheeba sabia 
no ser muito hbil com nenhum deles. Ela podia dominar 
perfeitamente seu dom, mas no lidava bem com pressentimentos 
impalpveis e estranhos, Viviane Lake lhe disserra quando ainda era 
menina, que uma pitonisa demora anos para se tornar segura e 
infalvel, mas jamais consegue evitar uma conspirao do destino. 
Era contra aquilo que ela sentia-se lutar agora, contra uma 
conspirao do destino. Ouviu atrs de si a porta da sala de 
estudos discutindo com Sirius, havia horas que ela estava l dentro, e 
normalmente Sirius a deixava trabalhar em paz, mas naquele momento ele 
provavelmente queria pedir ajuda para ela na organizao da festa 
que seria realizada em Hogwarts, dali a dois meses.
        Ddalo Diggle, atualmente o bruxo mais velho em atividade iria 
completar cento e muitos anos. Ele pedira que a grande festa fosse 
realizada na escola onde estudara e fora professor contemporneo do 
seu amigo saudoso, Alvo Dumbledore. Sirius consentira com prazer, aquela 
era uma grande ocasio para mostrar a capacidade da equipe de Hogwarts 
de sediar eventos e tentar que o prximo torneio tribruxo fosse 
disputado em Hogwarts. Seria tambm seu primeiro grande evento como 
diretor, e ela no podia deixar de ajudar o marido.
- Deixe-o entrar, Doorperson - disse ela para a porta que ficou dois ou 
trs segundos num silncio contrariado, depois abriu-se com um alto 
rangido como fazia quando estava extremamente aborrecida. Sirius entrou 
num indisfarvel mau humor e disse:
- Voc disse que ia me ajudar com a lista...
- Eu sei. Mas h algo estranho no ar. Ela pousou a mo sem luvas 
sobre a dele, como sempre fazia quando estava aflita. Felizmente nenhum 
pressentimento medonho a assaltou e ela sorriu, dizendo:
- Ento... vamos comear nossa lista?
- Tem umas coisas chatas acontecendo, queria falar delas antes da gente 
comear... veja isso - ele estendeu uma carta e ela pegou. Era de 
Rony.

Caro Sirius, 
J conversei sobre isso com Harry, e ele est a par de tudo.
Preciso da ajuda de vocs. Estou indo a Hogsmeade em segredo este fim 
de semana, se pudesse queria conversar com os dois. Responda pela mesma 
coruja, por favor.
Rony.

- Ela leu a carta sentindo os pressentimentos sobre o assunto se 
misturando em sua cabea. Ela j sabia o que estava acontecendo 
quando Sirius estendeu a ela o Semanrio dos Bruxos com Rony e uma 
garota na capa. A garota era bem jovem, e aparecia pendurada no 
pescoo de Rony, beijando-o. A legenda estampada em letras garrafais 
acima da foto com a palavra "ESCNDALO" dizia muito. Sheeba olhou para 
Sirius e disse:
- Armao. 
- Tem certeza?
- Absoluta. Algum quer prejudicar Rony e Hermione
- E porque algum acabaria com o casamento dos dois?
- O ministrio da magia vai mudar de mos. Acabar com a 
reputao do marido da melhor candidata seria excelente, no?
- Voc acha que Mione vai conseguir ser eleita ministra?
- Esse  o segundo problema, Sirius... pelo que vi, ela no tem a 
mnima chance, para o nosso azar. Mesmo com Rony sendo inocente.
Os dois dialogaram sobre aquilo e aps algum tempo, deixaram aquela 
conversa de lado para resolver os detalhes da festa. Mas Sheeba no 
pde deixar de pensar que aquela podia ser uma pea da tal 
conspirao do destino.
Ela no estava de todo errada, mas aquela conspirao tinha muito 
mais elementos que ela podia supor. Um deles naquele momento recostava a 
cabea no travesseiro num hospital londrino, sentindo o j familiar 
enjo de mais uma sesso de quimioterpicos. Severo Snape olhou o 
rosto de sua afilhada de casamento e atual mdica assistente, no 
podendo deixar de notar que o divrcio no fizeram mal apenas para 
Draco. Sue Van Helsing, ex-Malfoy, no era mais a moa alegre e 
falante que conhecera. Tornara-se uma mulher de olheiras fundas a 
macular o antes adorvel rosto, agora um pouco sem vio. Mas ainda 
era uma mulher bonita. Porm qualquer um que a olhasse veria que ela 
no era feliz. O doente sorriu e disse:
- E hoje, acaba minha tortura?
- Por enquanto, senhor Snape - ela disse, checando o pronturio - como 
o senhor se sentiu com essa ltima sesso de quimioterapia?
- Sue, eu fui seu padrinho de casamento... no precisa me tratar como 
se eu fosse uma criatura esquisita...- a mdica olhou-o por um 
instante e ento disse:
- Perdoe-me... eu...
- Entendo. Tanto voc como Draco ficaram estranhos depois do 
divrcio... pode no ser exatamente isso, mas... voc no acha 
que deveria conversar com seu ex-marido?
- Sr. Snape... por favor, eu no quero falar sobre isso agora.
Sue saiu, e Severo pensou que era at engraado que tanto ela quanto 
Draco tivessem tido a mesma reao quando ele falara em uma conversa 
entre os dois... mais tarde comentou isso com Annie, que veio para a 
segunda visita, a da noite. A mdica sorriu. Depois de um incio 
difcil, a relao dos dois passara a ser de uma total 
confiana. Mais at do que Annie achava deveria ser entre mdica e 
paciente. Ela piscou-lhe um olho e disse:
- Severo. Eu no me meto nessas histrias da minha prima. A 
famlia toda a crucifica, menos o pai dela, desde que ela casou com 
esse bruxo. Ela j tem gente demais dizendo que ela orientou a vida de 
forma errada para eu me meter nisso.
- Pelo que voc me falou, voc no liga muito para o que sua 
famlia diz.
- Na verdade minha famlia liga tanto para mim quanto eu para eles... 
mas Sue  diferente, sempre foi. Ela at os 18 anos era tratada como 
um prodgio da famlia Van Helsing, ento casou com um bruxo e se 
tornou algum malvisto. Eu nunca fui nada para eles, e continuo no 
sendo, mas Sue perdeu muito quando casou, e mais ainda quando o 
casamento no deu certo. Caadores de vampiros podem ser bem 
cruis quando querem. Aprenda isso.
- Voc caava vampiros, Annie? - a mulher parou e o encarou sria. 

- Acho que acabamos, Severo. - ela saiu despedindo-se de forma 
simptica, mas Severo teve certeza que Sue no era a nica Van 
Helsing machucada.

Longe dali, Draco Malfoy nos aposentos que usava em Hogwarts, escrevia. 
Ele comeara a escrever para abafar a angstia, e agora j no 
sabia mais porque escrevia. Eram histrias de bruxos, sobre aventuras 
de um menino heri, um pequeno bruxo genial que conseguia viver 
grandes aventuras numa escola de bruxaria. Descansou a pena um instante 
e releu o que escrevera. Sentia-se meio indignado porque no conseguia 
fazer o bruxo parecido com ele e ainda assim um personagem cativante. 
Ele parecia bem mais com o rival insuportvel do mocinho que com este. 
Acabara criando algum que parecia-se demais com Harry Potter. Ele 
achava isso meio chato, mas a verdade era que desde que sua filha 
entrara para a Grifinria e o filho de Harry para a Sonserina, ele 
achava que havia algo errado no seu mundo. Nada do que ele planejara na 
sua vida acontecera da forma desejada. 
Pelo contrrio, Harry tinha tudo que sempre quisera: o casamento dele 
dera certo, ele era ainda reconhecido como um grande bruxo, e no 
precisava aturar piadinhas ou desconfiana por onde passasse, ao 
contrrio dele, que sofrera um grande preconceito da famlia de Sue 
por longo tempo, e ainda via alguns bruxos torcendo-lhe a cara porque 
ele tivera a infelicidade de ter um pai comensal da morte e depois 
criminoso famoso. Ningum lembrava que o mesmo pai tentara mata-lo 
duas vezes. 
Ele sacudiu a cabea e voltou s suas histrias, sem saber que o 
pequeno diabrete de papel o observava, disfarado de rabisco num 
pergaminho solto que ele largara por perto.
---
        Dias depois, Rony chegou a Hogsmeade. No vinha como de hbito 
sorrindo e brincando. No passaria sequer a noite ali, afinal sua 
visita era apenas para conversar. Quando chegou ao trs vassouras viu 
Harry, que veio ao seu encontro nem bem ele chegou. Eles foram para uma 
sala reservada nos fundos do pub e pouco depois Sirius se juntava aos 
dois. Rony no estava abatido ou chateado, antes parecia srio, bem 
mais srio que de costume. Depois de alguns minutos de conversa 
neutra, ele finalmente desabafou:
- Est tudo errado.   tudo mentira. Eu no tenho nada com aquela 
garota... no posso entender porque ela fez aquilo...
- Calma, Rony - disse Sirius, olhando preocupado para a bebida que Rony 
pedira. Na vida nunca o vira beber algo mais forte que vinho de cerejas 
e ele pedira um conhaque, que fumegava a sua frente. Harry olhou para 
Sirius e ele percebeu que o outro tambm estava muito preocupado com 
Rony. 
- Rony, antes de tudo precisamos saber DIREITO o que aconteceu - disse 
Harry, com uma firmeza na voz que fazia parecer que ele era um adulto e 
Rony apenas um adolescente. O amigo levantou os olhos para ele e tinha 
um estranho sorriso nos lbios.
- Sabe aquela coisa que a gente tem de ser legal? Um bom amigo? Uma 
pessoa... sei l, em quem os outros podem confiar? Nunca seja assim, 
Harry, pelo menos com quem voc no conhece direito. Querem saber 
como eu fui parar nos jornais como o "crpula da semana"?
- No d tanta importncia assim a isso - minimizou Sirius - daqui 
a pouco ningum mais fala nessa histria
- O problema, Sirius,  que o estrago j est feito... nem tanto 
para a minha carreira como ator... voc sabe, eles adoram esses 
escndalos, ainda mais quando  com algum como eu, que em anos 
nunca dei motivo para especulaes fofoqueiras... claro que sempre 
houve uma enxurrada de mulheres atrs de mim depois que eu fiquei 
conhecido... mas uma coisa eu nunca esqueci...
- Imagino - completou Harry - que voc devia se lembrar daquilo que a 
Hermione falava sobre o Krum na poca em que ele era um sujeito 
famoso...
- Exato. - respondeu Rony - eu sabia que elas no olhariam duas vezes 
para o garoto sardento de Hogwarts... mas o ator famoso era muito mais 
atraente. A nica que sempre esteve comigo foi Hermione... e eu sabia 
valorizar isso, alis, eu sei. 
- Ela no acreditou que voc tinha um caso, acreditou?
- Harry, Hermione  uma farejadora da verdade, lembra? Ela sabe quando 
algum fala a verdade ou mente... eu  que posso estar atrapalhando 
a vida dela com isso...
- Mas o que aconteceu, afinal? Por que voc se meteu nessa, cara?
- Essa garota, Nayenne Reese, entrou para o elenco daquele filme que eu 
estava dirigindo... ela sem dvida era uma boa atriz, e 
desconhecida... e apesar dela ser muito bonita, eu no prestei 
realmente nunca muita ateno nela, vocs sabem, nesse meu meio o 
que no falta  mulher bonita. E nossa relao era simplesmente 
profissional...
- Sim, e o que isso tem a ver com o escndalo?
- Uma tarde, depois das filmagens, eu a encontrei chorando no trailler 
da produo... nem me toquei que no era para ela estar ali. O 
trailler da produo  vetado a atores... eu achei que ela tivesse 
se escondido ali sei l porque... e eu tentei ajuda-la perguntando o 
que estava acontecendo e tudo mais... afinal ela  bem nova... creio 
que tem a idade de Hope, ou at  mais jovem.... ela me disse que 
tinha descoberto que estava grvida de algum... que essa pessoa 
no tinha nada a ver com o filme e que ela no sabia o que fazer...
- E voc?
- Eu tentei traqiliz-la dizendo que no havia problema algum, 
que as filmagens acabariam em duas semanas, que eu arrumaria um jeito de 
ajuda-la a conversar com o pai do beb, que ela no disse quem 
era... ela parecia deseperada, falou em suicdio e tudo mais... 
- Entendo... e como a histria acaba com vocs flagrados naquele 
beijo que saiu na revista , Rony? - perguntou Sirius
- Bem, as duas semanas passaram e quando as filmagens acabaram, e a 
produo se despedia... ela pediu para falar comigo e ns fomos a 
um restaurante bruxo... entendam, eu no me via numa situao 
especialmente embaraosa ou que parecesse romntica... ela s 
falava do tal suposto namorado... eu no notei que conforme ela falava 
minha mente ia se esvaziando... eu me lembro muito pouco da conversa em 
si...
- Ela usou algum feitio ou poo? - Harry perguntou, j 
catalogando mentalmente todas as poes que tinham esse tipo de 
efeito.
- Claro que usou, s que eu no sou um auror profissional que nem 
voc e ca feito um pato... s acordei com os flashes dos 
fotgrafos quando ela me beijou... e o resto vocs j sabem...
- No dia seguinte a fotografia estava no Profeta Dirio, na Bruxa 
Semanal, e em todos os tablides fofoqueiros como o Sussurro Mgico 
- disse Harry - Meu Deus, que estrago... e que fm levou a tal garota?
- Ela est dando milhares de entrevistas mentirosas sobre o nosso 
suposto caso... eu abri um processo contra ela, mas  meio difcil 
ter algum crdito quando voc  flagrado beijando uma safada como 
esta... Claro que foi a cretina que chamou os fotgrafos e a 
imprensa... ELES ESTAVAM TRANSFIGURADOS EM COISAS POR TODO O RESTAURANTE 
-Rony gritou, irado  VOCS TEM IDIA DO QUE ESSE TIPO DE ARMAO 
FAZ COM A VIDA DE UM HOMEM?
- Calma, Rony... pelo menos Hermione est com voc... - disse Sirius 
pouco convicto
- A que preo... todo o ministrio est olhando-a atravessado por 
causa do escndalo...  terrvel ter esse tipo de cobrana 
daquele bando de conselheiros velhos... pior  a presso sobre o meu 
pai... 
- E o que voc pretende fazer?
- Eu no sei...  eu queria poder pegar Hermione e me afastar disso 
tudo at sair o resultado do meu processo... na noite do escndalo
eu estava meio lerdo e no pude fazer uma percia anti feitio, 
 minha palavra contra a dela...
- Voc pode usar um depoimento dela... quem sabe veritasserum...
- Voc no conhece nosso cdigo de tica? O uso de veritasserum 
s  permitido em casos mais graves... o mximo que eu posso fazer 
 procurar outro farejador da verdade que no seja Hermione para 
tentar solucionar isso tudo... mas eu no conheo nenhum...
- E se Sheeba depusesse? Ela pode usar a penseira e descobrir como se 
chegou a isso - disse Sirius - ela  considerada idnea... mesmo te 
conhecendo, no creio que voc v ter problemas...
- , me parece a melhor soluo - disse Rony, dando um longo gole 
no conhaque - acho que no h outra melhor... voc falaria com ela 
por mim?
- Claro... em quanto tempo  o julgamento? 
- Um ms... at l, acho que nada demais pode acontecer... creio 
que vou pegar Hermione e as crianas e tentar dar uma sumida...  o 
melhor que a gente pode fazer, numa hora dessas. Quando voltarmos tudo 
vai estar perfeitamente no lugar...
Isso era o que ele pensava.

        Naquele mesmo momento, Arthur Weasley comunicava a todos a deciso de 
retirar-se do Ministrio da Magia. Isso fora decidido h muito 
tempo... Seria necessrio o consenso entre todos os membros do 
conselho do ministrio para eleger o novo ministro. Ele chegara a 
pensar em adiar a deciso por causa do problema entre Rony e Hermione, 
mas os trs conselheiros diretos do primeiro escalo, Ludo Bagman, 
Percy e Hermione, acabaram concordando que era melhor para ele manter-se 
longe ,do escndalo, pois a histria respingara nele tambm, no 
tanto quanto em Hermione. 
        Hermione sabia que aquilo acabava com as suas chances de ser ministra, 
mas decidiu por no se candidatar ao cargo. Era melhor para ela. O 
fato de ter ficado do lado do marido quando o escndalo estourara 
provocara comentrios maldosos, mas ela era uma farejadora da verdade. 
Ela sabia que ele estava certo e que tudo fora armado... ela sabia 
tambm que havia algum motivo para os dois outros conselheiros, um dos 
quais seu cunhado, evitassem o seu olhar. Antes do escndalo eles eram 
quase carta fora do baralho, e Hermione era a primeira opo de 
qualquer um para ser a nova ministra. Um simples beijo mudara tudo. Rony 
era inocente e um deles era culpado, ou ambos. Mas ela no conseguia 
nunca ter certeza sobre qual, porque eles lhe evitavam o olhar. 
        As frias que Rony planejara no aconteceram... ela estava muito 
ocupada preparando a eleio e a transio para o novo ministro, 
fosse quem fosse... e ela estava magoada com o marido, apesar de tudo, 
porque ele no percebera o real motivo daquilo tudo. No era s 
uma jovem atriz tentando estar em evidncia a custa de uma grande 
mentira. Era muito mais que aquilo. Quando Percy foi eleito ministro, 
Hermione o apoiou. Mas ela no pde deixar de perceber que ele 
baixara os olhos quando ela o cumprimentou.

        Longe dali, Sheeba continuava preocupada com aqueles pressentimentos 
impalpveis. Ela sempre trabalhara bem com previses pessoais, ela 
sempre pudera contar com o toque de prometeu. Mas agora, um perigo 
oculto e intangvel parecia espalhado, parecia estar se aproximando do 
destino de todos eles com conseqncias drsticas e 
imprevisveis... ela gostaria muito de saber qual seria a ltima 
pea daquele quebra cabea... o ltimo peo na conspirao 
que o destino parecia estar planejando.

Uma gaivota de papel pairou sobre Hogsmeade na semana antes do Natal, 
confundindo-se na alvura da neve, ningum prestou muita ateno 
nela... era comum alguma gaivota encantada ser lanada por alunos em 
Hogwarts e ir voando enfeitiada at bem longe, s vezes at 
Hogsmeade. Mas aquela no era uma gaivota comum... ela pousou 
suavemente na frente da livraria e sem que ningum notasse, se dobrou 
e redobrou como um envelope que passou por debaixo da porta sem alarde. 
O livreiro sorriu ao ver o envelope e caminhou at ele, abrindo-o com 
um sorriso. No papel desdobrado sobre a mesa, surgiu a figura do 
diabrete de papel. A criatura fez uma profunda reverncia e disse:
- Encontrei, mestre, em Hogwarts uma criana como o senhor disse que 
queria, um rapazinho que tem dentro de si o bem e o mal, capaz de 
provocar um vrtice na Fronteira.
O cenrio estava pronto. Faltava apenas colocar todos os personagens 
no lugar.

CAPTULO 9 - O SINDICATO DOS REJEITADOS

        Abel Potter olhava os campos nevados. Aquele ano parecia que o inverno 
estava mais frio. Passara pouco tempo desde o feriado de Natal,  as 
aulas haviam recomeado. E  ele continuava sua rotina de aluno 
solitrio. 
        A verdade  que ele no fizera amigos desde que entrara em 
Hogwarts, e mesmo seu melhor amigo antes da escola, Henry, se afastara 
um pouco dele, no por vontade, mas porque eles tinham poucas horas em 
comum para conversar. No era fcil ser considerado uma espcie de 
intruso na casa onde fora parar, nem um traidor na casa que o esperara. 
E para completar, haviam descoberto que ele era provavelmente to bom 
numa vassoura quanto o pai o o av haviam sido, mas ningum estava 
disposto a dar a ele uma vaga no time da Sonserina. Os Potters eram uma 
tradio na Grifnria. 
        Na Grifnria, Kayla Malfoy experimentava o mesmssimo problema, que 
era agravado pelo fato de seu pai ser o professor mais  odiado na casa. 
Nenhum dos dois sabia dos dramas do outro, mas uma concidncia iria 
aproxima-los e fazer com que se tornassem amigos. 
        Antes de falar sobre o evento que os uniu,  preciso falar sobre Neil 
Lupin, porque ele seria pea importante da histria. Neil, alm de 
ser o melhor amigo de Claudius Black, como seu pai fora amigo de Sirius, 
tambm como o pai se tornara um lobisomem por uma circunstncia 
lamentvel, quando estava com sete anos de idade. Como toda criana, 
ele disputava a ateno dos pais com a irm mais nova, Layla, que 
como a me nascera meio fada, o que fazia que ela chamasse para si 
muita ateno. 
        O pequeno Neil queria ardentemente ser to especial quanto imaginava 
que seus pais eram: no era qualquer criana, mesmo no mundo bruxo, 
que podia dizer que era filho de uma meio-fada com um lobisomem. E se 
sua irm era uma fadinha, ele planejara tornar-se um lobisomem 
juvenil. Mas ele no sabia muito sobre o que era um lobisomem, com 
seus estigmas e dramas, sabia apenas que  nas noites que o pai  se 
tornava um lobo, tomava a poo que fazia com que ele fizesse cara 
feia, que sua me preparava pacientemente (quando lembrava, porque era 
muito distrada... s vezes ela esquecia e saa s pressas para 
comprar nos caras que sabiam fazer, l em So Petesburgo).
        Seu raciocnio infantil fizera com que ele conclusse que era a 
poo que fazia o pai virar lobo. E foi por isso que ele aproveitou 
a distrao da me numa tarde e simplesmente bebeu um clice da 
poo, achando que aquilo o faria virar lobisomem. Ele perdeu a 
conscincia segundos depois, e caiu duro e frio como um cadver, 
porque realmente a poo mata lobo no fora feita para ser 
ingerida em hiptese alguma para quem no fosse lobisomem. Quando 
Silvia o encontrou, entendeu imediatamente o que acontecera, pois viu o 
clice sujo de poo. Ela chamou o marido e eles levaram o menino 
cada vez mais duro e frio para o hospital bruxo.
        E foi l que tiveram a terrvel notcia, que Remo j 
desconfiava que receberiam: a menos que Neil fosse mordido por um 
lobisomem, morreria assim que passasse a lua cheia. Remo sempre se 
julgara amaldioado, mas nunca sentiu dor maior ao se transformar em 
lobo que naquela noite em que teve, mantendo sua mente lcida pela 
poo mata lobo, que deliberadamente ferir o brao de seu filho 
com os dentes e transmitir a ele a maldio que tanto o fizera 
sofrer. Parecia castigo que agora que julgava-se perfeitamente adaptado 
 sua condio, ele tivesse que se deparar com isso. 
        Assim, Neil se tornou um lobisomem. Mas ao contrrio do pai, jamais 
se chateou com isso. Anos depois, quando cresceu um pouco, finalmente 
percebeu que fizera uma grande besteira, mas na verdade, nem se importou 
tanto com isso. S mantinha segredo de sua condio porque o pai e 
a me assim haviam pedido. E era agora um feliz quintanista da 
Grifnria, cujo nico problema era internar-se uma vez por ms na 
ala hospitalar para tratar-se de sua "doena crnica". 
        Nada o impedia de ter uma vida normal, absolutamente nada, e ele era, 
junto com o amigo Claudius, batedor do time da Grifnria, que 
atualmente liderava a competio das casas. Eles treinavam Quadribol 
com prazer e dedicao, digamos com dedicao demais, s 
vezes, como na tarde em que "acidentalmente" rebateram um balao bem 
em cima do professor de Defesa contra as Artes das trevas. A sorte deles 
 que a professora de vo, Willy, acalmou Draco e disse que 
realmente ele no podia culpar os meninos por um balao maluco te-lo 
acertado. Mas o professor no esqueceu os dois meninos, ficou s 
esperando uma oportunidade de dar-lhes uma deteno bem pesada.
        O passatempo favorito de Claudius e Neil era pregar peas em 
calouros, mas nunca nada realmente srio. O mximo que faziam era 
dar-lhes algum doce enfeitiado que os fazia arrotar minhocas ou outra 
coisa nojenta, ou um feiticinho inofensivo como fazer nascer rabos e 
orelhas de burro, feitios que qualquer aluno do primeiro ano 
conseguiria desfazer, e at mesmo repetir. Eles haviam pego Abel 
Potter logo na primeira semana de aula, fazendo nascer-lhe um chifre de 
rinoceronte no nariz.  O garoto desfizera o feitio sozinho, e 
aprendera como fazer igual. Prometera a si mesmo que ia pegar aqueles 
dois, ah se ia...
Ele tinha sado da aula de defesa contra artes das trevas quando a 
oportunidade apareceu: Claudius e Neil estavam convencendo uma menina da 
Grifnria, do primeiro ano, a dar uma dentada num doce que eles 
ofereciam. Abel apertou os olhos e apontando a varinha para Neil 
murmurou:
- Rinopitecus! 
Zuuuim! Na mesma hora no nariz do garoto surgiu um chifre de 
rinoceronte, o que assustou Claudius no primeiro momento. A menina tinha 
finalmente comido o doce, e agora fazia barulhos engraados, parecidos 
com o coaxar de um sapo. Claudius olhou de um para o outro, e vendo Abel 
parado, em vez de ficar com raiva, comeou a rir, e no parou nem 
quando Abel o acertou com o mesmo feitio. A menina, olhando aquilo, 
comeou a rir-se tambm, e logo os quatro estavam rindo, sendo que a 
risada da garota misturada com o coaxar de sapo era o que fazia tudo ser 
mais engraado. Mas ela parou subitamente de rir, olhando para um 
ponto bem atrs de Abel. Ele olhou para trs e pde ver o 
professor de defesa contra artes das trevas. Pela expresso em seu 
rosto, ele no achava graa nenhuma naquilo.
Meia hora depois, eles estavam os quatro sentados lado a lado, na sala 
do professor Malfoy tomando uma bronca deslavada. Neil e Claudius faziam 
cara de tdio, Abel tinha a expresso neutra, mesmo sabendo que 
aquilo significava uma punio provavelmente maior e mais injusta 
para ele. A menina por sua vez, chorava alto e soluava coaxos de 
sapo, o que fazia Neil e Claudius, muito expreientes em detenes a 
advertncias para se chatearem com mais uma, reprimirem o riso a cada 
minuto. Abel sabia porque a garota chorava: era Kayla, filha de Draco. 
"Tambm choraria se esse sujeito fosse meu pai" pensava ele.
A bronca parecia no ter fim, e foi desde o quanto era irresponsvel 
fazer doces encantados sem percia at o absurdo de se lanar 
feitios nos colegas assim, nos corredores. O olhar do professor 
finalmente descansou furioso pela prpria filha, a quem ele disse:
- E o que voc achava to engraado, Kayla? - a menina parara de 
soluar, mas ainda tinha o rosto inundado de lgrimas, vermelho e 
afogueado. O pai a olhava inquiridor e ela falou:
- Na verdade... foi muito engraado. Eu achei que tinha algo errado no 
doce, mas depois do susto... achei engraado, ainda mais depois que 
ele - apontou timidamente para Neil - ficou com aquele chifre no 
rosto... e... poxa, pai...
- Kayla, no pense voc que eu vou realmente relevar isso porque 
voc  minha filha... francamente, rir de algo assim...
"Voc era muito pior que ela, pelo que meu pai me disse" pensou Abel, 
que no estava ainda louco o suficiente para fazer esse tipo de 
comentrio em voz alta.
- Mas pai...
- Deteno, Kayla, voc no foi uma vtima inocente... e menos 
quarenta pontos para a Grifnria por isso. - a menina abaixou a 
cabea e mais lgrimas correram por seu rosto. Mas ela no disse 
mais nada. Draco voltou-se para Neil e Claudius:
- Vocs dois... deteno dupla! E menos cinqenta pontos para 
cada um... em pensar que voc, Claudius,  filho do diretor...
Claudius ia replicar que seu pai era ainda mais rgido com os filhos 
que com os outros alunos, mas foi cutucado por Neil antes de dizer 
qualquer coisa. Draco olhou sadicamente para Abel:
- E voc... seu pai era bastante insuportvel quando estudou aqui, 
pelo menos at o sexto ano... da mesma forma que voc ele no 
tinha um pingo de disciplina, desde o primeiro ano... claro que tudo 
isso foi esquecido depois, afinal ele estava entre os que "salvaram 
Hogwarts"
- Exatamente como o senhor, que recebeu o perdo por ter feito o vodu 
pelo mesmo motivo, no?
Abel acabara de cruzar uma linha imaginria proibida a ele, sem saber. 
Na mesma hora o rosto de Draco ficou vermelho-sangue e nos olhos 
cinzentos dele apareceu uma fria evidente. Mas Abel no desviou o 
olhar. Draco no gritou, como sentiu vontade, apenas disse, a voz fria 
como gelo:
-Um ms de deteno diria, Potter... voc no merece estar 
na Sonserina... por sua causa, a casa vai perder cento e cinqenta 
pontos. 
- Mas... - Abel ficou lvido. Ningum aquele ano perdera mais que 
cinqenta pontos para qualquer casa, e pior, aquilo arrastava a 
Sonserina para o ltimo lugar no campeonato de casas - Isso no  
justo - ele disse subitamente - Alis nem  justo voc tirar 
pontos da sua filha... ela s riu, nem fez nada!
- CALADO! No vou permitir que um aluno, por mais que voc seja 
filho do Potter, fale assim comigo... mais uma palavra, Potter, apenas 
uma, e eu te expulso. E vou tirar mais vinte pontos, s por essa 
insolncia.
Abel se calou. Desviou os olhos do professor, e viu Kayla olhando-o 
alarmada. De alguma forma, viu que ela o entendia. 

- Potter perdeu cento e setenta pontos!
- Cretino!
- Espio maldito da Grifnria!
- Ele s anda mesmo com aquele Weasley....
- Algum tem que jogar um visgo do Diabo na cama do maldito...
Se a vida de Abel desde que entrara em Hogwarts nunca fora um mar de 
rosas, transformara-se em algo bem pior quando todos souberam do 
ocorrido. Na Grifinria, pouqussima pessoas levavam em conta que 
Kayla fora punida s por ter rido um pouco, e ela era mais maltratada 
que Neil e Claudius, que mal ou bem eram populares, do time de quadribol 
e podiam a qualquer momento recuperar o prestgio levando o time a uma 
vitria sobre a Lufa Lufa. E alm de tudo a Grifnria, mesmo 
punida, no descera de posio no campeonato das casas. Eles 
haviam sido os nicos a defender Kayla, dizendo que ela no tinha 
culpa de ser filha de um sujeito que devia se alimentar exclusivamente 
de limo amargo para ser to chato, e foi por isso que ela no foi 
to maltratada quanto Abel. 
Kayla por sua vez, sentia-se chateada por Abel, era como se lhe devesse 
algo, porque ele s pregara a pea nos outros porque os vira fazendo 
algo parecido com ela. Ver que ele se tornara um pria a deprimia 
ainda mais. Embora soubesse que eles cumpririam deteno juntos no 
sbado, ela queria se desculpar com ele o quanto antes, e teve uma 
idia: ele estaria em deteno por todas as noites, aquela era a 
segunda, e como os Zeladores Crabble e Goyle no perdiam uma 
oportunidade de empurrar seu servio para alunos em deteno, ela 
imaginou que ele deveria estar limpando latrinas ou fazendo algum outro 
servio de faxina. 
Ela saiu do dormitrio da Grifnria p ante p, e foi 
percorrendo cada banheiro, se no o encontrasse em nenhum, o 
procuraria na sala de trofus. Quase foi vista por Pirraa num 
corredor, mas se escondeu atrs de uma armadura, antes de se esquivar 
e ganhar rapidamente o corredor seguinte. Como sempre acontecia, Crabble 
e Goyle no eram grandes zeladores: estavam dormindo a sono solto na 
porta de um dos banheiros, que ela presumiu que era o que Abel limpava. 
Passou por eles p ante p, pensando que se soubesse que eles 
estariam dormindo, podia testar neles a poo no-acorda, que o 
professor Neville ensinara algumas aulas antes. Viu Abel debruado 
sobre um vaso, com luvas de borracha at os cotovelos: a privada 
estava entupida e ele deveria desentupi-la sem ajuda de magia. Ela ficou 
olhando um instante antes de cutucar-lhe as costas timidamente. O menino 
voltou-se achando que era um dos zeladores e seu rosto realmente ficou 
bem aborrecido quando a viu atrs dele:
- O que foi? Seu pai te mandou para ver se eu estou fazendo o servio 
direito?  - O primeiro impulso de Kayla foi virar as costas e sair, mas 
ela ao invs disso, olhou para a porta para certificar-se que os 
zeladores dormiam e murmurou, apontando para o vaso:
- Acqua Fluxo - no mesmo instante o vaso desentupiu e ela o olhou 
sorridente. Ele no demonstrou a mesma boa vontade:
- Se aqueles ali verem voc fazendo isso, quem se encrenca sou eu, 
sabia? E onde voc aprendeu isso? 
- "A bruxa do lar, truques domsticos de Matilda Nightblue... uma das 
leituras que meu pai acha profundamente relevante para meninas bruxas. 
Li com sete anos. 
- Porque isso no me surpreende? Claro, seu pai tinha que ser um 
monstro dentro de casa tambm...
- No... ele no era assim, sabe? 
- No? O velho Malfoy foi gente, algum dia?
- D para voc no falar assim do meu pai, Potter?  E tira essas 
luvas fedidas, coisa nojenta...
- T bem afinal voc chegou bem a tempo de desentupir o ltimo 
vaso... - ele tirou as luvas, jogou dentro de um balde com desinfetante 
e a olhou. - porque voc fez isso?
- Eu tambm achei que meu pai no foi legal com voc... 
- Nossa, que percepo...
- D para voc parar de falar desse jeito?  por isso que 
ningum te suporta na Sonserina! 
- No, garota, no me suportam l porque acham que eu sou o cara 
errado no lugar errado.
- Acredite, eu sei bem o que  isso...
- Eu esqueo que voc tambm faz parte do clube dos rejeitados - 
disse o menino amargamente, muito amargamente para algum to novo. 
- mas eu sou o presidente de honra, lgico... o fracasso que 
sobreviveu. 
- Sabe, eu tinha vindo aqui para conversar e fazer companhia, to vendo 
que fiz besteira - Kayla girou sobre os calcanhares e o menino pensou 
que se a deteno era ruim, no ter ningum para conversar era 
ainda pior. Ele disse:
- Espera... - ela se voltou e ele disse:
- Obrigado. Alis, valeu mesmo... ningum tinha sido ainda to 
legal comigo aqui, nem o Henry
- Eu sei... ser que as coisas seriam melhores se voc fosse da 
Grifnria e eu da Sonserina?
- D para saber? No... o mximo que podemos fazer  passar um 
bom tempo chamando aquele chapu esclerosado de idiota por ter feito 
isso com a gente. 
A menina riu. Potter podia ser engraado, se quisesse. Ela disse:
- Eu posso vir sempre, se voc quiser, te fazer companhia. 
- Isso pode no ser legal para voc, algum pode te pegar... 
melhor eu me virar sozinho - ele disse enquanto recolhia os apetrechos e 
colocava dentro do armrio - claro que no aqueles ali - ele apontou 
Crabble e Goyle - parece que eles dormem como trasgos depois que bebem, 
e eles fazem isso toda noite. No veriam nem se eu limpasse tudo com 
magia... pena que guardam minha varinha toda noite num armrio e s 
me devolvem de manh. Como tio Sirius pde contratar dois 
cachaceiros?
- Meu pai pediu... eram amigos dele... - ela disse timidamente. Abel 
olhou-a resistindo a fazer uma piada sobre o nvel das amizades do pai 
dela. Ele acabou de guardar tudo e disse:
- Se cuida... a gente se v no sbado. 

Mas o fato  que se viram no dia seguinte, e ela o ajudou a limpar 
trofus na sala de deteno,  e no outro, quando ele limpou 
chamins, e em outro, quando ele tinha de catalogar livros, e no 
sbado,  chegaram juntos para cumprir a tarefa chata de aparar grama 
do campo de Quadribol, junto com Neil e Claudius. 
- Namoradinhos - brincou Neil, ao que Abel respondeu:
- Sabe, Lupin, para um cara de quinze anos voc  um bocado 
infantil. Ns somos um sindicato
- Sim - completou Kayla - o sindicato dos rejeitados!
Os dois garotos mais velhos riram da histria do sindicato, que Abel e 
Kayla tinham bolado no dia anterior. Abel continuou:
- A gente procura pessoas diferentes, com problemas de adaptao, 
vamos fazer bottons com inscries do tipo: "Sou um Desajustado de 
corao"
- Ou "sou um rebelde sem Casa" - continuou Kayla 
- Vocs aceitam Lobisomens? - perguntou Neil, em tom de brincadeira. 
Claudius olhou-o srio e ele deu de ombros. Dane-se que no se 
brincava com essas coisas. Ele brincava e pronto. Abel sabia que ele era 
lobisomem e disse:
- Voc tem direito a inscrio de honra...
- Que molequinho folgado - brincou Neil. Repentinamente, ele parou. 
Sentia olhos fixos nele. Os plos de sua nuca estavam arrepiados  Sem 
largar o ancinho que segurava, olhou para trs, na direo de onde 
sentira o arrepio. Longe, na floresta proibida, uma silhueta escura 
chamou a sua ateno, quase oculta na sombra de uma rvore. 
Repentinamente, sumiu e ele disse:
- Tinha alguma coisa l, vocs viram? 
- O qu? - perguntou Claudius, que no percebera nada e continuava 
de costas para a floresta proibida. Neil olhou para Abel, e pela 
expresso do menino, viu que ele vira tambm a criatura. Os dois se 
encararam e Abel disse:
- No sei o que era... mas estava olhando para voc. 

Horas depois, quando anoiteceu, o ser que estivera oculto naquela sombra 
finalmente deixou seu refgio, e rumou sempre pelo caminho escuro para 
a casa do livreiro de Hogsmeade. Lcio pde senti-la chegar. Ela 
olhou para ele rindo e disse:
- Eu o vi... o menino que o seu diabrete falou...
- Ele serve? 
- Creio que sim... 
- Sim... eu consegui ser convidado para a festa do dia 27 de abril... o 
aniversrio de Diggle, para isso tive de mandar muitos livros de 
cortesia para o Pateta do Black. 
- Voc tem sido fiel, Lcio, vou recompens-lo quando tiver o meu 
reino de volta.
- Eu sei disso, Vega - ele disse calmamente. Se ela pudesse ler 
pensamentos, veria que na verdade Lcio j pensava em traio.

CAPTULO 10 - VINTE E SETE DE ABRIL

        O inverno foi embora suavemente, com a neve derretendo preguiosa e a 
relva aparecendo sob ela, esticando-se atrs do sol. Dentro e fora de 
Hogwarts s se falava na festa de Ddalo Diggle, que aconteceria no 
dia 27 de abril seguinte. Sirius, porque tinha grande estima pelo velho 
bruxo, queria que a festa fosse inesquecvel. O que ele no podia 
advinhar era quanto a festa seria lembrada depois de tudo. 

        Em Londres, Severo Snape teria alta de mais uma sesso de 
quimioterapia. Ele gostaria bastante que o tratamento fosse menos 
desagradvel. Pelo menos a poo para o cabelo no cair 
funcionara, e impressionara bastante a sua mdica, Annie. A verdade 
era que Annie mesmo sendo da irmandade, tinha real encanto por tudo que 
fosse relacionado  magia. No se cansava de dizer o quanto ficava 
impressionada. Severo fingia entediar-se com isso, mas a verdade  que 
ele se divertia muito, na verdade. Ele at esquecia que o tratamento 
no estava rendendo tudo que os mdicos esperavam, e que o cncer 
ainda estava l, roendo de forma irremedivel seus pulmes, 
provocando dores que ele no sentia sempre, mas que eram terrveis 
quando apareciam. 
- O prognstico vai melhorar - Annie dizia, tentando parecer 
otimimista. 
- No se preocupe. Se eu morrer voc pode colocar a culpa nos 
curandeiros do St Mungos. - dizia Snape com sarcasmo.
- Voc no vai morrer, Severo! - A verdade era que Annie dizia isso 
mais para si que para o paciente o que a fazia se maldizer bastante. 
Depois de cerca de vinte anos na medicina dizendo: "no se envolva, 
no se envolva...",  sentia-se totalmente cativada por aquele "velho, 
rabugento, seboso, narigudo, porque diabos  to charmoso" paciente. 
Ele a encarou e disse:
- Pelo menos eu anda posso ir andando para a festa do Ddalo em 
Hogwarts... ia ser muito chato aparecer numa cadeira de rodas ou numa 
maca flutuante para os outros dizerem: "vejam se no  o Severo 
Snape, coitado, morrendo de cncer?!"
- Severo... j te disseram que seu senso de humor no  dos mais 
compreensveis?
- Bah! Nem sei porque quero ir tanto nesta festa, mesmo que eu pudesse, 
nem gosto de danar...
- Eu acho que  um perigo voc ir sem superviso a qualquer 
lugar...
- Doutora Van Helsing... se eu fosse um sujeito mais maldoso diria que a 
senhorita est se convidando para ir para a festa comigo... - aquilo 
pegou Annie de surpresa. Ela chegou a abrir a boca, mas foi Severo que 
falou: - Ok, eu ainda no estou morto, acho que posso convidar 
algum para me acompanhar para uma festa... podemos fingir que voc 
est me monitorando e eu estou mesmo s portas da morte. 
- Severo - Annie estava vermelha. H mais de seis anos no era 
convidada para sair. 
- timo. Escolha uma roupa bem bonita para ir a festa no dia 27... 
no se preocupe em usar nada discreto, voc iria chamar ateno 
demais no meio de tanta gente espalhafatosa. E chame Sue, tambm. 
- Ela recebeu um convite...
- Finja que estou mal mesmo e preciso de duas mdicas por perto, do 
contrrio acho pouco provvel conseguir arrast-la para um lugar 
onde Draco esteja.
Annie sorriu. Nunca imaginara Severo dando uma de cupido.

No dia da festa, Hogwarts abriu seus portes e de para em par, 
chegaram bruxos de todos os lugares, inclusive estrangeiros. Sirius 
posava de mestre de cerimnias ao lado do velho bruxo, que aos 200 
anos no dispensava sua indumentria composta de casaco azul, capa 
da mesma cor e cartola roxa. Ele era uma verso mais baixa e magra de 
Alvo Dumbledore, s que de cabelos curtos e sem barba. Na verdade os 
dois eram parentes distantes e haviam sido companheiros em Hogwarts 
quando eram bem jovens (ou seja, uns 180 anos atrs) e era uma certa 
unanimidade que Ddalo Diggle era ligeiramente mais maluco que 
Dumbledore. Eventualmente ele virava-se para Sirius e dizia:
- Quem eram esses com quem eu falei agora?
- Diana Prallon, a ministra da magia da Frana e seu marido Raphael 
Rimbaud - sussurava Sirius tentando evitar um incidente diplomtico.
- Aaaah...
Sirius aproveitara a festa para tentar juntar  Hope quele que era 
considerado um dos melhores partidos do mundo bruxo britnico: Saul 
Bagman, filho do vice ministro Ludo Bagman. Era claro que ele sabia que 
a filha estava namorando Bernardo Fall, mas Sirius detestava a idia 
de ver sua filhinha com um cara que na sua opinio era chato, velho e 
feio demais para sua bonequinha, com o agravante de ter sido 
responsvel por boa parte dos pontos ganhos pela Corvinal nas sete 
vitrias consecutivas da casa sobre a Gifnria. Vocs esto 
certos: no fundo era realmente algo pessoal.
Sheeba chegou e aproximou-se do marido e sussurrando:
- Hope viu a lista de mesas e disse que no pretende sentar-se numa 
mesa com trs homens, Sirius 
- timo - sussurou Sirius de volta - tire o chato do Fall de perto 
dela e coloque a Arabella Figg... assim ela pode ter uma boa 
influncia.
- Sirius! Voc no pode tirar Hope de perto do prprio namorado!
Em resposta Sirius resmungou algo ininteligvel. Sheeba sustentou o 
olhar e disse:
- Largue de ser machista. Voc lembra como era nossa relao 
quando ns tnhamos dezenove anos? Ela tem o direito de namorar quem 
ela quiser...
- Ok, ok, tire ento o filho do Stoneheart da mesa. 
- Sirius... ele praticamente s conhece Hope aqui! 
- Coloque-o numa mesa com uma garota bem bonita ento, pelo que ouvi 
dele, ele no vai se incomodar nem um pouco.
Sheeba virou-se com uma nuvenzinha preta sobre a cabea e afastou-se 
na direo da mesa com as listas de convidados, achando o marido o 
pior dos machistas. 

- Onde est o Abel, Willy? - Harry perguntou para a esposa pela 
dcima vez
- Sei l, Harry, ele deve estar por a, com seus coleguinhas, por 
favor, no pague o mico de ficar andando atrs do nosso filho, ele 
j tem onze anos...ele iria odiar ter o pai nos cacanhares.
- No  isso...
-  o que ento?
- Nada, deixa para l.
Na verdade, Harry teve vergonha de responder que sentia uma intuio 
de auror de que algo no ia bem por ali. Estranhemente aquela festa 
lembrava a ele a noite da pea de teatro quando Willy fora 
seqestrada. Sacudiu a cabea ao ver Abel passar correndo atrs de 
Henry e da  filha de Draco. A filha de Draco???? Era uma verso bem 
estranha do velho trio, para ele.

Hope esticou a cabea para ver se enxergava Stone em algum lugar. 
Porque diabos o pai tinha tirado ele da mesa e deixado o mala do Bagman? 
Stone era seu amigo, e aquele cara era apenas mais um chato. Arabella 
Figg era divertida, mas estava num papo animadssimo com Bernardo e 
ela acabara excluda, talvez porque ao contrrio da bruxa idosa ela 
no levasse o mnimo jeito com computadores, internet e outras 
coisas de trouxas. Suspirou e Bagman disse:
- Um sicle por seus pensamentos! - Hope olhou-o de cara azeda, mas ele 
pareceu no captar a mensagem. 
"O problema desse cara " pensou ela " ser extremamente inconveniente 
e no perceber isso... " de fato: Saul Bagman era um rapaz bonito, 
at, super inteligente, independente,  rico, e tinha assumido alguns 
negcios altamente rentveis sozinho, antes mesmo de concluir o 
curso em Hogwarts. Por isso mesmo, era muito cotado na bolsa de bruxos 
solteiros. Mas Hope o conhecera ainda na escola, que ele acabara dois 
anos antes dela, e o achava irremediavelmente chato. E a quedinha que 
ele parecia ter por ela  piorava consideravelmente sua grande m 
vontade com o rapaz.
O jantar transcorreu no mesmo clima chato, piorando eventualmente quando 
Saul usava expresses de auto afirmao que ela ODIAVA, como " 
claro que eu sou  completamente independente do meu pai... tanto que 
no quis para mim a mesma trajetria que ele, ele  do quadribol, 
eu sou dos negcios" ou ainda quando se fazia de coitado, soando 
extremanete pattico: "Ah, a solido  um problema, no adianta 
ser rico e dizerem que eu sou bonito... uma garota para me impressionar 
precisa ser... diferente, no necessariamente bonita, voc sabe..."
O que mais irritava Hope era que Bernardo parecia no tomar 
conhecimento das investidas de Saul, preferindo falar de bytes e 
downloads com a interessada senhora Figg, que tinha at um website, 
seja l o que isso queria dizer... www.arabellaponto alguma coisa . 
Quando a orquestra comeou a tocar... alis orquestra no, seu pai 
se superara: trouxera no uma orquestra, mas uma coleo de 
fantasmas do rock de todas as idades. Tinha um cara de topete, um tal de 
Bill, um sujeito que parecia louco com uma guitarra chamado Jimmy, um 
que se no fosse fantasma seria bem sexy (como era o nome? Algo com 
Morrinson) e uma cantora com uma voz fantstica. O nome dela era 
Jeanne ou Janice, Hope no lembrava direito. Sirius queria trazer 
tambm um tal de Elvis, mas os outros se recusavam a tocar com 
algum que no tinha morrido.  
A msica a distraiu. A voz da fantasma era muito agradvel, embora 
forte... ela cantava: "Baby... baby baby..." e Hope sentia saudades de 
algo que ela no sabia o que podia ser, porque estar ali com Bernardo 
parecia extremamente com estar s. E foi de repente que ela viu. Stone 
chegou  pista de dana, ele estava surpreendentemente arrumado! 
Tinha at um cravo na lapela. E no estava sozinho. 
A menina que estava com ele era muito bonita. E os dois chegaram rindo, 
ele segurando a mo dela com intimidade. Comearam a danar e 
no paravam de conversar. De vez em quando a garota ria com vontade e 
ele ficava quieto com cara de cnico. Hope, que o conhecia bem, podia 
jurar que ele havia feito alguma piadinha infame, daquelas que faziam-na 
prender o riso nas aulas da escola de aurors. Subitamente, sentiu 
vontade de danar. Era isso que faltava a ela e Bernardo: 
interatividade, cumplicidade, claro. Eles ficavam pouco tempo juntos, e 
quando ficavam, normalmente tinham pouca coisa para discutir. Era hora 
de mudar aquilo. 
- Vamos danar, Bernardo? - ela falou, caprichando na sua melhor voz 
de menininha. 
- Hope, voc sabe que tenho dois ps esquerdos - disse Bernardo 
rindo ainda do ltimo comentrio engraado da senhora Figg. Ele 
no percebera ainda  Gilles na pista de dana, to entretido que 
estava na conversa com a velhinha. 
- Eu posso danar com voc - disse Saul e Hope quase gritou "de 
jeito nenhum!!!", mas no quis parecer mal educada, e tentou dar uma 
mensagem sutil para Bernardo:
- Eu no creio que o Bernardo v gostar...
- De forma nenhuma, Hope - disse o namorado - eu quero que voc se 
divirta... dance um pouco com ele... depois eu posso at tentar...
Humilhada, e porque no dizer, irritada, Hope segurou de m vontade 
a mo que Saul estendeu. No caminho da pista de dana ele no 
perdeu a excelente oportunidade de ser inconveniente:
- Todos dizem que tenho ps grandes, mas vou me esforar para no 
pisar nos seus.- Hope teve vontade de gritar por socorro, mas seguiu
impvida, at a pista,  onde deixou que Saul pusesse a mo na sua 
cintura, por mais que achasse o contato fsico com ele to 
desejvel quanto abraar uma lacraia de 1,87m. 
Ela tentou ficar absolutamente calada, quem sabe se a experincia 
fosse extremamente desagradvel Bagman no desistisse de tentar se 
aproximar dela? Foi quando percebeu que Stone a vira, e olhava para ela 
de forma absolutamente divertida. Ele fez um gesto de cabea como quem 
perguntava quem era o sujeito com quem ela danava e ela fez uma quase 
careta. Ele observou mais atentamente e ela viu que ele perguntava sem 
som "Saul Bagman"? Ela confirmou com a cabea e ele fez uma cara to 
engraada, como se Saul fosse uma punio medonha, que ela no 
resistiu e riu. 
- O que houve? - perguntou Saul assustado com a gargalhada dela
- Nada... eu vi uma coisa engraada... Stone prosseguia o dilogo 
mudo com ela, at que a garota que estava com ele percebeu e virou-se 
para encarar Hope. Sem dvida ela a conhecia de algum lugar... a 
diverso acabou porque Stone voltou a dar ateno  menina, que 
Hope passou a encarar como algum provavelmente insuportvel. Depois 
de seis minutos de tortura, a msica acabou e Hope achou que era hora 
de voltar para a mesa. Ia dizer algo para Saul quando ouviu uma voz 
atrs dela.
- Hora de trocar, Bagman... - Hope virou-se e viu Stone, e at ela 
admitiria: trocando as vestes normalmente surradas que ele usava na 
academia alem por outras de gala dum verde to escuro que quase 
chegava a ser preto e tendo penteado de fato os cabelos rebeldes, ele se 
tornava extremamente atraente.
Ela interpretou a alegria estpida que sentiu como alvio por poder 
livrar-se de Saul que tentava protestar quando Stone argumentou:
- Voc devia me agradecer... duvido que voc tenha todos os dias a 
oportunidade de danar com duas garotas  bonitas na mesma festa...
- E o seu par? - perguntou Saul desconfiado olhando para a ruiva que 
parecia um pouco chateada ao lado de Stone.
- Ah, eu disse a Isabella o quanto voc  um cara bem sucedido e 
inteligente... ela ficou bastante interessada em te conhecer. Alm do 
mais, a quem queremos enganar? Black est comprometida com aquele 
buldogue que est l conversando com a velha Figg e eu sou o tipo 
que ningum realmente leva a srio. Vocs dois so solteiros, 
quero ser o padrinho... - ele disse arrastando Hope para longe. Ela se  
controlara para no rir at o momento em que ele chamara seu 
namorado de buldogue.  Agora sentia uma raiva sincera de Stone.
- Com que direito voc se refere desta forma a Bernardo? - perguntou 
ela num tom bem irritado, assim que eles comearam a danar.
- No reclame... eu ia cham-lo de lesma... como algum deixa a 
namorada ir para a pista com o sujeito mais chato da Inglaterra?
- Ele no gosta de danar... - Stone segurou-se para no dizer: 
"ele no gosta  de voc!" mas sem entender porque, achou que 
aquilo no acrescentaria nada de bom  conversa.
- E quem era a ruiva?
- Isabella Delacour Weasley. Linda e desmiolada como uma bela boneca de 
porcelana... - Hope sentiu-se feliz vendo-o falar assim da menina. Nem 
mesmo ela saberia dizer de onde viera to sbia antipatia.   Ainda 
assim, sentiu-se tentada a perguntar:
- E por acaso ela no  seu novo interesse romntico? Assim, uma 
paixo  primeira vista? - Stone deu uma gargalhada to 
espalhafatosa que Hope chegou a sentir-se envergonhada.
- Black ... voc sem dvida  incapaz de diferenciar os sintomas 
de uma verdadeira paixo quando os v... no me adimira que ainda 
ache que aquele... - ele parou vendo a expresso no rosto dela. E, vez 
de prosseguir na mesma linha perigosa, preferiu dar um passo atrs e 
largando uma das mos dela, gir-la  360 graus rindo: - Eu vejo que 
para uma festa voc sabe se fantasiar de mulher!!
- Assim como voc sabe se fantasiar de gente... pelo menos hoje sua 
casaca no parece um pano de cho... adorei o cravo na lapela.- 
Stone riu novamente e foi s ento que viu a expresso no rosto de 
Bernardo Fall, que da mesa o olhava como se fossse despedaa-lo. Riu 
para o outro de modo provocador e disse - aposto como seu trouxa nem 
notou o quanto voc est... apresentvel.
- Ele elogiou meu cabelo...
- Nenhuma meno sobre o decote at o umbigo? Acho ele bem mais 
interessante... - ele disse com um sorriso malicioso brincando-lhe nos 
lbios, embora o decote de Hope bem comportado e nada to 
espalhafatoso como ele sugerira, ela corou intensamente. Novamente 
Gilles girou-a sobre os calcanhares e dessa vez ele ficou srio. 
Talvez porque tivesse percebido que ele no ia gostar nada nada quando 
Bernardo, que nesse momento se levantava da mesa, chegasse  pista de 
dana.
- Posso danar com minha namorada? - ele perguntou, enfatizando essa 
ltima palavra. Stone o encarou com um riso zombeteiro e disse:
- Claro... fique  vontade, Mr Fall, ela  toda sua... vou 
interpretar isso como um elogio... algo como "Ei, voc  menos 
inofensivo que o mala do Bagman..." - dizendo isso, ele saiu deixando 
Hope danando eufrica com Bernardo. Antes de sair da pista de 
dana, ignorando completamente a garota loura que empertigou-se 
achando que ele a tiraria para danar, ele ainda olhou para trs, 
fixando a expresso embevecida de Hope para o sujeito que danava 
com ela mudo, sem dizer nada. "Ele nem deve ser divertido..." - pensou, 
fingindo que no percebia estar morto de cimes dela.
---
- Voc viu Draco por a? - perguntou Snape para Sue, que parecia 
extremamente deslocada ao lado dele e de Mary. A mulher o encarou e 
disse:
- No, Sr Snape... eu no o vi... e acho que  melhor assim.
- Hum... completou Annie. Eu acho que voc vai poder dizer isso 
pessoalmente. Ele est vindo na sua direo. 
Sue virou-se bem a tempo de encarar Draco, que a olhava com uma 
expresso inexplicvel no rosto. Ele estendeu a mo e disse:
- Boa noite, Sue... 
Por um minuto, pairou sobre eles o incmodo silncio tpico dos 
ex-casais. Ento ela retribuiu o cumprimento:
- Boa noite, Draco - ela apertou a mo que ele estendia, era o 
primeiro contato fsico desde a separao, j havia quase dois 
anos. Ela surpreendeu-se porque ainda assim, isso a abalava. O 
silncio voltou at que ele disse:
- Espero que voc se divirta... viu as crianas? 
- Elas parecem muito felizes... - ela sorriu e os dois se pegaram rindo 
do mesmo jeito um para o outro. Draco ficou srio e deu uma desculpa, 
para sair pela lateral do salo. Enquanto ele se afastava, Sue 
sentia-se pior que antes dele aparecer. Annie e Severo se entreolharam. 
Por mais que aqueles dois negassem... algum devia fazer algo por 
eles.
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Do outro lado da festa, bem no meio do jardim, Abel com seus amigos 
juntava os fogos de artifcio que lanariam do jardim exatamente  
meia-noite. Ele e Henry seguravam rojes de chama azul, importados da 
China, enquanto zombavam de Kayla, que segurava ridculas bombinhas do 
Dr. Filibusteiro. Outros garotos e garotas estavam por ali, prontos para 
o foguetrio. Abel no achava nada engraado quando seu pai 
aparecia  porta com uma expresso preocupada no rosto. 
"Saco! Ser que ele no percebe que eu j estou bem grandinho para 
precisar de bab? Ele acha realmente que vou me queimar com fogos de 
chama fria?"
Ele no sabia porque nem mesmo seu pai poderia dizer porque sentia-se 
to angustiado. Ele voltou para a roda onde estavam Hermione, Rony, 
Willy e alguns dos colegas do seu tempo de Hogwarts. Lino Jordan naquele 
momento falava da inesquecvel vitria da Grifnria sobre a 
Sonserina no terceiro ano de Harry, que Jordam apelidara de "a batalha 
da Firebolt" mas Harry nem notava. Sentia uma caracterstica 
tenso... ele achava que toda vez que sentia aquilo algo acontecia. 
Viu o livreiro de Hogsmeade passar para o jardim, andando apressado, mas 
na verdade nem notou de quem se tratava. Estava com o pensamento fixo 
naquilo que no sabia precisar o que seria. 
- Voc ainda a tem, Harry? - seu nome na voz de Lino Jordan o 
despertou por um segundo.
- H?
- A firebolt, voc ainda a tem? - Harry piscou e voltando  Terra 
disse:
- Ah, claro... se bem que Abel a chama de piaava despenteada... - os 
outros gargalharam e Harry se esforou para voltar  conversa.

Abel olhava para o rojo na sua mo quando um movimento num canto 
escuro chamou sua ateno. Ele olhou para a direo em que 
notara o movimento, e automaticamente, seus ps enrijeceram dentro dos 
sapatos,  e ele mesmo sentiu-se arrepiar. Um par de olhos dourados o 
encarava de dentro de uma sombra, imvel. Ele chegou a abrir a boca, 
mas sem saber porque, no conseguiu falar nada. Poucas vezes depois 
dos oito anos, o filho de Harry realmente sentira medo de algo concreto. 
Talvez apenas quando Hagrid o levara para ver os drages que Carlinhos 
trouxera de passagem por Hogwarts, a caminho de uma exposio, ou 
quando seu pai lhe falara sobre os dementadores... mas aquilo era 
diferente. No era medo de algo que ele sabia que era grande, 
aterrador, medonho ou mau. Era medo de algo que ele nunca vira. 
Repentinamente sentiu que o ser na sombra sorria, mas ele continuava 
imvel, petrificado. 
Sua respirao deu um salto quando a criatura abandonou a sombra 
onde se escondia e, rpida e elstica, passou por ele, como uma 
jorro de fogo frio e escuro, locomovendo-se sempre atravs dos pontos 
escuros. S ele percebeu antes de todos que a figura materializava-se 
no meio do salo iluminado, bem atrs  do ministro da magia, que 
conversava com outros trs bruxos de importncia internacional. Foi 
s ento que Abel sentiu sua garganta destravar:
- PAI! - O menino gritou e Harry, ainda em estado de alerta olhou para 
ele,  vendo que ele apontava algo alm, no centro do salo. Harry 
correu por entre os convidados, j tirando a varinha de dentro da 
roupa, pensando em como enfrentar a criatura de sombra quando ela 
agarrou Percy Weasley pela garganta, e numa voz firme e decidida disse:
- Pare, bruxo! Eu vim em paz e s quero negociar. No me ataque, e 
deixo seu ministro em paz. D mais um passo, e eu o mato 
instantaneamente: Sou Vega Sherran, antiga princesa do povo sombra, 
antiga guardi da velha fronteira. Tenho poder para fazer o 
corao dele parar de bater apenas com a minha vontade... e no 
tente me fazer provar isto... - Harry ergueu os braos e jogou fora a 
varinha. A festa congelou-se em volta dos trs. Os olhos dourados da 
mulher sombra cintilaram perigosamente e Harry apenas perguntou, j 
imaginando uma estratgia alternativa:
- O que voc quer, mulher-sombra?
- Apenas me escute... tenho certeza que chegaremos a um acordo.
O salo pareceu ficar ainda mais silencioso, e Vega Sherran comeou 
a falar.

CAPTULO 11 - OS OLHOS DE VEGA

        A mulher olhou diretamente para Harry e achou que aquele homem era
confivel. Ela comeou a falar com voz baixa e firme, sem tremer ou
titubear:
- Este  um dos poucos lugares no mundo onde se pode abrir um portal
para a minha dimenso diretamente, sem precisar passar pelo mundo de
Nowhere, por isso que estou aqui. Eu no pretendo ferir ou machucar 
ningum, mas no podia me apresentar de forma pacfica, pois sou 
uma fugitiva injustiada. Mas no quero passar mais um dia nesse 
mundo... quero ir para casa, por isso preciso da ajuda de uma criana 
bruxa... 
- Uma criana bruxa?
- Sim... eu no conseguiria abrir o portal sem a presena de uma 
criana especial, capaz de provocar um determinado fenmeno, uma 
criana como  aquele menino - ela disse apontando para Neil Lupin, que 
se espantou. - eu prometo no fazer nada a ele, quando tudo isso 
acabar, ele estar de volta so e salvo.
- Eu garantias voc d? - Perguntou Harry - eu no posso permitir 
que voc leve o garoto sem garantir a sua volta.
- H um aliado meu aqui - disse Vega - ele ficar a disposio 
de vocs at que eu volte... seu nome  Rufus... - O homem, que 
ningum mais era que Lcio Malfoy disfarado, saiu de um canto 
comeou a caminhar na direo onde estavam Vega,  seu prisioneiro 
e Harry. Subitamente parou, e para surpresa de todos, apontou a varinha 
rapidamente para a mulher sombra e gritou:
- Lumos Solaris - pega de surpresa, ela foi nocauteada e caiu ao cho 
quando o jorro de luz atingiu seus olhos dourados. Era algo to 
inesperado, que todos no salo olharam para o homem, que tremia, 
espantado. Ele sussurrou - imobilizem-na, rpido.
O que ningum poderia imaginar,  que aquilo era uma traio. 
Desde que fora liberto por Vega, Lcio mudara muito sua forma de 
pensar. A sua ambio fora totalmente deixada de lado: ele tinha 
dinheiro, um lugar para se esconder, uma vida razovel... para que se 
complicar? Para entender como ele pensava, basta lembrar dos carrascos 
nazistas que depois de diversas atrocidades na juventude, fugiram de 
seus crimes e disfararam-se como simpticos velhinhos: parecendo 
pelo menos dez anos mais velho graas aos sofrimentos de Oz, assim era 
Lcio Malfoy: ele tentara ser um bruxo das trevas e tentara ter poder, 
mas agora s queria sossego.
E Vega sem dvida alguma atrapalhava seu plano. Porque a partir do 
momento que se revelasse, se ele aparecesse como seu aliado, eles fariam 
perguntas: ele j fora interrogado por aurores antes e sabia que no 
era fcil... seria impossvel mentir depois que Vega partisse, eles 
haviam combinado que quando ela fosse para a fronteira, cada um seguiria 
seu destino... mas lentamente Lcio conseguiu imaginar uma forma de se 
livrar dela e ainda parecer acima de qualquer suspeita: no acervo que 
ele possua de livros, descobriu tudo que era possvel saber sobre a 
raa escondida: o povo da sombra.
Era na verdade muito pouco o que havia disponvel sobre os obscuros, 
mas uma informao preciosa ele obteve: luz forte nos olhos poderia 
nocautear um elemento do povo da sombra. Foi fcil fingir-se aliado 
dela, foi fcil ser dcil a ponto de faz-la acreditar que ele 
colaboraria. E agora ela jazia cada no cho, e ele, trmulho, 
confessava, encenando um pavor que no sentia, que havia colaborado 
com ela porque ela o forara a isso. E essa era a parte mais fcil, 
ele fizera encenao idntica quando ainda era jovem e Voldemort 
havia sido derrotado e da mesma forma, fizera-se de arrependido para o 
meste das trevas quando este viera do exlio.
- Ela me forou... eu no podia evitar, ela me encontrou uma noite 
na minha terra natal e me forou a vir para Hogsmeade e eu... 
- Calma - disse Harry, aproximando-se do homem e pegando-o pelos ombros 
- est tudo bem agora... depois voc pode contar-nos sua 
histria...
- Imobilizem-na - gritou Lcio, encenando histeria. Hope, Stoneheart e 
outros aurores presentes na festa estavam em volta da mulher sombra 
desfalecida e tentavam sem sucesso conjurar cordas que a prendessem, mas 
nem bem surgiam, as cordas pareciam atravessar a matria do qual Vega 
era feita.
- Professor Potter - disse Stoneheart - Ns nunca lidemos com 
criaturas como estas antes... ela est desacordada por enquanto... o 
melhor  leva-la para uma sala isolada e deixar um auror vigiando-a. 
- No seria arriscado? - perguntou Hope. Harry encarou a moa. Ao 
contrrio deles, ele j sabia algo sobre os povos da sombra: Luccas 
Lux, o guerreiro da luz, contara algumas coisas sobre o povo inimigo de 
seu povo: os homens e mulheres das sombras. Harry sabia que eles podiam 
interceptar a vontade de uma pessoa e faz-la curvar-se  sua. Por 
isso fora to compreensivo com o livreiro. Em nenhum momento nem ele 
nem nenhum outro auror ali presente pensou em pressionar o homem. E 
agora Harry imaginava uma forma de prender a mulher em algum lugar onde 
ela no pudesse sair nem mudar a vontade de ningum. Ele ento 
chamou seu padrinho, que era a pessoa ali que melhor conhecia a escola, 
para achar um crcere ideal para Vega:
- Sirius, existe alguma sala em Hogwarts com paredes de ferro? Essa  
a nica matria que o povo da sombra no consegue mover.
- No. Mas podemos prend-la na sala de armaduras. H l uma 
cmara de ferro que era usada para isolar feiticeiros das trevas... 
acho que seria o melhor lugar.
- timo - disse Harry, assumindo o controle da situao - vamos 
conjurar grilhes nela e leva-la para esta sala. 
Em pouco tempo Vega j estava acorrentada a dois aurores ainda 
desacordada, e estes a ergueram sobre os ombros, deixando seus ps 
agrilhoados arrastando no cho, carregando-a sem dificuldade alguma, 
porquanto fosse muito alta, ela era leve porque feita de uma matria 
sutil demais. O Peso que carregavam, era apenas o peso dos grilhes. 
A festa estava arruinada, e muitos convidados deixavam seus lugares para 
sair. Mas Severo Snape prosseguia impassvel onde estava. Algo lhe 
dizia que aquela histria estava longe de acabar: ele estava sendo 
rodo por um cncer, ele se achava velho... mas ainda tinha faro 
para coisas suspeitas, porque por dentro ele ainda era o Mr Sandman. E 
quando os aurores se dirigiram ao corredor que levava  escadaria e 
dali para a sala das armaduras, ele foi atrs.
Ningum percebeu quando Vega abriu os olhos. Ela demorou apenas um 
segundo para perceber que fora trada, mas no se preocupou 
imediatamente com Lcio. Antes de tudo, ela queria fugir. Quase riu 
dos griles em suas mos. Ferro a prendia, era verdade, mas ela 
ainda tinha um recurso de fuga muito til, que por desconhecimento 
eles no haviam levado em considerao: ela podia escapar pelas 
sombras, e quando entrava numa sombra, podia fugir perfeitamente de 
qualquer grilho. 
Ao longo dos corredores mal iluminados, ela aplicou seus olhos ao cho 
para procurar o ponto de fuga ideal, um ponto onde a sombra fosse total. 
Viu a luz de um archote mais adiante, e uma coluna na parede que 
iluminada pelo facho de luz, lanava no cho uma longa sombra negra. 
Assim que passou pelo archote, Vega olhou para o cho e quando seus 
ps encostaram na sombra, ela deslizou para dentro dela, desaparecendo 
aos olhos humanos. Harry, que ia atrs do grupo, s viu o que 
acontecera quando os grilhes caram ao cho com um som 
metlico. 
- Essa no! - gritou - Mas que droga... iluminem o corredor, agora! 
Ela no pode escapar
Os aurores ao longo do corredor lanaram fachos de luz sobre as 
colunas e sobre o teto, mas era tarde demais, a mulher sombra j no 
estava ali, e ningum podia agora imaginar em qual sombra do castelo 
ela pudesse estar escondida. Harry reuniu rapidamente os aurores 
presentes para uma reunio de emergncia. Ele achava que com a turma 
de onze aurores que haviam ido para a festa talvez pudesse lanar 
algum tipo de feitio antigo que ajudasse a localizar a mulher sombra. 
O desconhecimento sobre a raa dela era um grande impecilho. H pelo 
menos mil anos no se tinha notcia de nenhum elemento do povo das 
sombras que fosse hostil. 
Mas Harry no pde contar com os onze aurores, porque a reunio 
foi subitamente interrompida pela entrada intempestiva do ministro da 
magia e seu vice, Ludo Bagman. 
- Desde quando - comeou Percy - os aurores tem autonomia para 
insubordinar-se e fazer reunies secretas quando o ministro est no 
castelo, e em perigo? 
- Voc no estava em perigo, Percy - disse Harry bastante 
contrariado. Estavam perdendo tempo discutindo enquanto a mulher sombra 
estava solta pelo castelo. - Eu deixei um Auror de guarda com voc e 
Ludo Bagman... a essa altura imaginei que voc j estivesse em 
Londres! J  quase uma da manh e estamos perdendo nosso tempo 
discutindo bobagem. 
- Harry... voc no me respeita como ministro, eu sei disso... mas a 
sua arrogncia j nos custou caro. A mulher Sombra j escapou!
- E vai continuar solta enquanto voc nos atravancar aqui! 
- No voltarei a Londres enquanto ela no estiver presa! E quero 
quatro aurores para guardar a hospedaria em Hogsmeade onde minha 
famlia e os Bagman vo repousar
- Voc est louco, Percy? QUATRO aurores? A mulher sombra no 
est interessada em voc. E sim no menino Lupin! 
-  uma ordem minha, Harry! Eu anda sou uma autoridade!
- Autoridade ou no, no posso deslocar quatro aurores para passar a 
noite em Hogsmeade quando a ameaa est aqui, no l. E o filho 
dos Lupin j seguiu para a casa de Sheeba com ela e a famlia, e 
s sai de l quando a mulher sombra estiver presa... eu no 
arriscaria deixa-lo aqui para ser pego. Instru minha mulher e o pai 
do menino e eles j colocaram um feitio de iluminao 
permanente em volta da casa, a mulher sombra ser incapaz de 
atravess-lo.  
- Muito bem... se voc no quer admitir a falta de segurana para 
mim e minha famlia, eu posso denuncia-lo ao conselho e pedir seu 
afastamento por insubordinao! 
- O senhor teria ento que afastar todos ns - disse Gilles 
Stomeheart, dando dois passos  frente.- Nenhum dos que est aqui 
nesta sala ficar contra o professor Potter. 
- Mas...
- Senhor Ministro - falou Angus Stoneheart, o pai de Gilles, que 
estivera na festa e agora fazia parte da reunio. - eu sou um auror 
bem grande e praticamente valho por dois... me ofereo para ir para 
Hogsmeade fazer a sua segurana. No afaste nosso melhor auror por 
causa de uma desavena pessoal. 
- Com licena - uma voz soou na porta e Gilles fez uma careta de 
desagrado. Bernardo Fall estava parado  porta da sala. - eu me 
ofereo para acompanhar o Auror Stoneheart. 
- Voc? - perguntou Percy - Voc no  mais oficialmente bruxo. 
No pode nos ajudar. 
- Isso no  verdade. Pode se tirar o nome de um bruxo, senhor 
ministro... mas jamais lhe apagaro o poder mgico - habilmente, 
Bernardo ps a mo sobre uma mesa e falou baixo uma conjurao e 
esta transformou-se num porco. S Gilles notou que ele usava as mesmas 
luvas que sempre o vira calando em Londres, mas que ele no usara 
durante a festa.  - eu ainda tenho todos os meus poderes, senhor... e 
posso fazer isso mais rpido porque no precisaria apanhar uma 
varinha no bolso. 
Hope deu um imenso sorriso, e Bernardo sorriu-lhe de volta. Incomodado, 
Gilles afrouxou a gravata, e sem sentir, arrancou o cravo que usava da 
lapela, largando-o sobre a mesa.  Hope ento disse:
- Senhor Ministro... confie em Bernardo, ele pode realmente ser til, 
eu o conheo muito bem e...
- Est bem... mas exijo a presena de mais um auror para fazer ronda 
em Hogsmeade.
- Se  assim... - Troy Adams saiu o meio dos outros. Desagradava-lhe 
muito a idia de ser um co de guarda, mas ainda era melhor que ser 
chefiado por Harry - Podemos ir imediatamente, senhor Ministro.
Harry respirou aliviado. Ficava ainda uma boa turma para a busca, e 
quando amanhecesse, seria mais fcil iluminar os cantos sombrios que 
restassem.
O que nem ele, nem mais ningum poderia  imaginar  que naquele 
mesmo momento havia outra reunio de interessados em capturar a mulher 
sombra, e que o seu filho a liderava: Sirius determinara que todos os 
alunos dormissem no salo principal, e para previnir o deslocamento da 
mulher sombra pelo recinto, iluminara todo o salo. Era bvio que 
no havia sequer um aluno dormindo. E num canto, enfiados em sacos de 
dormir, Abel, Henry e Kayla conversavam baixo para no chamar a 
ateno dos monitores:
- Eu aposto - disse Henry - que a coisa j est em Hogsmeade, deve 
ter ido atrs do Neil
- Pois eu acho que ela ainda est por aqui - disse Abel - que bom que 
amanh  domingo e a gente vai poder ver os aurores caando... eu 
vou pedir para o meu pai deixar eu ir atrs dela tambm.
- At parece que o tio Harry vai deixar... meu pai foi oferecer ajuda 
e ele no quis, e olha que meu pai  adulto... - disse Henry. - Eu 
vi ele falar: v para Hogsmeade com Hermione e fique de olho em Percy. 

- Pois . Eu acho que ele s deixou meu pai ajudar porque ele  
professor de defesa contra as artes das trevas - disse Kayla. - acho que 
no fundo, caar uma mulher sombra  que nem caar vampiros.
- No - disse Henry -  pior. Vampiros no podem se esconder nas 
sombras
- Mas viram fumaa
- Bah, eles no podem virar fumaa de dia...
- Mas podem se enterrar...
- Vocs dois querem calar a boca? - falou Abel - a gente est 
falando da mulher sombra, e no de vampiros...
- Uma coisa eu no entedi - disse Kayla - o que ela ia querer com o 
coitado do Neil? Fora aquelas brincadeiras que ele e o Claudius fazem, 
ele no me parece ter nenhum "poder especial"
- Deve ter a ver com ele ser lobisomem - disse Abel.
- Ele  lobisomem? - perguntou Kayla - Que horror!
- Pelo amor de Deus, Kayla - disse Henry - em que mundo voc vive? 
Hoje em dia no  drama nenhum ser Lobisomem. Tem a tal poo 
que se toma e no acontece nada... quer dizer, a pessoa s vira 
lobo, mas um lobo bobo...
- Adoro as suas definies - riu Abel. - Amanh vamos caar a 
mulher sombra?
- Ah, sim, estamos l... - disse Henry - o que voc vai fazer? 
Cutucar todas as sombras do castelo e dizer "ei, mulher-sombra, saia 
da"? Deixa isso para os profissionais...
- Henry seu bundo, onde est seu esprito de aventura?
- Guardado no meu malo, num dormitrio da Grifnria. Onde 
alis, eu queria estar, de preferncia dormindo... com essa luz 
acesa no d nem pra fechar os olhos!
- Bom - disse Kayla puxando as cobertas sobre a cabea - eu vou dar 
meu jeito. Com ou sem mulher sombra, amanh no quero passar o dia 
todo com sono. Boa noite, gente.
- Voc no vai dormir, vai? - perguntou Abel
- Pode crer que sim - disse Henry puxando as cobertas da mesma forma que 
Kayla.
- Saco - disse Abel deitando de barriga para cima e olhando para o teto 
iluminado. Mesmo com toda a luz no salo, pouco tempo depois o menino 
dormiu. Sem sentir, escorregou para o mundo dos sonhos suavemente. E se 
viu num lugar estranho, seguindo algum de quem s via as costas. 
- Ei - chamou - a pessoa, que andava curvada, virou-se para ele e 
sorriu. Era um homem velho, e Abel viu seu rosto. Mas quando acordasse, 
ele no se lembraria por mais que se esforasse, daquele rosto. O 
homem continuou seguindo, e Abel disse:
- Quem  voc? O que eu estou fazendo aqui?
- Quem  voc... essa  uma pergunta que voc deve fazer a si 
mesmo, Griffndor-Slytherin.  Quem voc vai ser?
- O qu? - o velho voltou-se repentinamente e o segurou pelos ombros, 
encarando-lhe a face assustada:
-  chegada a hora em que a conspirao do destino vai se 
completar, e voc vai fazer a escolha. Pense bem no que vai escolher, 
e lembre-se das conseqncias das suas escolhas impensadas. 
- Quem  voc? - o velho sorriu.
- Eu sou a ajuda...  vou lhe dizer uma coisa, e quero que voc se 
lembre dela: s vezes a verdade se esconde de todos, e o julgamento de 
um s se faz necessrio. Escute o que a mulher sombra tem a lhe 
dizer, apenas escute...
- A partir da, Abel mergulhou numa penumbra indecifrvel e 
sentiu-se cair, at que abriu os olhos, e percebeu que tudo fora um 
sonho. Ele tentou se lembrar das circunstncias do sonho, mas sobro 
muito pouco em sua mente... apenas duas frases soltas: "a 
conspirao do destino vai se completar, e voc vai fazer a 
escolha. Pense bem no que vai escolher, e lembre-se das 
conseqncias das suas escolhas impensadas" e o "julgamento de um 
s se faz necessrio. Escute o que a mulher sombra tem a lhe dizer, 
apenas escute..."
- Escutar o que a mulher sombra tem a dizer? Como?
- Abel, voc dormiu direito? - ele olhou para o lado e viu Kayla j 
de p e enrolando o saco de dormir e as cobertas.
- H? Eu tive um sonho estranho...
- Todos devem ter tido, dormindo mal desse jeito... eu tive um pesadelo: 
sonhei que meu pai morria caindo de um abismo.
- Nossa, que trgico - disse Henry, que j acordara mas passara os 
ltimos vinte minutos deitado coando os olhos ardidos - eu sonhei 
com uma montanha de macarro...
- Montanha de macarro? - perguntaram os dois quase ao mesmo tempo.
- Vocs esto falando dos sonhos - disse o monitor chefe se 
aproximando - no se preocupem... no esqueam que aqui  um 
salo encantado... dormir aqui pode induzir a ter sonhos estranhos - 
disse Celsus Black aproveitando para enxot-los dali, j que o 
caf da manh precisava ser servido. Minutos depois, Abel nem 
pensava mais no sonho que tivera.
Os alunos foram "encorajados", ou melhor dizendo, obrigados a passar o 
dia fora do castelo para no atrapalhar o trabalho dos aurores. Para 
os mais velhos improvisou-se uma visita a Hogsmeade, e os mais novos 
tinham todo o jardim do castelo e a beira do lago para ficar. Kayla, 
Henry e Abel observavam de longe Snape, que parecia vigiar os alunos.
- Olha l o morcego velho...- disse Henry - meu pai disse que quando 
esse cara era professor era osso duro de roer.
- Queria saber porque ele no foi embora com os outros - disse Abel - 
e parece que ele est o dia todo de olho na gente. Ele e aquela dona 
que ele trouxe junto, olha ela l chegando.
- Aquela dona  minha parenta - disse Kayla -  mdica dele. 
Parece que ele est doente... minha me tambm  mdica dele.
- Ento o que ele tem  grave, hein?
-  sim - desconversou Kayla. Ela sabia que no devia comentar sobre 
a doena do homem com os colegas, sua me pedira segredo.
Abel observou entediado Snape conjurar um banco para que ele e a sua 
mdica sentassem. Henry comentou que aquilo parecia exibicionismo, 
porque a mdica bateu palminhas, o que fez os trs garotos rirem. 
Henry e Kayla comearam a discutir um trabalho de grupo de uma 
matria que Abel no fazia com eles e o menino ficou entediado, mas 
repentinamente teve uma idia:
- Vocs topam um xadrez de bruxo? Vou pegar meu tabuleiro no 
dormitrio...
- Ei, Abel, no disseram que a gente no deveria entrar no castelo?
- Ah, so trs minutos... j volto. 
Abel correu pelo gramado, e pde ver um casal de aurores iluminando as 
plantas no jardim, discutindo o tempo todo. Correu pela escada e depois 
de atravessar o saguo de entrada, ganhou o corredor das masmorras, 
onde havia mais uma dupla de aurores e finalmente o salo comunal da 
Sonserina. Os ps do menino batiam com fora no cho, de certa 
forma ele no queria admitir, mas estava com medo das sombras do 
castelo. Quando abriu o malo, um barulho o assustou. Ele virou-se e 
perguntou, ofengante:
- Quem est a? 
O silncio respondeu. Pegou muito rpido o tabuleiro e as peas de 
xadrez, correndo at as escadas da entrada de Hogwarts, onde chegou 
respirando ruidosamente. O Casal desaparecera do jardim, e ele podia 
ouvir ao longe a gritaria no campo de quadribol. Atrs dele, o castelo 
estava num silncio medonho. Respirou fundo antes de comear a 
descer as escadas, mas um olhar sobre ele o fez gelar. 
Abel virou a cabea lentamente na direo da floresta proibida. 
Ela estava l. Ele no a via, mas ela no estava no castelo, nem 
no jardim, nem em lugar algum onde os aurores a procuravam. Ela estava 
na floresta, ele podia senti-la olhando para ele. Hesitou um segundo 
entre correr de volta para dentro do castelo e gritar pelo pai, e correr 
pelo jardim at os aurores que j deviam estar do outro lado do 
castelo, que quela hora ficava na sombra. Mas no foi nada disso 
que ele fez. Uma voz ecoou na sua cabea:
"julgamento de um s se faz necessrio. Escute o que a mulher sombra 
tem a lhe dizer, apenas escute..."
"O julgamento se faz necessrio..." ele pensava enquanto andava 
devacar pela grama at a orla da floresta. A cabana de Hagrid parecia 
vazia, a floresta quela hora era semi sombria, ningum imaginaria 
que ela tivesse se escondido ali, porque o castelo tinha muito mais 
sombras e nichos... e haviam iluminado o entorno do castelo... se ela 
chegara ali, fora sem dvida de forma engenhosa. Ele parou hesitante 
sem saber o que fazer, nem porque estava ali. Agora parecia que tinha 
feito uma grande estupidez. Repentinamente,  disse:
- Eu vim para te escutar...
Sua nuca arrepiou-se quando um barulho de farfalhar de folhas secas 
ecoou  sua frente e  esquerda. Ele avanou cautelosamente, e 
olhou atrs de uma rvore enorme, cuja sombra da copa obscurecia o 
cho ao seu redor. Ela estava l, e seus olhos dourados encontraram 
os do menino. 
O choque para ele foi inevitvel. A mulher sombra no parecia 
ameaadora e cruel agora, que ele a via de perto, encolhida e 
amedrontada atrs daquela rvore. E ela estava ferida, muito ferida. 
Sua estranha pele de sombra estava rompida em vrios lugares, de onde 
parecia lentamente evolar uma fumaa estranha e suave. Dos olhos 
dourados escorria uma substncia negra estranha, que lembrava 
desagradavelmente sangue, um sangue negro. Ela ergueu os olhos para ele 
e disse apenas uma frase:
- Estou morrendo...
- Eu... 
- Preciso voltar ao meu mundo... ou vou desaparecer... vou evaporar como 
uma gota de orvalho no sol... eu rastejei pela grama iluminada, quando o 
sol estava nascendo, e a luz me machucou muito... se mais um facho de 
luz me pegar... 
- O que eu posso fazer por voc... Vega? - Ela o olhou de outra forma, 
ento. Estava fraca, ele sabia disso, e no pensava em entrega-la 
para os aurores. Ela sabia que aquele menino, como o que o diabrete 
havia observado, tinha dentro de si bem plantadas uma semente boa e uma 
ruim. Assim como a menina que sempre andava com ele, assim como quase 
todas as pessoas. Mas poucas tinham duas sementes do mesmo tamanho, 
forma e potencial como aquele menino tinha. Ela no o escolhera porque 
julgara que o outro, sendo mais velho, proporcionaria um vrtice 
maior. Agora ela via que estava enganada, e que ele fora levado at 
ali... a conspirao do destino, que a ferira e deixara  morte... 
no era mais ela, Vega, que precisava do vrtice, era algo muito 
maior... ela sorriu e disse:
- Voc pode me ajudar... h dentro de voc um poder que pode fazer 
renascer um mundo, o meu mundo, e libertar dois povos... se voc 
quiser me ajudar, saiba que eu vou usar minhas ltimas foras para 
provocar um fenmeno que vai arrastar a ns dois para a fronteira 
entre mundos... o nome deste fenmeno  vrtice, e quando ele 
atingir a fronteira, as portas de todos os mundos inviolveis sero 
abertas, inclusive a que h trs mil anos cerra  meu mundo. Se 
voc aceitar, e apenas se aceitar, eu libertarei meu povo, depois 
morrerei. 
- E eu?
- Voc tem as sementes, e vai sobreviver... provavelmente seis dos 
guardies vo te ajudar a voltar, menos minha irm, Maya, a dos 
olhos prateados... 
- E se eles no me mandarem de volta?
Ela olhou o rosto do menino, impassvel, que a olhava com 
estranhamento. Ento perguntou:
- Qual  o seu nome?
- Abel, Abel Potter...
- Abel... - ela fechou os olhos e sorriu - Claro... no poderia ser 
outro o nome... procure o guardio do mundo da luz, ele pode 
ajud-lo na fronteira... 
- Abel - uma voz chamou ao longe e Abel se voltou. Era a voz de Kayla. 
Logo depois, ele ouviu o chamado de Henry.
- Meus amigos... eles esto me chamando... 
- Voc tem que decidir, Abel... - Vega o encarou - a mim, no resta 
muito tempo... e dependo da tua escolha...
- O que eu devo fazer para... como vamos provocar o vrtice?
A mulher sombra sorriu e estendeu-lhe a mo. Era fria e estranha ao 
toque, parecia que iria se desfazer a qualquer instante. Ento ela 
disse:
- Olhe nos meus olhos... o que voc v? - Abel olhou e viu seu 
reflexo, e de repente, no era mais seu reflexo, mas o reflexo de uma 
serpente lutando contra um leo. Ele arregalou os olhos incapaz de 
dizer qualquer coisa. - est vendo? Isso  o seu corao, Abel 
Potter, isso  o que lhe vai na alma... a luta eterna. Voc tem as 
duas sementes, e um dia uma delas vai prevalecer, mas enquanto isso, 
elas lutam dentro de voc... pode sentir o poder, Abel?
- Posso... eu posso ver... 
- Empreste-me seu poder, Abel, por um instante... permita que eu entre 
em sua mente, e domine a sua vontade...
- Abel! - a voz de Kayla soou na beira da Floresta. Abel olhou na 
direo dela e a viu junto com Henry. Por um segundo pensou em parar 
e largar a mo de Vega. Repentinamente ele viu que mais trs pessoas 
corriam na direo da floresta: o casal de aurores e Snape. Ento 
decidiu-se. Olhando para Vega falou: 
- Eu permito!
Um vento estranho sacudiu a floresta, e Abel no pde dizer ao certo 
de onde ele veio. Repentinamente, viu que o vento vinha dele mesmo, e o 
mundo parecia girar em volta dele, com uma velocidade cada vez maior. Na 
verdade, para quem via de fora, eram Abel e Vega que giravam 
freneticamente de forma apavorante, at tornarem-se uma estranha 
mancha escura. A terra tremeu em volta deles, e com um barulho 
ensurdecedor, surgiu uma fenda espiral onde estavam, que parecia 
arrastar o que havia em volta. Kayla e Henry, na beira da floresta, 
foram subitamente arrastados para a fenda, e Snape, que vinha mais 
atrs gritou:
- Segurem-se na rvore!
Tarde demais, as crianas j desapareciam na mesma mancha que 
tragava Abel e Vega, na mancha que era o portal para a fronteira. Snape 
olhou para os aurores, que eram Hope e Giles e sem uma palavra, deu um 
passo  frente, e foi arrastado tambm. Ele no podia permitir que 
aquelas crianas partissem para o desconhecido sem a presena de um 
adulto. Hope entendeu, e pensou em fazer a mesma coisa. Giles a olhou, e 
sem saber porque, a abraou antes de pular com ela no centro do 
vrtice, e foi essa cena que Harry viu quando apareceu na porta do 
castelo, ele que ouvira o incio do Vrtice de uma sala de aula, e 
descera correndo ao sentir que era seu filho que o provocava. 
- Abeeeeeeeel! - ele gritou, no instante em que Giles e Hope pularam no 
centro do vrtice. Ento, com um ruido seco, o portal se fechou, e 
depois disso, s sobrou o silncio assustado da floresta proibida.

CAPTULO 12 - O VRTICE E A FRONTEIRA

        Um vento frio bateu no rosto de Abel, e o menino, aos poucos, voltou a 
conscincia. Piscou uma vez, sem abrir os olhos, mas subitamente 
sentou-se, assustado como quem acorda de um pesadelo. Estava sob  a copa 
de uma rvore grande e velha, e ele pde ver que aquela rvore era 
a mesma sob a qual ele provocara o vrtice. Por um segundo, achou que 
ainda estava na floresta proibida, mas uma rpida olhada na paisagem o 
fez ver que aquele era um lugar completamente diferente. 
- Vega? - ele chamou receoso. Levantou-se devagar, experimentando os 
msculos para ver se no havia machucado nada. Estava tonto, e 
quando levantou-se sentiu uma nusea intensa. Mas para sua surpresa, 
estava inteiro e parecia perfeitamente saudvel, porm completamente 
sozinho. 
Olhou o horizonte, confuso. A paisagem era estranha, e lembrava a de um 
deserto, no fosse pelo fato que no havia sol e no parecia ser 
noite ou dia, mas aquela hora estranha em que j est claro, mas o 
sol ainda no nasceu. Olhando atentamente, ele pde ver  uma boa 
distncia um lugar onde havia luzes estranhas que pareciam pairar no 
ar, a partir do cho. Olhando com mais ateno, viu que eram 
colunas de luz, que pareciam sair do cho e subir infinitamente at 
aquele estranho cu cinzento. Uma das colunas, ao contrrio, era 
feita de sombra negra e contrastava com as outras.
Subitamente, ele virou-se assustado ao ouvir um rudo do outro lado da 
rvore, olhando na direo em que o rudo viera, repetiu:
- Vega?
- Hum... cogumelos, eu adoro cogumelos - respondeu uma voz que ele achou 
conhecer de algum lugar. Depois de uns segundos, uma figura estranha, 
que usava um manto cinzento e uma capa com capuz que lhe escondia o 
rosto, apareceu, andando meio curvado, bem do outro lado da rvore. 
Nas mos tinha um grande bornal, onde ia jogando cogumelos que catava 
junto  raiz d rvore. Parou, olhando para Abel, que por mais que 
se esforasse no lhe via o rosto, escondido pela sombra do capuz, e 
perguntou:
- Gosta de cogumelos frescos, menino?
- Er... quem  voc? 
- Hum... acho que voc no lembra de mim, certo? 
- Nunca o vi antes... voc me conhece?
- Muito vagamente - disse o outro, aproximando-se - na verdade eu entrei 
no seu sonho na noite passada.
- Ah! - a mente de Abel se iluminou - O velho! Como era o nome mesmo?
- A Ajuda - disse o velho, rindo - sim, sou eu... 
- Quem  voc, porque veio me ajudar?
- Porque voc est sozinho, e na hora certa vai saber quem eu sou, 
Abel Potter.
- Eu no lembro de ter dito meu nome....
- Isso no importa, voc era esperado aqui, voc e os visitantes 
que trouxe...
- Que visitantes? 
- Os que vieram contigo. H muito no se via um vrtice como o que 
voc provocou...
- No fui eu, foi Vega  - o velho riu:
- Ela no conseguiria sem voc... 
- Onde ela est? - ele lembrou-se das palavras dela sobre o fato que 
morreria provocando o vrtice, e meio sem coragem, perguntou: - Ela 
morreu? - o velho deu uma gargalhada
- No! Aquilo foi um grande drama da parte dela... embora ela 
acreditasse que iria morrer. Mas ela no est morta, apenas seguiu 
em frente...
- Ela foi para a fronteira?
- Exato... 
- E porque eu fiquei aqui, e perdi a conscincia?
- Porque voc  o vrtice... foi demais, mesmo para voc, no? 
Foi a sua primeira escolha... vamos ver quais sero as prximas.
- Que escolhas?
- Bem... preciso te contar a histria desde o incio, para que 
voc entenda.
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- Harry, voc no pode fazer isso!
- No me diga o que eu posso ou no fazer, Sirius... eu simplesmente 
vou fazer.
- No podemos usar essa chave... quem sabe as conseqncias disso?
- Sirius - Harry virou-se e encarou o padrinho - meu filho tem onze 
anos, e provocou aquilo, e agora est perdido num lugar entre mundos 
sobre o qual pouco sabemos... se esse  o nico meio de ach-lo, 
eu vou para l, e no tente me impedir.
- Eu nunca fui de seguir regras, mas, e se voc no voltar? 
- Pelo menos terei tentado.
- No sabemos se a partir da chave voc vai conseguir chegar  
fronteira... e existe o srio risco de deixarmos o outro mundo 
aberto... e voc sabe o tipo de coisa que pode sair dele. 
- Se do mundo dos mortos pode se chegar  fronteira, Sirius, pouco me 
importa o que posso encontrar l, eu sei apenas que vou entrar, e 
no  sua palavra que vai me demover. 
- E se voc perder a chave?
- Se o mundo estiver fechado quando eu a perder, melhor, sempre tivemos 
medo dessa chave, seria melhor que ela nunca nos tivesse sido entregue, 
no acha?
- Mas... e se Abel achar o caminho de volta?
- Eu conheo meu filho... ele no vai voltar sem os outros. 
- Est bem... no creio que eu consiga convencer voc a no 
fazer isso... mas isso precisa ser segredo, seno o ministro vai 
entrar em pnico,  e no quero que voc seja expulso  revelia. 
- Harry sorriu:
- Eu conto com voc para me acobertar... e fazer mais uma coisa.
- O que?
- Fechar a porta, depois que eu entrar.
- Mas... voc deveria levar a chave...
- Sirius, se existe um meio de sair do mundo dos mortos sem a chave, vou 
ach-lo. 
- Voc no vai sozinho - uma voz soou  porta da sala de Sirius, e 
Harry viu Draco e Rony parados ali. 
- No sejam tolos - Harry disse olhando para os dois - no quero que 
mais crianas fiquem rfs. 
- Harry - Rony disse com cuidado - eu sempre fui o amigo divertido e 
meio covarde... mas desta vez,  srio. Quando me disseram que 
voc estava aqui com Sirius, eu tive certeza que vocs estariam 
discutindo um jeito de seguir atrs das crianas. Chamei o Malfoy, 
porque sabia que ele deveria saber a senha, sendo professor daqui,  e 
tinha certeza que ele tambm ia querer ajudar. Ns tambm temos 
filhos perdidos nesse lugar.
- Rony, eu vou chegar at l atravs do mundo dos mortos.
- E da? S porque voc sempre me achou frouxo, no significa 
que eu no tenha coragem de entrar no mundo dos mortos ou no inferno, 
se o assunto  um dos meus filhos.
- O mesmo vale para mim - disse Draco sombriamente - Ento... a chave 
de Maedra no estava de fato perdida, como est escrito nos 
livros...
- Se voc souber o que est nos livros e no  verdade - disse 
Sirius - voc com certeza vai querer deixar de ser professor.  - Eu 
sei que no posso imped-los, acho que se minha filha ainda fosse 
uma criana, eu iria com vocs, mas conhecendo Hope, eu sei que ela 
vai voltar, nem que vire a fronteira pelo avesso... por isso que acho 
precipitado...
- Sirius - Disse Harry - eu sei como Hope , mas por melhor que ela e 
Gilles sejam como Aurores, no sabemos o que eles encontraram por 
l... e nem se esto vivos.
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Gilles  e Hope giraram no ar, ainda abraados, e viram luzes e cores 
os envolvendo, quando entraram no vrtice, subitamente, uma rajada de 
vento os carregou, e Hope sentiu que ele a abraava como se para no 
deixar de forma alguma que aquilo os separasse. O vento zunia em seus 
ouvidos furiosamente, e de forma to feroz que mesmo que ela jamais 
admitisse isso depois, acreditou que iria morrer. Ento, subitamente, 
uma coluna de luz os colheu em pleno ar e eles ficaram por segundos 
suspensos na intensa luz avermelhada, e Hope sentiu os braos de Giles 
afrouxarem-se em torno dela, e pela primeira vez, olhou para o seu 
rosto.
O que ela viu, era muito difcil de ser explicado. Gilles a olhava com 
uma expresso que ela jamais vira, e que ela no conseguia entender 
o que significava, embora fosse extremamente incmoda. Porque aquilo e 
o abrao queriam dizer algo... como se ela fosse mais importante para 
ele que supunha que era realmente. Ela abriu a boca para dizer alguma 
coisa, mas era estranha demais a situao para ser expressa em 
simples palavras. 
Aos poucos, ela se afastou do abrao dele, ainda olhando nos seus 
olhos. A  luz os envolvia, e ela sentia que eles baixavam suavemente, 
at que seus ps bateram no cho, enquanto eles se encaravam, 
mo sobre mo, olhos nos olhos. E foi quando  a luz desapareceu, e 
eles puderam ver onde estavam. 
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        Henry segurou a mo de Kayla instintivamente quando o vrtice os 
tragou, mas no conseguiu segura-la por muito tempo,  sentiu que a 
mo dela ia escorregando, e tentou segur-la, mas ela escapou, a 
mo estendida, gritando sem voz, assim como ele. Ele a viu afastar-se 
gritando, e subitamente desaparecer de vista. Ele entendeu que estava 
s naquele turbilho inexplicvel, quando de repente, foi tragado 
por um facho de luz, e levou um susto ao ver que no estava mais 
sozinho. Snape flutuava  sua frente com uma expresso de espanto no 
rosto. Depois de instantes suspenso no ar, ele despencou junto do velho, 
que ele sequer percebera que fora sugado pelo vrtice. A queda durou o 
tempo suficiente para parecer desesperadora, e acabou sem que nenhum dos 
dois se machucasse. Mas no poupou Henry de colocar todo o caf da 
manh para fora. 
- Voc est bem, garoto? - perguntou Snape, pondo a mo no seu 
ombro.
- Eu pareo bem? - perguntou Henry, levantando-se ainda enjoado. - O 
que foi aquilo, afinal?
- Bem, eu sei pouco sobre isso, alis poucos bruxos sabem, mas parece 
que a mulher sombra conseguiu nos levar  alm da fronteira. 
- Fronteira?
- Um lugar entre muitos mundos...
- Eu sempre achei que a histria dos outros reinos mgicos era 
brincadeira dos mais velhos para espantar a gente - Henry imitou uma voz 
de mulher: "obedea seu pai ou te mando para o pas das fadas..."
- Acho que voc no entendeu, menino... isso no parece um pas 
de fadas - disse Snape olhando em volta, para uma paisagem desolada e 
urbana, como a de uma cidade de trouxas muito cinzenta e poluda.
- No  um pas de fadas, ento, que lugar  esse?
- No sei, e sinceramente, tenho medo de descobrir - disse o velho, ao 
ver a cara de uma pequena gangue de rua que se aproximava.

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        Kayla perdeu a conscincia ainda no vrtice, e no soube do que 
aconteceu, no sentiu-se ser tragada pela luz que a capturou sozinha, 
nem soube como foi parar onde acabou chegando. S acordou bem mais 
tarde, e viu que estava cada numa colina cinzenta, num lugar estranho 
onde parecia noite.         Ela chamou por Abel, depois por Henry, at 
aceitar o fato de que estava sozinha. 
- No vou ter medo - ela disse erguendo-se e segurando com fora o 
punhal da irmandade da raposa, que ela ganhara da me assim que 
recebera a carta de Hogwarts - eu sou uma Malfoy Van Helsing - disse 
mais para si que para o silncio que a cercava.

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A histria que o velho contou a Abel foi simples, mas triste: milhares 
de anos antes, quando a fronteira tinha apenas dois reinos, uma grande 
guerra entre esses dois mundos, provocada pelo reino das sombras, acabou 
com a derrota das duas castas do povo da sombra: os Nahatir, os 
guerreiros de olhos brilhantes, e os Ahadir, os trabalhadores, de olhos 
escuros. Nessa poca a Guardi do portal do reino da sombra era 
Vega, e ela  liderara a fuga dos rebeldes, que no queriam lutar, para 
o mundo dos homens, contrariando a vontade de Maya, sua irm, e 
perdendo o seu direito  chave da fronteira. 
Vega fundara no nosso mundo a colnia dos homens sombra, sob a terra 
no lugar que anos mais tarde teria o nome de Amrica do Norte. Ela 
abandonara um grande amor no reino da luz para salvar seu povo, e Maya 
assumira o reinado, pois o pai de ambas deitara-se e morrera de desgosto 
uma noite, porque no suportara ver as duas princesas em Guerra.
O reinado de Maya fora to cruel, que acabara por provocar uma fuga em 
massa. Os homens sombra haviam descoberto a terra de ningum, Nowhere, 
e se adaptaram para l viver. Com dio de Vega, Maya primeiro 
enganou aquele que a irm amava, e depois, ao visitar a colnia na 
terra dos homens, enganara a prpria irm e a prendera, ao convencer 
os seus semelhantes que a irm queria us-los como escravos. Desde 
ento, Maya cerrara as portas do seu mundo, que agora era vazio e 
havia se degenerado. 
- Ento, tudo foi em vo? - perguntou Abel ao velho, que meneou a 
cabea negativamente.
- No se pode dizer que alguma coisa foi em vo at que ela 
termine de vez, Abel. 
- Mas... eu provoquei o vrtice, Vega foi para seu mundo, e ele est 
vazio! Ela me disse que libertaria dois povos, e agora voc me diz que 
o mundo que ela vai encontrar est vazio! 
- Est, porque todos os habitantes dele e seus descendentes esto em 
outros mundos. S porque vocs vieram aqui e abriram as portas, 
no significa que eles voltaro de onde esto. 
- E o que eu posso fazer quanto a isso?
- Bem, ainda no sei. 
- Se voc no sabe, porque se diz a ajuda?
- Porque no  s Vega que precisa de voc. Quando voc chegou 
aqui, arrastou outros junto, no por sua culpa, aconteceu
- Outros?
- Outras pessoas: seus amigos Kayla e Henry, Snape e os aurores Hope e 
Stoneheart.
- O que? E eles esto aonde?
- Eles avanaram at os portais, a fora do vrtice que voc 
provocou foi imensa... no me aconteceu nada porque eu me amarrei na 
rvore, mas os portais se abriram com muita violncia... no podia 
ser diferente e os portais atraram os outros.
- Onde eles foram parar?
- Voc quer realmente saber?
- Eu quero tir-los de l!
- Voc  um s... 
- E da? Eu no me importo com isso. 
- Os mundos inviolveis so muito grandes e tm sua prpria 
magia... 
- Dane-se a magia dos mundo inviolveis! Eu comecei isso, no 
comecei? Tenho que terminar...
- Quando voc fala assim, me lembra demais o seu pai...
- Voc conhece meu pai?
O velho no respondeu. Apenas disse:
- Hope Black e Gilles Stoneheart esto no mundo dos sonhos, no 
acredito que voc queira entrar l... eles vo encontrar a sada 
sozinhos, no acha?
- Acho... isso tem algo a ver com as tais escolhas que eu tenho de 
fazer?
O velho apenas riu. 
- Se tem a ver, eu quero saber porque devo fazer essas escolhas. 
- Porque uma histria est sendo escrita... e algumas escolhas mudam 
as histrias, menino. 
- Eu agora tenho que escolher um mundo parta entrar, certo? - o velho 
balanou a cabea afirmativamente. Abel perguntou:
- Onde esto Henry e Kayla? 
- O menino foi parar no mundo que chamam Realidade Cruel... mas Snape 
tambm foi para esse mundo.
- E Kayla?
- Ela est sozinha num mundo que os homens temem mais que todos os 
outros...
- Que mundo?
- Chamam-no de Cu, inferno, terras sem sol, mundo sem volta... 
- O mundo dos mortos?
O velho meneou a cabea afirmativamente. Abel encarou-o e disse:
- Voc sabia que eu escolheria ir atrs dela, mesmo que no 
soubesse qual era o mundo... eu no deixaria uma amiga sozinha...
- Na verdade, eu creio que voc escolheria quem precisasse mais de sua 
ajuda. 
- Para que lado  o mundo dos mortos?
- V aquela coluna de luz violeta?  l. 
- Bem, ento, at breve - disse Abel, correndo na direo da 
coluna de luz. Parecia bem longe, mas isso no importava. O menino era 
como um pequeno leo, pensou o velho.
- Ou como uma jovem serpente - completou em voz alta, para si mesmo.

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        Willy chorara silenciosamente quando soubera o que acontecera com o 
filho, e pedira que Sheeba tocasse Harry e dissesse o que aconteceria 
com ele:
- Ele retorna - disse a Pitonisa muito sria - mas o toque de prometeu 
 simplesmente incapaz de prever o que acontece na fronteira, ou 
alm dela - completou a mulher desolada. Assim Willy se acalmara um 
pouco, pela certeza que o marido retornaria, ainda apreensiva por no 
saber se o filho voltaria junto. Nem mesmo tocando objetos de Abel, 
Sheeba teve resultado, enquanto o menino estivesse fora daquele mundo, 
seria impossvel saber qualquer coisa. 
Willy estava com Harry quando ele abriu o cofre onde escondia a chave 
que abria a porta para o mundo dos mortos. Anoitecia em Hogsmeade. Ela 
olhou o marido, lembrando de todas as vezes que ela o soubera em perigo, 
o quanto tivera medo que ele no voltasse, que algo acontecesse. 
Agora, ela sentia medo por ele e pelo filho.  Quando se despediram, ele 
beijou os filhos menores, e ela se esforou para no chorar na 
frente deles:
- Onde voc vai, pai? - perguntou Andrew
- Buscar o Abel - disse Harry - papai volta. 
Ele ergueu-se e deu um longo beijo em Willy, dizendo, bem de encontro 
aos lbios dela:
- Eu volto, e vou traz-lo!
- Eu sei - disse ela, quase soluando. Harry acariciou o rosto amado e 
sorriu um sorriso tristonho. Ento, sem dizer palavra, desaparatou 
para ir ao encontro dos outros.
Sirius, Draco e Rony o esperavam na porta do cemitrio de Hogsmeade. 
Ningum falou nada, apenas entraram em silncio e andaram at um 
lugar onde havia quatro pequenos mausolus identicos, de aparencia bem 
antiga. Na frente de cada um deles havia uma esttua de animal, 
impressionantemente bem feita. Pararam  frente do que tinha uma 
guia. Harry rolou a pequena chave na palma da mo: era dourada, e 
tinha um pssaro no lugar da pega. Harry disse, solenemente:
- Rovena Ravenclaw... essa chave pertenceu por geraes  sua 
famlia, da qual voc era a ltima descendente, e voc a deu de 
presente ao meu ancestral, Godric Griffndor, quando estava  morte... 
de gerao em gerao, minha famlia a guardou, nenhum de 
ns jamais precisou dela, e a temamos. Eu peo a sua permisso 
para us-la, grande bruxa. 
A esttua da guia brilhou suavemente com uma luz azulada, e Harry 
sorriu.
- Permisso concedida - murmurou Rony. Harry segurou a chave a girou-a 
na fechadura do porto de ferro gradeado que fechava o mausolu. 
Quando o porto se abriu,  em vez do tmulo que se via atravs da 
grade, ele pde ver uma colina, que parecia estar muito abaixo. A 
porta do mundo dos mortos ficava alguns metros acima do cho. Ele 
virou-se para Sirius e disse, entregando a chave:
- Feche, depois que entrarmos.
O Homem nem cogitou question-lo. Ele sabia que aquilo era srio 
demais. Segurou a chave e ficou olhando, enquanto Harry, Draco e Rony 
saltavam e caam no cho do outro lado. Quando Harry ergueu-se viu 
um buraco retangular no cu, como que recortado da paisagem, e Sirius 
aparecendo do outro lado. Com um aceno, despediu-se de Sirius, que antes 
de fechar o porto disse:
- Boa sorte! 
Harry viu o buraco no cu se fechar, e ainda de costas para os outros 
disse:
- Senhores, creio que agora estamos por nossa conta.

CAPTULO 13 - NOS MUNDOS INVIOLVEIS

- Voc vai morrer... - a cara do garoto era amassada e feia, tinha 
desespero e desiluso em cada ruga precoce, ele parecia  uma 
criana, mas no uma criana alegre e inocente, mas uma viso 
apavorante de crueldade com o rosto de um menino. E no era o nico. 

- E voc, garoto - completou o segundo - nunca vai ser grande coisa na 
vida... no vai precisar conquistar nada, tudo vai lhe ser dado de 
mo beijada, e isso ser a sua runa. Voc jamais vai se sentir 
til ou amado, e vai ser sempre um covarde, com medo de dizer o que 
pensa... to diferente de seus amados pais, e to cheio de rancor 
por isso.
Essas palavras eram quase impossveis de serem entendidas, porque eram 
ditas no meio de outras, to duras quanto as primeiras, para Snape e 
Henry, que, um de costas para o outro, ouviam-nas da boca da gangue de 
pequenas crianas, no mesmo lugar onde haviam chegado  terra da 
realidade cruel.  As palavras podiam machuc-los porque pareciam as 
coisas mais reais que j haviam sido ditas sobre os dois, e de uma 
forma totalmente despida de piedade. 
- Professor, onde estamos - perguntou Henry - temos que sair daqui... eu 
no quero olhar para eles... 
- Calma menino - disse Snape, mas sem saber ao certo o que fazer, porque 
de cada beco parecia sair um outro menino para se juntar aos primeiros, 
sempre com a mesma expresso sarcstica e ao mesmo tempo 
desesperada. Snape jamais ouvira falar sobre aquele mundo, o que se 
sabia sobre o que ficava alm da fronteira era muito pouco, a maioria 
no ramo da especulao, chegou a pensar em pegar a varinha e tentar
algo para dispersar as crianas, mas antes que fizesse isso, um deles 
disse:
- Mgica aqui no funciona, velho idiota...
Ento, eles liam pensamentos, concluiu Snape. Ele soubera, antes que 
Snape tomasse qualquer atitude, que ele pretendia usar magia. Era cada 
vez pior. Involuntariamente, pegou a mo de Henry, que estava gelada. 
Se aquelas palavras eram duras para ele, imaginava o que no fariam 
com uma criana. 
- Solte o garoto! Solte - gritou um dos meninos e Snape percebeu que 
isso era o que eles queriam evitar: que ele e o garoto permanecessem 
juntos. 
- Quem so vocs? - perguntou ele, tentando permanecer calmo. S 
ento que viu que as crianas e tudo em volta eram sem cor, 
absolutamente cinzentos. Aquele mundo inteiro era preto-e-branco. Olhou 
para si prprio: ele permanecia o mesmo, a sua pele continuava da 
mesma cor. 
- No nos conhece? Mas voc  responsvel por ns
- Voc e todos os seus irmos de carne - disse outra criana. 
- Deixem a gente em paz - gritou Henry - Eu quero ir para casa!
- Voc no vai ver seu mundo outra vez - respondeu um dos meninos - 
vocs vo ficar aqui a vo ser tragados pela realidade cruel... 
 assim que tem que ser,  assim que sempre foi... vocs nos 
criam, ns destrumos vocs...
- Eu no criei nenhum de vocs, eu quero sair daqui - continuou 
Henry - Eu quero sair daqui...
Foi ento que Snape percebeu que Henry estava ficando cinzento como os 
outros meninos. Era isso ento: se ele se entregasse  discusso 
com aquelas crianas, iria tornar-se uma delas... era isso que era ser 
tragado pela realidade cruel. Precisavam fugir daquilo. No sabia o 
que fazer, mas teve uma intuio: Virando-se para o menino, 
abraou-o como se ele fosse seu filho. Ele nunca fora muito bom com 
essas coisas,  verdade: achava crianas extremamente aborrecidas, e 
se fora professor, fora por amor ao ensino, e no s crianas. Mas
no era certo deixar aquele menino tornar-se um monstrinho. 
- Ns vamos sair daqui - ele sussurrou ao ouvido do menino - por 
favor, no discuta com eles.
O menino no respondeu. Mas abraou-se com fora ao velho bruxo e 
disse:
- Eu quero ver meus pais... professor, precisamos sair daqui...
- Eu sei... mas se voc discutir com eles, vai se tornar igual... - 
Snape percebeu que o murmrio das crianas baixava. Olhou para eles 
e viu que eles estavam falando baixinho. Havia esperana nele, muita 
esperana de sair dali... contra isso, aquelas crianas nada podiam
fazer.

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        Kayla caminhou pela colina onde acordara at chegar a um lugar que 
lembrava um porto. Ficou olhando, hesitando em bater o sino pendurado 
na porta gigantesca. O lugar era frio, mas no lhe dava medo. Estava 
escuro, no havia lua no cu. Ela olhou em volta mais uma vez, e 
ento, bateu o sino.
        Abel nesse instante, jogou-se na coluna de luz que era o portal do 
mundo dos mortos, pensando firmemente em Kayla. Ele no sabia disso, 
mas estava fazendo exatamente o que devia ser feito: aqueles portais 
conheciam pensamentos e intenes, e quando Abel atingiu a luz, foi 
automaticamente enviado para o mesmo lugar, dentro do mundo dos mortos, 
onde Kayla se encontrava. Rolou por dentro da luz, numa sensao 
muito estranha. Enfim, caiu bem  frente do porto onde ela se 
encontrava, no exato instante em que a menina batia o sino. Ela 
voltou-se assustada com a luz atrs de si, e viu Abel erguendo-se 
assim que o portal desapareceu.  Ficaram se olhando por um instante, 
at que Kayla sorriu:
- Voc veio me buscar?
- Vim - assentiu Abel - mas ningum me avisou que o portal  fecharia 
atrs de mim... acho que estamos os dois presos aqui, Kayla... e no 
sei se existe caminho de volta...
- Que lugar  esse?
O porto abriu e surgiu uma mulher magra, plida e alta no vo. 
Ela sorriu para os dois e disse:
- Sejam benvindos s terras sem sol, crianas
- Esse, Kayla,  o nome do mundo dos mortos - falou Abel, estranhando 
o fato de no estar sentindo medo algum.

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- Que lugar ser esse? - perguntou Hope, a Gilles pela segunda vez. 
Eles estavam andando h alguns minutos pela plancie onde haviam 
cado. Era um relvado alto, cuja grama, em vez do verde habitual, era 
de um estranho e surreal vermelho-sangue. 
- No pode ser um campinho pitoresco ao sul de Worcestershire, isso eu 
posso te garantir - disse Gilles, usando a piada mais para 
tranqilizar a si mesmo. Tudo que sabia sobre mundos paralelos e a 
relao com o seu  mundo no o agradava. Imaginava se eles no 
sairiam dali horas depois e descobririam que  haviam ficado setenta anos 
naquele lugar esquisito. Tudo bem que em setenta anos provavelmente o 
chato do Fall j estaria bem morto, mas ele curtia demais seu tempo 
para imaginar-se feliz no meio de outra poca. Um barulho chamou a 
ateno dos dois. Eles voltaram-se na direo de onde vinha: um 
trote de animal ritmado, constante. Segundos depois, o animal que o 
prodizia surgiu no seu campo de viso, e ambos observaram, um tanto 
chocados, um cavalo de duas cabeas e de cor verde musgo, que passou 
por eles sem tomar conhecimento de sua presena. Hope sacudiu a 
cabea e ento tirou as luvas.
- Que pateta que eu sou... para que eu tenho toque de Prometeu? - ela 
abaixou-se e espalmou as duas mos contra o cho, esperando alguns 
instantes pelo habitual flash de sensaes... que no surgiu. Ela 
agarrou a terra (que era amarelo canrio!) entre os dedos, e nada 
aconteceu. Olhou para Gilles e disse:
- No est funcionando... no sinto nada...
- Ser que aqui seu toque no funciona?
- Espere... me d sua mo. - Gilles segurou a mo fria que Hope 
lhe estendeu e esperou, olhando o rosto preocupado da moa. Hope por 
sua vez, segurou a mo dele por quase um minuto, at se convencer 
que o pressentimento mgico no viria. Ergueu o rosto em direo 
a ele e murmurou: no acontece nada...
- Mas que droga... ser que... - Gilles num impulso pegou a varinha e 
murmurou um feitio inofensivo qualquer, depois outro e outro... e 
nenhum deles funcionou. 
- Aqui mgica no funciona! - disse Hope, constatando o bvio. 
Gilles ia dizer algo quando percebeu uma coisa muito estranha: toda a 
paisagem em volta deles havia mudado completamente enquanto eles se 
preocupavam com o fato da magia ali no funcionar: a relva vermelha 
desaparecera e eles agora estavam no meio de uma floresta sombria, mas 
que pelo menos parecia normal. Ele encarou Hope e disse: 
- Esse lugar est brincando com a gente, ou coisa parecida...
- Eu acho melhor a gente seguir em frente... deve haver algum povo por 
aqui, no  possvel que tenhamos cado num lugar totalmente 
desabitado!
Os dois seguiram andando pela floresta at que acharam uma estrada. 
Ento comeou a nevar, mas no fazia frio. 
- A neve no  gelada... - disse Stone, pegando um floco entre os 
dedos -  como se no fosse de verdade...
- Ser que estamos num mundo onde nada  real, Stone?
- Isso no explica o fato de no conseguirmos fazer mgica aqui...
- O pior - ela disse -  que tenho a sensao que somos vigiados 
por algum e... - ela parou. Eles haviam chegado a uma curva da 
estrada e ela viu algo que j vira em algum outro lugar: dentro da 
floresta havia um unicrnio, branco e brilhante, como aquele que ela 
encontrara h alguns anos em Hogwarts... ela sonhara com aquilo outras 
vezes, e nos sonhos...
- Black, onde voc pensa que vai? - gritou Stone, assim que a moa 
disparou hipnotizada pela viso do unicrnio correndo floresta a 
dentro: sem outra sada, ele disparou atrs dela, perguntando-se o 
que podia fazer uma mulher adulta agir como uma menininha idiota.  
Conforme corria, ele viu algo muito estranho acontecer: Hope no usava 
mais as roupas de auror, como antes. Ela agora usava um vestido branco e 
to luminoso quanto o unicrnio, e seu cabelo crescera 
inexplicavelmente. Ele olhou a si prprio de relance e viu que 
tambm estava com outras roupas. Aquele era decididamente o lugar mais 
esquisito que podia existir. Nada parecia ter espcie alguma de 
explicao plausvel.
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        Harry, Rony e Draco andavam pelo que parecia uma estrada. O mais 
estranho de tudo,  que ao contrrio do que haviam pensado antes 
sobre como seria aquele mundo, estavam num lugar bonito. Se eles no 
soubessem que estavam no reino dos mortos, poderiam jurar que caminhavam 
por uma estrada qualquer. Havia vida por onde olhassem, em volta deles: 
rvores, sons de animais... A nica coisa estranha era a ausncia 
total de sol. No era escuro, mas no dava para se precisar como o 
lugar era iluminado porque mesmo o  cu era estranho e azul anil, a 
despeito da falta de nuvens e principalmente de um sol que o iluminasse. 
Era difcil imaginar que tudo aquilo estava morto ou coisa parecida. 
Mas at aquele momento, no haviam visto nenhuma pessoa. 
At que numa curva da estrada, o corao de Draco deu um pulo 
dentro do peito: sua me estava parada bem ali, como que esperando por 
ele. Ele abriu a boca mas no saiu som: por nem um minuto lhe ocorrera 
que encontraria a me ali, porque, desde sua grande decepo com 
Sue, Draco no acreditava em mais nada, fosse em coisas divinas, fosse 
em espritos ou anjos. Para ele, o reino dos mortos em que entrariam 
seria outra coisa que a imaginao humana havia renomeado. Rony e 
Harry ao verem a mulher no sabiam o que dizer. 
- Ol - disse Narcisa - eu vim receb-los... Draco, no reconhece 
mais sua me? - Draco andou atnito at ela e antes de 
abra-la, olhou um longo tempo para seu rosto, os cabelos lisos e 
platinados eram os mesmos, mas ela ainda parecia mais bonita do que ele 
se lembrava. Ele queria dizer algo, mas continuava mudo, continuava 
no acreditando que a encontrara... tantos anos, e nem ele sabia que 
sentia tanta falta assim dela. Sua garganta parecia trancada, e nem 
chorar ele conseguia. - Eu tambm senti sua falta, filho. - ela disse, 
acariciando os cabelos dele. 
Ento, aconteceu. Draco chorou, como no acreditava que podia mais 
chorar, como no sabia que podia fazer sem sentir-se constrangido, 
porque aquela era sua me e estava viva... porque ele podia ter 
esperana. Harry e Rony desviaram o olhar sem saber ao certo o que 
dizer... era constrangedor para eles. Narcisa ento disse diretamente 
para Harry:
- Sua me tambm espera por voc, e muitos outros... 
- Minha... me e meu pai?
-  s seguir a estrada. - disse Narcisa - depois eu e meu filho nos 
juntaremos a vocs...
Harry no sabia se disparava pela estrada, ou se andava normalmente, 
Rony o cutucou e disse:
- Ei. So seus pais... eu sempre lembro de voc querendo 
conhec-los...
Harry sorriu para o amigo e saiu correndo pela estrada com o corao 
aos pulos, pensando primeiro em seus pais e depois no filho, que eles 
talvez soubessem onde estava. Surpreendeu-se ao chegar s portas do 
que parecia uma grande cidade, com a diferena que no havia 
prdios, e sim casas pequenas, que pareciam se estender por um longo 
vale at onde a vista podia alcanar. No havia tambm 
veculos, mas muitas pessoas, se movimentando e agindo normalmente. 
Rony chegou logo atrs dele e disse:
- Parece que a qualidade de vida melhora, quando a gente morre... - ele 
no parecia to abalado pela experincia, porque no se lembrava 
de ter perdido ningum de forma significativa em todos os seus anos de 
vida: tinha pais e irmos, todos vivos. No parecia sentir falta de 
ningum. 
- De fato, meu neto - disse uma voz bem atrs dele - Eu estou aqui 
h exatos trinta anos, e sempre gostei do lugar . - Rony se voltou 
devagar para dar de cara com o rosto sorridente de Ronald Weasley, seu 
av. Ento abriu um imenso sorriso, porque o velhinho, que morrera 
quando ele tinha apenas seis anos, era de longe uma das pessoas que ele 
mais sentira falta na primeira infncia, quando ele morrera seu quarto 
ficara para Percy e Rony, que deixara de dormir num canto da sala.
- Vov Weasley... - ele riu - o senhor aqui tem cabelos...
- Claro que tenho cabelos, e como voc espichou, moleque! - disse o 
velhinho, abraando o neto - venha, voc vai conhecer Emma, a av 
que morreu antes de voc nascer, acho que ela vai chorar, s fala em 
voc vir aqui, j h trs dias.
Harry observou atnito Rony seguir rindo com o av e viu-se sozinho 
 beia daquela cidade de espritos.   Sentindo-se meio contrariado, 
comeou a andar pela rua, achando tudo muito estranho, porque 
ningum parecia se importar com a sua presena, ento, sentiu uma 
mo em seu ombro e virou-se. 
Por mais que achasse que estava preparado, quase caiu de joelhos ao ver 
seus pais parados, um ao lado do outro, olhando para ele como ele sempre 
imaginava que olhariam se um dia se encontrassem. E sem dizer nada, deu 
um passo na direo deles e os abraou com toda a fora que 
tinha ainda.

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        Snape e Henry consegiram juntos abrir caminho por entre os meninos, que 
se afastavam quando eles passavam, pensando firmemente que sairiam dali 
de qualquer jeito, a cidade parecia um labirinto estranho, cheio de ruas 
estreitas e vielas sem sada. Foram andando sem rumo, mas sempre 
confiantes, at que as crianas pareceram perder o interesse por 
eles e finalmente, comearam a ignor-los. O cu cinza-chumbo 
estava clareando como se estivesse perto de amanhecer, e eles notaram 
isso. Agora era mais fcil divisar as ruas, embora todas elas 
parecessem iguais, mas aos poucos, a paisagem ia mudando, como se 
estivessem indo para outro lugar, saindo da cidade. 
        A paisagem era ainda abandonada, mas agora havia cada vez menos 
crianas. Um cheiro acre como o de maresia enchia o ar, mas eles ainda 
no haviam visto mar algum.  Henry olhou adiante e viu uma coluna de 
luz que se erguia bastante distante, atrs de uma colina. 
-  como a que nos trouxe aqui - disse para Snape - pode ser uma 
sada...
- Vamos subir a colina e descobrir...
A colina era mais ngreme que parecia, e ao chegarem ao topo eles 
viram que acabava numa falsia de onde se via o mar. L embaixo 
havia uma praia to cinzenta quanto toda a paisagem, mas o mar era de 
um roxo vivo e azulado, e dele vinha um vento frio e cheio do cheiro de 
mar que eles haviam sentido antes. Quando seu vapor esparso pelo ar 
chegava at a boca, sentia-se um forte gosto amargo. E adiante, logo 
aps a arrebentao, a coluna de luz erguia-se do mar s nuvens, 
iluminando uma pequena ilhota. S podia ser uma sada.

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        Gilles chamava em vo por Hope, que continuava a correr pela 
floresta, at que ele acelerou mais que ela e seus dedos roaram a 
ponta do seu vestido, que agitava-se enquanto ela corria. Ele achou que 
isso j acontecera em algum momento, mas no soube precisar quando 
fora. Repentinamente ela virou-se para ele com o rosto espantado. 
Ento, sem aviso, ele sentiu o cho sumir de sob seus ps, e os 
dois caram no vazio. 
        Gilles a via gritar, enquanto esticava a mo para tentar 
alcan-la, sem saber como nem porque estavam caindo no abismo 
invisvel... no, ele no podia perd-la, ela no podia cair 
daquele jeito... ele arremessou o corpo para frente, e de forma que 
seria fisicamente impossvel no mundo real, a segurou pelos braos 
trouxe-a para si, abraando-a com toda fora possvel. 
        E isso fez a queda cessar repentinamente. Gilles a estreitou mais de 
encontro ao peito, sentindo a respirao acelerada e o corao 
disparado pela adrenalina que a queda lhes injetara na circulao, 
ao encontro do  dela. Foi quando ele teve certeza absoluta que a amava . 
De olhos fechados e sem saber porque, ele sorriu, e juntando uma coisa a 
outra, lembrando-se de quando sentira algo semelhante antes, ele soube 
onde estavam.
- Stone... - ele a ouviu perguntar - o que aconteceu? Eu... me lembro de 
to pouca coisa... onde estamos?
- Voc saiu correndo atrs de um unicrnio - ele abriu os olhos 
ainda sorrindo - acho que nunca tinha visto nada to lindo na vida... 
sua roupa era branca...
- Branca? Eu me lembro do Unicrnio, ento eu lembro que ca e 
tive medo... e lembro de voc... - ela calou-se e olhou para ele. 
- Olhe em volta... - ele murmurou e relaxou os braos em volta dela. 
Hope desviou o olhar de seu rosto, e boquiaberta, viu que estavam 
flutuando soltos no espao... l embaixo, a terra parecia um pequeno 
brinquedo, e acima deles, dava para ver uma lua cheia dez vezes maior do 
que a que ela via da janela de seu quarto. Alm, muito alm da 
terra, o sol brilhava confiante. - Isso foi um sonho que tive - 
comeou Gilles - H muitos anos atrs... meus poderes de bruxo 
foram bastante tardios... at os oito anos, eu parecia um aborto. - 
ele parou para olh-la e ver sua expresso intrigada, mirando-o com 
interesse. - eu comecei a ler sobre coisas de trouxas, e fiquei 
fascinado pelas viagens espaciais... e uma noite sonhei que era um 
astronauta e caminhava pelo espao... e no dia seguinte, meus poderes 
apareceram, finalmente.
- Mas... no estamos no espao, estamos? 
- No - ele comeou a gargalhar - definitivamente, no...
- O que  to engraado? 
- Estamos no mundo dos sonhos, minha querida... estou no meu sonho... 
flutuando com a garota dos meus sonhos - disse ele, beijando-a ento 
sem aviso algum.
Hope demorou um instante para perceber que estava sendo beijada, e 
quando isso aconteceu, ela percebeu entre chocada e estupidamente feliz, 
que todos os seus sentidos davam resposta: ela agarrou-se a ele sem 
saber porque, as mos percorrendo as costas largas do rapaz, sentindo 
a eletricidade do toque dele na pele de sua nuca, sentindo a quentura de 
seus lbios e a maciez de sua lngua contra a dela... era bem 
diferente de...
- Bernardo! - ela disse afastando Gilles de si. Os dois caram 
sentados no cho, pareciam agora estar numa sala de um palcio, e 
Hope viu Bernardo Fall em p entre eles, como a culp-la de um crime 
terrvel.

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- Voc  a morte? - perguntou Kayla  mulher esqulida que 
abrira para eles o porto do mundo dos mortos. Ela era alta  etinha 
cabelos negros arrepiados e um rosto muito branco, serenho e 
simptico. Os olhos pareciam maquiados demais, e os lbios eram 
negros. Usava uma jia muito bela, com o smbolo egpicio da 
eternidade, o Ank.
- Me chamam assim... mas tenho muitos outros nomes - disse a mulher - 
no era para nenhum dos dois estarem aqui, no chegou a hora de 
vocs... mas eu esperava que vocs viessem...
- Esperava? - perguntou Abel, incrdulo.
- Esperava. Voc veio aqui para fazer algo importante e retornar... e 
eu, no papel de guardi dos meus domnios na fronteira, tenho de 
ajud-lo. 


CAPTULO 14 - SOBRE ESCOLHAS E AFINS
- Aqui - comeou a Morte - no h o tempo, isso que escraviza os 
seres humanos, aqui s h o eterno, pois no h que se preocupar 
com o tempo quem tem toda a eternidade disponvel. Nada mais natural, 
mas seus irmos, os homens, me temem e no me amam. No h 
diferena entre o homem mais rico ou o mais humilde quando chega a 
minha hora com ele... por isso os homens tem tanto medo de perderem seu 
tempo. Esse  meu reino, o reino do depois... aquilo que voc foi em 
seu mundo, e h muitos mundos, vai te dizer o lugar que voc 
conseguiu aqui...
- Como aquela coisa de cu, inferno, anjos e demnios?
- No, Abel... no  preciso morrer para se ir ao inferno. Os 
demnios me temem tanto quanto os homens, porque nenhum poder tm 
sobre mim. Mas eu no sou o fim, e sim o comeo... 
- O comeo da eternidade... - disse Kayla, at ento calada.
- Isso mesmo - sorriu a morte - vejo que voc veio salv-la... mas 
no foi isso que voc veio fazer aqui, Abel. 
- No?
- No... voc veio fazer a sua escolha, aquela para qual no 
ter ajuda alguma. - a morte fez um gesto largo e repentinamente, eles 
estavam num largo salo que pouco depois ele reconheceu como o salo 
principal de Hogwarts, ainda sem o encanto do teto e um pouco diferente, 
mas inconfundvel. No havia alunos, apenas quatro pessoas sentadas 
 mesa principal. Duas mulheres e dois homens, envolvidos em uma 
discusso, at que um deles ergueu-se e disse:
- Se mais algum sangue sujo atravessar os portes desta escola, irei 
para sempre embora!
- V- disse uma mulher muito loura, de olhos plidos e cabelos 
escorridos - sentiremos sua falta, Salazar, mas no morremos pela sua 
ausncia. 
- Salazar, nossa deciso  irrevogvel. No vamos suspender o 
ingresso dos nascidos trouxas porque voc no aprova a presena 
deles. Rowena  filha de um trouxa com uma bruxa... voc deixou de 
am-la por isso?
- Rowena  um caso nico! - disse ele dirigindo-se  outra mulher, 
de longos cabelos negros e olhos de um azul violceo. Ela olhou para 
ele com tristeza e disse apenas:
- Se essa  sua opinio, v. E saiba que jamais voltars a 
atravessar os nossos portes se fores. Isso no  uma 
suposio ou uma ameaa, Salazar,  uma profecia. 
O homem arregalou os olhos em uma expresso indignada e ameaadora e 
virou as costas aos outros. O outro homem, que logo Abel compreendeu ser 
Godric Griffndor, levantou-se da mesa e aproximou-se de Rowena, dizendo:
-  verdade isso? - a mulher olhou-o com tristeza e apenas balanou 
a cabea. A loura ficou em silncio e ento, abandonou o salo 
murmurando uma desculpa qualquer. Depois de longo silncio, Rowena 
tirou as luvas negras que lhe cobriam as mos e tocou as do homem. 
- Sobreviveremos sem ele, Godric... 
- E a escola? 
- Ele nos ameaar, e eventualmente, atacar. Mas ter um fim 
triste, eu sabia disso antes mesmo de am-lo... antes mesmo de ter um 
filho com ele, e no evitei isso, Godric. Precisvamos todos passar 
por isso, precisamos do que vai vir. A escola precisar dessas 
adversidades para crescer e prosperar. 
- Eu odeio Salazar, Rowena... primeiro ele a tirou de mim... depois... 
isso... eu o odeio
- Nunca diga isso.
- Mas  a verdade, Rowena... voc sabe que eu sempre a amei. Meu 
casamento com aquela princesa bruxa no aconter se voc disser 
que o superou... que agora me aceita. 
- No, Godric, no foi isso que eu disse para voc no falar... 
eu disse para no dizeres jamais que odeia Salazar. 
- Porque no o odiaria? Ele rompeu nosso pacto de amizade, ele quer 
destruir a escola!
- Muito mais est por vir, no te atenhas  nossa gerao, 
Godric, odiando ou no Salazar, e os descendentes dele odiaro os 
teus mais que tu o odeias hoje, mas, um dia, daqui a sculos, tua 
descendncia e a dele sero uma s... 
- Rowena... o que queres dizer com isso?
- Que algum de tua linhagem se unir por amor a algum da 
linhagem de Salazar... e isso reconciliar Griffindor e Slyterin.
- No acredito nisso - disse o homem, e saiu pisando fundo at que 
na porta do Salo voltou-se e disse: - e sobre ns dois, Rowena?
- Sua noiva o espera, Godric, volte antes do vero terminar. Eu e 
Helga sozinhas no daremos conta de todos os estudantes que vo 
chegar.
Os dois desapareceram, mas Abel, Kayla e a Morte continuaram no salo 
de Hogwarts. Depois de um tempo, ele disse:
- Obrigada por me mostrar como aconteceu... mas eu conheo essa 
histria, j a ouvi durante minha infncia umas seis mil  vezes 
pelo menos...
- E no mostraria isso a voc  toa - disse a Morte.  hora, 
Abel, de voc escolher quem vai te guiar... Salazar ou Godric. Isso 
ningum poder fazer por voc. 
- Ei... porque ento eu tive que vir AQUI? No podia fazer essa 
escolha calmamente no sof da minha casa? Tinha que ser agora? Eu 
no podia ter mais tempo para isso?
Duas portas se abriram e de cada uma dela veio um homem. O primeiro 
tinha cabelos negros e barba longa, olhos escuros e penetrantes. O 
segundo era ruivo e magro, usava um chapu que lembrava muito o 
chapu seletor. Tirou-o da cabea e disse diretamente a Abel:
- Precisamos que voc decida agora, porque daqui a muitos anos, nossa 
escola vai estar nas suas mos... use isso e mostre-nos seu pensamento

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        Enquanto isso, Harry conversava com os pais em outro ponto do mundo dos 
mortos:
- Ento...  isso que acontece depois? Vive-se aqui um tempo e 
segue-se adiante ou volta-se para a terra para viver outra vez, e 
outra... at que...
- At que no haja mais mgoas nem rancores no corao, filho 
- disse Tiago - um dia eu e sua me voltaremos para viver novamente 
nossa histria... mas no queramos sair daqui sem que voc nos 
visse... 
- Pai, no entendo... no dizem que esse  o mundo sem volta? 
Porque ento se volta  terra?
- Porque para voltar  preciso renascer, tornar-se outra pessoa... 
quando eu voltar  terra, no serei mais Tiago Potter, depois de 
passar o porto do mundo sem volta, esquecemos o que vivemos aqui, e 
nos tornamos outra pessoa, mas com a mesma essncia.  a regra.  
a lei, no se leva recordao alguma daqui. 
- E os fantasmas?
- So aqueles que se perderam, e por muito tempo, sem saber o caminho, 
ficam presos  propria infelicidade da vida que viveram... pessoas 
felizes no se tornam fantasmas. 
Pensando nos fantasmas de Hogwarts, Harry sentiu pena. 
- E no h inferno?  Eu estive num lugar chamado sala do inferno...
- H inferno, Harry, e demnios... mas eles no so castigo para 
os mortos... so escolhas do homem, os demnios so os maiores 
interessados nas religies do medo, filho, porque s  vai para o 
inferno quem acredita que merece ir para l...s escolhe o inferno 
quem quer o inferno.
- Ou quem negociou com eles sua alma - disse sua me - quer seja por 
meio de contratos, quer seja  por ter se tornado criatura das trevas... 
s, filho, que o inferno tem entrada e sada, mas poucos sabem 
realmente disso. Se voc acreditar que est no inferno, estar 
nele, assim como quem acredita que aqui  o cu, estar no cu. 
H muitos como ns, h muitos perdidos neste mundo h muitos que 
escolheram o inferno... 
Subitamente, Harry lembrou-se de algo. 
- E os pais de Willy? Quero v-los!
- Vamos lev-lo at eles - sorriu sua me.
        
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        Draco conversou longamente com sua me, e foi incrvel para ele 
como pde finalmente falar de todas as suas mgoas. Escutar a voz 
dela o acalmou, como mais nada no mundo poderia acalm-lo. Ela tinha 
palavras para seus temores com os filhos e com Sue. era incrvel para 
ele descobrir como a ausncia de sua me o fizera sofrer sem que ele 
soubesse disso. At que ele, que fugira do assunto por tanto tempo, 
perguntou pelo pai. A me encarou-o como se quisesse dizer-lhe algo 
que no deveria, ento, disse:
- Seu pai no est aqui... ele no veio para nosso mundo ainda.

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        No mundo da realidade cruel, Snape e Henry desceram com dificuldade a 
falsia e chegaram at  praia cinzenta que era banhada por aquele 
estranho mar roxo. Henry olhou a distncia at a ilhota e encarou o 
velho. 
- O senhor acha que  muito longe para nadar?
- Nadar? Voc est louco, menino? Voc tem noo da 
distncia? E no sabemos que tipo de mar  esse... alm de tudo, 
eu no sei nadar.
- Pois eu sei - disse Henry tirando a blusa e jogando no cho - antes 
de entrar para Hogwarts minha me fez questo que eu fizesse 
vrias coisas que meninos trouxas fazem, e uma delas foi natao. 
Se daqui at l tem menos de 3000 metros, vou conseguir sem 
problemas. 
- Mas...
- No vou deixar o senhor aqui sozinho. Deve haver algum meio de 
tir-lo daqui, e eu prometo que vou voltar e... - o menino parou 
petrificado. Olhou para o alto da falsia e viu, atnito, que 
dezenas daquelas estranhas crianas o observavam de l. Quase podia 
sentir, concretamente, que eles no queriam que ele chegasse  
pequena ilha. 
- No ligue para eles - disse Snape - algo me diz que eles no vo 
poder fazer nada comigo... eu vou confiar em voc, garoto... por 
favor, no me largue aqui sozinho, quero pelo menos morrer em meu 
mundo.
- Morrer? 
- , morrer, filho. No tenho muito tempo de vida, h um cncer 
no meu pulmo, e minha esperana de conseguir acabar com ele  
cada vez menor... tire-me daqui,  s isso que eu te peo.
O garoto olhou para o velho. Achava que ele no merecia aquilo, e 
pensou que se pudesse, alm de tir-lo dali gostaria de fazer alguma 
coisa para que ele ficasse bom. Mas no disse nada. Simplesmente 
acabou de tirar as roupas, ficando apenas de cuecas, e entrou na gua 
sem olhar para trs, mas sentindo os olhares dos estranhos meninos 
cravando-se nas costas dele como minhares de facas, feitas de todos os 
sentimentos negativos que existiam, a maioria dos quais ele jamais 
sequer conhecera. A gua, a seus ps, era estranha e quente, e 
movia-se num ritmo surdo e suave. Prestando ateno no murmrio 
daquela mar, viu que ela sussurrava palavras, como se aquele mar 
estivesse vivo. Ele sentiu uma tristeza enorme, conforme avanou pela 
gua at que ela ficasse na altura de sua cintura. Olhou para a 
ilha, que nem parecia to longe, e logo depois para trs. Acenou 
para Snape e mergulhou. 
No primeiro instante a sensao foi de ser engolfado por uma onda de 
melancolia, e ele sentiu-se tonto, sem querer, bebeu a gua, que era 
salgada e amarga. Ia se afogando, porque parecia no acreditar que 
daria a primeira braada, mas a imagem do velho esperando-o na praia 
veio  sua mente e ele ergueu a cabea acima d'gua, respirando e 
pensando firmemente: "vou conseguir". Dominando a tristeza e enchendo o 
peito com essa confiana, deu a primeira braada, e em pouco tempo 
avanava rapidamente, ignorando os murmrios de tristeza que lhe 
vinham aos ouvidos. Concentrava-se apenas em pensar que conseguiria.

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        Hope olhava de Stone para Bernardo confusa. Sacudiu a cabea, e disse 
a si mesma que devia estar sonhando, porque Bernardo estava muito longe, 
no mundo deles, e se ela pensara nele fora apenas porque o amava e...
Ela no o amava mais.
Era agora muito bvio que ela no o amava mais, tanto que aos poucos 
a imagem dele se evanescia, conforme ela se dava conta disso. Ele havia 
quase sumido quando ela virou-se confusa para Stone, querendo dizer 
alguma coisa que no sabia exatamente o que era. O que a assustou foi 
a expresso que ela surpreendeu no olhar do rapaz. Ela j o vira 
furioso, chateado, aborrecido. Mas aquele olhar, aquele olhar ela ainda 
no vira, a decepo estava estampada nele, uma falta de 
esperana, misto de tristeza e raiva... o olhar dele estava cheio da 
mais profunda mgoa quando ele disse:
- At aqui, Black? At aqui ele TEM que estar entre ns dois?
Hope no conseguia responder. A imagem de Bernardo desaparecera por 
completo, e ele tambm desaparecera do seu corao. Agora ela 
sabia que havia sido estpida e se agarrara a um amor que vinha 
morrendo. Era como quando dormimos pensando em algo, e sem saber direito 
porque, um sonho que no nos recordamos bem nos traz uma lembrana 
ou concluso. Ela chegou a abrir a boca para dizer algo, mas a voz de 
uma terceira pessoa, que testemunhara tudo que haviam passado desde que 
haviam chegado ao mundo dos sonhos interrompeu-a mesmo antes que ela 
dissesse o que precisava. 
- Ento... Porque dois bruxos entram acordados no mundo dos sonhos? 
O monarca daquele reino, que estivera brincando com eles atravs dos 
sonhos que havia encontrado na mente de ambos os observava sentado em 
seu trono. Ningum precisaria dizer aos dois que ele era o rei, o 
senhor daqueles domnios. Era um homem alto e plido, duma palidez 
inumana, olhos negros to profundos que eram impossveis de serem 
encarados sem receio por muito tempo. Usava um longo manto negro, onde 
agitavam-se imagens, que na verdade eram sonhos, e embora no 
parecesse cruel, impunha o respeito que s os reis de direito 
conseguem impor. Depois de um tempo encarando-o, finalmente Gilles 
comeou:
- Perdo, majestade... houve conosco um grande acidente, e viemos 
parar em seu reino. 
- Eu imaginei isso, ao ver o portal da fronteira se abrindo. Minha 
pergunta  porque ele se abriu.
- No sabemos - disse Hope - a nica coisa que temos idia  que 
isso aconteceu por causa de uma mulher sombra. 
- Ento... se isso est acontecendo... vocs no esto aqui 
por acaso - o rei pensou por intermiveis instantes, antes de erguer 
os olhos para eles e dizer: 
- Sabem quem sou eu?
- Eu sei - disse Hope - quando eu era criana, ouvi falar do senhor do 
mundo dos sonhos, o velho-do-sono, Sandman. Mas sempre imaginei um homem 
velho.
- Eu sou mais velho que todos os mundos, mais jovem apenas que a morte e 
o destino. Meu reino abre-se para todos os mundos, e fronteiras, como o 
reino de minha irm mais velha. Mas a fronteira de onde vieram tem 
mais cinco mundos, e um depende dos outros... e deles depende o 
equilbrio da mente dos homens de vrios mundos. Eu sei que h 
milhares de anos um destes mundos ruiu, e sei que se as portas foram 
abertas, de alguma forma, meu outro irmo, o destino, me pede ajuda 
para reconstruir esse reino. 
- Perdoe-me, senhor - disse Gilles olhando sem medo para o mestre dos 
sonhos - mas como pode saber disso tudo?
- Estava escrito, como dizem os profetas do seu mundo. 
- Ento... estamos aqui com um propsito?
- Sim... e mais que isso- disse o rei, olhando diretamente para Hope, 
que desviou os olhos sem jeito. Um mundo  feito de muitas coisas, 
entre elas, sonhos, e foi isso que os trouxe aqui. Os guardies da 
fronteira querem povoar um mundo estril com sonhos... e  isso que 
os dois vo levar daqui, quando forem embora.
- Como vamos levar sonhos a um mundo? 
- Isso  assunto meu, mortal... Eu tenho vrios nomes, mas aqueles 
que me deram o nome de Morpheus sabiam que eu ajo pelos meus prprios 
mtodos, e posso agir atravs de outros, principalmente mortais. - 
ele levantou-se do trono e era ainda mais imponete que eles haviam 
calculado, com mais de dois metros e os negros cabelos arrepiados. Era 
estranho imaginar o monarca do mundo dos sonhos, Lord Morpheus, se 
aproximando de dois simples mortais para entregar-lhes sonhos, mas foi 
isso exatamente que ele fez. Olhando Hope e Gilles com seus olhos 
profundos e negros, ele enfiou a longa mo numa algibeira que trazia 
presa  cintura, e, sem desviar o olhar de ambos, disse:
- Despertem, adormecendo.  
Ele ento soprou um punhado de areia que retirara da algibeira nos 
olhos dos dois, que adormecendo, resvalaram para fora do mundo dos 
sonhos, levando com eles seus sonhos e outros, que descobririam mais 
tarde.


        Abel olhou o chapu que Godric Griffndor lhe estendia, e ento 
olhou para o rosto do bruxo adulto. Como acontecera com os olhos de 
Vega, ele podia ver nos olhos do bruxo algo que no era o seu reflexo, 
mas o reflexo de um leo feroz. Acreditou que se olhasse os olhos do 
outro, com certeza enxergaria neles a serpente. Olhou em volta para 
procurar o olhar encorajador de Kalya, ou mesmo perscrutar o que a Morte 
 tinha a lhe dizer, mas elas haviam desaparecido.
- Voc vai encontr-las logo que decidir - disse Salazar, que 
aparentemente lera-lhe os pensamentos. 
- Porque tenho que decidir? Porque eu?
- Porque o destino conspirou para isso. Porque uma histria nunca 
est sozinha. Sua histria,  tambm a histria de seus pais e 
avs,  a nossa histria, e estamos envolvidos, ambos, na queda do 
mundo das sombras. Para que o mundo das sombras seja reconstrudo, 
ns temos que pagar nosso tributo por suas mos, menino 
Griffndor-Slyterin. 
- Como assim?
- H mil anos, quando este reino caiu, eu e Salazar, achando que 
fazamos uma grande ao: negociamos com o maior cl dos 
homens-sombra sua permanncia no nosso mundo, onde viveriam sob a 
terra. Ainda ramos jovens feiticeiros e no imaginvamos que 
construiramos uma escola. Muitos sombrios erravam de mundo em mundo, 
conduzidos por Maya, a monarca. No sabamos da existncia de 
Vega, presa e vigiada ento no continente que os homens ainda no 
conheciam. No sabamos o que havia alm da fronteira, que ficava 
nos terrenos mgicos onde Hogwarts acabou construda. No 
sabamos de toda a histria, mas em troca de um sacrifcio de um 
povo, aceitamos no mais combater os homens sombra como se fossem 
criaturas das trevas. Acordos semelhantes foram operados em todo mundo 
mgico, e o resultado foi a runa do mundo das sombras.   
- Ento... vocs receberam um pagamento para deixa-los em paz? 
- Os guerreiros da luz no iam mais ao nosso mundo... eles no 
tinham mais inimigos entre ns, e concordaram em nos recompensar, e a 
todos os bruxos, se os deixssemos em paz. 
- E o que foi essa recompensa?
Salazar e Godric baixaram os olhos, e Abel soube que devia ser algo 
vergonhoso. 
- Falem... s farei minha escolha se me disserem o que de to 
terrvel fizeram...
- Nossa magia era diferente dos sombrios... - disse Salazar - eles 
tinham o domnio da vontade e ns no...
- E a maldio Imperius?
- A nossa magia era ainda jovem e inocente... no dominvamos as 
maldies imperdoveis... - disse Godric - mas o mundo mgico 
precisava de servos, como eles haviam feito no mundo deles... os 
guerreiros dominavam os operrios, e foi isso que eles fizeram por 
ns, usaram seu poder para encantar um tipo de criatura mgica do 
nosso mundo para que obedecesse para sempre os bruxos.
No foi preciso que Abel pensasse mito para concluir do que ele 
falava.
- Elfos domsticos?  Como Dobby e aqueles todos?
- Exato. - disse Salazar -  Ns os usamos para construir Hogwarts... e 
nunca soubemos como libert-los. Com o tempo, no sentamos mais 
vergonha de usar escravos.  sempre fcil prolongar o mal, basta 
dizer que as coisas so como so, que voc as aceita... foi isso 
que ocorreu conosco. 
- E esse  foi o mal que eu e Salazar partilhamos... e agora, Abel, 
escolha um de ns... ns dois j estamos h muito reconciliados. 
Precisamos agora apenas que voc decida.
Sem dizer palavra alguma, Abel estendeu a mo e pegou o chapu 
seletor, enterrando-o na cabea. O primeiro instante, foi silencioso. 
Ele imaginou que aquele chapu talvez no tivesse o poder do 
outro...
- Ol! - disse a voz do chapu seletor, e ele assustou-se.
- Eu no imaginei que voc pudesse estar aqui... voc deveria 
estar no meu mundo...
- E estou. Mas estou aqui tambm. O chapu que est no seu mundo, 
 o mesmo chapu que est aqui... com mais 950 anos de 
experincia... eu sou uma lembrana, apenas. 
- Ah...
- Ento? Decidido?
- Bem... eu acho que preciso pensar.
E Abel pensou muito, antes de escolher algo bem diferente do esperado.
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Enquanto Abel fazia sua escolha, seu pai fazia descobertas. A morte fora 
ao encontro de seus visitantes, levando a filha de Draco pela mo. A 
menina estranhou porque o pai ao v-la de longe gritou seu nome com 
alegria, como no gritava desde quando eles eram uma famlia. Ele a 
apresentou  sua av e ela viu que ela era to bonita quanto seu 
pai a descrevera, e mais do que parecia nas fotos da famlia. Kayla 
viu de longe o pai de Abel conversando com a morte. Ela viu a 
expresso do homem migrar da preocupao para o alvio, conforme 
a Dama dizia a ele que Abel estava a salvo, e em breve estariam todos 
reunidos. O pai de Henry parecia nervoso, mas a morte ps a mo 
sobre o seu ombro e disse:
- No se preocupe. Seu filho tem muita coragem, e tambm recebeu uma 
misso.

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Henry deu mais uma braada, ele j estava nadando h algum tempo, 
e se concentrava em faz-lo com perfeio, porque se ele no se 
concentrasse, aquela melancolia o faria afundar e morrer, e ele no 
podia morrer, nem por ele, nem pelo velho, que o esperava na praia, nem 
por algo maior, que ele sentia que o impulsionava. No podia parar, 
no podia desistir... faltava pouco. Ele rangia os dentes, cuspia a 
gua amarga e salgada que insistia em entrar-lhe pela boca, e 
respirava o ar que era to amargo quanto aquelas guas, sempre 
pensando que chegaria... a sensao era cada vez pior, a ilhota 
parecia distante, muito mais distante que ele imaginava. 
"No!" ele pensou "quero conseguir, eu preciso..."
Isso o massacrava, e foi assim at que ele sentiu seu p batendo no 
fundo de areia. Aliviado, ele ps o outro p no fundo e foi andando, 
aos trancos e barrancos at a prainha na ilhota, onde desabou cansado, 
nu, porque sem saber como as guas haviam dissolvido sua cueca, e 
triste como jamais sentira-se em toda sua vida. Estava deitado de 
bruos, sentindo aquela tristeza oprim-lo de forma insuportvel. 
Foi Comeou a chorar, e suas lgrimas eram to quentes quanto as 
guas daquele mar amargo do qual sara. 
Com as lgrimas, parecia sair de seu peito toda a opresso, era um 
alvio poder chorar, ver as lgrimas carem sobre a areia e sentir 
que lavavam as tristezas que ele no sabia de onde vinham... era um 
choro ao mesmo tempo triste e aliviado, at que sem saber como, ele 
sentiu o toque de algum sobre seu ombro, e no entendeu exatamente 
como nem porque, estava chorando no mais de encontro  areia, mas 
no regao de uma mulher, que o ninava como a uma criana de colo, e 
o consolou at que ele sentiu-se livre das lgrimas e da tristeza, 
embora cansado como nunca. 
Ergueu o rosto para olhar para ela. Era uma mulher alta e magra, com 
olhos azuis tristonhos e grandes. No era uma bela mulher, parecia 
algum que enfrentara enormes sofrimentos, o rosto marcado por rugas 
profundas. Ainda assim, quando ele a encarou, ela sorriu.
- Ento... finalmente algum consegue enfrentar as guas amargas. 
- Q..quem  voc?
- A rainha desse mar. O mundo estril das guas amargas.
Henry se deu conta de que estava nu, e tentou cobrir-se com as mos. A 
mulher disse a ele:
- No precisa se envergonhar.  preciso estar nu como se veio ao 
mundo para enfrentar meu mar. Voc devia orgulhar-se de t-lo 
atravessado. 
- Eu s queria sair daquele lugar - ele disse, apontando na 
direo de onde viera, surpreendendo-se que no via praia ou 
continente. - Eu... onde est a praia? Ela parecia muito prxima!
- A praia era em outro mundo. Aquele mundo e o meu se tocam. A realidade 
cruel e as guas amargas. Um guarda todos os sentimentos ruins de 
todos os universos, cada vez que um ser inteligente guarda dentro de si 
um rancor...
- Nasce uma criana como aquelas que eu vi naquele mundo?
- Exatamente. Raiva e dio os alimentam. Meu mundo toca o deles porque 
tristeza e rancor sempre esto prximos. Se voc veio de outro 
mundo e atravessou ambos,  porque est em misso, e vai levar de 
mim uma ddiva. Os mundos inviolveis estavam esperando h 
sculos pelos emissrios, aqueles que renovariam a fronteira. Quando 
enfrentou os dois mundos, voc tornou-se um emissrio.
- E agora?
- Agora voc vai entrar no portal, e seguir para a fronteira. Um mundo 
espera para ser reconstrudo.
- Esperando ou no - disse Henry subitamente resoluto - eu fiz uma 
promessa quando mergulhei no seu mar, e no atravessarei esse portal 
sem que o Senhor Snape tambm seja salvo.
- Ele no enfrentou a jornada... precisa ficar para trs.
- No - disse Henry levantando-se - ele no podia entrar nas guas 
amargas acreditando que chegava ao fim... se voc no permitir que 
eu o leve, eu volto por onde vim, e retorno, sabe-se l como, para 
salv-lo. Quando eu  entrei no mar, ele ficou na praia, confiando em 
mim. Se eu tra-lo, um garotinho horrvel como aqueles que eu deixei 
para trs provavelmente vai nascer naquele mundo, e eu no quero ser 
responsvel por um deles. Eu posso ainda ser apenas um menino, mas sei 
o que  certo e o que  errado... e deixar algum que confia em 
voc para trs  completamente errado.
A mulher sorriu e Henry sentiu que desfalecia. No sabia disso, mas 
acabara de dizer exatamente aquilo que ela queria ouvir. Sem dizer uma 
nica palavra, a guardi e rainha estendeu seu poder, e levou Henry 
de volta para a fronteira. Ele havia dado o sinal que ela esperava.

CAPTULO 15 - RECONCILIAO

Era estranho que fosse noite. 
Abel no lembrava-se de ter visto anoitecer. Alis, no 
lembrava-se de como chegara a contemplar aquele cu infinito, apenas 
lembrava, com clareza, de ter feito uma escolha, a sua escolha.
De alguma forma, logo depois disso, deixara de ser apenas um menino. 
Subitamente, as coisas que antes tinham importncia para ele eram 
agora vagas e pequenas, porque ele sabia que fizera a sua escolha, mas 
no sabia se era a escolha certa. E continuava a no saber porque 
precisara fazer aquilo. 
Foi quando pensava sobre isso que percebeu a presena dela.
Virou-se devagarzinho para encarar a Morte. Ela estava ali, e sua 
presena no era assustadora, mas firme e real como nada que ele se 
lembrava at ento. Veio da o fato de nunca mais em sua vida Abel 
Potter sentir medo de morrer. Ele piscou os olhos repetidamente, como 
quando ficava sem graa, e a mulher (se  que ela era isso) deu uma 
gargalhada. 
- No sabia que o deixaria sem jeito. 
- Bem... no sei, mas algo me diz sempre que diante de voc eu 
deveria agir de outra forma, sei l, como se eu tivesse medo. 
- Melhor nunca fingir para mim. Eu no gosto que finjam, porque  
impossvel me enganar. Voc j deve ter ouvido isso.
- Claro... mas... Morte, porque tudo isso? Porque eu?
- Voc sabe o que acontece com o seu pai? Ele nunca quis ser 
importante, mas ele simplesmente foi, entende? O mesmo acontece com 
voc. Seu pai foi um menino muito importante, e soube crescer com 
isso, e quando chegou a hora de se tornar um homem, em vez de tentar ser 
um bruxo poderoso, ele quis ser um homem at bastante comum. 
- Ele fez coisas muito importantes como auror!
- E quem disse que um homem comum no faz coisas importantes? So os 
homens comuns que fazem o universo girar, Abel. 
- E porque estamos aqui? 
- Aqui  o meu lugar, o infinito. Eu trouxe voc aqui entregar algo 
que s voc poderia levar. 
- O qu?
- Isso - ela depositou algo em sua mo. Algo pequeno e quase 
impalpvel, mas que ele sentiu que no perderia - entregue no mundo 
das sombras, quando o meu presente for solicitado. 
- O que exatamente  isso? - ele olhou para sua mo espalmada, mas 
no soubre precisar o que via. Havia algo ali, mas ele no enxergava 
nada. Era como se houvesse um pequeno espectro em sua mo. 
- A primeira morte. Algo que aquele mundo vai precisar, se quiser voltar 
 vida.
- Eu no quero levar a morte a ningum.
- No se espante, Abel. Sem a morte, no pode existir vida em mundo 
algum. Sem a minha presena,  como se o tempo no passasse. E se 
o tempo no passa, no h vida. 
-  complicado...
- Muito. Mas simples, tambm. Guarde isso. No precisa pensar sobre 
vida e morte agora. Tem algum que quer lhe ver. 
Instantneamente, Abel sentiu uma presena s suas costas. 
Virou-se e viu seu pai, parado ali. Deu dois passos hesitantes, mas o 
pai pegou-o pelos ombros e o abraou, dizendo:
- Voc   pior que eu, moleque! Como se meteu nessa? 
- Er... pai. Isso  embaraoso. A morte est olhando pra gente. 
- E da? Voc  meu filho, bolas!
- Bem,  agora que o senhor comea a ladainha sobre como eu devia 
ser feliz por ter um pai e uma me legal em vez de ter sido criado 
debaixo duma escada?
- Acho que vou poup-lo desse discurso. J estou mais ou menos a par 
de tudo. - Harry olhou para a Morte - ou de quase tudo, creio. 
- Acho que ainda no  hora de voltar para casa... parece que eu 
tenho assuntos pra resolver em outro mundo...
- Aos 11 anos? Imagina o que voc vai arrumar quando tiver a minha 
idade...
- Pai, o senhor no pode falar nada!  um auror! J esteve no 
inferno! 
- Ok... ok... - Harry ainda encarava a Morte - ento?
- Bem... - a morte olhou-o hesitante - eu queria poup-lo disso, e 
alm de tudo, no sou famosa por conceder favores, Harry Potter. Mas 
entendo o que voc queira fazer, entendo que precise disso. Mas devo 
advert-lo: vocs esto sob a lei do meu reino, exceto Abel, 
porque leva o presente. Quando sarem do meu reino, tudo que aconteceu 
aqui ser apagado da sua memria. Ningum vivo tem permisso 
para recordar o que v aqui. 
- No  por mim - disse Harry srio - talvez seja por ele. E por 
Willy. E por meus filhos. Eu sinto que preciso fazer isso.
- Se  assim...
O infinito sumiu. Harry tinha a mo sobre o ombro de Abel, e apertou 
com um pouco mais de fora. O menino ia protestar, quando a luz difusa 
o cegou. Haviam sido levados para outro lugar no mundo dos mortos ou 
no, ele no sabia ao certo. A morte ainda estava l. Era um vale 
longo, frio. Havia rvores mortas, e pessoas que caminhavam murmurando 
palavras incompreensveis. A morte no parecia querer olhar para 
nenhuma delas. Ela apenas disse:
- Sigam-me. 
Andar por entre aquelas almas era tudo, menos uma coisa agradvel. Era 
um lugar triste, e a tristeza podia ser sentida como algo quase 
concreto, como se tivesse sido cultivada anos e anos a fio... alguns
pareciam loucos, outros simplesmente no diziam nada, olhando-os 
quando passavam, com um olhar indiferente. Pararam perto de um lugar 
onde havia um banco de pedra em que estava sentado um homem que parecia 
mais velho que todos. 
- Eu gostaria de lembrar-lhe, Harry, que ele no faz parte do seu 
mundo, e portanto, voc no pode fazer nada por ele.
- Eu sei - disse Harry - mas eu precisava v-lo. Posso me aproximar? 
Ele me v?
- Sim, mas provavelmente no lembra quem voc . 
Harry aproximou-se do banco e olhou o semblante do velho. Parecia mais 
velho que da ltima vez que o vira. Olhou para ele sem dizer palavra. 
O velho ento disse:
- Eu o conheo?
- Talvez... pode ser que sim. 
- Bem... pode ser. Sabe o nome desse lugar? No consigo me lembrar o 
que vim fazer aqui...
- Acho que o nome no deve ser to importante. 
- S sei que aqui  triste. Muito triste. E eu sinto saudades de 
algum. 
- Imagino que sim... algum que o senhor gostava?
- No exatamente. Algum que gostou de mim, um dia. Mas no h 
mais muita certeza. O senhor  casado?
- Sim - disse Harry - com uma mulher maravilhosa.
O velho ficou em silncio. 
- E eu tenho filhos. - disse Harry - o mais velho  aquele ali - 
apontou Abel, que achava que o pai estava maluco em conversar com um 
velho louco, mas ainda assim acenou para o velho, que retribuiu. - tenho 
dois mais novos tambm. 
- O senhor deve ser um homem feliz. 
- Muito. 
- Eu no me lembro de ter sido feliz, nunca... eu fico aqui, pensando 
e pensando... e me arrependendo de coisas que no me lembro mais, mas 
que foram terrveis.  como se houvesse um peso em minhas costas. 
- Escute... porque o senhor no se levanta? H quanto tempo est 
aqui?
- Muito tempo. Anos, creio. 
- Talvez seja hora de mudar de ares. Caminhar. Seguir em frente. 
O velho sorriu. 
- Nunca tinha conversado com ningum aqui... o senhor tambm est 
aqui?
- Apenas de passagem. E preciso ir. 
- Eu tambm preciso ir... - o velho levantou-se - acho que preciso 
fazer algo... foi bom conhec-lo - o velho ergueu-se e passou por 
Abel, olhando o menino um instante.
- Belo garoto - disse, olhando para Harry. E seguiu em frente, sem olhar 
para trs. 
- O que foi isso afinal? - perguntou Abel  Morte, que observava o 
velho sumindo atrs de uma colina.
- Seu pai fez aquilo que  da sua natureza, Abel, mais uma vez... 
pediu-me para ver a alma daquele que um dia foi o bruxo mais temido de 
todos. 
- Meu bisav, Voldemort?
- Ele mesmo... - Harry aproximou-se e Abel perguntou:
- Pai... porque o senhor quis v-lo? 
- No quis v-lo, Abel. Eu quis que ele visse voc. Queria que 
ele, mesmo sem saber, visse que apesar de tudo, algo de bom existe por 
causa dele.
- Mas ele no sabe disso!
- Existem coisas que de fato - disse a Morte - voc no precisa 
saber para que sejam boas para voc. Agora vocs devem deixar o meu 
mundo, junto com os outros. - quando ela falou isso, imediatamente eles 
se viram em frente ao grande portal luminoso por onde Abel e Kayla 
haviam entrado naquele mundo. E Abel surpreendeu-se porque havia um 
bocado de gente ali. 
Eram seus avs, a av de Kayla, seu pai... o pai de Henry, todos, 
como se fosse uma confraternizao familiar. Ele foi abraado, 
beijado, conversou, sentiu-se constrangido e mais de uma vez viu seu pai 
olhando para ele de forma que ele tinha de reconhecer: era um bocado 
orgulhosa. S que ele no conseguia esquecer que apesar daquilo 
tudo, havia algo a fazer, algo srio. O pequeno espectro que a morte 
lhe dera pesava no seu bolso, ele sabia que cedo ou tarde aquela pequena 
festa acabaria, e ele teria que enfrentar aquilo que tinha de ser feito. 
Era mais ou menos como o ltimo domingo antes das frias, s que 
em vez de uma semana de aula, ele no sabia o que viria depois. Quando 
a morte chamou a todos, ele viu que realmente a festa havia acabado, 
porque em cada rosto via a decepo de quem teria de esquecer tudo 
de bom que fora vivido naquele lugar. Menos ele. Achava aquilo injusto, 
e no podia aceitar o fato que lembraria de tudo, e os outros no. 
Chamou a morte e disse:
- Eu sei que voc no concede ddivas, nem presta favores... e eu 
acho que voc  muito rgida com essa histria de regras e tudo 
mais... mas, voc podia me conceder UM pedido... s um?
A morte ps no menino seus grandes olhos cor de bano. Ela estava 
sria, mas ele podia ver em algum lugar l no fundo dos olhos pretos 
que ela achava graa em alguma coisa. Ele piscou repetidamente e ela 
riu:
- Voc quer que eu conceda aos outros lembranas, Abel?
- Bem... .
- Eu no poderia fazer isso... eu no posso fazer isso assim, no 
posso deixar que levem as lembranas para o mundo dos vivos. Quando 
saem daqui, as lembranas se tornam perturbadoras. 
- timo. Lembro a voc que eu fui escolhido para lembrar...  bom 
saber que vou ter o resto da vida atormentado por isso - a morte riu 
ento com vontade.
- O que voc quer ento? Quer esquecer tudo como eles? Isso pode 
atrapalhar o que voc deve fazer no mundo de Vega
- Bom... no exatamente, mas sinceramente, tem coisas aqui que eu nem 
quero me lembrar... como aquele lugar onde vimos meu av. 
- Eu entendo isso... o que mais?
- No preciso lembrar de tantos detalhes assim. S da minha escolha. 
E posso passar sem a lembrana dessa festinha, embora tenha sido 
legal.
- Voc parece estar querendo algo mais..
- Quero lembrar da minha misso, mas posso esquecer todo o resto, s 
que eu quero algo em troca. 
- O que?
- Eu quero que voc deixe que cada um deles escolha algo para lembrar. 
Uma coisa simples. Algo que lhes faa bem.
- E porque?
- Porque me parece mais justo - disse o menino, e sorriu. A morte sorriu 
de volta, e se ele j no houvesse decidido o que lembraria, teria 
acrescentado aquele sorriso  lista. Ela assentiu com a cabea. 
Quando tudo estava pronto para deixarem o lugar, Harry disse ao filho:
- Espero que voc tenha aprendido bastante aqui, Abel. 
- Por qu, pai?
- Uma vez a sua me me disse que o que vivemos, podemos at 
esquecer, mas o que aprendemos, fica conosco para sempre... 
O menino olhou para ele, e sorriu, imaginando que o pai lembraria dos 
proprios pais ao sair dali. Na verdade ele estava enganado, mas nunca 
descobriria isso. Ficou olhando todos entrarem no portal, at que s 
restou ele. Encarou a morte e disse:
- ... ento, adeus. 
- Abel... comigo nunca  adeus.
- Bom, podia ficar sem lembrar disso tambm. Espero te ver algum 
dia... daqui a muuuuuitos anos, sabe?
- Boa viagem, Abel. E boa vida.
Abel deu dos passos de costas, olhando a Morte sorrir, e foi tragado 
pela luz. Num instante, o reino dos mortos desapareceu, e sua cabea 
ficou vazia.  Quando chegou ao outro lado do portal, este se fechou, e 
ele caiu sem sentidos no cho da Fronteira. 
Algum tempo depois, um homem veio andando, vindo de longe, do lugar da 
rvore, o limite entre todos os mundos exteriores e a fronteira,  
observando um a um todos os que haviam estado nos reinos inviolveis. 
No estava surpreso, sabia que cumpririam todos as suas misses. 
Observou a plancie dos portais e foi vendo que um de cada vez, eles 
se fechavam. Agora, restavam s dois abertos: o do mundo das sombras e 
o do reino da luz. Ele tinha que levar todos ao portal correto. Enfiando 
a mo sob a capa, ele retirou uma varinha longa, que agitou no ar. 
Fascas vermelhas apareceram e ele sorriu: era verdade, os guardies 
realmente haviam dado a ele permisso para ser bruxo ali, coisa que 
ningum jamais tinha recebido. Sorriu, afinal era por uma boa causa, e 
provavelmente, a ltima vez na sua vida que faria magia, portanto, 
tinha que ser em grande estilo. Apontando uma pedra no cho disse: 
- Animalia equinae - observou ento, pacientemente, a pedra crescer e 
transformar-se num grande corcel branco. Ele observou por um instante e 
disse: - Bah! Um mago num cavalo branco? Que coisa mais clich! - 
agitou a varinha no ar, e o cavalo sacudiu-se mudando de cor para um 
castanho dourado, com uma mancha branca no focinho.  Agitou mais um 
pouco e surgiu uma sela, negra e prateada, que ele depois mudou para 
castanha, mais simles e discreta. Olhando a altura do cavalo, concluiu 
que era melhor fazer um feitio de levitao para alcanar a 
sela, pois definitivamente no era nenhum mago na flor da idade. 
Quando se viu completamente instalado sobre a sela, puxou o capuz para 
trs, sacudindo um pouco a barba e a cabeleira branca, afinal, aquela 
fronteira era um lugar bem empoeirado. Avaliando a aparncia do cavalo 
e tudo mais, concluiu que j estava suficientemente imponente para 
acordar todos. Do alto da sela, agitou a varinha no ar e disse um 
feitio com sua voz poderosa e grave, o que no fazia j h uns 
bons anos:
- Enervate! - calmo e sorridente, ento, esperou que cada bruxo 
adormecido acordasse.

CAPTULO 16 - RECONSTRUO

        Harry acordou e quando viu Alvo Dumbledore sentado tranqilamente na 
sela de sua montaria disse:
- Dumbledore? Estamos no reino dos mortos? - vale lembrar que ele 
esquecera de absolutamente tudo que acontecera do momento em que entrara 
pela porta do mundo dos mortos, exceto a lembrana que a morte lhe 
concedera. Na verdade, como todos, ele estava bem confuso, e agiu como 
se tivesse acabado de encontrar Abel, assim que viu o menino acordando 
ao seu lado. 
Abel por sua vez lembrava de forma desconexa das coisas que escolhera 
para lembrar, mas era como ter acordado de um sonho, cheio de lacunas e 
buracos. E achou bastante estranho o fato de encontrar Henry, Snape, 
Hope e Stoneheart. No sabia exatamente como toda aquela gente 
aparecera ali. Finalmente olhou para o velho bruxo que sorriu. Ainda 
encarando Dumbledore, disse:
- Ah... ento  o senhor, a ajuda... pode me explicar o que acontece 
agora?
Havia um burburinho generalizado  sua volta, os pais que encontravam 
seus filhos, Snape e Henry, que lembravam de terem estado em outros 
mundos tambm... uma autntica confuso que para Abel, no devia 
combinar com o que ele imaginava que viria depois. Foi nesse exato 
momento que ele se lembrou de sua escolha e disse para Dumbledore:
- A minha escolha... ela tem a ver com o renascer do mundo de Vega?
- Ela tem a ver com toda sua vida daqui para frente - disse o velho mago 
com brandura. - Imagino que voc tenha algo a entregar no mundo das 
sombras... e no s voc. Senhores - disse ele levantando a voz - 
muitos de vocs esto confusos, por terem sado de estranhos 
mundos. Mas devo dizer que preciso conduz-los apenas mais adiante, 
para que faamos algo nobre. Precisamos reinventar um mundo. Milhares 
de anos atrs, ele foi abandonado pelos seus filhos, e entrou em 
decadncia. Grande parte da desgraa do mundo da sombra foi graas 
 sua aliana com nosso povo em nosso mundo. Vejam isso como 
reparao de um mal de nossos antepassados. Alguns de vocs 
receberam algo em outros mundos, no?
- Eu recebi isso - disse Hope, mostrando um pequeno frasco cheio do que 
parecia areia. - me disseram que eram sonhos. 
Henry se mexeu de forma tmida e Dumbledore olhou para ele, que tirou 
algo do bolso:
- Me disseram que isso seria solicitado - era um frasco idntico, 
cheio de um lquido perolado e transparente. Ele olhou para Snape, que 
assentiu com a cabea e mostrou um frasco idntico, que parecia 
conter um segundo lquido, este cor de sangue. Fez isso de forma 
silenciosa e solene. 
- Mais algum? 
- Eu - disse Abel - isso est no meu bolso - ele retirou a coisa sem 
forma que a Morte lhe entregara. Dumbledore sorriu e disse:
- Algum tempo atrs, estive no lar das idias... logo quando os 
outros reinos pediram minha ajuda. De l, resgatei uma pequena 
ddiva - ele retirou da capa um frasco, e este continha chamas. - isso 
bastaria para reconstruir um mundo, mas precisamos da ajuda de mais uma 
pessoa. - dizendo isso, ele retirou uma trombeta em forma de chifre do 
bolso da capa e passou a Harry, que olhou aquilo surpreso. 
- Eu nunca toquei uma coisa dessas antes, Dumbledore... 
- No se preocupe, ela s precisa ser soprada, seu som  mgico 
e tem vontade prpria. Mas o flego de um bruxo em melhor forma que 
eu  recomendvel - Harry riu e encostou os lbios na trombeta, 
soprando.
Um som surpreendentemente alto ribombou pelos quatro cantos da 
fronteira. Da direo onde havia se aberto cada portal, sons 
idnticos responderam ao chamado, e cada portal que havia sido 
fechado, se abriu novamente. Em cada um deles, havia uma criatura 
parada, envolta pela luz intensa. Eram os sete guardies da fronteira. 
Abel reconheceu Vega naquele que em vez de luz, projetava no infinito 
uma sombra. A mulher sombra veio andando at eles, havia nobreza e 
altivez novamente em seu andar, mas no seu rosto via-se a marca de 
lgrimas, derramadas por causa da destruio de seu mundo. 
- Tudo que restou do reino do qual fui princesa foi p e pedras. - ela 
disse, olhando para Dumbledore. - Quando o encontrei aps o vrtice, 
no acreditei nisso... fracassei com meu mundo e meu povo. Nunca mais 
teremos um lar para chamar de nosso. 
Nem ela nem nenhum dos bruxos atnitos viu que do portal mais 
distante, um vulto alado partiu em direo ao cu, envolto em luz. 
Harry o reconheceu: era um guerreiro da luz, aquele do qual s ouvira 
falar: Abel Lux, o filho do reino da luz que durante quatro mil anos 
sofrera a priso da mscara do sombrio, libertado alguns anos antes, 
exatamente quando Harry lutara com o Camaleo. O guerreiro alado 
percorreu em seu pgaso um crculo perfeito no ar e ento pousou,  
pouco a frente do grupo. 
O guerreiro da luz, fora do reino dos homens, tornava-se uma viso 
ainda mais impressionante. Seu cabelo louro estava preso em um rabo de 
cavalo, e ele usava uma roupa branca, to clara que parecia emitir 
luz. Ele mesmo e seu pgaso transmitiam uma luz suave e quente, e ele 
parecia aquecer o ar a sua volta. Seu rosto era belo e calmo e ele no 
tirava os olhos do rosto de Vega. Qualquer pessoa via que a histria 
dos dois era antiga, e parecia longe de acabar. 
- Princesa Vega - ele disse inclinando-se numa profunda reverncia - 
manterei prudente distncia, pois sei que minha luz pode fazer-te mal.
- Abel Lux... uma era se passou desde que nos vimos pela ltima vez.
- Mais que uma era, princesa, e para mim teve o peso de uma eternidade 
de escravido. 
- Eu sei o que minha irm fez a voc, Abel Lux. Eu me encontrava 
naquela poca em outro lugar, fora do mundo dos homens, se l 
estivesse, no teria permitido isso. 
- Eu trouxe duas ddivas, Vega- disse o Guerreiro, olhando-a nos 
olhos. - uma, foi a que eu levava como ddiva de paz para o mundo dos 
homens, para entregar-te, e que sua irm nunca conseguiu me roubar, 
pois eu escomdi junto com meu cavalo, quando estive no mundo dos homens. 
- ele tirou do pescoo uma corrente com um pingente transparente  e 
entregou a ela - isso  o corao da luz. Use-o, e poders sem 
medo enfrentar o sol do mundo dos homens e toda a luz que h em todos 
os mundos. 
Vega olhou a jia hesitante. H milnios que seu povo queria o 
corao da luz, porque haviam sido condenados a andar na escurido 
por sua propria natureza. Olhou para o guerreiro perguntando-se o que 
havia feito para merecer essa confiana, e ele disse:
- Se eu houvesse a encontrado quando fui procur-la h milnios, 
hoje nossos dois mundos seriam um s. Eu fui enganado por Maya, sua 
irm, e amei uma filha dos homens, e no honrei o seu amor... fui 
punido com uma era de sofrimento, Vega. Use a jia e liberte a ns 
dois. - ela ps no pescoo a jia, e a pedra brilhou intensamente. 
No mesmo instante a aparncia dela mudou: pareceu tornar-e concreta, e 
deixou de ser difusa e sombria. Seus olhos dourados brilharam 
intensamente, e logo ela era um ser de pele negra e lisa, e seus cabelos 
negros caam sobre os ombros. Ela sorriu e murmurou:
-  como se todo o tempo ruim no houvesse passado, Abel. 
- E essa - disse Abel -  a ddiva de meu povo - ele estendeu uma 
pedra idntica  primeira s que muito maior - isso  a semente 
do sol. Junto com as ddivas de outros reinos, far renascer o seu 
mundo, mas de uma forma nova, sem a marca que nos separava... 
A mulher sombra olhou muda para o guerreiro da luz. Ela no viu, mas 
Hope Black, que olhava para ela, engoliu em seco. A moa no queria 
admitir, mas amava histrias como aquela.

E todos eles observaram a mulher sombra e o guerreiro da luz se 
abraarem felizes por poder criar um novo mundo, feito de luz, sombra, 
som e fria, de mgoa e amor, sonho e tristeza, beleza e morte. 
Exatamente como o mundo dos homens. Naquele instante, Harry teve uma 
sensao incmoda. Olhando para o filho, e depois para Dumbledore 
disse:
- Sobre o que eles vo reinar? O povo dele, est no reino dele... o 
povo dela no parece disposto a abandonar o nosso mundo, esto bem 
instalados sob a terra, e creio que at gostam daquele lugar doentio 
chamado de Oz, Dumbledore. Estive l mais de uma vez para conduzir 
prisioneiros e posso constatar isso. Entendo que eles tenham amor um 
pelo outro... mas o que vo governar?
-  por isso que seu filho fez uma escolha, Harry... Abel, voc 
conhece algum povo ligado a seus antepassados que possa povoar esse novo 
mundo? 
O rosto do menino se iluminou. Ele pedira para a morte apagar vrias 
coisas, mas ela deixara na sua mente trs coisas essenciais, duas que 
ele pedira, e a terceira, que ela sabia que seria til. Ele olhou o 
pai e disse:
- Pai, eu sei quem vai habitar esse mundo. - ele enfiou a mo no bolso 
da veste, sentindo o medalho que estivera ali desde o momento em que 
dissera ao chapu seletor que no podia fazer uma escolha entre 
Grifndor e Slytherin, e que teria de levar ambos para sempre no 
corao, pois era um e outro, era a coragem do leo e a astcia 
da serpente. Ele escolhera um caminho. Observou o medalho: de um lado 
a serpente, de outro o leo. Espalmou sua mo direita e fechou os 
olhos, o medalho ficou em p nela. No poderia fazer magia ali, 
mas estava sendo ajudado por Dumbledore, porque ele mesmo no sabia o 
que o menino tinha em mente, mas sabia que podia fazer as idias do 
menino tomarem forma. O medalho girou no ar, e Harry viu surpreso que 
o leo e a serpente sumiam, dando lugar, em ambas as faces, a outra 
imagem que foi ficando cada vez mais ntida, at que se tornou 
slida: no lugar do leo de da serpente, surgiu, em cada face, um 
tigre.  O menino segurou o medalho com firmeza a abriu os olhos, 
encarando o pai:
- Pai... no sabia porque minha escolha tinha sido to importante... 
e minha escolha foi ser no Griffindor ou Slyterin, mas ter algo de 
ambos. O tigre  astuto como a cobra e corajoso como o leo. Eu 
no sabia porque estava escolhendo, eu no sabia o que dois sujeitos 
que haviam vivido h mais de mil anos poderiam ter a ver com o mundo 
de Vega. Agora eu sei, pai... eu precisava escolher um dos dois, porque 
a falta era de ambos... mil anos atrs, Griffindor e Slytherin, junto 
com o povo da sombra, escravizaram todo um povo... e eu sei quem foi 
esse povo. Preciso pedir perdo a eles. Em nome de todos os bruxos.
Dumbledore assentiu com a cabea, brandamente. Olhou para Harry: 
- Sabe do que ele fala?
- Deduzo... elfos domsticos?
- Exato. Precisamos traz-los, Harry.
- E quem pode nos ajudar?
- Toque, Harry, toque a trombeta.
E mais uma vez, o som imponente da trombeta ecoou pela fronteira, mas 
dessa vez, a resposta foi completamente diferente.
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Na cidade do Cairo, no Egito, um bruxo comerciante de tapetes mgicos 
apregoava a mercadoria para um cliente gordo, que era abanado por um 
elfo domstico negro como o breu, mas de olhos muito azuis. 
Repentinamente o abanador caiu ao cho e o dono do elfo virou-se para 
castig-lo, mas surpreendentemente, s encontrou no lugar do elfo um 
papiro, com uma inscrio simples, que dizia tudo.
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Em Hogwarts, um bando de elfos domsticos corria de um lado para o 
outro, tentando aprontar o mais rpido possvel todo jantar, para 
depois mand-lo para os pratos dos alunos. Num instante estavam l, 
no outro, ecoava o barulho simultneo de vrias louas caindo no 
cho. O zelador Goyle, que dormia pouco adiante, veio correndo e 
observou atnito que a cozinha estava uma anarquia, correu para chamar 
o diretor, sem reparar que havia uma faixa estendida de lado a lado na 
cozinha, com uma grande inscrio.
---
Smiley, o elfo de Sheeba, andava atrs da dona reclamando novamente 
que queria fazer alguma coisa, que a histria de aposentadoria que ela 
inventara era muito aborrecida, quando sentiu algo estranho:
- Senhora... - Sheeba virou-se e olhou para ele, bem a tempo de ver um 
sorriso nascer nos olhos azuis do elfo, e espalhar-se pelo seu rosto, 
antes dele dizer: - Adeus, senhora.
Ele sumiu com um puf e deixou em seu lugar um pequeno bilhete, que 
Sheeba leu com satisfao, e ento, disse, sorrindo:
- Enfim, o xodo. J no era sem tempo.
---
Dobby colocava em ordem a roupa de cama dos Potter, coisa que fazia com 
capricho anormal, mesmo para um elfo remunerado, ele cantarolava com a 
alegria de quem trabalha com o que gosta, quando o chamado o atingiu. 
Ele sabia que um dia isso aconteceria, ele vivera acreditando que um 
dia, todos eles, seus semelhantes, receberiam o mesmo chamado, e o 
feitio que fizera todo seu povo e descendentes subservientes por 
sculos se quebraria. Ele tinha sido um elfo especial, dentre tantos, 
fora o nico que aprendera a ler, com a ajuda paciente do professor 
Dumbledore, durante os anos que passara em Hogwarts. Fora Dumbledore que 
o mostrara o livro onde estava escrita a histria do seu povo. E onde 
estava escrito que aquele que tinha o sangue das duas casas primeiras de 
Hogwarts, traria a todos o perdo. Fechou os olhos para a viagem, e 
ento, desapareceu com um puff, deixando em seu lugar apenas um 
bilhete:
"Caro bruxo,
O Elfo que o servia foi libertado por Slytherin e Griffdor. No 
procure outro, porque nenhum deles vai estar disponvel. E todos os 
anos, nesse dia, preste a homenagem aos elfos, para lembrar que devemos 
a eles mil anos de perdo. "

E finalmente, Dobby chegou a fronteira. E a primeira pessoa que viu, foi 
Harry Potter. Mas ele no reconheceu o elfo, porque quando o feitio 
foi quebrado, todos eles voltaram  aparncia original de seu povo. 
No eram pequenos e feiosos como nos anos de escravido. No 
chegavam  altura de um homem, nem tinham a beleza de uma fada, mas 
eram magros e sorridentes, suas faces no eram mais grotescas, mas, 
mesmo os que no eram belos, tinham um ar nobre e digno. Dobby deu 
trs passos, e surpreendeu-se com a elegncia do prprio andar, e 
apertou a mo de Harry, que demorou um segundo para reconhec-lo 
pelo verde dos olhos.
- Dobby... 
- Senhor - disse Dobby, e sua voz no mais era um guincho, mas uma voz 
simples e agradvel, bastante humana - eu sabia que o senhor estaria 
envolvido, se os elfos ganhassem a liberdade... eu temo no mais 
cuidar de suas meias, senhor Potter.
- Cuide das suas meias, Dobby, voc j fez mais por mim que poderia 
imaginar...
- Perdo senhor, agora que sou livre, chame-me pelo meu nome de real, 
meu nome de elfo liberto... Dobien, da casa dos Duain.
- Muito bem, Dobien... parabns pela liberdade do seu povo, 
agradea-a a meu filho - ele apontou Abel, que sacudiu a cabea 
veementemente.
- No, pai, no me pea para aceitar agradecimentos. Isso no 
foi um favor... foi uma obrigao, porque liberdade no se concede 
- ele sorriu -  simplesmente um direito, n?
Harry teve vontade de abraar o filho. Pela primeira vez ele via que 
no s ele podia ensinar muito ao filho, mas o filho podia tambm 
ensinar-lhe muitas coisas. 
- Tem razo, filho, tem razo - ele disse, com aquela expresso 
boba que s os pais sabem fazer, quando um filho faz algo muito bom.

O que aconteceu depois, foi que Dumbledore chamou os elfos, e falou a 
eles, no em sua lngua, mas na lngua me dos elfos, a lngua 
que era ensinada nas cozinhas, de pai para filho, nem mesmo eles sabiam 
at ento porque. Foi um discurso breve, em que ele disse que 
haveria um reino a ser construdo, muito trabalho a ser feito. Eles 
seriam liderados por um rei e uma rainha, mas nunca mais seriam 
submetidos a jugo de espcie alguma. Os elfos aceitaram de bom grado a 
oferta, porque era para eles a generosidade de um novo lar. E foi Dobien 
que apertou a mo do guerreiro da luz, selando a aliana entre o 
povo dos Elfos Libertos e os reis do novo mundo, devolvendo o 
eqilbrio  fronteira. 
Os bruxos, todos eles que haviam ido  fronteira dos mundos, 
guardariam at a morte aquela imagem de um mundo novo nascendo, dos 
escombros do reino das sombras. No portal dava para ver as ddivas dos 
outros reinos operando maravilhas, conforme o novo povo caminhava para a 
luz de seu portal, sob os olhos de seu rei e sua rainha. E finalmente, 
quando apenas eles dois sobraram, Vega beijou o rosto do menino Abel, 
deixando-o sem graa, apertou a mo dos homens adultos; segredando 
depois no ouvido de Hope que ela seria to amada quanto sonhara. Por 
fim, abraou o pequeno Henry, e quando chegou a vez de Severo Snape 
disse:
- Senhor... eu posso ver o que h em seu peito. Milnios atrs, 
meu pai tambm adoeceu e morreu, e eu fui ao reino dos mortos tentar 
resgat-lo, mas nada consegui, e nada me lembro de l... - ela 
espalmou a mo sobre o peito do velho e disse: - no posso eu mesma 
cur-lo... mas posso agradecer, e pedir a meu consorte uma ddiva. 
Abel Lux... pelo amor que tens por mim...
- Pelo simples merecimento dele - disse o guerreiro, pondo sobre a mo 
de sua futura rainha a sua - eu te dou a minha luz, Severo Snape, porque 
voc venceu o mundo da realidade cruel, e suportou sem reclamar a 
mgoa. Uma luz brilhou na ponta dos dedos do guerreiro, e Snape fo 
ligeiramente sacudido por uma fora que ele mesmo nunca imaginara 
existir, e ento, ele soube que no estava mais morrendo. Isso foi 
tudo.
A pequena Kayla procurou com seus olhos o rosto da mulher sombra, e ela 
retribuiu o olhar da menina, que segurava a mo do pai. Ela olhou 
Draco e disse:
- Quando esteve no mundo dos mortos, escolheste como lembrana guardar 
um segredo que apenas eu e voc conhecemos, senhor... saiba que aquele 
rosto vai ficar escondido por muito pouco tempo, pois minha magia em seu 
mundo  passageira. Prepare-se para o que vir... o que vir de 
bom e o que vir de ruim...
Draco estremeceu ligeiramente, porque a nica coisa que lembrava do 
mundo dos mortos, era que seu pai ainda vivia... e isso o enraivecia. As 
palavras da mulher apagaram a sede de vingana em seu corao, mas 
ao mesmo tempo o encheram de dvidas que ele mesmo no sabia se eram 
boas ou ms.
E por fim, Abel Lux chamou com um assobio seu cavalo alado, e, com sua 
futura rainha, voou na direo do portal, que se fechou quando eles 
passaram. Novamente a fronteira era um desfiladeiro deserto, e todos os 
portais estavam fechados,  exceo daquele que levava ao mundo 
dos mortos. Harry teve um mau pressentimento e olhou para Dumbledore, 
que disse ao Auror:
- Eu j devia ter ido h um tempinho... Abel Lux queria minha ajuda, 
e eu recebi uma prorrogao, meu caro... Abel, meu pequeno, 
parabns... voc  to valoroso quanto seu pai. Sabem quantos 
mundos existem?
- Milhares... 
- Exato, universos pequenos e grandes, que cabem na cabea de 
alfinete, e que engolem o nosso como um peixe engole uma minhoca... 
conheci talvez uns dez ou doze, em cento e muitos anos de vida... em 
onze, voc j esteve em um, e conheceu pessoas que esiveram em 
outros  seis... pode se considerar um menino de sorte.
- Eu sei - disse Abel, satisfeito. 
- Para sair da fronteira, sigam, sem olhar para trs, at o lugar da 
rvore. E no tentem voltar aqui entrando por ali... portais como 
este s abrem-se uma vez na eternidade - ele disse, e esporeou o 
cavalo na direo do mundo dos mortos. 

O grupo de bruxos seguiu unido, os pais com seus filhos e Hope um pouco 
distante de Gilles. Snape ia silencioso e refelxivo, s vezes olhando 
para o pequeno Henry, que o olhava como se quisesse dizer algo. Kayla 
s vezes olhava para Abel e ensaiava falar qualquer coisa, mas a 
viso o rosto srio do pai e desanimava. Harry s vezes passava a 
mo distraidamente na cabea do filho e murmurava alguma coisa. 
No foi difcil distinguir o portal para o mundo dos homens, ele 
brilhava intensamente, como um quadrado no ar, ao lado do tronco da 
rvore. Um a um, os bruxos passaram, at que Harry, o ltimo, 
murmurou um ltimo agradecimento a Dumbledore e atravessou o quadrado, 
que do outro lado sequer aparecia. 
Quando ele pisou na relva j ao lado da rvore, em Hogwarts, viu que 
os outros bruxos estavam olhando para uma pedra, colocada ao lado da 
grande rvore. Era uma lpide, nela, comearam a surgir letras, 
que escreveram o seguinte epitfio:
ALVO DUMBLEDORE
Antes de tudo, um peregrino. No fui grande, fiz apenas o que devia 
ser feito.
Harry sorriu. Dumbledore partira para a grande aventura seguinte.

CAPTULO 17 - O MUNDO NO SE CONSERTA SOZINHO.

Era noite j, no mundo dos homens. Quanto tempo havia passado 
ningum sabia ao certo. S quando chegaram ao castelo, todos se 
deram conta que estavam cansados e famintos, e na sua maior parte, com 
as roupas e a aparencia fsica arruinada. Seria de se esperar que 
algum aparecesse para receb-los no castelo, algum professor, quem 
sabe... mas ao chegarem na porta principal, Hogwarts estava mergulhada 
em silncio, mesmo que suas janelas estivessem todas iluminadas. Harry 
matutou um pouco... eles haviam sado dali numa noite bem semelhante 
quela, pelo portal do mundo dos mortos. Ser que... no, no 
podiam ter voltado na mesma noite, podiam?
Ele estendeu a mo e sob o olhar de todos, bateu a aldrava da porta do 
castelo. A porta principal abriu-se. O saguo de entrada parecia 
deserto. O grande salo tambm. Harry arriscou-se e gritou:
- Ol? 
- Ser que aconteceu alguma coisa? - perguntou Draco, j apreensivo. 
Foi nesse momento que por uma porta lateral apareceu Hagrid. Ele segrava 
em cada mo um presunto de bom tamanho, e atrs dele, vinha um pobre 
estudante carregando a duras penas uma batelada de travessas cheias dos 
horrendos bolinhos de Hagrid, que ele insistia em chamar de biscoitos. 
- Ol! Harry! Abel! Que timo que voltaram... os estudantes esto 
reunidos nas salas comunais enquanto aguardam o jantar que estamos todos 
preparando na cozinha!!
- Na cozinha?
- Oh, sim, na cozinha - disse o meio gigante, adiantando-se bem humorado 
- ns todos tivemos que cozinhar esse jantar... bem,  claro que eu 
dei uma ajuda.
Aqui Harry e Rony entreolharam-se horrorizados, lembrando-se das 
incurses culinrias de Hagrid. 
- At Sirius foi para cozinha, acredita? Sirius! Ele no teve 
preconceito algum de praguejar contra o sumio dos elfos, mesmo que 
Sheeba, Mione e Willy tenham dito que isso fazia justia a um povo... 
essas coisas humanistas que vocs conhecem... ele chegou a dizer: 
"bem, e agora, quem vai cozinhar o jantar dessa noite?".Acho que ele 
no gostou da resposta... claro que ningum sabe ainda fazer direito 
aquela coisa de transportar mil pratos para o salo de uma vez - eles 
haviam chegado  beira do retrato da cozinha e como Hagrid estava 
ocupado, Rony fez ccegas na pra que fazia a cozinha se abrir, ao 
que Henry comentou:
- Aaah...  assim que se entra na cozinha, ?
Rony s olhou para o filho, que sorriu meio sem jeito. Um a um, eles 
foram entrando, e cada um tentava conter o riso quando via o diretor de 
Hogwarts no meio da cozinha, de avental e com um leno amarrado na 
cabea,  guisa de cozinheiro. Sheeba, Mione e Willy ajudavam-no, e 
no tinham uma aparncia muito melhor. A verdade era que ningum 
ali estava muito acostumado com cozinha. 
Quando eles entraram, todos pararam o que faziam, e choveram abraos 
sobre eles (obviamente Sirius ignorou o olhar de Snape para seu 
avental). Willy beijou tanto Abel e Harry, tantas vezes, que o menino 
at ficou sem graa. Sheeba e Sirius olharam para Hope cheios de 
orgulho, e a moa, contrariando toda a tendncia de distanciamento 
com os pais que caracterizara os ltimos anos de sua adolescncia, 
praticamente pulou sobre eles, os olhos cheios de lgrimas, dizendo 
que estava feliz em estar de volta, aproventando para dizer que 
Stoneheart  havia arriscado a vidapor ela, o que fez Sirius olhar de 
alto a baixo o rapaz, perguntando:
- Hum... seu pai  aquele auror, no? Aquele forto, o Stone?  
O clima na cozinha realmente se tornou de festa, com todos falando ao 
mesmo tempo, e alto. Hermione abraou ao mesmo tempo Rony e o filho, 
ao que este comentou:
- Ei, me, pode ficar mesmo feliz! Estamos muito bem e ajudamos a 
realizar seu velho sonho de libertar os elfos.
Nesse instante Sirius parou e olhou para o grupo desconfiado:
-        Bem... o sumio dos elfos tem a ver com a volta de vocs? Eu 
imaginava isso.
- Err... - disse Harry - quanto tempo ficamos fora?
- Quarenta e oito horas, daqui a cinco minutos - disse Sirius, olhando o 
relgio - os que foram mais cedo, j esto h pelos menos 56 
horas fora do nosso mundo... Isso me lembra que devemos REALMENTE fazer 
a porcaria do jantar - ele falou, voltando s tarefas de cozinha e 
conclamando os demais a fazerem o mesmo -   voc no tem idia de 
como foi difcil manter o ministrio da magia fora disso. Seus 
aurores fizeram um bom trabalho... eles deram guarda a Percy em 
Hogsmeade, e ele acredita piamente que voc no arredou o p daqui 
e est at agora procurando a mulher sombra - Sirius dizia isso 
enquanto batia vigorosamente uma travessa funda cheia de algo que 
parecia uma massaroca de ovos - Sheeba, voc tem certeza que isso vai 
realmente virar um omelete?
- Ora- disse Harry - eu sei que estamos cansados e tudo mais... mas acho 
que poderamos pelo menos por hoje ajudar vocs...
- Claro - disse Snape, procurando um avental que lhe servisse - eu acho 
que depois dos tais mundos inviolveis, a cozinha de Hogwarts , no 
mnimo, desestressante.
E enquanto cozinhavam o pior jantar da histria de Hogwarts (segundo o 
que seria registrado posteriormente no volume 68 de "Hogwarts, uma 
histria"), todos que haviam estado nos mundos inviolveis iam 
comentando o que lhes acontecera, e foi s assim que uns souberam o 
que os outros tinham passado. Particularmente, Hermione sentiu-se 
orgulhosa quando Henry contava de forma tmida, como chegara nu na 
praia do mundo das lgrimas amargas, e como dissera que no 
abandonaria algum que havia feito bem a ele.
Todos que haviam estado no mundo dos mortos tinham cada apenas um 
pequeno fragmento de lembrana. Rony lembrava-se dos avs, Kayla, de 
ter visto uma mulher linda que no sabia bem quem era. Harry disse que 
colocaria sua lembrana numa penseira, mas no falou exatamente do 
que se tratava, e todos supuseram que ele lembrava dos seus pais. Foi 
nessa hora que sentiram falta de Draco. 
- Ora... no  que o safado do Malfoy fugiu da preparao do 
jantar? - disse Sirius - deve haver um meio de descontar isso do seu 
salrio.
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Draco subiu at a ala de hspedes, pensando de Sue estaria ainda 
ali. Desde que a mulher sombra falara-lhe do seu pai, ele havia tomado 
uma deciso. A recordao de sua me dizendo para ele que o pai 
estava vivo repetia-se inmeras vezes no seu pensamento... e ele agora 
sabia que como o pai, tambm havia errado muito com a mulher que 
amava, e no queria que esse erro durasse nem mais um nico minuto. 
Bateu na porta do quarto onde estavam hospedadas as mdicas. O rosto 
de Annie Van Helsing apareceu.
- Senhor Malfoy... Draco...
- Ol. Annie... Sue ainda est ou voltou para Londres?
- Ela... ela no quis sair daqui, Draco, e passou os ltimos dois 
dias muito mal, pensando na filha desaparecida e em... em voc, acho.
- Ela est a?
- Acho que voc deve procura-la nos seus aposentos... Ela pediu a 
chave a Sirius para cuidar do seu peixinho dourado...
Draco ia dizer que no tinha nenhum peixinho dourado, quando 
compreendeu o que aquilo queria dizer e saiu correndo.
- Ei... e Severo? - gritou Annie, apreensiva.
- Desa at a cozinha - disse Draco, explicando brevemente como ela
chegaria l, e disparando em direo ao seu quarto.
Ele entrou no prprio quarto de forma intempestiva, para ver Sue 
debruada sobre suas anotaes na escrivaninha, lendo avidamente 
todos os seus apontamentos e histrias.  Anos antes, quando ele 
comeara a escrever, ela insistira para que ele a deixasse ler, e ele 
no aceitara nunca. Um dia, ela perguntara sobre o que ele estava 
escrevendo, e ele disse: "estou escrevendo sobre meu peixinho dourado, 
Sr Malfoy...".  
- Eu.. - ela disse encarando-o sem jeito - eu precisava distrair minha 
mente... eu tinha medo que Kayla no voltasse...
- Ela est s e salva... se quiser v-la, ela est na cozinha. 
Creio que est se divertindo bastante...
- Espero que ela cozinhe melhor que a me... voc... est bem?
Ele no parecia muito bem, realmente, estava mais plido que o 
normal, as roupas estavam sujas e empoeiradas, e havia sujeira em seu 
rosto branco e um pouco envelhecido. Draco agora parecia mais velho que 
realmente era. Ele a olhou em silncio, e a velha falta de coragem de 
falar sobre eles dois assaltou a ambos de uma vez.
- Bem... - ele disse - se quiser ver Kayla...  s descer e... 
Ela saiu correndo porta a fora. Ele no a censuraria jamais, afinal, 
ele no lugar dela talvez fizesse a mesma coisa. Mas no sentia-se 
animado para segui-la. Talvez ele estivesse enganado, e o tempo dos dois 
tivesse acabado, e ele precisasse recomear tudo em sua vida, mas 
sozinho. Um tempo depois, bateram  porta e ele foi abrir. Era Sue, de 
novo. Ficaram um instante olhando um para o outro, meio sem jeito.
- Eu... Kayla - ela disse - ela est realmente bem... 
- Eu disse a voc...
- E acho que ela chegou  idade que me por perto  meio...
- Hum... "um mico?
- . 
- Pois ... - ele baixou a cabea e ela disse o que realmente a 
fizera voltar
- Voc no escreve sobre peixinhos dourados... - ele corou. 
- Voc leu tudo?
- No li os tratados de magia... mas as histrias... elas so 
fascinantes...
- Achei que trou... achei que elas no parecessem boas para quem no 
gosta de magos...
- Escute... - ela disse - eu tenho que dizer tudo de uma vez, ou vou 
perder a coragem. Eu ainda amo voc, Draco, e sinto sua falta todas as 
noites... e tenho achado que sem voc minha vida ficou subitamente 
estpida e vazia... e descobri que implicava com bruxos porque tinha 
cimes... e se voc no quiser voltar, eu entendo e... - ele 
estendeu a mo e tocou seus lbios. 
- Eu quero voltar - ele sussurou - Eu tambm fui estpido e cabea 
dura, porque como voc, em vez de enxergar o que a gente tinha de bom 
quando estava junto, s pensei o tempo todo nas diferenas... e eu 
achava que voc no devia caar vampiros mais, mas no percebia 
que estava sendo egosta e...
Foi repentinamente que os dois entenderam, ao mesmo tempo, que no era 
preciso dizer mais nada. Eles apenas se abraaram fortemente, mudos, 
sem palavras, e do abrao acabaram se beijando e do beijo... 
Bem mais tarde, estavam deitados na cama dele, que era uma cama de 
solteiro, achando uma graa infinita nisso, quando ele disse:
- Acho que vo sentir nossa falta no jantar... mas sinceramente, 
voc sente vontade de provar uma omelete feita pelo Sirius? - ela riu 
e disse:
- O que aconteceu afinal com os elfos?
Ele contou tudo, minuciosamente, pulando as partes que no entendera 
muito bem, resumindo outras e acabou falando:
- Enfim... acho que vamos ter que entender que no so s os 
trouxas que so estpidos s vezes... ns criamos uma 
civilizao baseada no trabalho dos elfos... sempre achamos que 
ns ramos mais civilizados e inteligentes que os trouxas e, bem, 
h quanto tempo no h escravido instituda entre os trouxas?
- Na prtica, acho que ainda existe escravido em alguns pases... 
e no  s nisso que estamos errados - ela se aconchegou a ele com 
uma expresso pensativa - tem muita coisa errada pelo mundo... muita 
injustia. Creio que o mundo no vai se consertar sozinho. 
- De jeito algum... mas... como vamos dizer s crianas?
- Que o mundo no  uma maravilha?
- No! Que estamos voltando, Sue...
- No precisamos nos preocupar com isso, afinal, acho que era o que 
eles mais queriam. A propsito, precisamos decidir onde vamos morar...
- Bah! No quero falar sobre isso agora, Sue.. - ele fez meno de 
esconder o rosto nas cobertas e ela o puxou e disse:
- No. Precisamos parar de empurrar os problemas, ou vamos continuar 
na mesma de sempre... 
- Ok - ele suspirou profundamente - eu realmente no quero deixar 
Hogwarts... mas tambm no acho certo voc se tornar uma 
mulherzinha e passar o resto da sua vida enterrada aqui comigo e...
- Como funciona mesmo uma chave de portal?
- ...
- Draco?
- Voc est me PEDINDO para solucionar um problema nosso usando... 
magia?
- Com todas as letras. A gente poderia comprar uma casa em Hogsmeade, 
no? Eu poderia usar uma chave de portal e vir de Londres todas as 
noites... e a gente pode usar um telefone tambm... no faa essa 
cara, as linhas passam perto de Hogsmeade que eu sei,  s puxar uma 
linha para aqui perto e...
- Se voc suportar os chiados e interferncia...
- Bem... assim, com telefone, eu me sentiria bem menos isolada e...
- Ok, ok... - ele a prendeu nos braos e disse - agora, pare de 
falar... Meu Deus, eu esqueci como voc falava demais...
Os dois ainda riram um bocado aquela noite, mas Draco no esqueceu que 
no dia seguinte teria que ir a Hogsmeade. Antes de comear vida nova 
com Sue, queria acertar as contas com o passado.
---
- Senhor Snape? - Henry finalmente tomara coragem de se aproximar do 
velho logo aps o jantar. Havia algo que s ele podia responder ao 
menino. Ningum mais entenderia a pergunta. O velho olhou para ele 
intrigado.
- O que voc quer?
- Bem... queria saber uma coisa. O senhor entendeu que cada vez que... 
somos... uhn.. maus com algum aqui nasce uma criatura daquelas que 
nos perturbou l no mundo da realidade cruel?
- Entendi. 
- E o senhor tambm est... mal, com isso?
- Voc quer perguntar se eu no pensei: "ser que eu no criei 
um sujeitinho daqueles?" provavelemente sim, menino... devo ter criado 
muitos. Criei um dentro de mim, inclusive... um que estava me matando - 
Henry entendeu que ele falava do cancer. - mas acho que todos criamos um 
daqueles s vezes... voc no se perguntou como eu sa de l?
- Eu ia perguntar isso ao senhor... porque nem mesmo eu me lembro 
direito como eu sa...
- Bem, voc foi se afastando nadando, at que eu s via um pequeno 
movimento ao longe. Ento, um daqueles meninos se aproximou e 
tornou-se um pssaro. 
- Um pssaro?
- . Um pssaro grande. Ele olhou para mim e disse: 
-  isso que nos acontece quando algum faz algo por outra pessoa. 
Nos tornamos pssaros e voamos para as terras quentes, as montanhas do 
perdo... o menino chegou  ilha para salvar voc. Ento, ele 
mandou que eu segurasse sua cauda e levantou vo. Disse que me levaria 
dali, porque pssaros como ele carregam qualquer carga, menos o 
egosmo. Em minutos eu atravessei o portal... e como voc, perdi a 
conscincia.
- Ento... h soluo?
- Para tudo, garoto, com certeza. O que acontece  que agora ns 
dois temos um compromisso. S ns vimos aqueles garotos... ns 
sabemos o que eles so... e sabemos o que pode faz-los nascer e se 
transformar. Conhecimento traz responsabilidade.
- Eu entendo... senhor Snape... obrigado. Eu achava o senhor um velho 
maluco e chato, mas acho que estava enganado.
- Bem, j que  uma sesso de sinceridade... eu te achava um 
molequinho bobo e arrogante. Mas eu acho que voc devia ter um 
desconto, pelo que eu me lembro, sempre achei toda criana chata. 
O menino riu e saiu correndo na direo da sala comunal da 
Grifinria. Snape ps as mos nos bolsos e foi andando, sacudindo 
a cabea e pensando que afinal de contas ele j fora um moleqe chato 
e arrogante um dia. 

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A manh seguinte ainda no havia de fato comeado, o sol apenas 
acabara de nascer. Draco deu um beijo suave no rosto de Sue adormecida e 
partiu para Hogsmeade. Tinha assuntos para resolver, ainda. Passou por 
todo castelo adormecido, evitando a cozinha, onde j havia movimento, 
pelo que ele sabia, ainda teriam que se virar com a cozinha at a 
contratao de bruxos cozinheiros. Imaginou que talvez depois ele 
pudesse compensar aquilo, cozinhando por uns dois dias. Ganhou 
rapidamente a estrada que levava ao povoado, tinha esperana de chegar 
cedo  loja do livreiro. 
Quando chegou  pracinha de Hogsmeade, j algumas crianas 
brincavam na praa, apesar de ser muito cedo. Ele reconheceu um dos 
filhos do ministro da magia. De p, num canto da praa, um homem, 
que ele reconheceu como sendo Bernardo Fall, parecia vigiar as 
crianas. Chateou-se com isso, porque no queria que o vissem 
falando com o pai. Ele estava bem diferente, pelo que lembrava da cara 
do livreiro, que vira poucas vezes. Parecia, com toda certeza, bem mais 
velho do que era. Ele chegou perto da livraria, que ainda estava 
fechada.
Olhou a porta por um instante, e a vitrine. Tudo parecia quieto, mas seu 
pai devia estar l dentro. Bateu com a aldrava da porta e esperou em 
vo. Deu a volta na casa, para tentar bater nos fundos, onde 
provavelmente ficava a residncia, como em toda loja bruxa.  Bateu 
novamente, e no teve resposta. Ento, esticou-se para olhar por uma 
janela alta. Seu olhar surpreendeu o de seu pai, do lado de dentro da 
casa, exatamente com o rosto que Draco lembrava, s que mais velho e 
marcado por uma extensa e antiga cicatriz.
"..aquele rosto vai ficar escondido por pouco tempo, porque em seu mundo 
minha magia  passageira..."
Ele entendeu imediatamente. Seu pai havia recebido outro rosto da mulher 
sombra, e quando ela voltou para o seu mundo, a magia dela cessou, e ele 
teve de volta o mesmo rosto de sempre. E agora estava aterrorizado ali. 
Ele no sabia ao certo o que dizer, mas o que Lcio fez, o 
surpreendeu. O bruxo simplesmente correu na outra direo, apanhando 
no caminho a varinha, e correndo para a praa. Aquilo parecia idiota e 
sem sentido, e Draco correu atrs dele, dando a volta pela casa.
Antes que pudesse alcan-lo, Lcio agarrou-se a uma das 
crianas que brincavam na praa, um menino, e o ameaou com a 
varinha.
- Aproxime-se e eu mato ele..
- Pai... eu s...
- A cidade cheia de aurores... voc me descobriu, no, Draco, e quis 
se vingar de seu pai... voc ia me entregar, no ia?
- Pai... eu s fui l para conversar com o senhor... e agora...
- Eu sei que voc quer me entregar... eu quero sair da cidade... eu 
vou usar a criana como escudo... quero proteo
Draco compreendeu imediatamente que seu pai havia enlouquecido de vez. 
As outras crianas gritavam aterrorizadas, e o menino que ele tomara 
como refm, petrificado, chorava de medo. Se quando ele chegara  
praa no havia aurores, agora havia muitos deles. Era bvio, com 
todo aquele barulho... at Harry aparecera, vindo de casa. Ele tomou a 
frente dos outros, como sempre fazia, para negociar.
- Eu no sei como voc veio parar aqui, Lcio... mas no 
acredito que voc v conseguir sair da aldeia. Nenhum dos meus 
aurores vai te fazer mal se voc colaborar.
- Potter... eu no acredito em voc, eu no vou me entregar, no 
quero voltar para aquele buraco debaixo da terra...
As ameaas de Lcio eram as piores possveis, e Harry imaginava um 
jeito de distra-lo para por a salvo a criana. O problema era que 
ele estava atento a todos os aurores, e sua varinha s vezes lanava 
perigosas fascas douradas. Se Lcio sasse de controle, o menino 
corria perigo, e o menino era filho de Percy Weasley. 
Gilles Stoneheart se aproximou sorrateiramente de Bernardo Fall, com um 
plano em mente. Lcio no sabia que o homem, que estivera na cidade 
bancando o banido, era capaz de fazer magia apenas com o uso das luvas, 
que usava no momento. Se ele pudesse tirar vantagem disso, talvez 
pudessem imobilizar o velho camaleo, e botar a criana a salvo. 
Naquele momento, Lcio tinha os olhos fixos em Harry e Draco, que 
estavam na direo oposta. Aproximando-se de Bernardo, Stone 
murmurou:
- Suas luvas conseguiriam desarm-lo, Fall?
- No me arriscaria, com o menino no colo dele. - Stone ficou num 
silncio calculado por um segundo, porque Lcio sentira algum 
movimento suspeito e virara rapidamente a cabea na direo deles. 
Quando voltou a olhar para Harry, Stone disse:
- Ento, use um feitio de atrao, pegue a criana e deixe o 
velho comigo...
Bernardo ficou em silncio, mas com um pequeno gesto, demonstrou 
concordncia. A atmosfera na praa estava ainda mais tensa, porque 
Lcio comeou a gritar que mataria a criana se Harry no 
permitisse que ele pudesse ser levado a um lugar seguro para aparatar.
Gilles deu um passo atrs e olhou para Bernardo que repentinamente 
gritou, com o brao estendido na direo do menino:
- ACCIO!- a criana gritou, e foi arremessada no ar na direo 
dele, quase doze metros adiante. No mesmo instante, Gilles gritou: - 
EXPELLIARMUS! - e a varinha de Lcio voou em sua direo, ele 
olhou para o lado, e viu Bernardo amparando a queda do menino, e 
suspirou fundo quando dezenas de cordas lanadas por Harry e os outros 
aurores enlaaram Lcio Malfoy.

CAPTULO 18 - HERIS NO PRECISAM DE UM ROSTO
        
        A confuso se instalou naquela mesma tarde em Hogsmeade. Reprteres 
bruxos do mundo inteiro aparataram na praa, alguns em lugares ruins 
para aparatar, como o teto das casas e sobre poos, para desespero da 
populao. Trs aurores americanos usando sobretudos (vestidos na 
moda para eles, algo chamado Visual X) e com ares de grandes 
investigadores comearam a seguir Harry por toda parte, o que o fazia 
enlouquecer:
- Sei tanto quanto vocs como ele veio parar aqui, deixem-me em paz! - 
disse por fim, tentando mostrar claramente que ele no havia ocultado 
informaes dos americanos pelos ltimos doze meses, como eles 
acreditavam. Troy Adams surpreendentemente veio ao seu socorro:
- Pode deixar, Potter... eu falo com eles. Acho que s voc seria 
capaz de fazer o nosso amigo dizer como veio parar aqui. 
Entre aliviado e surpreso pela colaborao do sujeito, Harry foi 
interrogar Lcio, que estava imobilizado, Hope e Giles o acompanharam 
at a sala da prefeitura onde mantinham o antigo Camaleo. Assim que 
entrou na sala, Harry perguntou aos auores:
- Ele confessou algo?
- Acabamos de administrar o veritasserum. 
Harry olhou o rosto de Lcio. Tinha a mesmo olhar fixo dos que tomam 
Veritasserum, que ele vira pela primeira vez aos quatorze anos, e tantas 
vezes depois. Calmo, como sempre, ele comeou a interrogar Lcio, 
para descobrir que ele havia chegado l atravs de Vega. Depois de 
algum tempo, deu-se por satisfeito ao ver que Draco no tinha a ver 
com aquilo e nada sabia sobre a presena do pai em Hogsmeade 
aparentemente at aquela manh. Por fim, disse formalmente a Lcio 
que aquela noite ele seria transportado para Londres, e de l, para 
Oz, onde ainda tinha pena a cumprir. 
Quando saiu da sala, ele viu Draco parado prximo, com um ar deprimido 
e cansado.
- Malfoy? - o outro olhou-o sem expresso, antes de dizer:
- Eu preferiria no ter descoberto que ele estava vivo, Potter.
- Malfoy... no tome isso como algo pessoal... no acreditava muito 
em destino, mas depois de todo esse rolo, e do papo sobre a tal 
"conspirao do destino", acho que talvez isso no seja mais que o 
mais justo. 
- Eu.. poderia falar com ele?
- Claro, tem dois aurores vigiando. Pode ir tranqilo. Eu agora 
preciso cuidar de outro assunto. - ele virou as costas e saiu. 
Draco ficou olhando o outro afastar-se indeciso, e aps algum tempo, 
tomou coragem e entrou na sala onde estava seu pai. A sala tinha uma 
divisria de um vidro encantado, atrs do qual Lcio estava, 
acorrentado a uma cadeira. Hope com um pequeno feitio abriu uma 
abertura no vidro, e disse que ele podia falar a vontade.  Era 
constrangedor convesar com o pai pela primeira vez depois de tantos anos 
na frente de estranhos. Este por sua vez, mirava Draco com um frio e 
cinzento olhar.
-  A culpa  sua... - ele disse, olhando o filho com raiva. - tudo 
podia ter sido diferente se h anos atrs voc tivesse feito o que 
eu queria. Por sua causa, Draco, eu sou esse fracasso, esse arremedo de 
bruxo...
- Pai... porque o senhor me culpa? O senhor fez a escolha errada, trocou 
tudo por um lugar ao lado daquele mestre que... ah, pai, no importa 
mais, agora. No importa. O senhor j tentou me matar, e quase 
conseguiu. No viu meus filhos nascerem, e pior, privou minha me, 
que ficaria feliz em v-los, disso tambm... eu nunca o perdoei, 
pai, mas acho que agora...
- Seus filhos so trouxas! 
- No, no so. O senhor amaria Kayla, ela  uma linda menina, 
esperta, creio que vai caar vampiros como ningum, e Draco  
muito melhor aluno que eu fui. Os dois menores Julie e Mike, desde cedo 
tm mostrado que sero bruxos, e Julie vai ser com certeza tima 
sobre uma vassoura. E todos eles tm sangue imune a vampiros, e o 
senhor nunca os viu, nem nunca vai ver... porque nos renegou. Porque 
escolheu viver como seu eu no existisse... eu me envergonhava de 
voc, pai. Hoje, acho que s sinto mesmo pena. 
O velho olhou para o filho. No havia mais volta ou soluo, 
estava acabado. Draco era agora um homem de 36 anos, no mais um 
garoto que ele pudesse intimidar. Lcio subitamente sentiu-se muito 
cansado, e acima de tudo, viu que realmente desperdiara sua 
existncia buscando uma grandeza que nunca teria, ainda mais pelos 
meios que escolhera.
Draco saiu da sala e percebeu que realmente acabara. Tudo que o magoara 
nos ltmos anos, finalmente ficara para trs. Ele realmente no se 
sentia feliz com o que seu pai era, mas agora sabia que ele no tinha 
mais nada a ver com aquilo, sabia que ele estava colocando a sua 
prpria vida nos eixos que ele escolhera, e eram opostos aos de seu 
pai. Quando chegou na praa de Hogsmeade e o sol banhou seu rosto ele 
pensou em Sue e nos filhos. E quase involuntariamente, sorriu.
---
Enquanto isso, Harry cuidava de um assunto delicado junto ao 
Ministrio da Magia. Era bvio que era completamente irregular 
Bernardo Fall ter sido designado para ajudar na guarda do pessoal do 
ministrio em Hogsmeade. Era tambm, logicamente, completamente fora 
das regras que o rapaz tivesse uma luva com  poderes mgicos e usasse 
o objeto para fazer magia e, escndalo dos escndalos, publicamente. 
Isso tudo era bvio e claro. Mas era extremamente incmodo para o 
Ministro Percy Weasley que todas as irregularidades tivessem sido 
cometidas para salvar a vida do seu filho caula de apenas seis anos 
de idade. 
Um pequeno conselho fora convocado secretamente para decidir o que fazer 
sobre aquele caso. Harry e Hermione representavam os interesses de 
Bernardo e Ludo Bagman, bastante incomodado por estar sentado  frente 
de Hermione, estava ali para junto com Percy, discutir o que seria 
melhor para o Ministrio. Na outra cabeceira ma mesa, estava Bernardo, 
que no parecia muito satisfeito com aquilo. A ltima vez que 
estivera perante um conselho, fora proibido de praticar magia.
- Bem - disse Harry - eu acho que ficou mais que provado que Bernardo 
Fall agiu apenas defender um inocente, e nunca usaria sua luva para algo 
que pudesse provocar qualquer dano a ningum. 
- Eu sei disso - disse Percy contrariado - s que oficialmente ele 
no deveria usar esse artefato em pblico. E eu sabia que ele podia 
fazer mgica sem o auxlio de uma varinha desde a fatdica noite 
da festa... foi por isso que o aceitei na misso especial... s que 
no imaginava que tudo fosse vir a pblico. E o Profeta Dirio 
j va publicar uma histria colocando-o como um heri... e isso 
vai provocar um mal estar com os colegas do ministrio Americano... 
- Oficialmente ele estava banido h dois anos - disse Bagman, 
enxugando a testa com um leno - e no h como explicar que ele... 
bem, que ele estava aqui, exercendo esse papel e...
- O que eu acho engraado - disse Hermione, de forma sarcstica - 
 que enquanto era segredo, Bernardo podia ficar aqui, e usar sua luva 
(tima idia por sinal) para defender voc, Percy. Agora vocs 
querem confiscar o objeto... e ele salvou a vida do seu filho, Percy. 
Onde esto suas prioridades?
- Hermione eu...
- Foi timo eu ter tido essa oportunidade, Percy e Ludo. H certas 
coisas que eu gostaria de dizer a vocs - Harry reprimiu um riso. 
Hermione prosseguiu - at ontem eu simplesmente me recusava a 
acreditar que toda aquela trama que deu num escndalo com Rony tivesse 
sido armada por um de vocs... Ludo Bagman, que interesse em especial 
voc tinha em ME prejudicar? 
- Senhora Weasley... eu...
- Bagman, eu sou uma farejadora da verdade, lembra? Isso  um DOM e eu 
posso ver que foi voc que armou tudo - ela olhou brevemente para 
Percy - e eu realmente estou muito chateada com voc, Percy, agora eu 
vejo que voc no sabia de nada... mas como chegou ao cargo 
atravs disso, no teve nenhum  interesse em apurar. 
- Hermione... eu realmente desconfiava de Bagman
- Ah, claro, mas como eu era oposio e ele no, voc preferiu 
manter tudo como estava... Bem... s h uma soluo. Estou me 
desligando do Ministrio da Magia.
- H? O que? - Ludo Bagman parecia perplexo.
- Exatamente - Hermione disse bem calma - eu vou me desligar do 
ministrio assim que resolvermos isso.  irrevogvel.
- Hermione, voc no pode - comeou Ludo Bagman
- Senhor Bagman, no me diga o que eu posso ou no fazer. O senhor 
no tem moral para isso. E cuidado, Percy. Ele armou para mim... em 
breve vai armar para voc.Creio que Harry pode apresentar uma 
soluo bem simples para o caso. 
- Obrigado, Hermione - disse Harry - eu tenho a proposta dele em mos, 
e creio que  a melhor. O Senhor Fall se compromete a permanecer em 
silencio sobre utilizar-se da luva, contanto que ele possa ter uma 
autorizao formal para fazer algo que j faz, de forma 
clandestina. - Harry explicou brevemente as "atividades" de Bernardo, 
seu patrulhamento entre os trouxas e o cuidado que ele tomava para no 
ficar conhecido por sua real identidade. - E quanto ao Profeta 
Dirio... eu tenho minhas conexes. Nada vai ser publicado 
exatamente como aconteceu. 
- Isso  completamente irregular - disse Percy horrorizado. - No 
podemos autorizar isso. 
- Ok - disse Hermione - ento, entendam-se com o ministrio 
americano - ela fez meno de levantar-se da mesa, e Percy 
interrompeu:
- Ei... voc no pode nos deixar agora... no meio desta crise... 
- Percy, eu posso fazer o que eu quiser. Sou uma bruxa maior de idade 
h bastante tempo...
- Ento... aceitamos a proposta do Senhor Fall. Mas ele no pode 
chamar a ateno para ele... e de forma alguma cometer 
irregularidades maiores - Harry e Bernardo trocaram um olhar cmplice. 
Claro que apenas os dois sabiam que Bernardo era um animago no 
registrado. - E, Hermione... se voc sair do ministrio... onde acha 
que vai arrumar emprego?
- Eu j arrumei emprego, Percy. Vou para a fundao Hemerinos, 
trabalhar como monitoradora de magia. Estou farta de cargos pblicos.  
Nem sei como seu pai aguentou tanto. 
- Bem, - disse Harry, rindo - acho que isso encerra a reunio, podemos 
assinar a ata e...
- Ainda no - Disse Bernardo - eu tenho mais um pedido a fazer. 
Cerca de meia hora depois, a reunio estava encerrada e Bernardo tinha 
um vira tempo no bolso. Lembrando-se de todas as suas noites maldormidas 
por causa das suas incurses Noturnas, ele sentia-se bastante 
satisfeito. 
- Espero - disse Harry - que voc no se meta mais em encrencas. 
Hermione no vai mais estar l dentro para te ajudar. 
- Obrigado, senhora Granger - disse Bernardo, sorrindo - e desculpe-me 
por ter posto uma aranha no seu cabelo quando eu tinha dez anos. 
- Eu nem lembrava mais disso. - Hermione riu - cuidado com esse vira 
tempo. Essas coisas costumam ser ligeiramente estressantes. Acho que no 
fim voc estava completamente certo. O que voc faz deve ficar em 
segredo, faa bom proveito de ser um heri sem rosto.
---
Hope e Gilles enquanto isso vigiavam Lcio Malfoy, e por algum 
estranho motivo, evitavam se falar.  Por uma ou duas vezes ela tentou 
dizer algo, mas ele a cortava, dizendo que estavam ali a trabalho. Na 
verdade, ela sabia que era uma desculpa esfarrapada, porque Lcio 
no os escutaria atravs daquele vidro mgico que fora conjurado 
especialmente para isso. Ela sabia que ele estava decepcionado por tudo 
que acontecera no mundo dos sonhos. E sentia raiva porque aquilo no 
deveria abal-la como abalava. Repentinamente, um outro jovem 
aspirante a auror como eles, entrou na sala e disse:
- Hope, o professor Potter mandou-me para que te substitusse. Parece 
que seu noivo quer falar com voc.
- Noivo? - disse Gilles, no conseguindo desta vez encenar 
indiferena.
- Ele no ... - Hope comeou a dizer, mas sem saber porque, 
simplesmente saiu da sala. O outro auror deu de ombros e disse:
- Bom, o cara disse que era.
Subitamente, Gilles sentiu uma profunda vontade de  chutar alguma coisa.
---
Hope procurou Bernardo at encontr-lo, parado na praa em frente 
 prefeitura, sorrindo para ela. Em outros tempos, aquele sorriso a 
faria imensamente feliz, mas agora s a deixava profundamente 
constrangida. Caminhou at ele como se seus ps pesassem meia 
tonelada. 
- Oi, Bernardo - ela disse, oferencendo os lbios para que ele 
beijasse. 
- Ol, senhorita - ele parecia mais bem-humorado que nunca. - eu tenho 
novidades a contar. E porque voc no veio me procurar ontem, assim 
que voltou da tal fronteira?
- Eu... - subitamente ela descobriu que no era uma boa mentirosa - eu 
no senti vontade de ver voc. - Bernardo olhou-a com estranhamento. 
A capacidade de Hope para surpreende-lo sempre lhe parecia infinita.
- O que aconteceu l, Hope? 
- Eu... ah, Bernardo... eu no sei como explicar. 
- Ah... voc vai me explicar...  eu tenho o direito de entender. - Ele 
passou a mo em volta do brao dela e a levou da praa. Nesse 
exato instante, Gilles acabara de sair do prdio depois de ser rendido 
em suas funes de Guarda por outro auror. Ao ver Hope e Bernardo 
andando em direo ao alto da colina de braos dados, conversando, 
ele tirou concluses que eram no mnimo bem distantes das 
verdadeiras.
Hope e Bernardo andaram at uma elevao e sentaram sob uma 
rvore, num banco de pedra. O sol estava se pondo naquele instante. 
Eles ficaram num silncio constrangido por um longo instante, antes 
que Bernardo dissesse:
- No  estranho? Quando eu finalmente me disponho a aceitar o seu 
amor... voc diz que no me ama mais. Acho que eu mereci isso, Hope. 

- Bernardo... eu acho que fui a maior culpada de tudo... eu quis que 
voc fosse diferente do que ... e... ah, eu no tinha o direito - 
ela sentia vontade de chorar, sem saber exatamente porque. Ele a olhou 
nos olhos e deu um sorriso. Era estranho como o rosto dele se modificava 
quando sorria. E ele quase nunca sorrira para ela
- Hope... eu sempre achei que cedo ou tarde, eu te sufocaria, ou voc 
iria embora. No  culpa sua, o culpado sou eu. Fiz tudo que no 
devia, da forma errada. No sei amar da forma que voc merece ser 
amada. Se eu pudesse ter sido diferente, acredite, o faria. Mas no 
posso mudar o que sou. E eu no sou o heri que voc idealizou, 
sou? 
- No... no .
- Faa um favor para ns dois - ele disse, levantando-se e 
erguendo-a, pelos ombros - seja ao menos feliz com o Stoneheart - ela 
abriu a boca supresa e ele disse - eu sei que voc o ama, no tente 
fingir que no. Eu vou ser sempre aquele cara sem rosto que patrulha 
Londres a noite... lembre-se de mim com carinho. - ele a abraou 
forte, deu um beijo de leve nos seus lbios, murmurando um adeus, e 
ento, desaparatou, deixando-a sozinha no alto da colina de Hogsmeade.
Ela ficou um instante ali, se perguntando se havia feito a coisa certa, 
e ento, uma onda de alegria a tomou quando ela finalmente pde se 
lembrar sem culpa nem constrangimento tudo de bom que havia sentido 
quando ela e Stone haviam flutuado naquele sonho. Sim, ela tinha que 
dizer, o mais rpido possvel, tudo que sentia para ele... correu 
colina abaixo com o corao aos saltos, e entrou feito uma louca no 
prdio da prefeitura. No o achando, foi perguntar a Harry, que 
estava dando instrues aos outros aurores, para que a viagem de 
Lcio para Londres corresse sem incidentes. Ele pareceu estranhar ela 
ali. 
- Stoneheart? Eu o dispensei. Parece que ele tinha assuntos a resolver 
na Frana. Desaparatou h uns cinco ou seis minutos.
- Na Frana?? - ela disse, decepcionada. - ele no pode ter ido para 
a Frana. 
- Porque no? Alis, voc supostamente tambm estaria 
dispensada... eu imaginei que estivesse com seu namorado e...
- No tenho mais namorado, tio Harry - disse ela furiosa, virando as 
costas pra Harry que murmurou, mal humorado:
- E eu ia saber?
Hope chegou  praa bastante chateada. As primeiras luzes  da noite 
iluminavam Hogsmeade e ela novamente, sentia-se perdida. Repentinamente, 
olhou aquela casinha baixa e feia, com cara de caixote, onde havia 
passado toda a sua infncia. Sem pensar muito no que fazia, foi para a 
casa, a sua casa. No sabia porque, mas sentia que s ali se 
sentiria em paz.
---

 Naquela noite, levaram Lcio Malfoy para um pequeno crcere no 
edifcio do Ministrio, em Londres. Lcio sentia um pavor crescer 
dentro dele, porque lembrava agora das noites terrveis na priso de 
Oz, de seus corredores sufocantes, de sua atmosfera cruel. Aquilo seria 
o pior dos castigos, passar o resto de sua vida encerrado l, onde 
no haveria outra chance, como a que tivera quando Vega o  salvara. 
Enroscou-se no catre do crcere sentindo muito frio... era frio demais 
para uma noite de primevera. Lcio tremia, de medo e do frio. 
Subitamente, uma dor subiu pelo seu brao e ele sentiu-se sufocar, 
tentou gritar por um guarda, mas a voz no saiu. Ainda tentou se 
levantar, mas o seu corao parou de bater de vez antes disso. Na 
manh seguinte foi encontrado, e concluiu-se que ele morrera de causas 
naturais: infarto agudo, fulminante. Ningum imaginou que ele havia 
simplesmente morrido de medo. Medo de voltar para Oz, o seu pesadelo.
A morte entrara silenciosamente, como sempre fazia, e passara pelos 
guardas, um deles at comentou, quando um arrepio o percorreu, que 
aquele lugar precisava de um aquecimento melhor. Quando Lcio sentiu 
tudo ficar escuro, virou-se e viu uma mulher muito branca de cabelos 
negros e arrepiados parada no vo da porta. No seu peito, uma jia 
em forma de ahnk brilhava com o brilho da prata gelada. Ela o olhou e 
disse:
- Voc no vai voltar para Oz, Lcio... mas no sei se vai 
realmente preferir o lugar para onde tua vida te levou.


CAPTULO 19 - E SEREMOS TODOS IGUAIS...

        Sentada na poltrona do seu quarto na casa de seus pais, Hope assoou o 
nariz. Estava sentada no escuro, e transformara toda a decorao do 
quarto em mveis negros. No se olhava no espelho desde o dia 
anterior, para sua sorte, uma vez que estava horrorosa. L fora, o 
mundo aos poucos voltava ao normal, era o fim de um sbado ensolarado 
de primavera, que ela passara escondida ali, ignorando o barulho dos 
alegres estudantes de Hogwarts em visita a Hogsmeade. Subitamente a luz 
do quarto se acendeu e ela fechou os olhos inchados, resmungando uma 
reclamao.
- Bauhaus? - disse Sheeba ao entrar no quarto e acender a luz. Nada 
aconteceu. Ela suspirou resignada, era bvio que a filha mudara a 
palavra que mudava a decorao do quarto. - SandCastle? Paradise? 
Eden? Hmm. Dreamland?
O quarto voltou ao normal, decorado todo em azul claro. Sheeba olhou 
para a filha, que devolveu com um olhar embatucado. A me disse:
- Nem adianta me olhar assim. No h meio de me fazer permitir que a 
minha filha passe mais um dia dentro do quarto, sem sequer escovar os 
dentes, cultivando essa fossa estpida. 
- Ah, me... eu...
- Shhhh! Oua a sua me. Eu sei que voc e Bernardo terminaram.
- ...
- Ok, ok, eu sei que voc terminou com Bernardo. - Com um gesto meio 
envergonhado, Sheeba mostrou a ela um prendedor de cabelo que Hope 
abandonara quando comeara a cortar os cabelos curtos. A moa soltou 
uma exclamao indignada. 
- Me... eu j te disse para...
- No se meter na sua vida - disse Sheeba distraidamente, tirando do 
bolso da veste um cravo de lapela amassado. Hope o reconheceu, aquilo 
estava preso  veste de Stone na noite do baile. Ela ia peg-lo 
quando percebeu o sorriso da me. - Me, a senhora  uma batedora 
de carteiras, sabia?
- Nem tanto, Hope, ele largou isso em cima de um mvel da escola, e um 
elfo me entregou para descobrir quem era o dono. - Hope suspirou e 
ensaiou uma cara de choro.
- Eu sempre estrago tudo... - Sheeba sorriu para a filha e puxou-a para 
si. - porque voc no experimenta usar os seus poderes para 
descobrir por onde anda Gilles?  
Hope olhou desconfiada para o rosto divertido de sua me, e 
lentamente, tirou as prpias luvas. Meio sem coragem, pegou o cravo 
amassado entre os dedos. A imagem do rapaz se formou lentamente diante 
dela, ele andava por Paris, sozinho, com as mos dentro dos bolsos do 
casaco. Ela concentrou-se no que ele pensava, e para sua surpresa, 
aquilo era muito difcil...
- Ele est pensando em voc - disse a me sorrindo. - Eu acho que 
ele pensa que voc e Bernardo esto noivos. Enganos acontecem toda 
hora. - Hope olhou para Sheeba e deu um sorriso largo. 
- Me... o que eu faria sem voc?
- Terapia. - respondeu Sheeba rindo. - ou talvez salvasse o mundo. Agora 
vamos tomar uma providncias - ela fez um gesto com a varinha e as  
janelas do quarto se  abriram, fazendo o ar do incio de noite entrar, 
renovando o ambiente. - acho que voc precisa se preparar para voltar 
 sua escola... algo me diz que as coisas por l vo ficar bem 
interessantes... - Hope abraou-se  me, rindo, e de repente 
disse:
- Me? Voc pinta o cabelo?
- Hum...  chato ter uma filha com toque de prometeu... voc acha 
que esperar seu pai por 14 anos no teve um preo? Eu uso poo 
Madame Mee de tingimento desde os 25, ou seu pai quando nos 
reencontramos acharia que sua ex-noiva estava uma velha coroca... Meu 
cabelo mesmo hoje  quase todo branco. Agora, tome um banho e lave 
esse cabelo. Se voc sair por a com essa aparncia, vo dizer 
que eu tra seu pai e voc  filha de Severo Snape. 
Hope levantou-se de um salto, feliz. Antes de sair do quarto disse, 
olhando para me:
- Deculpe por ter dito aquelas coisa para a senhora quando eu era mais 
nova e gostava do Bernardo...
- No tem problema, filha. Na verdade, tudo foi como deveria ter sido, 
no?

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Severo Snape naquele momento levava Annie para o  hospital onde ela 
trabalhava, ela tinha um planto noturno. Eles iam conversando pela 
rua, conforme andavam abraados.
- Como vamos explicar sua cura? Eu mesma no acreditei quando vi os 
exames todos normais... 
- Bem...no explicamos, que tal? Se voc quer saber, detesto 
hospitais, principalmente hospitais trouxas. Urght! Nunca mais eu entro 
num elevador na minha vida!
- Beh!  Voc  chato, devia ter mais boa vontade com tecnologia.
- No reclame, eu aturo at a televiso. Mas no me pea nunca 
mais para andar de elevador. Alis, automveis e mquinas de 
fliperama tambm so chatas. 
- Velho mau-humorado...
- Mulher insuportvel - disse ele rindo, e puxando-a para dar um 
beijo. - amanh quer que eu venha te pegar? Vou desaparatar com voc 
para algum cantinho escondido onde bips e celulares no nos 
alcancem...
- Hum... vou pensar no seu caso. 
- Annie, voc quer casar comigo?
- HEIN?
- Annie Mia Smith Van Helsing, aceita casar-se com Severo Snape? A 
cerimnia pode ser simples, dizem que ele  um tanto antisocial... - 
ela pulou no pescoo dele e murmurou:
- Eu nunca pensei que fosse conhecer algum como voc, Severo... 
voc no se importa por eu no poder ter filhos?
- Bem... talvez eu esteja meio velho para empurrar um carrinho de 
beb, mas se voc quiser pensar na idia, podemos adotar alguns. 
Eu no tenho nada contra. 
Os dois beijaram-se e ela despediu-se dele com o sorriso mais bobo do 
mundo. Ele ria-se interiormente, porque s umas horas depois ela iria 
perceber o anel que ele conjurara na sua mo. Severo sentia-se feliz e 
renascido. Finalmente estava livre das trevas que o haviam acompanhado 
por tantos anos. Entrou num pub, afinal ele AINDA era solteiro e no 
tinha comida alguma em casa. Ele nem se deu conta do sujeito que havia 
entrado junto com ele, e sentado numa mesa prxima. Pediu uma Guiness 
e ficou ali, curtindo a cerveja com um sorriso nos lbios, quando uma 
cano chamou-lhe a ateno:
- Mister Sandman, bring me a dream. Make her the cutest that I've ever 
seen. Give her two lips like roses in clover. Then tell her that my 
lonesome nights are over
Ele virou-se achando que aquilo estava um tanto quanto estranho para ser 
apenas mera concidncia. Observando o camarada que cantava, ele teve 
certeza que aquilo era alguma graa de auror. O sujeito era alto e 
magro, usava costeletas e um topete, e tinha uma voz bonita e profunda. 
Quando viu que Snape o olhava, ergueu a garrafa de cerveja num brinde e 
deu um sorriso enviesado. Ento, dirigiu-se  mesa onde ele estava, 
cantando:
- Mister Sandman, I'm so alone, Don't have nobody to call my 
own...Please turn on your magic beam, Mister Sandman, bring me a dream. 
- O homem parou diante dele com o mesmo sorriso enviesado, na sua cara 
idntica  do jovem Elvis Presley e disse:
- Hora de voltar  ativa, corvo velho... estamos sentindo sua falta, 
principalmente na escola de aurores.
- Quem exatamente  voc? E do que est falando.
- Mister Sandman... no subestime um colega de trabalho... pode-se 
dizer que eu sou um... discpulo de transfigurao total.
- Voc est tirando com a minha cara...
-  Pode-se dizer que  pessoal...
- Black?
- Aposentado.
- Moody?
- Voc est desatualizado. Alastor Moody saiu do ramo. Ele agora tem 
uma empresa de segurana contra bruxos das trevas. Se no me engano 
o nome  Vigilncia constante.
- Voc no pode ser o... - o sorriso do ssia do Elvis se alargou 
e Snape disse, surpreso:
- POTTER?
- Se voc reparar, os olhos ainda esto verdes... tenho dificuldade 
com os olhos azuis, e hoje no era necessrio caprichar muito...
- Mas suas transfiguraes eram um lixo!
- Comecei a usar fotos como modelo, para me aperfeioar... 
- S um doente como voc copiaria celebridades mortas...
- Quem disse que Elvis Presley morreu? A vantagem de copi-lo  que 
ningum acredita que ele a essa altura esteja magro. E vamos ao 
assunto: volte para a escola de aurores. 
- Como voc soube que eu era o Mister Sandman? - ele disse azedamente 
- sempre achei que eu escondia bem minha identidade. 
- Voc esquece, Snape, que eu no sou NADA estpido. Vamos, 
aceite, sei que voc vai casar, mas longe da ativa em breve vai estar 
congelando corujas na vizinhana por tdio.
- Voc tem uma pssima idia de mim, Potter...
- Eu me lembro das aulas em Hogwarts. Isso j d para formar uma 
opinio a seu respeito. E sua turma deixa qualquer professor auror 
louco...
- Voc vai abandonar a escola?
- Est louco? Eu adoro aquilo... s preciso de um assistente, 
oras...
- Para quem no comeo no conseguia desfazer uma transfigurao 
banal, voc est muito arrogante... eu me lembro de voc 
desesperado transfigurado em drag queen cor de rosa...
- Se voc ficar me lembrando dessas coisas, eu conto a Annie que 
voc A-DO-RA-VA encarnar a Iguana. 
- Isso  golpe baixo Potter...
- Segunda feira, Alemanha, escola de aurores... - Harry disse, 
levantando-se e fazendo um passo de dana ridculo.
- Desista. Voc pode estar com a cara dele, mas os ps ainda so 
os seus, Potter...
Eu vou me lembrar disso - disse Harry, que saiu cantando: - Mister 
Sandman, someone to hold Would be so peachy before we're to old... So 
please turn on your magic bean... Mister Sandman, brings us... Please, 
please, please... Mister Sandman, bring us a dream
- Yeah... - Respondeu Snape, rindo. 
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        Uma das coisas que Gilles gostava na Escola de Aurores, era o fato que, 
diferentemente da maioria dos prdios bruxos, ela no tinha nada de 
medieval, nem parecia um velho castelo assombrado. Pelo contrrio: 
numa propriedade prxima a Munique, ela era uma imponete 
construo que tinha pavimentos externos e subterrneos, e, algo 
bem recente, um arena de vidro para a prtica de esgrima bruxa. Ele 
estava l, esperando um colega com quem tinha combinado um treino. Era 
a tarde de segunda feira, a primeira depois de toda a confuso na 
fronteira. Ele no vira Hope durante todo o dia, e calculou que ela 
deveria estar em Londres "com o seu noivinho". O melhor era arrumar 
alguma coisa para passar o tempo. Ele usava seu uniforme completo de 
esgrima, e segurava entre as mos a espada. Repentinamente o outro 
aparatou dentro da arena, tambm uniformizado e com a mscara de 
esgrima. 
- Oi, Ziegfeld. Voc est atrasado. - Disse Gilles, com um ar 
aborrecido, - no estou com saco para treinar feitios, vamos s 
treinar esgrima simples, ok? - ele disse e o outro assentiu. Ele colocou 
a mscara e ps-se em posio de luta. Os dois comearam a 
treinar seus golpes, e subitamente Gilles se deu conta que o outro 
estava esgrimindo bem demais para ser o colega. No era Ziegfeld, 
claro, ele podia ver pela altura e pelo corpo, embora ela estivesse 
usando um colete acolchoado que escondia as formas. Ele tirou a 
mscara quando eles estavam com as espadas cruzadas no ar e disse:
- Muito bem, Black, que histria  essa? - ela tirou a mscara, e 
encarou seus olhos duros, com a mesma expresso raivosinha que ele 
gostava.
- Eu precisava falar com voc. Ziegfeld quase pediu dinheiro para que 
eu tomasse o lugar dele...
Ele saiu da posio e ficou com a espada paralela ao corpo. 
- Fale, ento. Sou todo ouvidos. 
- J que estamos aqui... vamos lutar um pouco. - ela disse descobrindo 
que no era to fcil quanto ela pensava dizer o que sentia. 
- Ok... En garde, ento, senhorita.
Os dois comearam a cruzar espadas no ar e ela comeou 
cautelosamente a dizer:
- Bem... eu tenho reparado que o clima entre ns est estranho...
- No existe "entre ns". Voc  uma moa comprometida, e com 
uma droga de bulldogue ciumento.
- O nico buldogue ciumento aqui  voc... eu e Bernarndo no 
estamos mais juntos.
Gilles errou um golpe em pleno ar, e ela encostou a espada nele:
- Ponto para mim...
- Golpe baixo, Black. En garde, novamente...
- En garde -  ela repetiu divertida.
- Tudo bem... e o que eu tenho a ver com isso? 
- Voc? - ela sentiu-se repentinamente embaraada com a pergunta.
- Exato. Voc est falando isso por qu? Por acaso quer brincar 
comigo, Black? Como fazia ne poca que era a bonitinha de Hogwarts? 
- NO! No seja estpido - ela disse, dando um golpe com raiva no 
ar. Ele a acertou no brao
- Touch, Black... 
- En garde, Stone
- En garde, ento... voc no respondeu a minha pergunta... Hope. 
- ele disse, dando outro golpe.
- Ser que voc ainda no percebeu? Aquilo que aconteceu no mundo 
dos sonhos entre a gente...
- Aquilo foi fantstico, mas ser que no foi s um sonho? 
- Eu... eu...- ela investiu e as espadas ficaram cruzadas no ar.
- Eu amo voc. - ele disse, olhando para ela, sustentando as espadas 
cruzadas no ar. Fez um movimento e voltaram a se movimentar, as espadas 
se atacando rapidamente- mas no quero ser um brinquedo na sua 
mo... me reponda: voc levou um p na bunda do Fall e est me 
achando com cara de prmio de consolao?
- No! Fui eu que terminei... eu disse a ele que...
- Voc no est fazendo isso s porque no mundo dos sonhos foi 
fantstico, est? Detestaria que voc acordasse dizendo que no 
era exatamente aquilo que voc esperava.
- No... eu percebi que l s foi maravilhoso porque... ah, droga, 
ns temos algo, no temos?
Stone interceptou um golpe perfeito dela, e novamente estavam com as 
espadas cruzadas no ar. Ele olhou para ela e disse:
- Era isso que eu realmente gostaria de saber -aproximou seu rosto do 
dela,  puxando-a com a mo livre para junto do seu corpo. Quase ao 
mesmo tempo, largaram as espadas e comearam a se beijar. Houve um 
estrondo forte e uma centena de barulinhos tilintantes em volta deles 
enquanto se beijavam, com fome, com alegria, desarmando-se pela primeira 
vez um diante do outro. Incrvel, mas era ainda melhor do que parecera 
no mundo dos sonhos e dessa vez no havia dvida alguma que era 
real.
- Armistcio, Stone? - ela murmurou com o rosto colado ao dele.
- Acordo de paz... pelo menos at a relao ficar um tdio - 
disse ele com a voz rouca. E no me chame de Stone. Eu gosto de ouvir 
meu NOME na sua voz, Hope.
- Tudo bem, Gilles... mas nunca mais diga que eu sou um cara legal. 
- Deixe o seu cabelo crescer, ento conversamos - ele riu, beijando-a 
novamente.
Uma voz os interrompeu:
- POTTER! STONEHEART! O QUE PENSAM QUE ESTO FAZENDO? DESTRURAM A 
ARENA DA ESCOLA!!!!!
S ento viram Harry e Severo Snape, parados pouco alm do que 
restara das paredes da arena de vidro, totalmente estilhaada pela 
emisso mgica involuntria que seu beijo provocara. Os dois se 
largaram rapidamente, rindo e Hope disse:
- Bem... no  o primeira vez que destrumos propriedade da 
escola...
- Certo - disse Harry  chegando perto deles - eu creio que vocs devem 
consertar isso imediatamente... esse ... bem...
- Estou de volta, meninos. Na verdade, desisti de identidades secretas, 
mas vou assumir a turma de vocs, porque obviamente, Potter no tem 
a mesma competncia de Mr. Sandman...
- Professor Snape, ento o senhor...
- Exato. Agora, limpem essa baguna e Potter... - Snape no 
precebera que Harry desaparatara rindo assim que ele se adiantara para 
falar com o casal.
- Acho que ele j foi - disse Stone, pegando a sua varinha junto s 
suas roupas, sepultadas por uma montanha de cacos de vidro. - algo me 
diz que ele est usando o senhor para poder tirar uma frias... - o 
velho se afastou e o dois puderam jurar que havia uma fumacinha preta 
sobre a sua cabea. Gilles olhou para ela rindo e disse:
- Viu o que voc fez? - apontou para as paredes de vidro destrudas. 
- isso vai demorar um tempo para consertar...
- Meu namorado vai me ajudar...
- Namorado? Um sujeito alto e bonito? 
- Sim, que tem extrema dificuladade de guardar aniversrios e se acha 
o presente de Deus s mulheres...
- Ei!
- O que foi? - disse ela fazendo com um movimento de varinha um vidro 
estilhaado voltar ao lugar de origem.
- Eu no me acho um presente de Deus para as mulheres. - ele disse, 
dando s costas a ela e fazendo a mesma coisa - s pra voc - ele 
murmurou rindo.
- Ok, Hope Black... voc pode conviver com isso - ela disse, voltando 
aos afazeres. 
- Vamos colocar tudo no lugar, e depois vamos correndo para um lugar sem 
vidro algum - ele disse bem humorado.
- Sem vidro algum? Por qu?
- No sei se h vidros resistentes o suficiente para suportar o que 
pretendo fazer com voc... 
---
- Ela no est mais namorando aquele sujeito insuportvel e velho 
para ela???? - Sirius estava exultante - eu vou mandar uma coruja para o 
Saul, ele vai adorar saber disso!
- No vai no senhor! Que idia, Sirius... ela tem outros planos, 
e francamante, Saul Bagman  um chato. 
- Ei, como assim "outros planos"?
- Bem...
- HOPE J EST NAMORANDO OUTRO???? Cus, o que vo falar dela?
- Sirius... desde quando um legtimo Black realmente se importa com o 
que falam dele?
Sirius olhou para a mulher contrariado e disse:
- No  isso... mas... bem... no quero que digam que ela pula de 
um namorado para o outro... daqui a pouco vo estar chamando-a de 
qualquer coisa por a...
- Eu comecei a namorar voc logo depois de Lcio e ningum me 
chamou de "qualquer coisa".
-  diferente...
- Sirius Black, seu velho machista. Ela est namorando Gilles 
Stonehart.
- Aaaah... bem, isso melhora as coisas.
- S porque o pai dele  um auror... no entendo voc.
- No  o ideal... ele  mal encarado, anda com os cabelos 
desgrenhados...
- Nossa, acho que j ouvi essa descrio antes... como era mesmo? 
Sheeba, aquele seu namorado  muito esquisito... voc no deveria 
namorar um cabeludo...
-  claro que um pai prefere para sua filha um bom partido...
- Se voc falar mais uma vez em Saul Bagman, juro que voc vai se 
arrepender...
- Est bem, est bem... 
- S uma coisa... 
- O que? 
- Ela puxou  me... eu sempre adorei tipos estranhos...
- Nada disso ela puxou ao pai, eu que era o aventureiro, voc era uma 
medrosa que...
- Ei, isso no  verdade..
Vocs sabem como so casais antigos, no? As discusses no 
acabam nunca... ou melhor, acabam sim, de forma tima...
---
        Harry chegou um pouco mais tarde aquela noite. Havia passado no beco 
diagonal para comprar uma penseira, porque havia coisas que ele queria 
guardar de forma especial, lembranas nicas para ele, que de certa 
forma, seriam um presente. Willy estava sentada no sof da sala, de 
olhos fechados, adormecera lendo um livro, que estava aberto em seu 
colo. Ela estava recostada de lado e ele a obsevou por um longo 
instante, antes de acord-la com um beijo. 
- Est atrasado, Sr. Potter.
- Foi por uma boa causa, Sra Potter - ele disse sentado-se ao seu lado 
no sof. E as crianas? 
- Dormindo profundamente. Chegaram da escola e foram para Hogwarts, onde 
passaram a tarde cuidando dos bichos com Hagrid e chegaram exaustos... 
como um homem de quase oitenta anos tem a disposio dele? 
- Gigantes vivem 400 anos... pela lgica, ele deve emplacar 200 anos 
no mnimo. Creio que Hagrid deve ter sado da adolescncia h 
pouco tempo - ele disse rindo - Venha... preciso te mostrar uma coisa. 
- E o jantar? 
- Depois a gente janta - ele disse, puxando-a escada acima, at o 
sto. Desembrulhou a penseira sobre a mesa e disse: - olhe.
Ela franziu a testa e olhou para a penseira, contendo uma 
exclamao. Ele pegou seus dedos gentilmente e segurando a sua 
mo, fez com que ambos tocassem o lquido da pequena bacia de pedra. 
Num segundo, Willy se viu diante de seus pais, que a contemplavam com um 
olhar amoroso. Ao lado deles, ela pode reconhecer os pais de Harry. Eles 
estavam ali e pareciam to felizes, seu pai j no tinha a 
cicatriz que ela lembrava, desfigurando-lhe o rosto. Sua me era to 
bonita quanto ela imaginava. 
-  apenas uma lembrana - disse Harry - Abel me disse que tivemos 
de escolher algo para lembrar... quando estivemos no mundo dos mortos. 
- E voc quis...
- No me lembro como, Willy, s sei que os vi, seus pais e meus 
pais... e eles esto bem, em algum lugar alm daqui... e a 
lembrana que escolhi foi essa, por mim e por voc. - ela o 
abraou e soltou lgrimas h muito presas, ele beijou o alto de 
sua cabea, acariciando-lhe os cabelos, amando-a muito. Ela levantou 
os olhos marejados para ele, agradecida, e ele disse: - agora, podemos 
viver a nossa vida, Willy... sempre que quisermos lembrar deles, saber 
como eles ficam felizes por ns, temos essa imagem.
Aquela foi uma noite perfeita, como no tinham h muito tempo. 
Bastante tempo depois, abraados em sua cama, Willy disse:
- Porque ser que Abel precisou fazer uma escolha, Harry? 
- No sei, Willy. Talvez o tempo nos diga porque. O que importa  qe 
agora ele est l em Hogwarts, comportando-se como um bom menino, 
assim espero. 
- Ou... andando pelos corredores com a sua capa de invisibilidade, 
atrs de alguma besteira para fazer...
- O que certamente  mais provvel - disse Harry rindo e dando um 
beijo de leve nos lbios da sua mulher

- Ok, Abel... voc nos trouxe de novo a um lugar esquisito..
- Cara, eu jurava que a sala que eu achei outro dia, a tal que eu disse, 
cheia de penicos, era bem aqui...
- Essa sala  fruto da sua imaginao, com certeza - disse Kayla 
rindo. - desista, voc no  o guardio dos segredos de 
Hogwarts.
- E andarmos os trs debaixo de sua capa  um bocado chato... - 
completou Henry
- Pea uma para o seu pai, oras, ele  rico.
- Eu pedi, ele disse que no quer saber do filho dele fazendo besteira 
invisvel pelos cantos da escola...
- Como se eles nunca tivessem feito isso...
Os garotos entraram numa sala vazia e  ficaram conversando, sempre se 
divertiam fazendo isso, afinal eram de casas diferentes e nem sempre 
tinham tempo de conversar e jogar snap explosivo. 
- Um menino da Corvinal disse que quer entrar para o sindicato dos sem 
casa - disse Henry - acho que  por causa dos olhos azuis de Kayla...
- Para com isso, Henry... uma menina do segundo  ano perguntou para mim 
se o negcio do sindicato  mesmo verdade... eu disse que era.
- Daqui a pouco vamos ter que fazer uma cerimnia de seleo e 
fundar uma quinta casa para os excludos das outras casas - brincou 
Henry
- Nem  m idia... o que voc acha, Abel?
-  pouco... eu tenho outros planos...
- Oh, no diga grande e poderoso bruxo - disse Kayla, debochada.
- No digo hoje, Kayla... mas um dia, no futuro, quem sabe se ns 
trs no fundamos uma escola? 
- Uma escola? - perguntou Henry - Para que? Para Bruxos ou trouxas?
- Uma escola para transformar trouxas em bruxos - disse Abel, com um ar 
sonhador. Kayla riu. Parecia estar quase embarcando na idia 
aparentemente louca do amigo:
- Seria uma boa idia...  uma boa idia... mas, porque faramos 
algo assim?
- Talvez fosse bom - disse Henry - se fossemos todos iguais, bruxos, 
trouxas, todos ns...
- E seremos - disse Abel com um ar decidido - um dia seremos todos 
iguais.
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Longe dali, em Londres, um felino se encolheu e pulou sobre um telhado. 
Ele estava patrulhando a cidade. Sabia que realmente, todos eram iguais.
FIM
Fred: Ei, acabou?
Aline: Voc no viu o "fim" ali em cima?
Jorge: Poxa... e o que acontece daqui em diante?
Aline: Quem sabe? S sei que eu no vou contar. Usem a sua 
imaginao, oras. Afinal, essa histria no  s minha, mas 
de quem a l.
Fred: Voc est ficando uma cafona sentimental, Aline Carneiro.
Aline: Pois ... sou mesmo. Tanto que vou dizer agora uma frase que 
sempre quis dizer...
Jorge: frase? No estou gostando disso... que frase?
Aline: J que voc pediu... "E foram felizes para sempre..."
Fim (mesmo)
